Sinopse: A escola Liberty se prepara para ir a julgamento, mas alguém quer impedir a todo custo que a verdade sobre a morte de Hannah venha à tona. Fotos ameaçadoras levam Clay e seus colegas à descoberta de um segredo terrível – e uma conspiração para encobri-lo.

Por ser a Série que é, me sinto na obrigação de fazer alguns avisos antes de de fato colocar minhas opiniões abaixo. Senso assim:

– Esta é uma resenha sobre a segunda temporada de “13 REASONS WHY”, não sobre a primeira.
– Esta é uma resenha que contém a minha opinião pessoal (e recortes pertinentes de opiniões de amigos) sobre a Série –
– Esta série possui temas pesados e a utilização de cenas que podem ser interpretadas como Trigger Warning (TW) e sendo assim vou comentar sobre alguns deles aqui, logo, fica-se avisado sobre a presença deste material no texto abaixo.
– Não procuro convencer, muito menos INDICAR esta série. O objetivo principal e único do texto é compartilhar minhas impressões sobre a obra para quem sabe servir como inicio de conversa ou assunto.

– E por fim para os chatos que chegaram até aqui > Eu não lí o livro.

portanto, sendo assim, começarei.

Em 13 Reasons Why – temporada 1, vimos os 13 motivos que levaram a personagem Hannah Baker a cometer suicídio. Nesta temporada veremos, algum tempo depois do recebimento das fitas, quais as consequências disso tudo na vida dos outros estudantes do Colégio Liberty High e em primeira mão vemos como o Clay está lidando com tudo isso.

A temporada não é construída inteiramente como a anterior; ainda vemos certas viagens no tempo proporcionadas pelas histórias e narrativas dos personagens em questão, mas desta vez, estas viagens assumem também um plano hipotético que não foi tão abordado na primeira temporada. Onde esta se preocupava mais em mostrar as coisas pelo ponto de Vista da Hannah e a interpretação do Clay sobre o que ela lhe contava por meio das fitas, nesta temporada vemos os personagens sendo confrontados com algumas situações que nos resultam em narrativas hipotéticas do que poderia ter acontecido, ou de coisas que não aconteceram muito conforme como foi contado. Dentro disso temos também histórias contadas por personagens que são desmentidas depois, dando ao telespectador uma ambientação muito mais profunda do que apenas um diálogo entre os personagens. Acredito que este artifício utilizado fez muito mais sentido neste segmento da história porque assim, o telespectador, se sente em certos momentos aliviado ou até mesmo frustrado com atitudes dos personagens, e também possibilita que nós, assistindo a série, possamos nos identificar com algumas decisões.

Além do aprofundamento das hipóteses, nesta temporada o Clay interage completamente com uma Hannah que em momento nenhum da uma explicação do que é, ou porque aparece. Onde na primeira temporada o Clay interagia com suas memorias da Hannah e levemente revivia coisas que eles passaram juntos, nesta temporada o Clay literalmente é assombrado com aparições da Hannha. Como se ela fosse um fantasma mesmo, influenciando em algumas atitudes ou momentos ao lado dele. Em momento nenhum existe uma explicação – que é deixada para o telespectador formular – do aparecimento dela, mas de qualquer forma, essas aparições apenas servem para enfatizar o sentimento de falta, culpa e incapacidade de seguir em frente do Clay.

Um detalhe sobre esse elemento utilizado que eu acho que deve-se fazer menção, é que de fato todas as interações que a Hannah fantasma tem com o Clay, são baseadas na interpretação que ele havia dela. Nunca alguma informação nova eh dada para ele por meio dela. Ela só trabalha como informações previamente estabelecidas – tipo um quadro na sala do diretor de Hogwarts, se você preferir.
Isto é muito importante para pavimentar uma das mensagens principais que a série passou para mim: Cada um de nós tem uma interpretação do outro. E nem por isso outras pessoas têm interpretações erradas. E nem mesmo a própria pessoa se vê como os outros a veem. Assim como agir com cada pessoa é regrado pela sua interpretação das coisas – onde não existe certo e errado.

Mas seguindo para o desenrolar da temporada, temos um plot que mistura How To Get Away With Murder, no quesito tribunal: Onde os personagens são, um a um, levados a depor diante de um juri em um processo organizado pela Sr Baker contra o colégio, alegando falta de capacidade institucional de cuidar dos próprios alunos; Com um filme SLASH tipo “PANICO”: onde os alunos são perseguidos por um “vilão sem rosto” que tenta impedi-los de contar suas versões da história no tribunal ameaçando-os e até os colocando em situações que PRA MIM beirou o famoso esquema de Vampire Diaries (que eu não sei se tem nome, mas se tiver por favor me digam) em que grupos se formam e se formam sem parar criando alianças que se desfazem e geram novos grupos dentro de grupos.

No fim, todos acabam se unindo e agindo em conjunto para tentar levar o estuprador à justiça. Com diversos momentos chave, a temporada mostra (com um pouco de facilidade que eu não acredito ser compatível no mundo real) as injustiças que as vítimas de abusos destes tipos passam até que consigam lugar de voz. Por momentos a série facilita, e mostra diversas pessoas dispostas a ajudar, porém em outros (aparentemente) retomam o ar realista que procuram e a situação se dificulta por questões como: O criminoso ser influente e ter meios de calar a boca daqueles que estão procurando justiça.

