Caçadores de Sombras e Seres do Submundo

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CAÇADORES DE SOMBRAS E SERES DO SUBMUNDO – UM LIVRO DE OS INSTRUMENTOS MORTAIS

Editado por Cassandra Clare

 

“Aqui está o mundo que você conhece, o mundo que você sempre conheceu; e então você pisca, e tem um lugar que você nunca teve suspeita sobre, e se espalha por sua pupila. E então, o mais chocante de tudo: Tem a compreensão de que esses dois lugares são o mesmo. E acontece que você nunca realmente conheceu o mundo ao redor de você totalmente.”

Shadowhunters e Downworlders é um livro com uma compilação de comentários de vários autores sobre o universo criado pela Cassandra Clare. Seu ano de lançado foi em 2013, somente na língua inglesa. Esse livro não foi publicado no Brasil.

SUMÁRIO:

Introdução ix CASSANDRA CLARE

Lugares incomuns 1

KATE MILFORD

A Arte da Guerra 19

SARAH CROSS

Mais Afiado Que Lâmina Serafim 35

DIANA PETERFREUND

Quando Leis São Feitas Para Serem Quebradas 49

ROBIN WASSERMAN

Simon Lewis: Judeu, Vampiro, Herói 67

MICHELLE HODKIN

Por Que o Melhor Amigo Nunca Consegue a Menina 68

KAMI GARCIA

Amor Fraternal 101

KENDARE BLAKE

Pedindo Por Um Amigo 113

GWENDA BOND

Apenas Para Propósito (Não) Ilustrativos 127

RACHEL CAINE

A Importância de Ser Malec 139

SARA RYAN

Vilãos, Valentine e Virtude 157

SCOTT TRACEY

Imortalidade e Suas Discontentamentos 167

KELLY LINK E HOLLY BLACK

O Que Essa Mocinha Anormal Pensa Que Ela Está Fazendo? Ou Caçadores das Sombras Se Tornam Ferozes 185

SARAH REES BRENNAN

 

INTRODUÇÃO

CASSANDRA CLARE

Existe uma pergunta que todo escritor é intimamente familiar e teme em responder. Onde você tem ideia para seus livros?

Não é porque é uma pergunta ruim. É uma pergunta justa, e não é como se nós não entendemos o porquê nos perguntam isso – claro que as pessoas são curiosas sobre o gênesis de uma ideia! Mas a verdade é que é muito raro que qualquer livro ou série de livros crescem de uma simples ideia. Normalmente ela cresce da mesma forma que um musgo acumula-se numa pedra ou a areia em uma ostra que acrescenta camadas até que é uma pérola. Começa com a semente de uma ideia, uma imagem ou um conceito, e então cresce disso conforme o autor adiciona características, ideias que ele ama, pequenas coisas, pedaços de sua fascinação e interesse, até que ele criou um mundo.

Eu contei a história de “como eu tive a ideia de Cidade dos Ossos”, o primeiro livro dos Caçadores das Sombras, tantas vezes que me preocupo que eu tenha memorizado a história e esquecido a experiência. Então, quando eu sentei para escrever isso, tentei o máximo possível me colocar de volta àquele momento quando a primeira insinuação de algo que poderia eventualmente virar o mundo dos Caçadores das Sombras passou pela minha cabeça.

Eu tinha acabado de me mudar de Los Angeles para Nova York e estava apaixonada pela cidade. Com sua história, com sua energia, com a vida durante o dia e a sua vida noturna. Minha primeira companheira de apartamento era uma artista, com um profundo amor por manga e anime. Ela me apresentou a outra artista amiga dela, Valerie, que trabalhava em um estúdio de tatuagem. Um dia Valerie me levou até o estúdio para me mostrar seu portfolio: era uma série de força diferente, padrões escuros em tinta preta que ela me disse que foram baseadas em runas antigas.

Runas são realmente nada mais que letras dos alfabetos antigos. A parte mais antiga escrita pela lei escandilava, o Codex Runicus, é escrito inteiramente em runas. Eles não têm o poder da magia, mas existe algo muito mágico sobre eles. Eles se parecem com letras de um alfabeto que existe apenas na beira de nossa imaginação: familiar o suficiente para ser letras, mas não familiar o suficiente para ser misteriosa.

