Resenha: [Hell’s Belles #1] O amor nos tempos do inferno – Jaysea Lynn

Sinopse: Não é com muita animação que Lily chega ao Pós-Vida depois de morrer de câncer com apenas 34 anos. O que ela encontra ali, no entanto, é mais fantástico do que poderia imaginar: divindades tomam café com meros mortais, seres feéricos transitam livremente entre reinos e almas encontram maneiras inusitadas de transformar a morte em um novo começo.
Explorando os diversos ambientes que o Pós-Vida tem a oferecer, Lily se vê inesperadamente atraída para um lugar que passou a vida toda temendo: o Inferno. Equipada com anos de atendimento ao cliente e de sarcasmo contido, ela decide assumir uma função inédita em meio aos demônios: ajudá-los, com muito bom humor — e por vezes com um pouquinho de violência —, a mandar as almas para o círculo do Inferno ao qual pertencem.
Os habitantes locais surpreendem Lily a cada dia, em especial Bel, um general incrivelmente sexy e divertido com quem ela logo descobre ter uma química irresistível. Mas há um perigo à espreita nos limiares do Universo, algo que ameaça destruir tudo o que eles conhecem… e vai ser preciso lutar com todas as forças para resistir.
CONTEÚDO ADULTO

Como posso começar a explicar o que esse livro fez com meu coração e com a minha alma? Se apaixonar por seres dos mais diversos é algo comum quando somos leitores e isso não devia ser novidade – mas desejar tanto estar com eles como eu queria estar dentro desse livro é algo que fazia muito tempo que não me acontecia.
Assim como está escrito na sinopse, Lily morre: isso é algo que acontece com todo mundo em algum momento, é claro, mas a morte dela é devido a um câncer que ela não tem como tratar quando tem apenas 34 anos de idade – mais nova do que eu, inclusive. Obviamente ela não fica feliz com isso, mas sua perspectiva muda completamente quando ela chega no pós-vida.
“Há muitas coisas neste mundo que são tão terríveis quanto belas, e todas requerem coragem.”
Ao chegar lá ela se dá conta de como tudo é tão diferente da forma como ela foi levada a acreditar a vida inteira depois de ter crescido em uma família evangélica. Lá tem absolutamente tudo que todas as pessoas creem: deuses gregos, deuses nórdicos, o próprio paraíso e também o inferno, e tudo no meio disso. As pessoas ao morrerem podem decidir se querem ir para um julgamento que as levará ao paraíso como desejam (se alguém viu o filme “Amor além da vida” pode imaginar como é esse paraíso) ou se vão para um dos andares do inferno que separam pessoas que ainda podem ter alguma salvação e reencarnar de pessoas que simplesmente não merecem isso – e é até engraçado que eles mencionam como Dante acertou algumas coisas e errou catastroficamente em outras. E, além de poder estar em um paraíso só seu, a alma pode decidir reencarnar em algum momento, ou então simplesmente abrir mão disso e ficar por ali o resto de sua eternidade, até se cansar e então ela tem a escolha final: ir até o Vácuo, o lugar onde as almas deixam de existir, se tornando parte do Universo como um todo.
Assim que passa pelo julgamento, apesar de ter uma certeza absoluta de que será enviada ao inferno (como eu disse anteriormente, pela forma que ela foi criada), ela acaba em seu próprio paraíso: uma casa lindíssima e acolhedora com o gatinho que ela teve quando era mais jovem e estava ali a espera dela (não estou chorando não, você que tá!). Porém, mesmo com o pós-vida “completo”, ela sente que algo está faltando o tempo inteiro, mesmo passeando pelo lugar e conhecendo tudo que é possível conhecer ali, desde cafeterias que não precisa pagar nada até mesmo outros reinos, com outros deuses, ela decide fazer uma visita ao inferno para encontrar dois demônios que ela conheceu em seu primeiro dia no pós-vida e ver como são as coisas naquele lugar que todos estão acostumados a temer.
“Talvez ela desse muito trabalho mesmo. Ácida demais, sarcástica demais, independente demais, levava as coisas a sério demais, sentia tudo com demasiada intensidade. Tinha se esforçado tanto para crescer, para superar seus traumas, para aprender a medir as palavras e segurar a língua afiada. Mas nunca parecia fazer diferença da forma como ela gostaria.”
