“ A Princesa Branca”
Philippa Gregory
Record – 2018 – 560 páginas

Quando Henrique Tudor conquista a coroa da Inglaterra na Batalha de Bosworth, ele sabe que terá de se casar com a princesa da casa inimiga, Elizabeth de York. Essa é a única maneira de unificar um reino que, há quase duas décadas, está dividido pela guerra. Sua noiva, porém, ainda é apaixonada pelo homem que foi seu grande inimigo, Ricardo III, e a mãe dela, assim como grande parte da Inglaterra, sonha com a volta triunfante de um herdeiro desaparecido da Casa de York.

Além dos limites da Inglaterra, um dos maiores temores do rei – perder a coroa que roubou de Ricardo III – pode estar ganhando forças. Um homem misterioso está reunindo um grande exército. Ele alega ser irmão da nova rainha e o verdadeiro herdeiro do trono. Mas será que ele é mesmo o filho perdido da Rainha Branca, ou apenas um impostor?

Quando os avanços do seu suposto irmão começam a assombrar o reino, a rainha Elizabeth se vê diante de um grande dilema: Tudor ou York, quem ela irá defender? Ficará a rainha ao lado de seu marido, a quem está aprendendo a amar, ou do jovem que afirma ser seu querido irmão desaparecido?

Antes de tudo, preciso muito situar que esse livro é o 5º da série “Guerra dos Primos” da autora. No final, falarei mais sobre os outros livros.

Desde sempre escuto falar dos livros da Phillipa Gregory: misturando cenários e fatos reais, ela romanceia, por assim dizer, a vida de figuras ilustres e importantes da monarquia Inglesa. Só de usar o cenário real e fatos que realmente aconteceram já é algo que me chama bastante atenção, e a ideia de termos uma noção do que se passava nas mentes dessas pessoas que já estão mortas por séculos muito me encanta, apesar de obviamente saber que é uma liberdade criativa, até mesmo flertando um tanto com a fantasia, já como a protagonista, sua mãe e sua avó possuem uma ligação, digamos, magica, com as águas. Acredito que todo mundo que estuda a história da Inglaterra fica profundamente interessado em como uma família basicamente se destruiu em uma guerra (a famosa Guerra das Rosas, entre as casas York e Lancaster) que aconteceu no desenrolar do final da Guerra dos 100 anos. Digo que é uma única família porque o ramo das casas de York e Lancaster vem do mesmo antepassado: Rei Edward III.

Edward IV é o pai da protagonista desse livro: Elizabeth de York, que tinha por mãe Elizabeth Woodville. A sua vida foi sempre cercada por diversos percalços, já como seu pai estava em guerra desde antes do seu nascimento pelo trono. Sua mãe tinha dois filhos de um casamento prévio, mas Elizabeth de York nasceu uma princesa sabendo que seu destino estava ligado diretamente a todo jogo politico que acontecia ao seu redor. Sua mãe teve outros filhos, entre eles, dois meninos – que posteriormente desapareceram. No final das contas, Elizabeth, a nossa protagonista, foi prometida a seu tio, Richard III, um casamento que alguns diziam que iria acontecer por amor, fato bem incomum. “Iria acontecer” porque depois da morte de Edward IV, Richard III representou a casa York e perdeu para Henrique Tudor (sim, aquela casa Tudor!), o que levou Elizabeth a se casar com o vencedor da guerra. E é aqui que o livro começa.

Mas ela me ensinou que não há nada no mundo mais poderoso do que uma mulher que sabe o que quer e não se desvia do seu caminho para consegui-lo. Não importa se você chama isso de magia ou determinação. Não importa se faz um feitiço ou se trama uma conspiração. Tem que decidir o que quer e, com todo o seu coração, criar coragem para perseguir seu objetivo. Você será a rainha da Inglaterra, seu marido é o rei. Por intermédio seu, os York retomam o trono da Inglaterra que é nosso por direito. Persista além de seu sofrimento, minha filha; ele importa muito pouco, contanto que caminhe até onde deseja estar.

O livro leva como verdadeiro o amor de Elizabeth por seu tio (olha o parêntese: como todo mundo sabe, isso era algo normal. Não é mais, ainda bem, mas a historia da humanidade perpetuou casamento entre familiares com a ideia de manter o poder dentro da própria família), e com a morte do amado, ela estava em um luto devastador. Como foi criada ciente do seu lugar em todo aquele jogo politico, ela se conforma e aceita o casamento que parecia ser feito para enfim unir as duas casas das rosas em uma única novamente. Obviamente nada será tão simples e muito menos fácil de ser conduzido assim, com tramas politicas que nos mostram exatamente o quão feroz a sede pelo poder reinava entre aquelas pessoas, até mesmo com a possibilidade de impostores aparecerem afirmando que são os príncipes que estão desaparecidos. Em uma época aonde a palavra teria de valer muito, já como não havia tecnologia e a medicina não ajudava nesses casos, vocês podem imaginar o caos que é alguém chegar afirmando que é um filho perdido e que, curiosamente, é o herdeiro de um trono que está pousado em cima de milhares de corpos e banhado em sangue.