Eu também sempre senti que tatuagens e outras marcas no corpo são mágicas – talvez porque eu não tenho nenhuma! Por toda história, tatuagens foram usadas para mostrar status e beleza, lembrar a morte, marcar os excomungados, e – mais útil para minha proposta – proteger seus portadores e dar-lhes força durante a batalha. Quando eu estava ali olhando nos designs da Valerie para tatuagens de runas, eu pensei, E se existisse uma raça de pessoas para quem tatuagens funcionassem de imediato, de um jeito mágico? E se suas tatuagens fossem runas?

Foi a primeira vez que pensei sobre o começo do que poderia eventualmente se tornar Caçadores

das Sombras. Depois de alguns meses, os personagens vieram até mim: Existia uma menina e um menino, separados por um terrível destino, e um melhor amigo, e um feiticeiro festeiro; existiam vampiros e lobsomens, e um fanático do mal que queria a purgação do mundo. E existiam anjos, demônios e outras criaturas mitológicas.

Havia sempre muita discussão entre os acadêmicos em como o folclore difere da mitologia. Sempre fui com a generalização que folclore tende a ser sobre os seres humanos ou criaturas mágicas (fadas, fantasmas, elfos) que vivem lado a lado deles, interagindo com eles e dividindo suas vidas. Mitos, por outro lado, tem que centrar em volta dos humanos para remover da humanidade, geralmente deuses: A estória da queda do Lúcifer da graça é um mito, como é o conto do Zeus recebendo o trovão dos Ciclopes. Eu cresci na fantasia urbana da década de 80, que misturavam criaturas folclóricas, como vampiros e fadas, com a vida urbana do dia-a-dia dos humanos normais. Eu sempre fui atraída pelo folclore, mas igualmente me enamorei pelos mitos, e como o mundo dos Caçadores das Sombras veio retardar a vida, eu sabia que o que eu queria fazer era criar um mundo híbrido mitológico/folclórico onde a presença de criaturas sobrenaturais era explicada pela existência de anjos e demônios, céu e inferno. Portanto, os Caçadores das Sombras (também chamados de Nefilim, baseado na história bíblica do Nefilim, “gigante entre os homens”) foram criados por um anjo. Fadas são filhas de demônios e anjos; feiticeiros são filhos de demônios com humanos. Os contos folclóricos do nosso mundo sobre vampiros, lobsomens, fadas e bruxas ainda detem a verdade, nesse mundo – era apenas que só o nefilim sabia sua verdadeira linhagem como criaturas de origem angelical ou demoníaca.

Tudo isso era um grande amontoado de diversão para desenvolver, mas infelizmente é um mundo, não uma estória. Uma trama, como Aristoteles famosamente disse, é um caracterizado determinantemente pela ação; sem pessoa, sem estória. Eu defini as pessoas em meu mundo: eu sabia que eu queria na história central uma dura e forte menina com um temperamente despreocupado e um grande coração. Então Clary nasceu. Eu queria lhe dar um melhor amigo que sempre estaria lá para ela, desde que o romance de uma grande amizade sempre me fascinou. Junto veio Simon. E sempre amei cabelos loiros com um senso de humor mordaz que usa esse humor como um mecanismo de defesa – e então existia Jace. A brava Isabelle, o pensativo Alec, o zeloso e perdido Valentine, o solidário Luke, o sábio e selvagem Magnus, todos vieram gradualmente, entrelaçando relações entre eles mesmo como eles cresceram.

Um dos maiores desafios quando você está escrevendo um livro onde o mundo é baseado em lendas e é altamente alusivo para mitos e um grande trato com o peso emocional – não é esse o motivo do sobrenome do Valentine, Morgenstern, significar “estrela da manhã”; sua queda da graça é para se espelhar na de Lucifer – é guardando o que está acontecendo nesse nível, que os personagens, se relacionavam. Sempre foi minha intenção com Clary contar a história de uma clássica jornada de uma heroína, onde o herói recebe uma chamada para aventura. (Da Wikipédia sobre monomito: “O herói começa numa situação mundana normalmente onde recebe alguma informação que aje como uma chamada que o desvia para o desconhecido.” De fato, os não-mágicos humanos nos livros dos Caçadores das Sombras são chamados de mundanos, o termo foi emprestado dos meus amigos gamers, que chamam todos que não jogam Dungens and Dragons de “mundano”.) O herói confronta a figura paterna, morre e ressucita ou senão transformado, e atinge seu último objetivo – a menos que a história seja uma trágica. A chamada de Clary para a aventura se passa quando ela volta para casa e encontra um monstro em seu apartamento e precisa lutar para sobreviver.

