25.06

Sinopse: Desde que assumiu o trono de Tearling, Kelsea Glynn passou de princesa inexperiente a rainha destemida. Sua busca por justiça fez com que todo o reino mudasse com ela, mas quando os inimigos que fez ao longo do caminho ameaçam destruir seu povo, ela toma uma decisão inimaginável: se rende à Rainha Vermelha em troca de salvar Tearling. Sem as safiras, sem seus homens de confiança e trancafiada em Mortmesne, Kelsea precisa de novo recorrer ao passado, às experiências de mulheres que viveram antes dela, buscando em suas histórias a saída para uma situação impossível. O jogo está para terminar, e o futuro de Tearling será revelado de uma vez por todas. Com O Destino de Tearling, Erika Johansen traça o clímax inesquecível dessa aventura cheia de magia e emoção.

[Pode conter spoilers do primeiro e do segundo livro]

Eu acho que devia começar essa resenha de um modo diferente: eu devia começar a pedir desculpas desde já pelos possíveis surtos que vocês vão ver aqui, porque eu não sei exatamente como explicar ou definir como eu me sinto com o final dessa trilogia (que não é bem um final, mas isso eu vou explicar lá pro fim!). Já faz alguns dias desde que eu sentei e li esse livro e todas as vezes que eu vim e comecei a escrever a resenha, eu ficava simplesmente encarando as teclas porque são tantos sentimentos e tantas coisas que eu quero falar abertamente e não posso sem dar spoilers. Enfim. Vamos lá, vou tentar.

No primeiro livro nós fomos apresentados a Kelsea, ficamos sabendo sobre tudo que aconteceu na vida dela. No segundo livro nós conhecemos uma outra personagem que veio a se tornar muito importante no decorrer do segundo livro, uma personagem pré-travessia, a Lily, e também ficamos sabendo mais sobre como era aquele mundo e o que levou aquele grupo de pessoas a fazer a travessia – e também sobre como realmente ocorreu tudo aquilo que eu vou evitar falar por, adivinhem, spoilers! No terceiro livro nós temos o desfecho disso tudo e temos a explicação do porque saber sobre as coisas do passado faz tanta diferença em como o futuro será.

Talvez nós não sejamos capazes de ficar satisfeitos, pensou Kelsea, e a ideia pareceu abrir um buraco dentro dela. Talvez a utopia seja inalcançável.”

Depois dos acontecimentos do segundo livro, quando Tearling foi invadida e Kelsea deu um passo de fé no que ela achava que era o correto a ser feito, Clava começa a tomar conta do reino como foi ordenado a ele, só que agora com uma nova ameaça a solta: Row, a coisa obscura, parece cada vez mais próximo de conquistar aquilo que ele deseja de botar as mãos nos colares de safira – e é também nesse livro que nós ficamos sabendo mais sobre eles, o porque eles são tão importantes e porque Row os deseja tanto, já como ficamos sabendo mais sobre ele também e sobre a maldição que o prendeu na escuridão por tanto tempo.

Agora, os flashbacks do passado não vem de Lily, mas sim de Katie, uma pessoa que esteve em contato direto não apenas com Tear, mas também com o filho dele, que todos dizem ter morrido tão jovem e que não conseguiu governar o Tearling, que acabou ficando nas mãos dos Raleigh, os antepassados de Kelsea. Nós aprendemos muito mais sobre eles, sobre como as coisas foram se desenrolando com o passar do tempo e como no fim de tudo, o que Tear queria com a travessia, não passava realmente de uma utopia muito difícil de ser alcançada. Nós não deixamos de ver Lily e ela tem um papel muito importante ali também, mas não posso aprofundar nisso para não dar mais spoilers sobre tudo que acontece no passado.

“- Eu vi seu rosto, garota. Eu sei que vamos perder você um dia. Mas, manto cinza ou vermelho, faça um favor a si mesma: não deixe que seu passado governe o seu futuro.
– É fácil assim?
– Não. Até o capitão luta com o dele todos os dias.”

