Uma Canção de Natal Lightwood, parte 1 (Conteúdo Extra)

Cassie irá publicar um pequeno pedaço de conteúdo extra de “The Last Hours” por mês até um mês antes do lançamento do livro. Esse é do mês de Novembro de 2019.

Londres, 1889

Will Herondale estava repleto de espirito natalino, e Gideon Lightwood achava muito irritante.

Não era apenas Will, na verdade; ele e sua esposa, Tessa, foram criados em circunstâncias mundanas até eles serem quase adultos, e então a memória de Natal deles era cheia de memórias familiares e delicias da infância. Elas ganharam vida quando a cidade de Londres ganhou, como aconteceu todos anos.

As memórias de Gideon sobre o Natal eram mais sobre ruas cheias de gente, comida exagerada, cantores mundanos excessivamente embriagados que precisavam ser salvos dos elementos mais perigosos de Londres enquanto cantavam a noite toda, acreditando que todo o problema e maldade no mundo tinha se acabado até que fossem devorados por um demônio Kapre disfarçado de árvore de Natal. Apenas um exemplo.

Nascido e crescido como um Shadowhunter, Gideon, é claro, não celebrava o Natal, e sempre suportou a obsessão de Londres com o feriado com uma indiferença confusa. Ele morou em Idris a maior parte de sua vida adulta, onde o inverno tinha uma espécie de profundidade Alpina, e não havia uma guirlanda ou um biscoito de Natal que pudesse ser encontrado. O inverno em Idris parecia mais solene do que o Natal, muito mais velho que o Natal. Era uma estranha faceta de Idris: onde muitos Shadowhunters terminavam celebrando os feriados nas locações mundanas deles, ao menos os que saiam na rua com as decorações e festivais públicos, Idris não tinha feriado algum. Gideon nunca se perguntou sobre isso; parecia obvio para ele que Shadowhunters não tinha folga. Era a benção e a maldição de ser um, afinal. Você era um Shadowhunter todo o tempo.

Por isso alguns não conseguiam aguentar e deixavam isso por uma vida mundana. Como o pai de Will Herondale, Edmund, tinha feito.

Talvez fosse por isso que o espirito natalino de Will o incomodasse tanto. Ele passou a gostar de Will Herondale e considerá-lo um grande amigo. Ele esperava que quando os filhos deles fossem mais velhos, eles ficassem amigos também, se Thomas estivesse bem. E ele sabia que Will deliberadamente se apresentava como bobo e um tanto idiota, mas ele era um líder de Instituto forte e observador, e um guerreiro mais do que capaz.

Mas, quando Will insistiu que eles fossem ver as vitrines da loja Selfridge, ele não pode deixar de se preocupar que talvez Will talvez tivesse uma mente fundamentalmente sem seriedade.

Na rua Oxford? Dias antes do Natal? Você está louco?

Vai ser divertido!” Will falou, escorregando um pouco em seu sotaque gales, o que significava que ele estava um pouco animado demais para seu próprio bem. “Eu levo James, você leva Thomas, nós damos uma caminhada. Tomamos um drink no Devil no caminho de volta, que tal?” Ele bateu nas costas de Gideon.

Fazia um tempo desde que Gideon tinha ido a Inglaterra. Como um dos conselheiros mais confiáveis da Consulesa, Gideon não vivia apenas em Idris, mas raramente encontrava oportunidade para sair. Ele também ficava lá para que seu filho Thomas pudesse respirar o ar puro da floresta Brocelind, e não o ar dessa cidade imunda e nevoada.

Essa cidade imunda e enevoada, a voz do pai dele ecoou em sua mente, e Gideon estava cansado demais para silenciar a voz do pai como fazia sempre que ele aparecia. Mais de dez anos morto, ainda assim ele não calava a boca.

Seu irmão Gabriel morava em Idris também, por razões menos obvias. Talvez não fosse apenas o ar ruim; talvez eles dois eram mais felizes com uma boa distancia entre eles e a casa de Benedict Lightwood. E o conhecimento de que sua residente atual mal conversava com nenhum dos dois.

Mas agora Gideon tinha vindo para Londres, com Thomas, apenas os dois, deixando Sophie e as garotas em casa. Ele precisava de conselhos sobre Thomas, pessoas com quem ele pudesse discutir o problema discretamente. Ele precisava falar com Will e Tessa Herondale, e precisava falar com um Irmão do Silencio bem especifico que era frequentemente encontrado na vizinhança.