Os ossos do monomito endureceram porque a história ressoa sem uma parte especial do nosso cérebro que está guardado para lendas. E existem infinitos jeitos de colocar carne sobre esses ossos; apenas como todo humano tem um esqueleto que parece similar, mas um exterior inteiramente diferente, o monomito fornece uma estrutura para estórias que, quando completas, não poderiam ser mais diferentes. Eu tinha apenas dois objetivos quando eu decidi escrever uma estória monomito: que ela não é terrível (dedos cruzados!) e que o centro era com uma heroína, em vez de um herói.

As características dos heróis – imprudência, bravura, dedicação com a causa, disposição de auto-sacrifício, uma certa negligência – são características que frequentemente identificamos nos meninos. Era uma muito divertido dá-las a uma garota. Clary pula primeiro e pergunta depois; Jace, quem serve como um herói secundário, é frequentemente aquele cauteloso, você sabe que está em preblema, o que, esperançosamente, é a parte divertida.

E diversão é o que esses livros tem sido para mim, pelos últimos sete anos, desde que Cidade dos Ossos foi publicado e mais oito livros de Caçadores das Sombras foram publicados. Uma enorme diversão. Embora eu tenha inventado novos mundos desde então, o mundo dos Caçadores das Sombras sempre será querido para mim porque foi meu primeiro. Foram quase dez anos desde que eu entrei no estúdio de tatuagem no East Village e pensei sobre guerreiros mágicos; essa coleção de inteligência, tentativas articuladas me trouxeram de volta a esse momento e aproveitamento de criação desse mundo. Espero que você aproveite lê-los tanto quanto eu tive.

DIANA PETERFREUND

Qualquer guerreiro que se preze não está muito interessado em ter os segredos de suas armas revelados, mas penso que este texto da Diana seja uma análise esclarecedora do que faz o Jace ser o Jace que conhecemos, o amor, e, ocasionalmente, o querer estrangular.

 

MAIS AFIADO QUE LÂMINA SERAFIM

 

Os Caçadores das Sombras da série Os Instrumentos Mortais da Cassandra Clare tem uma variedade de armas a sua disposição, e a maioria das favoritas posses particulares. Isabelle Lightwood encontrou seu chicote dourado elétrico, Luke Garroway (quando não era lobisomen) era muito apegado à lâmina kindjal que Valentine lhe deu para se matar, e Clary Fray provavelmente tem a maior velocidade com seu poder dado pelo Anjo de fazer runas – isso é, quando ela pode controlar sua própria estela. (Honestamente, ela derruba essa coisa mais frequentemente que Stephanie Plum esquece sua arma.)

Mas Jace Wayland Morgenstern Herondale Lightwood – quem, graças ao seu sangue do anjo, é um dos mais poderosos de todos os Caçadores das Sombras, e quem tem mais nomes para lâminas serafim que pode ser encontrado em seu comum livro de nomes de bebês – tem uma arma que derruba todas as outras.

Humor.

Lâminas serafim,punhais e estelas são todas boas (e para Jace, eles são muito boas na verdade), mas a arma que ele vira e mexe usa na série Os Instrumentos Mortais é a sua ironia. Quando as coisas parecem particularmente perigosas, é quando suas piadas são particularmente ásperas. Mais tarde em

Cidade dos Anjos Caídos, Simon aponta isso explicitamente:

 

“Isso era Jace sendo corajoso, pensou Simon; corajoso e irritável, porque achava que Lilith fosse matá-lo, e era assim que queria ir, corajoso e de pé. Como um guerreiro. Como faziam os Caçadores das Sombras. Seu canto do cisne seria sempre este – piadas, zombaria, falsa arrogância e aquele olhar que dizia Sou melhor do que você. Simon só não tinha percebido antes.”

 

Pobre Simon. Dado muitas vezes como mundano vampiro diurno foi embatido pela zombaria masculina de Jace, é um pouco espantador que ele levou quatro livros para perceber a verdade por trás da arma de escolha do Jace. Felizmente, Jace sabe exatamente o que seu sarcasmo mordaz, sua risada irônica e sua arrogância divertida pode fazer, desde bem do começo da saga.

