02.04

“A Melodia Feroz”
Victoria Schwab
Seguinte – 2017 – 384 páginas

Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unir para conseguir sobreviver.

“O Dueto Sombrio”
Victoria Schwab
Seguinte – 2018 – 448 páginas

Kate Harker não tem medo do escuro. Ela é uma caçadora de monstros — e muito boa nisso. August Flynn é um monstro que tinha medo de nunca se tornar humano, mas agora sabe que não pode escapar do seu destino. Como um sunai, ele tem uma missão — e vai cumprir seu papel, não importam as consequências.

Quase seis meses depois de Kate e August se conhecerem, a guerra entre monstros e humanos continua — e os monstros estão ganhando. Em Veracidade, August transformou-se no líder que nunca quis ser; em Prosperidade, Kate se tornou uma assassina de monstros implacável. Quando uma nova criatura surge — uma que força suas vítimas a cometer atos violentos —, Kate precisa voltar para sua antiga casa, e lá encontra um cenário pior do que esperava. Agora, ela vai ter de encarar um monstro que acreditava estar morto, um garoto que costumava conhecer muito bem, e o demônio que vive dentro de si mesma.

Essa é uma resenha um pouquinho diferente: irei falar sobre os livros da duologia “Monstros da Violência”, da Victoria Schwab, mas SEM SPOILERS, então fiquem tranquilos. O primeiro livro se chama “A Melodia Feroz” e o segundo “O Dueto Sombrio”, os dois já tendo sido lançados aqui no Brasil.

Começo a escrever levemente triste. Essa duologia fala sobre violência (como o próprio nome diz) e sobre a esperança e a falta dela na humanidade. Os relacionamentos nesses dois livros são extremamente complexos e todo enredo é de uma criatividade impar: o cenário é a cidade de Veracidade, dividida em duas partes – Cidade Norte e Cidade Sul – aonde atos de violência geram monstros reais: Corsais (Vem de crimes “menores”, que não envolvem nenhum homicídio e se alimentam de carne e ossos), Malchais (Os monstros que vem de mortes e se alimentam de sangue) e os Sunais (Os mais raros, vem de grandes massacres e se alimentam de almas). Como vocês podem imaginar, é um mundo aonde nossos atos de violência se transformam em monstros que, inevitavelmente, geram mais violência. O seu ato de horror se personifica e se transforma em algo real, a lembrança do que você fez ali, pronta para perpetuar sua culpa ou falta dela.

Corsais, corsais, dentes e garras,
sombras e ossos abrirão as bocarras.
Malchais, malchais, cadavéricos e sagazes,
bebem seu sangue com mordidas vorazes.
Sunais, sunais, olhos de carvão,
com uma melodia sua alma sugarão.
Monstros grandes e pequenos, cadê?
Eles virão para comer você!

No começo somos apresentados a protagonista, Katherine Harker, que é uma adolescente tentando desesperadamente voltar para a casa e conviver com seu pai. August Flynn, como a sinopse já entrega, é um monstro – um Sunai – disposto a ser um humano. Kate quer ser sem piedade como seu pai, que controla um dos lados de Veracidade, enquanto August deseja ter esperança e sentir como um humano, como seu pai adotivo, o herdeiro do outro lado da cidade. A vida de ambos começa a se entrelaçar logo no começo do livro 1, depois de Kate enfim conseguir voltar para casa e frequentar um colégio aonde August é mandando para observar a garota.

Mas ainda existe muito sobre a mitologia desse universo para se falar: Os Sunais, ao se “alimentarem” das almas, podem fazê-lo de diversas formas, mas o mais conhecido é justamente a música: e aqui é uma das sacadas mais brilhantes desse mundo, já como a brutalidade de se “levar” uma alma é apaziguado pela música – ou, mais precisamente, pelo violino de August.

Havia monstros demais e bons homens de menos.


Toda a história gira em torno de violência, seja ela da forma como for: mortes, ferimentos, abandono, a violência contra você mesmo, a cobrança, o desespero. Tudo se une de uma forma que te leva a entender o quão visceral tudo isso é, o quão palpável uma dor dessas se torna e se personifica em um monstro que lhe acompanha, enquanto sua alma fica marcada com aquilo. O relacionamento de Kate com seu pai contem segredos que ela talvez não esteja pronta para descobrir, por mais que acredite que sim e por mais que queira saber.