Apenas agora ele estava se perguntando se era uma boa ideia. “Uma boa caminhada” era exatamente o tipo de coisa Inglesa sem sentido que ele esperava que Will fosse sugerir para Thomas, mas “uma boa caminhada na rua mais lotada de compras em Londres três dias antes do Natal” era um nível de falta de sentido que ele não estava preparado. “Eu não posso levar Thomas por toda aquela multidão”, ele disse para Will. “Ele vai acabar machucado.

Ele não vai acabar machucado”, disse Will com desdem. “Ele vai ficar bem.

De todo jeito”, disse Gideon, “vão ficar nos olhando. Pais mundanos não costumam carregar seus filhos em carrinhos de bebê, você sabe.

Eu vou carregar meu filho em meus ombros”, Will disse, “e você carrega o seu em seus ombros, e que o Anjo proteja qualquer um que reclamar disso. O ar fresco de Londres vai ser bom para todos nós. E as vitrines vão ser um espetáculo esse ano.

Ar fresco de Londres”, disse Gideon secamente, “é grosso como melaço e da cor da sopa de ervilha.” Mas ele consentiu.

Ele tinha deixado Thomas no berçário, onde Tessa estava cuidando dele e de James. Um ano mais velho que James, Thomas não era bom em entender o que James conseguia fazer ou não ou entender. Tessa tinha medo que James acabasse machucado. Já Gideon ficava mais preocupado com Thomas que ainda era menor que James, mesmo com a diferença de idade deles. Ele era mais pálido que James também, e menos robusto. Ele tinha acabado de se recuperar da ultima de suas terríveis febres, que tinha levado um Irmão do Silêncio, que eles não conheciam, para a casa deles em Alicante para que ele fosse examinado. Depois de um tempo, o Irmão do Silencio declarou que Thomas iria se recuperar, e foi embora sem muita conversa.

Mas Gideon queria respostas. Enquanto ele pegava Thomas agora, ele não podia deixar de pensar sobre o quanto o garoto mal pesava. Ele era o menor d'”os garotos”, como Gideon pensava neles – em James, e o filho de seu irmão, Christopher, e o filho de Charlotte, Matthew. Ele tinha nascido antes e menor. Eles ficaram apavorados a primeira vez que ele ficou febril, convencidos de que era o fim.

Thomas não morreu, mas ele nunca se recuperou totalmente também. Ele continuou delicado, com uma estrutura fraca, facilmente ficando doente. Sophie tinha lutado mais do que qualquer um para beber da Taça Mortal e se tornar uma Shadowhunter, mas agora ela era forçada a lutar uma batalha ainda pior contra a morte ao lado da cama do filho deles. De novo e de novo.

Suspirando, ele pegou seu filho para arrumar os casacos deles para a caminhada de Natal.

#

Como esperado, a rua Oxford era uma loucura de compradores, carruagens, olheiros e grupos de cantores. Gideon gostaria de ter colocado a runa para deixá-los invisíveis para os mundanos (mesmo que um grupo de cantores fosse de lobisomens, que trocaram olhares de reconhecimento com Gideon), mas Will, é claro, queria a experiência completa.

James também parecia mais intrigado com o barulho e as luzes, dando risadinhas e gritinhos na cena natalina à frente deles. Um garoto Londrino desde o nascimento, pensou Gideon, e então pensou, bem, eu também sou um garoto Londrino de nascimento e isso ainda é muita comoção para o meu gosto. Já Thomas estava quieto, assistindo com os olhos arregalados, segurando nos ombros de seu pai. Gideon não tinha certeza do quão fraco Thomas ainda estava da ultima febre e o quanto ele estava sufocado pela população. De todo jeito, quando não estava doente, Thomas era fácil de se cuidar, ele raramente fazia bagunça, apenas olhava para o mundo com aqueles grandes olhos amendoados, como se estivesse ciente de seu próprio desamparo e esperando não ser notado.

Will esperou até eles se juntarem a multidão nas vitrines da Selfridge e fez várias exclamações absurdas de uma variação incrível de “Meu Deus”. Ele tinha segurado James próximo do vidro para examinar as cenas em detalhes, do que parecia ser algumas crianças loiras patinando no gelo em um rio. Gideon tinha apontado coisas para Thomas, que tinha sorrido.