Se eles têm sucesso nesse processo? Vou deixar para que vocês descubram – mas usem a cabeça e vai ser facílimo descobrir o fim desse plot. Mas para chegar até ai, diversas situações apresentadas na temporada passada foram abordados e explicados. Algumas, admito, senti terem sido esticadas até o limite de uma forma que já não havia mais motivo, mas tudo para contribuir com a intricada teia de influencias e motivações entre os adolescentes para justificar as atitudes que tomaram, correspondendo respectivamente às consequências que estão tendo agora.

O fim desta temporada conseguiu me deixar mais agoniado ainda que a primeira. Por ter um leve toque se suspense (i cant with suspense) parece que o que estava para acontecer vinha sendo avisado desde o primeiro episódio. As cenas fortes – coisa pela qual a série também foi muito criticada – do último episódio me deixaram sem ar. Pode haver aqueles que achem que a cena da personagem sendo estuprada ou se cortando foram ainda mais chocantes, mas de qualquer forma, estas que os produtores deixaram para o ultimo episódio, como justificativa para os atos de um personagem em específico, não perdem e no mínimo empatam.

Preciso comentar que houve momentos em que a série aparentemente procurou trazer “redenção” a alguns de seus personagens mais odiados, como por exemplo o Conselheiro estudantil do colégio – que na primeira temporada foi, na minha opinião, um dos mais culpados pelo suicídio da aluna. Nesta temporada ele percorre um arco de redenção e muda sua atitude, agindo pelo bem e justiça do caso para provar que a escola realmente não se importa com os alunos. Entra-se então em outro assunto pesado da série, como cada um aborda o perdão. Que no caso, não vejo como este personagem em particular, pode ser perdoado pelo que fez, mesmo que sem intenção.

Outros muitos casos se desenrolam, a recuperação do Alex, que motivado por culpa de algo que ele havia notado fez com que tentasse também o suicídio. A aceitação da aluna que vinha escondendo sua sexualidade, e a real interação entre Tony e um outro aluno. Em meio a essas narrativas temos também a inclusão de alguns personagens que auxiliam as histórias de outros serem contadas, como é o caso do Tyler e do próprio Bryce, que ganha uma namorada.

Acredito que a série cumpra o objetivo, que é proporcionar uma história que gere o início de um diálogo sobre os problemas sociais vividos por adolescentes, e o que causa em diversas vezes no mundo real a tomada da opção de recorrer ao suicídio. Porém não só isso, acredito que a série mostre de forma quase didática e que leva o telespectador pela mão, a ver e interpretar as consequencias de todos os atos, não só os fatais como o de Hannah, mas até mesmo os que aparentam ser bobos e momentaneamente inofensivos.

As personagens desta série apresentam situações comuns, mesmo que mergulhados numa sociedade americana de classe média. Onde grupos se formam, amizades se iniciam e se acabam por motivos que na maior parte das vezes são originários da falta de comunicação ou insegurança. A apresentação de consequências na série só perde pela apresentação de sequelas – que são colocadas e abordadas para que o telespectador consiga interpretar e seguir sua origem, assim criando todo o trajeto de causa e efeito para cada uma das histórias interlaçadas. Existe porém, algo que deve ser chamado a atenção, e que me foi apontado por uma amiga do Idris. O marketing desta série não é tão efetivo quanto a construção de roteiro ou criação de cenas absurdamente reais. A propaganda que é feita em cima desta série, não sei se de propósito ( e se for, quero deixar aqui registrado minha insatisfação; como a da minha amiga) é focada em um publico mais jovem do que o que achamos ser capaz de assistir e formular interpretações saudáveis.

Existe muitas opiniões na internet, dizendo que a série romantiza suicídio e questões psicológicas. Eu particularmente não vejo a romantização nesta série como é alegado por esses comentários. Acredito que na necessidade de se criar a porta de entrada para um diálogo a respeito de algo, é absolutamente necessário que esse algo seja comentado e dissecado para que diversas opiniões sejam mostradas com alguma base. Não podemos alertar as pessoas sobre causas do suicídio sem falar de suicídio. Da mesma forma que outras questões polêmicas (estupro, aborto […]) devem ser chamadas pelo nome e abordadas como são. (O medo de um nome só faz aumentar o medo da própria coisa). ENTRETANTO, apesar da série promover avisos de Trigger Warning, ela o faz só nos episódios com direta exposição dos assuntos, o que não ajuda muito, uma vez que a pessoa já assistiu 10 episódios e muito provavelmente não vai deixar de assistir mais 3 por causa disso.

O que quero dizer aqui é, apesar da boa intenção e do capricho como foi feita, a série peca em não tomar maior cuidado com o publico que a alcança.

Como dito alí em cima, no que pode ter sido uma lista curta demais, eu não tenho objetivo de INDICAR esta série. Pois tendo o assunto que têm, presumo que cada um sabe o que é melhor para sí, e sabe se deve ou não assistir. Abdico do direito de aconselha-la a alguém no risco de dizer para assistir algo que possa lhe fazer mal, por qualquer que seja a situação.