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Resenha: As sombras da noite (Universidade Sorrowsong #1) – Autumn Woods


“As sombras da noite: Até que o amor nos separe”(Universidade Sorrowsong 1)
Autumn Woods
Tradução: Carolina Candido
Paralela – 2026 – 352 páginas

Na isolada Universidade Sorrowsong, só herdeiros de famílias poderosas são aceitos. Ophelia Winters não se encaixa nessa categoria. Bolsista e deslocada, chega ao campus com um objetivo: investigar a morte de seus pais e destruir o responsável.

Seu plano, porém, começa a desmoronar quando conhece Alex Corbeau-Green, o aluno mais cobiçado da faculdade e filho de seu principal suspeito. Bonito, bilionário e intocável, Alex representa tudo que Ophelia odeia. Mas quando ela passa a ser perseguida por um desconhecido, é Alex quem se torna seu aliado ― e talvez sua única salvação.

Entre corredores antigos e colegas perigosos, Ophelia se vê dividida entre a vingança e os sentimentos inesperados que está nutrindo por Alex. Conforme a atração cresce e segredos surgem, ela precisa decidir até onde irá e se será capaz de destruir o mundo do homem por quem está se apaixonando.

CONTEÚDO ADULTO

Alguns livros realmente são muito ninchados e específicos para um terminado publico, se tornando quase impossível qualquer fora disto gostar da trama, e é ai que “As Sombras da noite”, primeiro livro de uma duologia, se enquadra em minha vida literária. É um livro que tenta se expandir para um thriller de mistério, stalking e obsessão, mas termina sendo somente um romance com um pezinho no dark romance – e ouso dizer que foi por falta de coragem da autora que não se tornou um. Não entendi porque este livro fez tanto barulho lá fora, mas também entendo que não faço parte deste público alvo e também não curto muito histórias que envolvem tudo ao mesmo tempo. A sinopse me fez parar uma mocinha vingativa e recebi uma jovem com estresse pós-traumático que se apaixona pelo lindão da faculdade. Que novidade…

As tábuas da ponte levadiça estalam de forma assustadora sob meus pés apressados, como se algo estivesse apodrecendo sob o verniz lustroso, querendo me puxar para baixo. Não tenho tempo para pensar nisso; arrasto meus membros doloridos e minha mochila abarrotada para o impressionante Salão Principal.
É estranho pensar que nunca pisei aqui, mesmo tendo morado perto durante boa parte da infância. Meus pais nunca conseguiram sair do conjunto habitacional onde morávamos, mas mesmo depois de uma década trabalhando aqui e com a oferta de uma casa para funcionários nos arredores, nunca me trouxeram para cá. Meu pai fez de tudo para garantir que nem um único dia da minha infância fosse vivido entre estas paredes, mesmo que isso significasse noites separados e longos trajetos diários.
Nunca entendi o porquê. Há certo drama aqui, mas em sua maioria entre filhos de famílias rivais. Eles deixariam alguém de fora em paz. Ou talvez seja só um pensamento otimista.

Ophelia Winters é uma jovem que aceita entrar para a universidade Sorrowsong, que fica em um castelo na Escócia. A universidade tem 8 cursos, entre eles psicologia, escolhido por nossa protagonista, mas o lugar é absurdamente exclusivo: basicamente com a elite filha de bilionários do mundo, nem todos dentro da legalidade. Logo ao chegar no lugar, Ophelia conhece Alex e todos os clichês que vocês podem imaginar já começam no capitulo 1: ele quase a atropela na chuva, a atração inegável e a discussão inicial entre duas pessoas que definitivamente irão se apaixonar.

O grande enredo dessa trama é que Ophelia está na universidade para descobrir quem mandou matar seus pais. Os dois trabalhavam no lugar, o pai como cozinheiro e a mãe como jardineira e morreram em uma sexta-feira indo para casa em uma viagem de helicóptero – sim, o lugar é tão exclusivo que os funcionários chegam e saem de helicópteros. A questão é que o pai de Ophelia tinha ou menos alertado para ela ficar longe de Cain Green, um bilionário americano de má fama. A jovem sequer sabia quem era o homem era, mas quando os pais sofrem o acidente que tira a vida de ambos, para ela foi o começo de uma investigação que levava até a empresa dona dele, que é o tal Cain Green. A partir dai, Ophelia fica por 4 anos investigando e puxando fios que a levam a ingressar na universidade como bolsista e tentar descobrir mais sobre o motivo pelo qual seus pais morreram. Mas claro que ela conhece Alex Corbeau-Green logo ao chegar no lugar e quase ser atropelada por ele.