Em Cidade dos Ossos, quando Clary e Jace retornam pela primeira vez no apartamento dela, eles são confrontados por um Renegado, mandado por Valentine – um grande e até com com um grande machado. Quando outrora uma criatura humana ataca, passando de raspão na cabeça do Jace com seu já mencionado machado, o que Jace faz? Ele suspira aliviado? Ele ataca o cara de uma distância? Não; ele ri.

“A risada parece enfurecer a criatura,” que, em seguida passa a deixar cair sua arma – você sabe, como você faz se você é possuída por um escravo do mal que está sendo feita de bobo por um adolescente – e levanta seus punhos para o fortemente armado Jace, que imediatamente se livra dele com um rápido golpe de sua lâmina serafim.

Você sabe, como se você fosse um adolescente caçador das sombras muito bom que sabe que rindo do seu muito bom e excepcionalmente muito furioso oponente é a melhor maneira de fazê-lo fazer algo estúpido.

E a diversão para Jace está apenas começando. Depois, na batalha no apartamento da Dorothea, ele provoca Abbadon, o Demônio Maior de um jeito similar. Como o demônio sobriamente entona sobre seu poder particular sobre outros demônios e domínio demoníaco, Jace finge desdém. “Não tenho tanta certeza sobre esse vento e negócio negro vociferante… Cheira mais como lixão para mim. Tem certeza que não é do Staten Island?”

Jace aparentemente sabe que a melhor maneira de atacar o vilão é ferir seu orgulho. Abbadon não aprecia seu precioso Abismo sendo comparado a um bairro exterior, e LEAPS no Jace que está pronto (Notou o padrão aqui?) com um par de lâminas serafins.

E outra vez, Jace retorna com seu movimento de assinatura: Se diverte com o vilão, deixa-o sem balanço, provoca-os com uma fúria cega enquanto ele pode friamente pegar a mão de cima. Ele estende seu sarcasmo afiado contra demônios furiosos, desfortunados rivais (Simon, quando ainda competia pela afeição da Clary, era um alvo frequente), e até, na ocasião, contra a própria Clary.

Até no covil do vampiro Raphael, Clary e Simon estão sendo reprimidos por um rebanho de sanguessugas, Jace tira um tempo do comprimido marcado de serafim-oscilante para ridicularizar Clary com a compreensão hollywoodiana de lutar (Ela pensa que eles deveriam ficar um de costas para o outro) e esperançosamente chama Raphael de “imprudente” por se atrever a se mover enquanto Jace estava tentando esfaqueá-lo no coração. Sua obrigação com a piada, até em tempo de crises, tende a enfurecer os inimigos. E, naturalmente, sua lista de oponentes ocasionalmente inclui Clary quando sua

forte atração de pequena mundana profundamente o perturba (até antes dele descobrir que ela poderia ser sua irmã).

Veja, Jace nunca aprendeu a fletar propriamente, porque ele foi criado por um assassino sociopata.

Como se vê, tanto faz, humanos são ótimos negócios mais inteligêntes que Valentine ensinou a Jace a dá-los créditos por isso, e com o progresso da saga, ele descobre que não pode facilmente desarmar ou enfurecer os vilões quando eles não têm mentes simples como lacaios ou demônios (ou, como Clary, profundamente sensível a suas farpas). No climax em Renwick em Cidade dos Ossos, seus ataques que utilizaram o humor contra seu pai voltaram para ele, desde que Valentine é muito inteligente para cair nos truques do Jace. Valentine é completamente sem senso de humor (então isso deve ter nascido com ele, não foi pela criação que Jace conseguiu seu sarcasmo), os ataques de Jace e Luke de ridicularizá-lo foram respondidos com a indiferença, regurgitações sérias e mortas da plataforma de pureza do Valentine.

De qualquer forma, o ataque fornece ao leitor uma pista dentro do estado interno na mente do Jace. A maior distância entre Jace e seu pai é nessa cena, a maior que seu humor natural volta contra ele. Quando Clary o encontra pela primeira vez, ele está sob influência de seu pai, e toda provocação, todas as brincadeiras, todo o Jace tinha saído dele. Ele era Jonathan Wayland: sério, sincero, um servo de Valentine. Mas conforme ele começa a duvidar do pai, seu humor e sarcasmo volta, tanto quanto uma ação ofenciva (ao menos parece) como uma armadura de defesa para protegê-lo da dor de perceber que seu pai perdido é, bem, não o cara tão bom que Jace pensou que ele fosse.

