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Resenha: Faísca – Ilustralu


“Faísca”
Ilustralu
Arte de capa: Ilustralu
Companhia das Letrinhas – 2026 – 104 páginas

Didi é uma menina que adora Festa de São João! Mas não da parte dos vestidos cheios de babados e fitas. O que ela gosta mesmo é de observar a fogueira, comer milho, macaxeira e canjica, e ver os meninos soltando fogos. Porém, quando ela pede para brincar com eles, ninguém leva a sério: dizem que não é brincadeira de menina. Oxe! Didi não vai aceitar essa história: a garota está disposta a provar que não existe coisa que uma menina não possa fazer! Ao lado de sua nova amiga Ninha, Didi parte em uma aventura para curtir ao máximo sua noite de São João enquanto dança, foge das meninas que a chamam de esquisita, ouve as histórias de seu padrim e, claro, tenta realizar seu sonho explosivo!

Com muito humor, carisma e um sotaque bem brasileiro, Ilustralu cria uma história em quadrinhos ágil, divertida e emocionante, com uma personagem tão cativante quanto Arlindo, seu protagonista que lhe rendeu o CCXP Awards 2022 e destaque no HQMix 2022. Com Didi, Ilustralu conversa diretamente com leitores mais novos, sem deixar de encantar quem já acompanha seu trabalho.

Esta história é um convite para entrar na festa, descobrir que podemos ser como queremos ser e que basta uma faísca para iluminar os mistérios mais inesperados.

Indicado para leitores a partir de 9 anos.

Vamos estabelecer no começo: O São João do nordeste não é o mesmo do resto do país. Como nordestina que já morou no sudeste por alguns poucos anos, afirmo, com toda convicção, não é a mesma festa. Dito isso, quero deixar claro outra coisa: “Faísca” se tornou a minha graphic novel favorita da vida. Simples assim. Ambientada no nordeste, durante a nossa maior festa tipica, temos uma história sobre uma garotinha que está descobrindo o que gosta, seu lugar no mundo e o poder do amor e da família. Não tem como não amar com todo o meu coração.

A premissa é direta: em uma noite de São João (entenda que se existem as festas de São João na véspera do dia do santo, ou seja, dia 23 de junho), com fogueiras, quadrilha, bombas e muita comida tipica, Diana, também conhecida como Didi, decide que quer soltar uma bomba, coisa também bastante comum neste dia. Ao pedir ao irmão e seus amigos para soltar uma bomba, recebe um sono “Não!” como resposta porque soltar bombas era coisa de menino, não de meninas. Claro que Didi não aceita essa resposta trouxa, mesmo com sua mãe tentando fazer com que ela usasse um vestidinho bem tipico, sem conseguir, e decide que embarcará em uma aventura para conseguir soltar sua bomba com sua amiguinha Ninha, a quem acabou de conhecer naquela noite mágica de festa na casa do padrinho de sua mãe, também considerado seu “padim”, como chamamos por aqui.

Preciso falar sobre a personalidade de Didi para poder explicar melhor porque soltar essa bomba parece tão importante para ela: Didi queria fazer algo que a sociedade ditou que seria algo masculino, logo ela, uma garotinha, não poderia fazer. Mas existem algumas garotas como Didi que fazem o que querem simplesmente porque querem, porque são crianças e crianças não deveriam estar regeladas a esse tipo de apontamento e julgamento. Claramente sendo considera “estranha”, Didi é só uma garotinha feliz que quer brincar e ter amigas, mesmo que os outros a vejam de forma torta, o que, no final do livro, leva a um ato de sua mãe que fez toda a história simplesmente insuperável – sério, gente. Obviamente não falarei por motivos de spoilers, mas o que fica claro é que Didi é amada, e é isso que importa.

Quando terminei a leitura de “Faísca”, eu só pensava que gostaria de poder dar um exemplar desses para cada uma das pessoas que amo e tenho na minha vida porque é o tipo de história que é capaz de tocar uma criança (sim, é uma graphic novel para crianças!) e um adulto da mesma forma, dando aquele quentinho no coração e nos mostrando que a família é quem nos ama e sempre vai estar conosco, de todas as formas possíveis. Enfim, esta graphic novel não é uma faísca de amor, é uma fogueira inteira, então se permita ler, mesmo que não seja noite de São João.

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