Quando ela pisa no inferno ela decide que precisa fazer algo para ajudar aqueles demônios que cuidam do local: eles estão lidando com almas que não aceitam seu destino e acham que merecem mais do que estar ali por todos os motivos possíveis. É assim que ela cria a ideia de abrir uma “recepção” infernal, onde ela conversa com as almas e explica porque estão ali. Num jeito muito Suze Simon de “A Mediadora” ela não mede esforços – e porradas – pra ensinar uma lição as almas que foram parar naquele lugar, para que elas não discutam e simplesmente façam aquilo que elas tem que fazer se quiserem um dia reencarnar.
É assim que Lily recebe a admiração de muitos demônios do lugar, por ajudar a colocar ordem ali, até mesmo do próprio Lúcifer que cria pra ela um balcão de verdade com uma cadeira decente para que ela possa fazer seu trabalho como bem entende. E também é aí que entra Bel na história.
“Tentando viver. Tentando morrer, uma vez. Tentando ser mais gentil. Tentando ser pior. Tentando deixar sua marca. Tentando não piorar as coisas. Tentando amar melhor. Tentando se curar.
Tentando.”
Durante um dos muitos momentos que ela se diverte com os outros demônios, jogando um jogo de computador, ela acaba conhecendo Bel com um nickname diferente e eles se dão bem logo de cara. E, apesar de nunca terem se visto pessoalmente, eles tem toda uma conexão inexplicável que provavelmente não devia acontecer entre uma alma mortal e um demônio. Porém, como Lúcifer decide quando conhece Lily, ele acha que os dois tem que se conhecer pessoalmente e daí ele cria uma história mirabolante, sem o menor sentido, para fazer com que Bel vá até o Saguão e encontre com Lily ali.
O primeiro encontro deles não podia ser melhor: quando Bel chega até o Saguão, Lily está arrebentando uma alma na porrada por conta de tudo que ele fez na vida dele – e porque essa alma não queria aceitar o destino que merecia. Quando eles se falam pela primeira vez, eles descobrem que são os amigos do jogo e a partir daí, a química entre eles explode com força.
“Enxergar a si mesma como alguém sem importância era seguro. Ser insignificante era seguro. Ser uma decepção era seguro. Não havia expectativas, nem padrões a cumprir, nem pedestais de onde cair.”
Obviamente o relacionamento deles não começa de cara: os dois com medo do que sentem um pelo outro e, mais ainda, com medo de estragar a amizade por algo que pode não durar – considerando que ela pode reencarnar no momento que ela decidir – porém a tensão é palpável entre eles em cada página do livro e faziam com que eu ficasse torcendo pra que eles jogassem toda a cautela pro espaço e ficassem juntos de uma vez.
Além do relacionamento dos dois, tem outra personagem que tomou toda minha atenção e todo meu coração: Tubarina. Uma garotinha que aparece no pós-vida e com quem Lily cria uma ligação também desde o primeiro momento que elas se conhecem – e quando Lily entende o que aconteceu para Tubarina chegar ali e, principalmente, para ela acreditar mesmo numa idade tão tenra que vai para o inferno, Lily cria uma sensação de proteção enorme e que divide também com Bel e com Luci (apelido carinhoso de Lúcifer) e os três passam a tomar conta da criança como se a vida deles dependesse disso.
“Tubarina assentiu, relaxando ainda mais.
— Eu gosto da nossa família.
Aquela sensação quente e confortável encheu o peito de Lily outra vez.
— Eu também.”
Eu fiquei tão apaixonada pelo livro e pela ideia e a história escrita por Jaysea Lynn que simplesmente não queria que o livro acabasse. Toda a tensão, todo o amor e a forma como é mostrada naquelas páginas que realmente muitas vezes família é o que nós escolhemos pra nós mesmos, me deixou com o coração quentinho e querendo mais – e graças a Deus, terá mais.
Quando chegou no epilogo, com o que acontece ali, eu já imaginei que teria uma continuação, mas fiquei ainda mais satisfeita ao ver que terá mesmo (infelizmente só ano que vem :(). Eu estava sentindo falta de ler uma fantasia tão boa assim, tão diferente também. Claro que, como todas as romantasias, essa tem seus clichês, mas toda a ideia de pós-vida criada pela Jaysea é tão refrescante que valeu a pena cada minuto de leitura.
Se você está precisando de uma fantasia gostosa, com found family, com alguns clichês gostosos desses mundos, dê uma chance. É um livro muito bem escrito, com toda um mundo próprio, cheia das próprias regras e cheio de amor.

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