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E os ataques continuaram contra o Jace no decorrer da trilogia. Embora ele tenha jeito em machucar demônios e seus seguidores utilizando de farpas verbais bem colocadas, quando se trata daqueles com grande poder mental e treinamento de guerra – pessoas como mães adotivas, Inquisidores da Clave, e aquele que outrora foi seu pai – suas tentativas de usar humor com uma técnica ofensiva não tem o mesmo efeito. Durante o livro Cidade das Cinzas, Jace não tem êxito com sua língua afiada; ele na verdade sofre.

“Normalmente ele poderia se achegar à Marysa por fazê-la”, Jace acha que sua mãe adotiva começa a interrogá-lo sobre Valentine. “Ele era uma das únicas pessoas que poderiam fazê-la rir”. Porém sua persistência com piadas e sarcasmo causa uma má impressão nessa hora, e seu relacionamento com a única mãe que ele já conhecera fica na corda bamba.

Mais tarde, ele tenta se sobressair com sua inteligência sobre a Rainha das Fadas, que fica admitidamente impressionada com seus esforços patéticos (e, como vocês sabem, pelo fato de que Jace é bastante atrante, e as fadas gostam desse tipo de coisa), mas ela faz questão de o mostrar quem é a aranha e quem é a mosca em seu mundo. Apesar disso, embora jace caçoe dela com seu olhar condenatório de “ok, agora que você já se divertiu…” – como Clary vê a situação – a Rainha Imortal da Fadas pode oferecer muito muito mais do que pode ganhar em troca de algum adolescente, mesmo que ele seja algum guerreiro Nephilim. Jace escapa de seu encontro apenas depois de ser forçado a beijar sua “irmã” em frente do namorado dela, sua família, e a corte das fadas inteira.

E ele cai numa fria maior ainda quando ele provoca a Inquisidora, que nomeia suas tentativas de humor como “revoltantes”, e o joga em uma cela mágica, acreditando que ele está caçoando dela como um dos homens de Valentine.

A causa desse humor depreciativo nessa segunda etapa da série pode ser atribuída ao crescimento da insegurança de Jace. Ele demonstra sua inteligência dessa forma como um movimento defensivo; ele está tentando esconder o quanto Maryse o machuca quando não acredita nele, ou o quanto está com medo do tratamento da Inquisidora. Ele não tem mais certeza de seu lugar no mundo. Em Cidade dos Ossos, Jace é um Caçador das Sombras, o amado (embora órfão) filho do tardio, e grandioso Michael Wayland (grandioso na mente de Jace, pelo menos; Clary pensa que ele é um idiota), vivendo feliz entre seus semelhantes da família Lightwood, lidando com sua atraçao por essa garota de cabelos vermelhos que, embora aparente, não é na verdade uma mundana. Em Cidade das Cinzas, a Clave está interrogando e aprisionando ele, Maryse Lightwood o expulsou de casa, as pessoas estão o chamando Jonathan Morgenstern, seu pai é um psicopata e – ah, sim, a garota dos cabelos vermelhos é sua irmã.

Existem algumas coisas que nem o sarcasmo pode te proteger.

Mas quando Clary marca a runa de “Destemor”, no final do livro, seu senso de humor retorna. Seria o medo de demônios a coisa que ela elimina de Jace naquele momento? Talvez. Mas e se for o medo de todo o resto que está mexendo com a cabeça dele? Com a runa “Destemor” em seu corpo, ele caçoa seu pai, e age como se os Caçadores de Sombras tivessem dizendo a ele que ele não era digno de se chamar pelo livro inteiro. Jace e os Caçadores de Sombras, junto com Luke e seus lobisomens, enfrentam chances impossíveis, graças à grande invocação de demônios de Valentine, mas Jace está de volta à sua forma original, e ele mantêm isso mesmo quando o efeito da runa se esvai. No final, as complicações na política da Clave e o drama familiar e relações incestuosas estão fora do caminho, e ele está de volta ao que ele conhece. Jace = Caçador de Sombras “fodão” e demônios = carne morte.

No final, o demônio Agramon consegue queimar aquela runa das costas de Jace. No entanto, isso não afeta apenas sua superioridade física, mas também atinge aquela bagagem emocional que a runa estava ajudando a controlar. Agramon aparece na forma de Valentine, lembrando Jace de sua conexão familiar, e ainda mais, de quantas características eles dividem: coragem, liderança, e a arrogância que em Jace, pelo menos, forma a essência de sua armadura de sarcasmo.

