“A Incendiária”
Stephen King
Suma – 2018 – 448 páginas

Uma criança com o poder mais extraordinário e incontrolável de todos os tempos. Um poder capaz de destruir o mundo.

Após anos esgotado no Brasil, A incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial, com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “A Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que assumiram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha.

Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturá-la e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.

Stephen King é considerado o rei do terror da literatura mundial atualmente. Claro que dou os devidos créditos a ele, mas nunca consegui ficar realmente aterrorizada com os livros escritos por ele, nem mesmo com “O Iluminado”. Talvez isso aconteça pelas conclusões dos livros de terror dele sempre envolverem alguma coisa que não me dê medo realmente (ETs, vampiros, lobisomens, cachorros, carros e afins). Sempre me senti deslocada por não conseguir embarcar nos livros de terrordivs de King, mas então um dia tudo mudou com um livro sobre serial Killers com a assinatura do autor: “Mr. Mercedes” foi o 1º livro do Stephen que eu simplesmente amei. Não me entenda errado, eu acho a escrita de Stephen King bem acima da média, dou total crédito a sua criatividade e principalmente ao modo narrativo dele em todas as suas obras: o que acontece comigo é que não consigo ter medo de algo sobrenatural que não envolva realmente o sobrenatural, e aqui falo sobre espíritos, demônios e coisas do tipo.

Precisei fazer essa introdução para dizer que eu gostei de “A Incendiária” de uma forma que me surpreendeu: A narrativa do livro me pegou desprevenida porque é um livro de ficção e não de terror. Já esperava algo voltado ao terror/sobrenatural, mas, para minha grande surpresa, o livro trata de um rapaz fugindo com sua filha, no qual os dois possuem poderes além da compreensão humana: Andrew McGee e sua filhinha de 7 anos, Charlene McGee – ou melhor, Andy e Charlie.

A vida é curta e a dor é longa, e fomos postos na terra para ajudar uns aos outros.

A narrativa intercala o presente e flashbacks que mostram Andy na faculdade, aonde ele decidiu participar de uma experiência: 12 pessoas foram selecionadas, mas somente 6 receberiam uma substancia, enquanto as outras 6 receberiam placebo. Sem dinheiro para se manter, Andy aceita os 200 dólares e pensa que a vida iria seguir normalmente, mas lá ele conhece Victoria Tomlinson, chamada de Vicky, e os dois se apaixonam. Para infelicidade do destino, os dois estavam tomando a substância e, casados, tiveram uma filhinha, a Charlie. Com o passar do tempo, eles começam a entender que daquela experiência, eles desenvolveram esses poderes, por mais que Vicky não quisesse conversar sobre o assunto. Como vocês podem imaginar, a filha deles nasceu com um poder mais forte ainda. Claro que tudo explode e com o tempo, tudo dá errado. Os poderes de Charlie são grandes demais para ficarem escondidos por tanto tempo assim, e, como toda boa trama de fuga, mortes e muita correia começam a acontecer.

Algumas coisas são maiores do que nós dois, e outras coisas são maiores do que todos nós.

Não vou negar que a trama lembra “Carrie, a Estranha”, também do King, mas eu consegui me apegar mais ao plot de “A Incendiária”, apesar do primeiro ser infinitamente mais famoso, porque aqui temos explicações – e esse é um dos motivos pelos quais eu não consigo ficar com medo real dos livros de terror do King: eles não me explicam o motivo pelo qual eu deveria ter medo. O conceito de “tenha medo porque sim” não me trai, e aqui, com Charlie, eu consigo ver e entender porque a temem e até mesmo porque ela mesma se pune quando usa seus imensos poderes. Não entenda que eu digo que não tive medo em outros livros do King, mas isso é algo bastante subjetivo e é assim que eu me sinto. Também assinalo de que o livro tem alguns trechos que podem mexer bastante com o leitor, levando-se em conta alguns sonhos da pequena Charlie.

No final das contas, existem trechos do livro que são sim, lentos, mas acho que isso até mesmo ajuda a narrativa no quesito te preparar para o final. Muitas pessoas reclamam que gostariam de uma continuação, mas, de novo, outra coisa que o livro me ganhou: a narrativa parou exatamente aonde precisava, pelo menos na minha opinião. Não continuou por capítulos e capítulos, se arrastando mais do que precisava, dando uma conclusão que deixava claro aonde nos levaria, apesar de não estar escrita e nem mostrar as consequências. Por fim, deixo essa quote do posfácio, escrita pelo próprio Stephen King:

Se eu pretendo dar a entender alguma coisa, é apenas o fato de que o mundo, embora iluminado por lâmpadas fluorescentes, incandescentes e néon, ainda está cheio de cantos e esconderijos e buracos escuros e sombrios.

A edição está maravilhosa: capa dura e emborrachada, além de capa em relevo e divisões de capitulos que imitam páginas queimadas. Essa edição faz parte da coleção que a Suma está fazendo de Stephen King: Novas edições de “A Hora do Lobisomem“, “Cujo” e “O Iluminado“, todos com capa dura e com extras, então fica aqui nossa dica caso você já goste de livros do mestre do terror ou queira começar a ler: “A Incendiária” é uma leitura fácil que vai te prender. Mostrei o exemplar que a Editora Suma nos mandou e falei sobre a edição lá em nosso Instagram, então sigam e vejam no stories como essa edição é nada menos do que perfeita – cliquem e sigam @IdrisBR.

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