Apenas quando eles pararam para comprar uma cidra quente de um homem vendendo no final da rua, que Will falou: “Eu ouvi sobre o filho de Tatiana, Jesse. Assunto terrível. Você conversou com ela?

Gideon negou com a cabeça. “Eu não falo com Tatiana ou estive de volta na casa fazem quase 10 anos.

Will fez um barulho de simpatia.

Eu não acho que é uma coincidência”, Gideon falou.

O que?”, perguntou Will.

Uma coincidência”, disse Gideon. “Que nós dois, ela e eu, temos filhos que são – doentes.

Gideon”, Will começou de forma sensata, “me desculpe por dizer isso, mas isso é um monte de idiotice.” Gideon piscou longamente. “Pra começo, você tem suas lindas filhas, nenhuma delas esteve mais do que razoavelmente doente quando eram bebês. E também, tudo que aconteceu com o seu pai foi ele mesmo quem buscou, e aconteceu muito depois de você ter nascido, e nem você ou Gabriel ficaram doentes.

Gideon moveu sua cabeça. Will era muito bondoso, sempre ansiosamente tentando poupar ele das consequências dos pecados da família dele. “Você não sabe a extensão disso”, ele falou. “A extensão dos experimentos de Benedict com magia negra. Eles estavam sempre acontecendo, desde quando consigo me lembrar. A varíola demoníaca apenas ficou na memória, porque é mais sinistra.

E também porque nós estávamos lá”, disse Will, “quando ele se transformou em um verme gigante.

Também tem isso”, Gideon falou sombriamente. “Mas duas crianças doentes, pequenas e frágeis – eu não posso dizer com certeza que é uma coincidência, que não tem nada a ver com as devastações de meu pai. Eu não posso arriscar a possibilidade.” Ele olhou para Will suplicantemente. “Levou anos para Jesse ficar doente”, ele disse, “e Thomas já ficou muito doente.

Teve um silencio profundo. Calmamente, Will disse “Você soa como se pretendesse fazer algo.

Eu pretendo”, Gideon falou com um suspiro. “Eu quero olhar os diários do meu pai, seus relatos do que ele chamava de trabalho. Eles estão em Chiswick, e eu vou lá pedi-los para Tatiana.

Ela vai aceitar te ver?” Will perguntou.

Gideon moveu a cabeça novamente. “Eu não sei. Eu esperava que a raiva dela diminuísse ao longo dos anos e o ressentimento também. Eu esperava que o fato da Clave ter dado a ela toda a herança e posses de meu pai ajudaria ela a encontrar a paz.

Bom”, Will disse, “se você vai, você certamente deve deixar Thomas conosco.

Você não gostaria que ele conhecesse a tia dele?”, Gideon perguntou inocentemente.

Will olhou para ele seriamente. “Eu não gostaria dele, nem nenhuma das minhas crianças, perto daquela casa!

Gideon ficou surpreso. “Porque? O que ela fez com a casa?

Will disse sombriamente: “É o que ela não fez.

#

Gideon entendeu o ponto de Will. Tatiana não fez nada na casa. Nada para mudar, limpar ou preservar de alguma maneira. Ao invés de restaurar o ou redecorar a seu gosto, Tatiana simplesmente permitiu que apodrecesse, se encardindo e se desfazendo, um pavoroso monumento da ruína de Benedict Lightwood. As janelas estavam sujas, como se a névoa estivesse vindo de dentro da casa; o jardim eram destroços pretos e retorcidos. Quando ele abriu o portão da frente, ele gemeu como uma alma torturada.

Não era um bom pressagio sobre o estado emocional de sua atual moradora.

Quando Benedict Lightwood morreu em desgraça pelos últimos sintomas de varíola demoníaca e toda a historia de sua infâmia foi revelada a Clave, Gideon se escondeu. Ele não queria responder perguntas ou ouvir falsa simpatia sobre o dano que isso causou ao nome de sua família. Ele não teria se importado. Ele já sabia a verdade sobre seu pai. Ainda assim, feriu seu orgulho, quando ele não devia ter nenhum orgulho em seu nome manchado.