E embora Jace mate Agramon no barco de Valentine, o demônio causa um grande estrago em Jace. Medo e insegurança estão constantemente com ele em um estado de mau-humor durante a maior parte de Cidade de Vidro, quando Jace começa a duvidar não apenas de sua identidade, mas também de sua humanidade (ou nephilinidade). Clary nota sua depressão, pensando “Desespero, agressividade, ódio. Essas são qualidades de demônio. Ele está agindo da forma que ele pensa que deveria agir”. Com isso vemos que, como Valentine, demônios aparentemente não têm muito senso de humor. Se Jace é filho de Valentine, e recebeu sangue de demônio (como Clary viu nas visões do anjo), então um senso de humor não seria uma “marca de nascença”.

Jace pode fingir ser “contaminado por demônio” quanto tempo quiser, pode proteger a si com raiva e indiferença ao invés de sarcasmo e arrogância, mas quando a “ficha cai” ele retorna à forma antiga. Quando Jace é preso por Sebastian no final de Cidade de Vidro, derrotado, ferido, e sem esperanças de resgate, ele não entra em desespero. Ele caçoa de seu captor: “Esperando por uma ocasião especial para me matar? O Natal está chegando.”

Sebastian responde: “Você tem uma língua inteligente. Você não aprendeu isso de Valentine.” Você pode repetir isso, garoto demônio. Sebastian, como seu pai (ou talvez seu demônio doador de sangue), não obteve o gene do humor. Ele também é bastante inteligente, então ele não está

particularmente suscetível às tentativas de Jace de o deixar com raiva, com suas demonstrações de arrogância sarcástica. “Nada, nem uma fagulha de emoção, passou pelo rosto pálido de Sebastian,” quando Jace tenta cada “pegadinha” em seu arsenal, sem sucesso. Sebastian é fraco, Sebastian é louco, Sebastian é um dos lados errados da história… nada “mexe” com seu “irmão” até que Jace cutuca a ferida mais profunda de todas, aquela que até mesmo ele não se atreve a fazer piada, porque ele sente que é extramente forte para ele mesmo. Se Sebastian matar Jace desarmado e amarrado, Valentine ficará desapontado.

Nos primeiros livros, quando é dada a chance de Jace matar Valentine, ele não têm êxito pois não consegue se desvencilhar da necessidade implantada nele mesmo de tentar impressionar o homem que conhecia como Michael Wayland, o homem que ele pensava ser seu pai. Sua mão treme em Renwick, no primeiro livro, e quando ele mata Agramon no barco no livro dois, seu primeiro e terrível medo é que o demônio realmente seria Valentine o tempo todo. Valentine é o inimigo de Jace; ele abusou de Jace, “bateu em Jace até que sangrasse pelos primeiros dez anos de sua vida” (Como Sebastian diz em Cidade das Almas Perdidas), mas ele também é o único pai que Jace conhecera. Se existe alguma qualidade que Valentine possua, é carisma. É assim que ele era capaz de convencer tantos membros do Ciclo a fazer tantas coisas horríveis para ele, para começar. Jace acerta na parte em que Sebastian, apesar de sua sociopatia e sangue de demônio, venera Valentine da mesma forma que as outras pessoas veneravam. E mais, Jace entende que humor e sarcasmo não é o caminho certo para convencer Sebastian de que ele sabe do que está falando.

No primeiro livro, a aliança momentânea de Jace com Valentine em Renwick é “sem humor”; no segundo livro, isso também acontece quando Jace desperta no momento em que Valentine mostra a Jace seu terrível plano. A presença de Valentine em Jace é mais forte que seu senso de humor, e está tão enraizada em seu psicológico, que ele sabe que o psicótico Sebastian também sente isso. Então quando Jace convence Sebastian a lutar com ele, do jeito que Valentine gostaria (o argumento é falível, mas hey, funciona!), não há necessidade para piada. Sua conexão com Valentine é uma área de sua vida em que piadas não se aplicam.

Em Cidade dos Anjos Caídos, Jace é ressuscitado, e seu lugar no mundo é certo – ao menos é o que ele quer que todos pensem. Sua arrogância está bem aparente, mas aqueles próximos a ele não são mais enganados por isso. Clary, quando confronta Jace sobre sua vulnerabilidade contínua pensa “Alec e Isabelle sabiam, por viver com ele e amá-lo, que por baixo da armadura de proteção feita de humor e arrogância fingida, os cacos quebrados das memórias de sua infância ainda o atormentam. Mas ela era a única para quem ele disse essas palavras em voz alta.”