Não há nada que possa ser feito além de sorrir e obedecer. Algumas vezes ganhamos, outras vezes perdemos. O mais importante é que sempre, sempre sigamos em frente.

O que mais me chama atenção nesse livro e no contexto histórico é que homens eram criados para morrerem por um suposto ideal que nem ao menos sabiam ser real: todos acreditavam serem os herdeiros por justa causa de um único trono, sem pensar na quantidade de vidas que estavam destruindo ao decidirem entrarem em guerra contra seus primos e outras famílias. Todos, de uma forma ou de outro, foram afetados por toda vontade de se subir a um trono e ser o Rei, com casamentos forjados, mentiras contadas tantas vezes que começavam a acreditar nas mesmas e mortes sendo planejadas em cada corredor dos castelos. Philllipa Gregory se mostrou uma mestra nesse aspecto, mostrando claramente o desejo de cada personagem, mesmo quando ainda era dubio se a sua intenção era boa ou somente de plantar o caos. A politica e a trama te prende em cada página do livro, mesmo sendo um exemplar longo e que nos momentos aonde o romance deveria começar a florescer, se torna mais entediante – talvez porque eu não consegui comprar o que aconteceu entre os protagonistas pelo simples fato de ter acreditado que os dois eram impossivelmente chatos, mesmo com todo esse plano de fundo ao redor de ambos.

Esta é a roda da fortuna — como minha avó Jacquetta diria. A roda da fortuna pode levar você muito alto e depois arremessar muito baixo, e não há nada que possa fazer além de encarar suas voltas com coragem.

Preciso assinalar que Elizabeth de York cresceu sabendo que era uma princesa e que um dia iria ter seu papel em todo aquele cenário, ainda mais depois do “sumiço” dos seus irmãos, o que a tornou herdeira dos York, mas falta algo nela – aquela chama, aquele fogo como todas as mulheres precisavam fazer em uma época dominada por força bruta e lutas de espada. A protagonista parece se relegar ao papel que esperam de uma mulher: mãe, esposa, nunca a Rainha, e isso já fica claro no titulo da obra, já como ela é tida somente como “princesa”, ao contrário do livro sobre sua mãe, que se chama justamente “A Rainha Branca”. Já Henrique é um Rei manipulado por sua mãe (e aqui preciso falar que entendo bem porque a mãe dele é uma das mulheres mais manipuladoras e fortes que já li sobre. Falo sobre ela mais um pouco abaixo) que parece ser mais mimado do que o lugar que ocupada permitiria. No final, o casal não atrai e isso é o ponto mais fraco de todo livro, por isso que afirmo que se você tem interesse em jogos de politica e tramas, pode embarcar nesse livro, que pode ser lido aleatoriamente sim.

— Há muitos tipos de amor — aconselha-me. — E quando se ama um homem que é menos do que se sonhava, é preciso conciliar as diferenças entre um homem real e um sonho. Às vezes, terá que perdoá-lo. Talvez até tenha que perdoá-lo com frequência. Mas o perdão muitas vezes vem com amor.

Como já mencionei diversas vezes durante essa resenha, “A Princesa Branca” é um livro de uma série (apesar de que se pode ler independentemente), sendo o 5º. A série se chama “Guerra entre Primos” e é composto pelos 6 livros: A Senhora das Águas (Jacquetta de Luxemburgo, mãe de Elizabeth Woodville e avó de Elizabeth de York); A Rainha Branca (Elizabeth Woodville, a rainha, esposa de Edward IV e uma mulher que a história descreve como uma das mais fortes e determinadas da monarquia Inglesa); A Rainha Vermelha (Margaret Beaufort, que é a mãe do futuro rei Henrique Tudor); A Filha do Fazedor de Reis (sobre Isabel e Anne Neville, filhas do Conde de Warwick, conhecido por sua força e manipulação); A Princesa Branca (Elizabeth de York, a filha de Elizabeth Woodville e Edward IV, a protagonista do livro resenhado) e The King’s Curse (ainda inédito no Brasil, conta a vida de Margarida Pole). A edição da Record padroniza as capas, deixando a coleção maravilhosa e pedindo por uma prateleira na estante, além do acabamento maravilhoso, com pequenos extras como essa arvore:

E pra encerrar, falo sobre a série da BBC que foi inspirada no livro com o mesmo titulo. Assim como os livros, “A Rainha Branca” também foi uma série produzida antes, contando a vida de Elizabeth Woodville e seu casamento com Edward IV, além do nascimento de Elizabeth de York, que depois a sua própria série. Já assisti as duas e indico para todas as fãs de “Outlander” ai fora!

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