As casas e a fortuna foram tiradas dos filhos de Benedict por ordem da Clave. Gideon ainda lembrava quando ele descobriu que Tatiana tinha feito uma reclamação contra ele e contra Gabriel pelo “assassinato” do pai deles. A Clave primeiramente confiscou as posses deles, e finalmente falaram a situação: Tatiana Blackthorn tinha requerido que a fortuna de Benedict fosse entregue a ela, assim como a casa ancestral dos Lightwoods em Chiswick. Ela era uma Blackthorn agora, não a herdeira de um nome manchado. Ela fez muitas acusações contra os irmãos dela no processo. A Clave disse que entendia que Gideon e Gabriel não tiveram escolha se não matar o monstro que o pai deles se transformou, e ainda mesmo que se eles falassem tecnicamente apenas a verdade, Tatiana poderia ser considerada correta. A Clave estava disposta a dar para Tatiana toda a herança Lightwood na esperança de resolver o caso.

Eu vou lutar contra isso”, Charlotte tinha dito a Gideon, as mãos pequenas dela segurando com firmeza na manga da camisa dele, seus lábios comprimidos.

Charlotte, não”, Gideon implorou. “Você já tem muitas batalhas para lutar. Gabriel e eu não precisamos daquele dinheiro sujo. Isso não importa.

O dinheiro não importava na época.

Gabriel e Gideon conversaram sobre isso e decidiram não contestar o que ela alegava. A irmã deles era uma viúva. Ela poderia viver na antiga mansão Lightwood em Chiswick na Inglaterra e na mansão Blackthorn em Idris, e tudo bem. Gideon esperava que ela e o filho dela fossem felizes. Da forma como era, as lembranças de Gideon da casa eram, na melhor das hipóteses, ambíguas.

Agora ele esperava na porta da frente, a pintura quase toda descascada, com profundas ranhuras aqui e ali, como se algum animal selvagem tivesse tentado entrar. Talvez Tatiana tivesse se trancado do lado de fora alguma vez. Depois de um tempo a porta foi aberta, mas do outro lado não estava sua irmã e sim um garoto de dez anos, parecendo melancólico. Ele tinha o cabelo escuro do pai que nunca conheceu, mas era alto para a sua idade, magro como um salgueiro, com olhos verdes.

Gideon piscou. “Você deve ser Jesse.

O garoto fechou os olhos parcialmente. “Sim”, ele falou. “Jesse Blackthorn. Quem é você?

Jesse, o sobrinho dele, depois de todo esse tempo. Gideon tinha pedido muitas vezes para ver Jesse quando ele era um bebê. Ele e Gabriel tinham tentado ir até Tatiana quando ela o teve, mas ela mandou os dois embora.

Gideon respirou bem fundo. “Bem”, ele disse. “Eu sou seu tio Gideon. Eu estou muito feliz de ter te conhecido, enfim.” Ele sorriu. “Eu estava esperando por isso.

A expressão de Jesse não mudou. “Mamãe me disse que você é um homem malvado.

Sua mãe e eu”, Gideon disse com um suspiro “temos uma história muito complicada. Mas a família devia se conhecer, e companheiros Shadowhunters também.

O garoto continuou a encarar Gideon, mas a expressão dele suavizou um pouco. “Eu nunca conheci outros Shadowhunters”, ele disse. “Além da minha mãe.

Gideon tinha pensado nesse momento muitas vezes, mas agora se encontrava lutando pelas palavras. “Você é… quer dizer… Eu queria falar para você. Nós ouvimos falar que sua mãe não quer que você receba as Marcas. Você devia saber… Nós somos família em primeiro lugar, sempre. E se você não deseja as Marcas, o resto da sua família vai te apoiar em sua decisão. Com os – outros Shadowhunters.” Ele não tinha certeza se Jesse sequer tinha ouvido falar sobre a Clave.

Jesse ficou alarmado. “Não! Eu vou! Eu quero! Eu sou um Shadowhunter.

Assim como sua mãe”, murmurou Gideon. Ele sentiu uma pequena centelha de possibilidade ali. Tatiana poderia ter desaparecido como Edmund Herondale, abandonado o mundo das Sombras completamente, vivido como uma mundana. Shadowhunters faziam isso, às vezes, ainda que Edmund tivesse feito isso por amor, Tatiana poderia fazer isso por ódio. Aquilo tinha dado a Gideon esperança, entretanto, uma pequena esperança.