Não importa o quanto ele trabalhe para eliminar os ensinamentos distorcidos de Valentine, para Jace, as emoções e conexões ainda eram sua fraqueza, e o humor é a única forma que ele tem para tentar manter a distância das coisas externas – como demônios – que podem feri-lo.

Uma discussão com Simon e seu novo colega de quarto, o lobisomem Kyle/Jordan, faz Jace voltar à sua forma antiga: “Então basicamente você está ameaçando me transformar em algo que você pode jogar pipoca quando eu não faço o que você fala?”. Irritado, Kyle pergunta a Simon se Jace “sempre fala dessa forma.” A resposta, para o desgosto de Simon, é sim.

 

Depois, quando a possessão do demônio Lilith tomou conta, Jace perdeu até mesmo a sua fachada de sarcasmo. Clary pensa “é difícil vê-lo assim, toda a sua energia ardente habitual tinha ido

embora, como uma luz mágica sufocando sob uma cobertura de cinzas.” Você pode sempre contar quando algo está acontecendo com o pobre Jace, quando ele é um escravo de um mestre manipulador como Valentine, ou mais literalmente, quando ele é o peão de encantamentos como esses feitos por Lilith ou Sebastian. Quando isso acontece, ele apenas não é mais engraçado.

Em Cidade dos Ossos, ele perdeu sua fé em seu pai antes dele poder se juntar a Luke debochando dos planos de Valentine. Em Cidade dos Anjos Caídos, não até Clary quebrar com o que Lilith o prende cortando a runa dele que Jace começa a fazer piadas de novo, virando toda a força de seu humor como arma contra a própria Lilith: “Você e essa sua mania de se gabar usando os nomes alheios.” zomba Jace “É como I’m with the Band com figuras bíblicas.” (“Esse é Jace sendo corajoso,” Simon pensa quando ele testemunha isso.)

Lilith, de qualquer modo, não está se divertindo. Sério (trocadilho), o que acontece com esses demônios? Nenhum deles têm senso de humor – isso é, até Sebastian e Jace serem vinculados. Em Cidade das Almas Perdidas, Sebastian e Jace vão para uma onda de crimes selvagens pelas cidades mais fashions da Europa, vivendo como um par de garotos de fraternidade do mal e ainda gostosos nas férias de primavera do Inferno. Sebastian não é mais o filho sem senso de humor, sociopata de Valentine. Se é o vínculo mágico deles ou apenas um jeito de passar o tempo com o sarcasmo do Jace, Sebastian tem, de alguma forma, desenvolvido bastante talento para fazer piadas. Os dois até batem papo na frente de Clary a fim de relaxá-la quando ela aparece pela primeira vez na cobertura do apartamento interdimensional deles.

Clary está perplexa com o Jace que ela encontra. Nessa hora, a possessão dele é diferente do que ele é. Ele não está desesperançoso, ou o autômato fortemente controlado que ela cortou no terraço de Lilith. De fato, é difícil para ela botar na cabeça que ele está realmente possuído. Graças aos encantamentos de Lilith, ele está preso fisicamente a Sebastian, seu antigo inimigo e é também, mentalmente, um sub servente dos desejos de Sebastian… Mas ele está feliz com isso. Ele ama sua nova vida como ajudante de um psicopata, e ao contrário da outra vez que ele estava possuído, é difícil determinar se ele está fingindo, porque os princípios centrais de seu personagem – arrogância, humor e a paixão por Clary Fray – estão completamente intactas. “Como ele pode ser Jace e não ser Jace ao mesmo tempo?” Clary se questiona.

Toda vez que Jace faz uma piada sexy ou se gaba de sua aptidão física naquele tom arrogante em que ela começou a amá-lo, a confiança de Clary em sua missão de resgatá-lo de Sebastian é abalada. Talvez este seja o Jace, quem ele sempre foi destinado a ser: feliz, engraçado, louco de amor, puro em pensamento e propósito. Afinal, ela passou quatro livros aprendendo que Jace é menos ele quando não é engraçado, que as piadas param quando Jace está sob o polegar de um vilão. Mas Jace vagando pelas ruas da Europa e levando ela á encantadoras casas noturnas é realmente uma coisa divertida.

