19.07

Sinopse: Em seu primeiro livro para o público jovem adulto, a premiada autora Luisa Geisler narra uma aventura inusitada de cinco jovens em busca de uma capivara perdida.

A cidade no interior de Minas Gerais para onde Vanessa se mudou é o tipo de lugar onde anunciam os horários do cinema e os obituários com o mesmo carro de som. Nada de muito interessante acontece por lá, a não ser para Binho, que, segundo ele mesmo, tem várias namoradas e conhece um monte de cantores sertanejos famosos.

A verdade é que Binho é um mentiroso contumaz e agora passou dos limites: inventou que tem uma capivara de estimação. Cansados das histórias cada vez mais mirabolantes do garoto, Vanessa se junta aos amigos ― Léo, Nick e Zé Luís ― para desmascará-lo. E eles estão decididos a ir até as últimas consequências.

Narrado durante as doze horas de uma noite regada a álcool, salgadinhos, segredos e romances mal resolvidos, Enfim, capivaras explora, através de diferentes pontos de vista, os relacionamentos entre um grupo de adolescentes em busca de uma capivara ― ou muito mais do que isso.

Eu preciso começar esse livro falando que a primeira coisa que me chamou a atenção nele definitivamente foi o titulo. Afinal, quantos livros por aí falam sobre capivaras? Então, quando eu li a sinopse dele, eu soube que tinha que ler por ele ter toda uma vibe meio “John Green” no que era mostrado sobre ele e eu fiquei realmente encantada com a história.

“Enfim, capivaras” se passa em apenas algumas horas, não chega a ser um dia inteiro, mas só nessas poucas horas já serve para nos mostrar um pouco desse grupo de amigos (que não são realmente amigos, falo disso mais adiante) e nos deixar com vontade de saber MUITO MAIS sobre eles. Nós seguimos esse dia na mente de Nick, Leo, Vanessa, Zé Luis e Binho (Dênis), o ultimo sendo investigado pelos amigos porque sempre conta das mais variadas mentiras: desde ter conhecido muitos cantores sertanejos enquanto fazia o numero 1 no meio do mato até peças de carros que nem existiam. Mas a gota final pra eles quererem desmascarar o amigo foi justamente ele ter dito que agora tinha uma capivara de estimação.

“Porque, apesar de não sermos os maiores amigos ou os piores inimigos, a gente é o que cada um de nós tem às seis da tarde de uma sexta-feira no interior.”

Então eles não podiam dizer que estavam surpresos ao chegarem na casa de Binho e verem que não tinha capivara nenhuma, porém Binho, nada disposto a dar o braço a torcer, falou simplesmente que a capivara tinha fugido e cada um deles (com seu próprio motivo, devo acrescentar) resolve que aquela é a hora de mostrarem que Binho só mente para todos eles, e se dispõem a caçar a tal capivara pelo mato da cidade do interior de Minas Gerais onde eles moram.

Assim eles começam aquela jornada da noite: eles vão até um mercadinho, compram coisas para se alimentarem durante a noite (além de bebida, muita bebida) e vão a caça da capivara fujona e bem, um grupo de jovens, numa noite regada a álcool, o que pode dar errado, não é?

“Vamos entrar no mato atrás de uma capivara potencialmente roubada, vamos no sentido contrário da civilização, que na verdade não é civilização, às dez da noite. Nenhuma ideia parece boa e essa é a pior de todas.”

Conforme o livro vai passando, como eu disse anteriormente, nós vamos notando que eles não são exatamente amigos. Até em uma passagem, um deles menciona que eles não são amigos, eles são pessoas que simplesmente cresceram sempre juntas (menos Vanessa, que foi a ultima a se juntar ao grupo e vem de Porto Alegre) e, seja por conveniência, ou por se conhecerem a vida inteira, ficaram próximas assim.

São relacionamentos bem complexos: Leo e Zé Luis tem um relacionamento que, provavelmente Leo não vê nenhum problema, mas Zé Luis não deixa de se sentir meio como um secundário na história onde o Leo seria o personagem principal, por ser filho da mulher que trabalha na casa de Leo e receber tudo que Leo “não quer mais”, então ele se sente meio inferiorizado por essa situação.

Leo é…como posso explicar sem parecer que eu odeio ele? Eu não odeio ele, quero deixar claro, mas ele é um garoto que tem tudo por assim dizer. Ele tem dinheiro, a família dele é conhecida na cidade inteira, ele tem uma namorada tão popular quanto ele, mas ainda assim ele não parece tão feliz com a vida que leva (algo que nós entendemos mais para frente o porque).

Então temos Vanessa, que por ter vindo de outra cidade, se sente meio “de fora” das situações ali, apesar de fazer parte do grupo que eles formam, ela não sente que se encaixa em tudo, sente que a casa dela não é ali naquele lugar, como ela mesma menciona conforme o livro vai passando.

“Eu sou tipo… não gorda. É assim que as pessoas falam. Se eu disser que sou gorda, vão dizer: “você não é gorda”. Nunca vão dizer: “você é magra”. Se alguém entender essa diferença, e como isso faz você querer parar de comer qualquer coisa, essa pessoa me entende.”

Daí vem Binho, que por algum motivo que me foge, simplesmente mente. É assim. Acho que todos nós já conhecemos uma pessoa assim na vida (eu sei que eu já), que não simplesmente aceita as coisas como são, mas que se você conta um caso que aconteceu, ele vem com outro super cabuloso em cima e que não passa de uma mentira, você consegue ver na cara da pessoa que ele está mentindo, mas e como provar isso?

E tem Nick, que é simplesmente a minha personagem favorita. Desde o minuto um que entramos no ponto de vista de Nick, eu sabia que ia amar ela e eu não estava enganada. Ela tem um relacionamento esquisito com Leo, que é amigo dela a vida inteira, mas ao mesmo tempo que ela o ama, ela odeia também porque ele parece não conseguir enxergar os próprios privilégios. Nick é MARAVILHOSA demais, não estou brincando (e ela tem um gosto musical muito parecido com o da minha melhor amiga, daí fica o questionamento, será que se Nick fosse real, seriamos amigas também? Eu adoraria!)

“Mas talvez toda história seja um recorte que veio de outra história. Toda história é parte de uma história maior. A gente sempre chega no meio de uma história e sempre sai antes que acabe. Exceto da nossa história, acho eu.”

A história em si, muito focada nos relacionamentos complicados entre os jovens e nas coisas que eles passam na própria vida, ao mesmo passo que é bem complexa também é ao mesmo tempo leve, fácil de ler e acompanhar, assim como eu disse no inicio, te deixa com vontade de mais. Você quer saber mais sobre esses personagens, quer saber mais sobre o que eles pensam, sobre como são e principalmente como as coisas vão ser a partir dali.

Eu comecei essa resenha falando que o livro parecia ter toda uma vibe John Green e eu não estava errada, mas também não estava certa. Com um final maravilhoso, que ao mesmo tempo que deixa aberto o que virá e conclui o que aconteceu, me lembrou muito mais o filme “O Clube dos 5” que quando acaba tudo que você quer saber é: e agora, o que vai acontecer quando eles voltarem pra vida real no dia seguinte? O grupo vai continuar assim ou vai se unir ou se separar de vez? Eu gostaria de apostar que, depois de uma noite caçando uma capivara que pode ser real ou não (e eu não vou dizer a resposta desse questionamento, isso fica pra vocês lerem e descobrirem), eles realmente vão se unir e aí sim vão falar com todas as letras que são amigos de verdade.

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