Ele se abaixou para ficar na altura do garoto. Ele hesitou, então tentou tocar no ombro de Jesse. Jesse deu um passo para trás, casualmente evitando o contato, e Gideon deixou para lá. “Você é um de nós”, ele disse calmamente.

Jesse!” a voz de Tatiana veio do topo das escadas da entrada. “Saia de perto desse homem!

Como se tivesse sido cutucado com uma agulha, Jesse se afastou do alcance de Gideon e entrou sem mais nenhuma palavra para as partes sombrias da casa.

Gideon observou com horror enquanto sua irmã Tatiana descia as escadas. Ela usava um vestido rosa de mais de dez anos. Estava manchado com sangue que ele sabia muito bem que estava ali fazia mais de dez anos também. Seu rosto estava marcado e comprimido, como se sua carranca estivesse gravada ali, inalterada por anos.

Oh, Tatiana. Gideon foi inundado com uma estranha mistura de simpatia e repulsa. Isso já passou de luto. Isso é loucura.

Os olhos verdes da sua irmã mais nova pararam nele, frios como se ele fosse um estranho. O sorriso dela era cortante.

Como você pode ver, Gideon”, ela disse. “Eu me visto esperando companhia. Nunca se sabe quem pode dar uma passada.

A voz dela também tinha mudado: dura e chiada com o desuso.

Veio para se desculpar?” Tatiana continuou. “Você não vai encontrar perdão pelas coisas que fez. O sangue deles estão em suas mãos. Meu pai. Meu marido. Em suas mãos e nas mãos do seu irmão.

E como isso é possível? Gideon queria perguntar. Ele não matou o marido dela. O pai dela tinha feito isso, transformado pela doença em uma criatura demoníaca.

Mas Gideon sentiu a vergonha e a culpa, assim como o luto, como ele sabia que ela queria. Ele tinha sido o primeiro a cortar os laços com o seu pai e com o legado dele. Benedict ensinou que eles tinham que ficar unidos, não importava como, e Gideon tinha ido embora. O irmão dele ficou, até ele ter provas da corrupção de seu pai que ele não podia negar.

A irmã dele ainda estava ali, mesmo agora.

Eu sinto muito que você nos culpe”, Gideon falou. “Gabriel e eu apenas queremos o seu bem. Você-você leu nossas cartas?

Nunca fui muito fã de ler”, Tatiana murmurou.

Ela inclinou a cabeça e depois de um minuto e Gideon entendeu que esse seria o mais próximo de um convite para entrar. Ele passou pela porta nervoso, e quando Tatiana não gritou imediatamente com ele, ele adentrou mais.

Tatiana o levou para o que tinha sido o escritório do pai deles um dia, uma escultura em poeira e decomposição. Ele desviou o olhar do papel de parede rasgado, passando por um pedaço na parede onde podia ler SEM PIEDADE.

Obrigado por me ver”, Gideon disse assim que ele sentou na cadeira em frente a dela. “Como está Jesse?

Ele é muito delicado”, Tatiana falou. “Os Nephilins como você querem colocar Marcas nele, porque eles querem matar meu filho, como mataram todo mundo que eu amo. Você senta no Conselho, não senta? Então você é inimigo dele. Você não pode vê-lo

Eu não forçaria o garoto a receber Marcas”, Gideon protestou. “Ele é meu sobrinho. Tatiana, se ele está doente assim, não acha que ele devia ver um dos Irmãos do Silêncio? Um deles é um amigo próximo e poderia atender Jesse em nossa casa. E Jesse conheceria os primos dele.

Se preocupe com sua própria casa, Gideon”, Tatiana retrucou. “Ninguém espera que seu filho viva até a idade de Jesse, esperam?

Gideon ficou em silencio.

Eu imagino que você espera que Jesse se case com uma de suas filhas pobres”, Tatiana continuou.

Agora Gideon estava mais confuso que ofendido. “As primas dele? Tatiana, eles são todos crianças –

Nosso pai tinha planejado alianças para nós, quando eramos crianças.” Tatiana deu de ombros. “Ele teria muita vergonha de você. Como está sua empregada suja?

Gideon teria atacado qualquer homem que falasse assim de Sophie. Ele sentiu a raiva e a violência que ele conhecia desde criança se agitar dentro dele, mas ele desesperadamente se forçou a se controlar. Ele exercitou cada parte daquele controle agora. Isso era por Thomas.

Minha esposa Sophie está muito bem.