As letras tremem ao olhar às lágrimas para a tela. Gritei quando vi o local do acidente. Berrei quando me arrastaram para longe. Mas o luto só chegou no dia seguinte, quando voltei para o chalé quieto e vazio. Quando pus os olhos nos três pães de hambúrguer amanhecidos sobre a tábua de corte, caí de joelhos no chão da cozinha e não queria nunca mais me levantar.
Depois, veio a raiva. Não o tipo imprevisível e passageiro que senti no local do acidente. Essa veio devagar. Se infiltrou no meu sangue como uma doença, e a cada dia eu acordava mais doente. Cada hora naquela casa silenciosa matava minha calma. Cada milhão a mais no patrimônio de Cain Corbeau-Green fazia o fogo no meu peito arder mais forte. Cada delator comprado para ficar em silêncio me deixava mais decidida a desmascarar aquele homem abominável.

Claro que na Universidade há 4 casas (Cicuta, Beladona, Cortinar e Raiz de Cobra) e nossa pobre mocinha atormentada acaba na Beladona, apesar de desejar ir para a Cicuta, já como é uma nadadora nata. Na Beladona, ela vai dividir o quarto com a filha de um mafioso russo (não questione) que é simplesmente maluca (não pergunte, sério) e que termina sendo morta (já pedi, não pergunte) dentro do quarto de ambas porque claro que Ophelia tem um stalker maluco que quer causar medo na jovem para ela ir embora do lugar. Nessa altura da trama, que é bem no quarto inicial, já havia parado de tentar entender o que estava acontecendo e só embarquei.

Um diferencial desta trama é realmente o tom gótico que ela possui e o ponto de vista de Alex, que é infitamente melhor do que o de Ophelia e olha que é por todos motivos errados do mundo, já como ele é um pobre filho de bilionário traumatizado pela mãe que sofre com sua saúde mental e que é basicamente a figura paterna para as 6 irmãs mais novas. Logo vamos entendemos que Cain queria que o filho se tornasse um homem de pedra para assumir seus negócios escusos, mas, sendo bem sincera, com 23 anos ninguém vai assumir um império do mal do pai. O que termina sendo um ponto de vista feito exclusivamente para o leitor amar o protagonista masculino e funciona porque quando comparado o da protagonista feminista, aqui sai em uma vantagem imensa.

Eu te odeio.
A risada dele ferve meu sangue.
Pelo amor de Deus, Ophelia, faz parecer crível pelo menos.
Eu te odeio, Alex. Odeio que você estude administração, e não arquitetura. Odeio que tenha voado pra casa três semanas atrás só pra apresentar um novo jato com seu pai. Odeio que sua noção de certo e errado seja complicada. São pessoas de verdade, Alex; as pessoas que viram uma consequência. Os denunciantes que desaparecem. As pessoas que morrem em acidentes. Até os mafiosos com sangue nas mãos têm família. Eles não são negócios. São pais e mães. Filhas e filhos.
Eu sei!”, ele grita, me interrompendo. “Eu sei que são pessoas reais. Não sou meu pai, Ophelia. Prefiro morrer a me ver apodrecer igual a ele.

Não posso reclamar da falta de química dos protagonistas (eles entregam bem como casal) e é por eles juntos que ainda dou essa nota, mas toda trama ao redor, todos coadjuvantes, todas mortes, todo sofrimento, todo perigo parece demais do tipo novela mexicana. Não levei à sério nem mesmo luto que Ophelia ainda sofre de tão dramática que ela é, mas, ao mesmo tempo, tentei lembrar que cada um lida com a perda de uma pessoa amada de um jeito, só confesso que foi duro acreditar que alguém tão traumatizada assim iria encontrar tempo para se apaixonar – mas veja bem, quem não se apaixonaria por Alex, o cara mais lindo, gostoso, rico, alcançável e metido a mafioso de uma faculdade que na verdade é um amor de pessoa, gentil, carinhoso, bom de cama e ótimo irmão? Enfim, todas as peças deste livro parecem ser fora do lugar, mas acredito que para quem curte um romance de dark academia com pé no dark romance, pode se apaixonar por essa história. Não foi meu caso.

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