03.08

cassie_padrao

Após a pergunta de um fã em sua conta no Tumblr, a autora Cassandra Clare decide explicar toda a importância dos prólogos, como faz pra escolher de quem será o ponto de vista dos prólogos de seus livros, e como isso afeta na história final. Vale a pena dar uma conferida!

Eu estava me perguntando, como você escolhe por qual ponto de vista contar uma cena. Tipo, por que o prólogo em “Cidade do Fogo Celestial” foi contado pelo ponto de vista da Emma e não no de Sebastian. Eu gostei da perspectiva da Emma, mas me parece que esta seria uma oportunidade de dar uma olhada dentro da cabeça dele?

Isso cai na categoria “Escritores, por que vocês fazem as coisas que vocês fazem?” Que eu sempre acho que é interessante, porque as nossas escolhas moldam o nosso trabalho, mas — mesmo se eu explicar os meus motivos, você não precisa concordar com isso. 🙂

Prólogos são uma coisa interessante no mundo da escrita porque eles realmente são controversos. Algumas pessoas os amam. Algumas pessoas os odeiam. O grande argumento contra eles frequentemente é, se as informações neles é importante, por que elas não estão na parte principal do projeto — em outras palavras, por que isso não é simplesmente um “Capítulo Um”?

Eu gosto de prólogos. Eu acho que eles nos dão a oportunidade de narrar um evento em um mundo na perspectiva de um personagem que você não conseguiria ouvir de outra forma — por exemplo, a perspectiva de Aloysius Starkweather em Princesa Mecânica. Sim, nós podemos ouvir na narrativa mais tarde a informação de que a neta dele morreu recebendo as suas primeiras runas, mas é muito menos visceral do que sentir isso nas páginas, e é interessante estar na cabeça de alguém cujo ponto de vista você nunca mais mais ver (como em 1878, Aloysius está muito longe da demência senil). Semelhantemente, nós vemos o ponto de vista de Valentim em “Cidade das Cinzas” e depois, até onde me sei, nunca mais. E isso nos dá o nascimento do demônio do medo, o que significa que quando Agramon aparece mais tarde, sabemos o que ele é. Ninguém mais no livro além de Valentim poderia estar lá para isso, ou eles não ficariam surpresos mais tarde por Agramon estar lá.

Algumas vezes, prólogos indicam um pulo no tempo, grande ou pequeno (o prólogo de Príncipe Mecânico, onde vemos Will e Jem aos 12, ou em “Cidade das Almas Perdidas”, onde vemos Simon duas semanas antes de onde o resto do livro acontece.) Algumas vezes eles existem para definir um clima (prólogo em Príncipa Mecânico). Prólogos fazem muitos trabalhos diferentes.

Quanto à razão do porque eu escolhi contar o prólogo de The Dark Artifices do ponto de vista de Emma e não de Sebastian — Eu já escrevi do ponto de vista de Sebastian antes, em Cidade das Almas Perdidas. Principalmente como uma maneira de deixar as pessoas saberem que ele estava tramando algo com Fadas, mas não o quê. Mas o prólogo do ponto de vista de Sebastian teria sido quase impossível sem revelar seu envolvimento com o Povo das Fadas, uma vez que estavam com ele na época. Ele teria que gastar todo o prólogo deliberadamente sem pensar sobre 1) as fadas ao lado dele 2) a existência de Edom, ao que ele está prestes a voltar 3) seus planos gerais, incluindo a visita à Cidadela Adamant.

Narradores pouco confiáveis são ótimos, mas eles normalmente são pouco confiáveis porque eles compraram uma própria mitologia sobre si mesmos. Ser tímido é outra coisa — não apenas revelar o que o personagem realmente está pensando — e Timidez em Escrever é um tópico completamente diferente.

Há coisas importantes, de fato, que aprendemos no prólogo sobre a história — que o Sebastian está atacando Institudos — mas mesmo se eu nunca tivesse planejado em escrever Os Artifícios das Trevas, ainda assim eu teria contado isso sob o ponto de vista de Emma. Para mim, os Blackthorns têm um peso simbólico em Cidade do Fogo Celestial. Eles representam os riscos de guerra.

Sem qualquer representação do povo — Caçadores de Sombras comuns, algumas crianças inocentes — que Clary e os outros estão tentando salvar, eles se tornam algo borrado e remotamente simbólico. Podemos entender que eles querem salvar seus pais, e aqueles presos em Edom, mas quando o que está em jogo é salvar a vida dos Caçadores de Sombras geral, colocar rostos e personalidades para as vidas importa.

(Além disso, no fato de eles terem escapado do Instituto, eles trazem informações importantes sobre o que Sebastian está fazendo para Idris — e eles ainda poderiam ter feito isso se o prólogo tivesse sido sob o ponto de vista de Sebastian, mas do ponto de vista dele, eles teriam sido um monte de pentelhos em fuga, sem nome e indiferenciados. Isso teria tirado todo o significado da cena quando Emma acorda gritando pelos pais e Julian dá a Cortana para ela. Isso teria tirado uma tonelada de significado do final, quando Helen é mandada embora — o significado dela sendo separada da família é muito entorpecida se nós não conhecemos a família dela.)

Então eu acho que se a pergunta geral é: Como eu faço pra escolher quem conta uma cena, sob qual ponto de vista, normalmente eu me pergunto: Quem sofre mais mudanças nessa cena? Pense sobre o motor que impulsiona as histórias dos três Cs: Conflito, Escolhas (Choice, em inglês) e Mudança (Change, em inglês). Jace conta a cena entre ele e Alec, porque ele é o que mais muda durante ela. Emma é a que mais muda durante o prólogo. Ela faz as maiores escolhas, toda a vida dela é transformada e ela é uma pessoa mudada. Sebastian não muda nada. Portanto, assim como querer estabelecer quem foram os riscos de gierra, dar um rosto às vidas que precisariam de salvação ao longo do livro, eu também queria mostrar o nascimento de uma heroína, o incidente que faz alguém se tornar o que é. A origem da história do super-herói. 🙂 Que eu acho que é uma boa coisa em se experimentar, você já tendo lido “Os Artifícios das Trevas”, ou não. 🙂

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