A irmã dele acenou, quase agradavelmente, mas o sorriso rapidamente se transformou em uma careta. “Chega de gracejos então. Você veio até Chiswick por um motivo, não? Fale logo. Eu já sei o que é. Seu filho está quase morrendo, você quer o dinheiro para remédios imundos do Submundo. Você está aqui para implorar humildemente. Então implore.

Era estranho: a loucura obvia de Tatiana faziam os insultos e xingamentos fáceis de aturar. O que ela estava dizendo? Que remédios do Submundo? Como remédios podiam ser sujos?

Benedict tinha destruído Tatiana também? Ou ela sempre tinha sido assim? A mãe deles se matou porque o pai deles passou pra ela uma doença demoníaca. O pai deles morreu da mesma doença, em desgraça e horror. Will Herondale podia agir como se não fosse nada, mas podia ser uma coincidência que o filho de Tatiana e o filho dele estivessem os dois doentes? Ou era alguma fraqueza no sangue deles, alguma punição do Anjo que viu quem os Lightwoods realmente eram e os julgaram?

Eu não preciso de dinheiro”, Gideon falou. “Como você bem sabe, os Irmãos do Silencio são os melhores médicos e os serviços deles estão sempre disponíveis gratuitamente para mim. Assim como estão pra você.” ele adicionou com ênfase.

O que, então?” Tatiana perguntou. A cabeça dela se inclinou levemente para o lado.

Os papeis do nosso pai”, Gideon falou apressadamente. “Os diários. Eu acho que a causa da doença do meu filho pode ser encontrada ali.”, ele percebeu que não queria dizer o nome de Thomas na frente da irmã dele, como se ela pudesse decidir conjurar com isso.

Um homem que você traiu?” Tatiana cuspiu. “Você não tem direito a eles.

Gideon inclinou a cabeça na direção de sua irmã. Ele estava preparado para isso. “Eu sei”, ele mentiu. “Eu concordo. Mas eu preciso deles, pelo bem do meu filho. Você tem Jesse. Com todas nossas diferenças, você tem que entender que nós dois amamos nossos filhos. Você precisa me ajudar, Tatiana. Eu imploro.

Ele pensou que Tatiana ia sorrir ou gargalhar cruelmente, mas ela apenas o encarou impassivamente, o olhar parado de uma perigosa cobra.

E o que você faria por mim?”, ela perguntou. “Se eu ajudar?

Gideon podia imaginar. Falar com a Clave para deixar ela sozinha, para ela fazer o que quisesse com Jesse, por exemplo. Mas na loucura de Tatiana, quem poderia saber com o que ela poderia querer.

Qualquer coisa.”, ele falou firmemente.

Ele ergueu a cabeça e ficou olhando pra ela, os olhos verdes de sua mãe no rosto sem piedade de sua irmã. Tatiana, que sempre quebrava os brinquedos dela ao invés de dividir eles. Tinha algo faltando nela, como tinha no pai deles.

Agora ela sorriu. “Eu já tenho uma missão em mente”, ela falou.

Gideon se preparou.

Do outro lado da estrada dessa propriedade”, Tatiana disse. “Tem um comerciante mundano. Esse homem tem um cachorro, de um tamanho não comum e temperamento ruim. Muitas vezes ele deixa o cachorro correr livremente na vizinhança, e claro que ele logo vem para cá fazer bagunça.

Teve uma longa pausa. Gideon piscou. “O cachorro?

Ele está sempre fazendo bagunça na minha propriedade”, Tatiana falou bem ríspida. “Cavando no meu jardim. Matando os pássaros.

Gideon tinha muita certeza que Tatiana não tinha um jardim. Ele viu o estado do terreno no caminho de entrada, desmoronando como um monumento ao desastre, nada menos do que a própria casa.

Definitivamente não tinham pássaros.

Ele fez um desastre na estufa”, ela continuou. “Ele destrói as árvores com frutas, ele joga pedras pelas janelas.

O cachorro”, Gideon disse novamente, como se quisesse ter certeza.

Tatiana fixou seu olhar nele. “Mate o cachorro”, ela falou. “Me traga provas de que você fez isso, e você vai ter os papéis.

Houve um longo silêncio.

Gideon disse: “O que?

[Traduzido por Equipe IdrisBR. Dê os créditos. Não reproduza sem autorização.]

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