Os relacionamentos dos livros precisam serem destacados: Kate e seu pai, Callum, e August com seus irmãos, Leo e Ilsa, além do seu pai, Henry. São pessoas comuns e monstros, mas pessoas que fazem atos monstruosos e monstros que tentam ser humanos, que conseguem entender que os humanos são falhos, mas intrigantes, e por isso querem sentir como os humanos. Callum Harker é um grande vilão, um monstro humano que não parece entender que continuar aquela tensão em uma cidade já dividida, em um país arrasado depois do que se denomina “Fenômeno” (Fazem 12 anos que esse tal “fenômeno” aconteceu) causará mais mal do que bem, mais violência e, consequentemente, mais monstros — mas é sua natureza. Já August, mesmo sendo um monstro, assim como seus irmãos, não vê beleza no caos e no que precisam fazer. Enquanto isso, o relacionamento de Kate e August vai crescendo a medida que eles compreendem que cada um tem o que o outro precisa, sendo construído e não simplesmente acontecendo.

— Dói — ele sussurrou.
— O quê?
— Ser. Não ser. Me entregar. Me conter. Não importa o que eu faça, tudo dói.
Kate inclinou a cabeça para trás, apoiando-a na banheira.
— O nome disso é vida, August — ela disse. — Você queria se sentir vivo, certo? Não importa se é monstro ou humano. Viver dói.


O primeiro livro termina bem no meio da história, literalmente, e essa é uma vantagem de ser somente uma duologia, já como a história fica em suspensa, prontinha para continuar e já caminhar para seu encerramento, apesar de sentir toda uma dor tremenda por perder esses personagens tão rapidamente. Voltando ao ponto e sem dar spoilers, como prometi, “A Melodia Feroz” termina com um gancho incrível, que te faz querer saber o que iria acontecer na sequência. Então “O Dueto Sombrio” começa 6 meses depois, em um ponto da história aonde está tudo prestes a explodir: Kate está em Prosperidade, tentando se manter longe das consequências do que aconteceu no final do 1º livro, mas logo algo bastante inesperado acontece: uma criatura, nova, mais forte e mais poderosa do que os monstros já conhecidos, começa a atacar e se tornar mais e mais forte, a fazendo ter certeza de que precisa voltar para Veracidade para terminar de caçar aquele monstro.

Porque ela sabia de algo mais: havia dois tipos de monstros, o tipo que caçava nas ruas e o que vivia dentro da sua cabeça. Kate conseguia lutar contra o primeiro, mas o segundo era mais perigoso. Estava sempre, sempre um passo à frente.


O relacionamento de Kate e August começa a desenvolver quando eles enfim se encontram novamente, e se há algo que eu posso apontar que não gostei nesse segundo livro foi o fato de que o tempo que Kate passou em Prosperidade foi descartado – os personagens que somos apresentados no começo do livro somem a medida que o foco volta para o nosso dueto principal. Mas preciso deixar claro que não me incomodei tanto com isso porque Kate e August funcionam perfeitamente: enquanto ela é a impulsiva, a força, ele é a duvida, os questionamentos, o momento de precisar pensar antes de agir. Não há como não se pegar desejando interações entre eles.

Quanto aos humanos, ainda estavam divididos — por raiva, perda, medo, esperança. Estavam progredindo, mas August percebera que sempre haveria fissuras na superfície, sombras sob a luz, inúmeros tons de cinza entre o preto e o branco.


Eu preciso falar que chego ao final dessa resenha sem saber o que escrever já como nos agradecimentos, a Victoria Schwab falou tudo que precisávamos: “Este livro quase me matou. Sempre digo isso, mas juro que desta vez foi para valer. Mas isso não quer dizer que não o amo — afinal, os livros só podem nos machucar se gostamos deles.” — porque é exatamente assim que me sinto. Esse livro me machucou porque eu me abri pra ele, eu aceitei que a violência contida nessas páginas eram monstros que poderiam comer nossas almas e a falta de esperança é capaz de acabar com nossa humanidade. Eu entendi que, infelizmente, algumas vezes, para continuar, é preciso perder e por isso que eu gostei tanto dessa duologia: ela não é perfeita, mas ela é capaz de te fazer sentir, e eu senti muito por Kate, August, pela música, pela dor, pela esperança. Se você procura algo capaz de te fazer sentir, realmente sentir, esses livros são o que você precisa ler para se perder em um mundo no qual violência é capaz de criar tamanha dor, mas também de te ensinar que se até um monstro é capaz de tentar ser humano, talvez um dia, nós, humanos, possamos aprender a ser menos monstruosos uns com os outros.

Vou terminar deixando uma entrevista com a Victoria Schwab (que já posso falar, com toda certeza do mundo, se tornou uma das minhas autoras favoritas da atualidade) deu para a Editora Seguinte. Tá legendada, então assiste porque ela fala dessa duologia e você vai se apaixonar por essa escritora. Juro.

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