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Resenha: Jovens Malditos – M. A. Bennet

Sinopse: Em uma noite sombria e tempestuosa de 1816, o “ano sem verão”, quatro jovens poetas se reuniram na Villa Diodati para um desafio: escrever histórias de terror. E assim nasceram dois clássicos da literatura gótica: Frankenstein e O vampiro.
Duzentos anos depois, a Fundação Diodati convida quatro jovens artistas – Eve, Griffin, Hal e Ren – para recriar aquele encontro e conceber suas próprias histórias.
Mas o que começa como uma oportunidade dos sonhos logo se transforma em pesadelo. Visões perturbadoras, aparições inexplicáveis e um assassinato marcam a estadia.
Aos poucos, os quatro começam a desconfiar de que a Fundação esconde segredos obscuros ― assim como cada um deles.

Eu sabia que ia amar esse livro quando a “cena inicial” dele é um assassinato. Não um assassinato qualquer: o assassinato de uma pessoa que não dizem o nome, que não mostram quem matou, apenas pequenas palavras aqui e ali que poderiam ligar aos personagens o que teria acontecido de fato.

Mas tudo isso começa bem antes: 200 anos atrás quando em uma fatídica noite, grandes escritores juntos na Villa e dois deles escreveram os maiores terrores que já lemos: “Frankenstein” e “O vampiro” – que foi a inspiração de Bram Stoker para a escrita de “Drácula”.

“Porque a verdade é que os outros três são inocentes.

Eu, por outro lado?

Eu sou um monstro.”

Agora imagine você sendo uma pessoa apaixonada por clássicos de terror em qualquer formato que seja: literatura ou cinematográfica ou apenas querendo “sumir” um pouco do mundo e então surge uma grande oportunidade: passar um verão em um lugar tão famoso, tão perto (ainda que anos distante) de pessoas tão importantes para o mundo como o conhecemos hoje.

É assim que Eve, Hal, Ren e Griffin acabam nessa história. Os quatro viram ou ouviram falar sobre essa oportunidade e se inscrevem para tentar estarem ali. Neste lugar tão bonito, “perto” de grandes mentes que fizeram a história acontecer, tudo parece o mais perfeito possível. Até que deixa de ser.

“Minha mãe sempre diz: “Aonde foi parar minha menininha dourada?”. Às vezes penso em responder “Morreu”, mas talvez seja meio agressivo. ”

Uma noite, após lerem um livro que foi o mesmo livro que Mary Shelley e seu grupo leu, as coisas começam a se transformar pra eles: eles começam a ter visões de coisas assustadoras, começam a desconfiar uns dos outros e, principalmente, desconfiar da tal Fundação que os levou até aquele local.

Em um lugar distante de suas casas, com pessoas que conhecem faz poucos dias, como saber em quem confiar?

“Eu vim aqui descobrir quem sou como pessoa.

E se eu não for uma pessoa muito legal?

Todo mundo é protagonista do próprio filme, mas se eu assistisse à cena que acabou de rolar, eu definitivamente seria o antagonista.”

A forma como o livro pontua em cada parte o que vem pela frente (nos nomes das separações de em que parte eles estão como se fosse realmente uma história, nos levando desde “a primeira cena” até “o gancho pra continuação”) foi uma das coisas que eu achei mais interessante, além de, é claro, todo o relacionamento entre o grupo.

Nenhum deles se conhecia propriamente, por assim dizer, quando se conhecem no inicio: apenas Hal e Eve tem um “histórico” não muito agradável porque ela é uma garota que comenta sobre livros de terror/romance góticos e ele é um influencer de cinema e, com isso, acabaram se esbarrando “nas redes sociais” e se odiando a primeira vista. E também Grif, que é um cantor de rap muito famoso e que eles sabem quem é, mas nunca tinham o conhecido pessoalmente também. Fora isso, nenhum deles sabe nada sobre o outro.

“Desvio o olhar dela para os funcionários quietos, que andam com a eficiência e o silêncio de androides.

Eu não acho um amor.

Acho que, sem conseguir falar, eles não podem contar nada.”

E cada um deles tem uma personagem completamente diferente da do outro, o que aumenta não só as “desconfianças”, mas também acaba os unindo quando eles enfim deixam as mascaras caírem e falam sobre quem são e, principalmente, o que os levou a irem até aquele lugar. Cada um estava em busca de algo diferente do outro, de um sentido da vida diferente do outro e é isso que os torna ainda mais carismáticos.

De longe Eve é minha personagem favorita. Eu vi vários comentários gringos e muitos não gostam dela, mas pra mim ela é a personagem mais interessante e a história dela é, no mínimo, muito mais desconfortável e triste.

“A inversão dessa tradição é a fonte do terror. Pensem nas notícias… uma assassina sempre chama mais atenção que um homem assassino, porque parece uma subversão da natureza.”

Todo o plot do livro se volta muito para os medos que nós carregamos – e os medos que os personagens principais carregam também. Além de ter toda uma parte sobrenatural e que, sinceramente, me pegou de surpresa no final. Eu tinha uma ideia COMPLETAMENTE DIFERENTE do que estava por vir. Mal sabia eu.

Não é difícil se apaixonar por esse livro. Menos difícil ainda é, depois de ler o tal “gancho para a continuação” querer MUITO uma continuação, querer saber onde esses novos livros (não sei bem, mas li por aí que serão ao todo 5), vão levar nossos anti-heróis. Por favor, Plataforma, não demora pra trazer o próximo, eu estou SEDENTA (tanto quanto Ren) pelo resto!

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