Já Kelsea se encontra do outro lado. Junto com a Rainha Vermelha, algo que ela nunca pensou ser possível, tentando descobrir mais sobre a mulher – e também entendendo tudo que a levou a ser como é, e elas precisam juntar forças se quiserem impedir que Row tenha sucesso nos planos. O que Row não podia realmente imaginar é que tinha um padre no caminho que era capaz de destruir tudo que ele vinha tentando fazer por ter encontrado justamente o artefato mais precioso que ele podia achar (de novo, spoilers!).

Eu devo dizer que sempre amei muito o padre Tyler, do fundo do meu coração, desde o primeiro momento que o vi, mas nesse livro eu adquiri um respeito e um amor ainda maior por ele. É difícil a gente lutar contra algo que nós fomos ensinados a acreditar em toda nossa vida. Algo que faz tanta parte de quem somos e, bem, padre Tyler é um idoso. Todos nós sabemos como essas coisas são ainda mais difíceis para pessoas mais velhas, porque as crenças delas já estão enraizadas, os ensinamentos também, mas ele nos mostra que nunca é muito tarde para mudar de ideia quando vemos o quanto as coisas são diferentes do que tentaram nos ensinar.

Padre Tyler luta contra tudo que fazia parte da vida dele porque simplesmente acredita que eles estão errados na forma que estão conduzindo as coisas – e eles estão e é tão descarado que chega a ser mau caratismo dos outros não simplesmente seguir o caminho do padre Tyler e ficarem acreditando no Santo Padre – e abandona tudo, menos a fé dele, para ajudar Kelsea a encontrar o melhor caminho para Tearling nessa jornada difícil que eles estão enfrentando.

“- São boas, aquelas histórias – continuou Clava, as bochechas coradas. – Ensinam as dores dos outros.
– Empatia. Carlin sempre disse que esse era o grande valor da ficção, nos colocar dentro da mente de estranhos.”

Já como eu comecei a falar do padre Tyler, já vou emendar e falar também de outros personagens que pra mim, não tem como respeitar mais: Clava é um deles. Também desde o inicio considerei ele um favorito e sempre tive tanto medo de me decepcionar com ele, mas isso não aconteceu nem de longe.

Assim como Andalie, a ama de Kelsea e vidente, é uma das melhores personagens que eu já vi, assim como a filha dela Aisa. Em um livro recheado de mulheres tão fortes, elas são duas das mais maravilhosas que eu já vi na vida. Depois de todo trauma que passaram na mão do marido e pai, elas ainda tem força e garra para lutar e fazer o que consideram correto, mesmo que os outros achem que elas não deviam fazer.

Nessa categoria também posso encaixar a Rainha Vermelha. Acho que, no fundo, eu fiquei com um pouco de pena dela depois de saber toda a história dela e tudo que levou ela a ser o que era, como anos de maus tratos e falta de carinho e atenção a transformaram na pessoa que ela é hoje. Claro que muita gente pode dizer que já passou por coisa pior, mas que não deixaram isso interferir no que eram, o problema é que cada pessoa reage a suas dores de uma maneira diferente. E essa foi a maneira da Rainha Vermelha. Isso justifica ela ter matado e usado milhares de inocentes ao longo dos anos? Não justifica de forma alguma, mas foi uma forma interessante de ter colocado, e não simplesmente um “ela é má porque eu quero que seja”. Ela tem suas nuances e é assim que se faz um bom vilão, na minha opinião. É aquele vilão que, por mais que você não concorde com as coisas que ele faça, você entende o que o levou a ser como é.

Só teve duas coisas que aconteceram nesse livro que me deixaram um tanto frustrada: uma foi a aparição de uma pessoa, que apesar de ter sido inteligente o que foi feito, eu acho que não precisava ter acontecido e outra foi a revelação de quem é o pai de Kelsea. Eu não sei se esperava mais, mas achei meio sem “sentimento” porque não era um personagem que eu ligava realmente, eu até demorei um tempo pra lembrar quem ele era (sem nomes para não dar spoilers!)