Então, por fim, vem aquela maravilhosa Cadeira de Prata – este momento, quando o encantamento é temporariamente quebrado e Jace insiste para Clary acreditar nisso, que este é o verdadeiro ele e o outro Jace é uma miragem, não importa o quão “feliz” (e brincalhão) ele pareça. Mas Clary permanece incerta. Afinal, ela se lembra da última vez que ele estava possuído em Anjos Caídos. “Você não sorri, ri ou faz piada”, diz ela, porque ela sabe que é o que o Jace faz. Ele sorri. Ele ri. Ele brinca. E assim fez o Jace encantado 2.0. Mas o Jace que vem a ela com o pugio (um tipo de adaga) estragando a runa de possessão vermelha em seu peito, este Jace supostamente sensato e livre pra pensar… Bem, ele é muito sério. O que a garota deveria pensar?

Infelizmente, as coisas ficam totalmente fora de controle quando mortalmente sério Jace começa a falar sobre, bem, morte, e Clary confusa, decide que a melhor pessoa para ajudá-la com a situação é seu irmão do mal. Oops. Lição aprendida, pessoal: Às vezes, seu hilário namorado pode ser mais infeliz despossuído do que ao contrário. (Na verdade, quando ela vai se desculpar com ele, no final do livro, inicialmente pensei que era por gritar para Sebastian, não porque ela mais tarde, completamente justifica, o esfaqueou com a espada embebida com fogo celestial. Porque, vamos ser honestos aqui, que parte disso merece desculpas? Obviamente a parte onde Clary é uma fofoqueira total.)

Mas enquanto o laço demoníaco, aparentemente, pode dar um senso de humor sobre os gostos de Jonathan “Sebastian” Morgenstern, estamos todos bastante esperando que o fogo celestial não queime os gostos de Jace Wayland Morgenstern Herondale Lightwood. De fato, quando Jace acorda pela primeira vez, depois de todo o ardor e tal, ele quase imediatamente reverte a forma pedindo para ver Clary (“‘Esse realmente é você,’ Isabelle disse com uma voz divertida”), e claro, criando piadas sobre sua vida de sonho como um modelo de lingerie em topless.

“Deus,” diz Clary quando ele tenta a mesma piada com ela, “tinha esquecido o quão irritante você é quando não está possuído.”

Só que ela não quer realmente dizer isso. Porque, na verdade, ela amava o sarcástico, arrogante, irritante e engraçado Jace – o amava tanto que ela quase o deixou ficar preso a Sebastian em vez de correr o risco dele voltar pro avião sem senso de humor que ela teve o azar de namorar quando ele estava sob a possessão de Lilith em Cidade dos Anjos Caídos. A coisa mais traiçoeira sobre Sebastian controlar Jace era o quanto Jace permaneceu ele. O suficiente que Jace tinha medo de Alec e Isabelle não acreditarem que ele estava curado quando eles vieram visitá-lo no hospital. O suficiente como Jace que até Clary tinha suas dúvidas sobre o que era melhor para o homem que ela amava.

O que significa que provavelmente é bom para os Caçadores das Sombras que Sebastian quis manter o Jace encantado como seu próprio cachorrinho-barra-BFF. Jace não tinha fugido com Sebastian para fazer os Cálices Mortais e festa com vampiros, ele tinha ficado sob os cuidados dos Lightwoods como um tipo de agente adormecido com uma runa, é possível que o terrível plano de Sebastian finalmente tenha sido eficaz. Ninguém suspeitava de um feliz e sortudo, que ama Clary, contando piadas, adorável e arrogante Jace Lightwood sendo um lacaio do mal.

Agora existe um pensamento assustador. Depois de tudo, Jace avisou Clary que, sob a influência de Sebastian, ele poderia ter “queimado o mundo… E rido quanto estava fazendo isso.”

É muito Jace fazer até o fim do mundo virar uma piada.

 

Diana Peterfreund é autora de oito livros para adultos e adolescentes, incluindo a série Secret Society Girl, e os romances de “unicórnio assassino” Rampant, Ascendant e For Darkness Show the Stars, e um pós-apocatítico recriando Persuasion de Jane Austen. Uma vez ela passou uma semana num castelo assombrado irlandês com Cassie, então ela sabe exatamente onde Jace conseguiu seu perigoso humor. Você pode encontrar mais sobre Diana em www.dianapeterfreund.com