“Essas pessoas sentem tanto orgulho de seu ódio! O ódio é fácil e, ainda por cima, preguiçoso. É o amor que exige esforço, o amor que cobra um preço de cada um de nós. O amor tem um custo; esse é o valor dele.”

E por ultimo eu queria falar dela. Da própria rainha. Kelsea Glynn.

Torcer por Kelsea ao longo desses três livros foi uma grande montanha russa de emoções: orgulho, medo, tristeza, felicidade, desespero. Ela nunca deixou de ser a menina forte que me encantou no primeiro livro, mas eram tantas coisas acontecendo, que mesmo vendo tudo no ponto de vista dela, ás vezes era difícil entender para onde a mente dela ia, se ela seria capaz de aguentar tudo e mais ainda, se ela iria enlouquecer ou não. Quando a gente descobre o porque ela tem essas viagens mentais onde ela vê o passado tanto na travessia quanto na pós travessia, as coisas começam a fazer sentido e você vê que no fim, nada daquilo era loucura.

Fazia tempo demais que eu não conhecia uma personagem que eu me apegasse de tal forma. Claro que eu li vários livros e eu amo muitas personagens, mas é seguro dizer que Kelsea hoje em dia está no meu top 5 de melhores personagens já escritas. Ela é uma das personagens mais badass que existe e uma das mais corajosas também. Quando eu paro e penso em Kelsea, tudo que eu consigo pensar é “meu Deus, é disso que uma heroína é feita”. Ela não fica esperando os outros fazerem as coisas por ela, algum cavalheiro numa armadura brilhante vir salvar ela: ela vai e faz e dá a cara a tapa e vai contra tudo que for preciso se isso significa salvar o reino dela e as pessoas que moram lá.

Eu não tenho nem palavras pra explicar o tamanho do amor que esse livro me fez ter por ela, não sem falar tudo que ela fez e como foi perfeito a forma como foi feita. Kelsea Glynn merece todo amor e admiração do mundo todinho e não estou nem brincando.

“- Boa sorte, criança. – Ele deu um tapinha no ombro dela. – Um dia, talvez, quando seu tempo tiver acabado, pode ser que nos encontraremos de novo. Vejo que você tem uma história para contar, e eu gostaria de ouvi-la.”

O que me leva a falar do final. Quando eu comecei a ler esses livros, eu imaginei várias coisas diferentes acontecendo no fim, mas nunca passou pela minha cabeça que acabaria (será que acabou mesmo?*) da forma que foi. É um final feliz, mas ao mesmo tempo é um final triste, mas muito fácil de se entender. Era como tinha que ser. Não tinha um caminho a se tomar que não fosse aquele, porque a opção que restava era muito pior.

E, meu Deus, eu tiro meu chapéu pra Erika Johansen por ter feito algo assim, porque eu tenho certeza (inclusive eu li muita coisa sobre isso) que ela recebeu muito hate por ter acabado da forma como acabou, mas eu achei perfeito. Triste, mas perfeito.

É sério, se você ainda não leu nenhum desses livros, corra e leia. Vale a pena, vale muito a pena mesmo e eu indico mesmo que você vá odiar o final, porque eu odeio ele também. Eu amo esse final e odeio ele com a mesma proporção e quero agradecer a Erika por me fazer ter todas essas emoções conflitantes dentro de mim porque, no final das contas, é isso que os livros tem que fazer com a gente: eles tem que mexer com a gente, tem que nos fazer pensar e sentir coisas extraordinárias.

*O que eu falei ali sobre não ter sido um final, foi porque eu li a própria Erika respondendo em seu goodsread que ela tem mais dois livros para serem lançados nesse mundo de Tearling, e um deles é pra sair daqui há dois anos. Nos resta torcer!

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