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Resenha: Sete espinhos mortais – Amber Hamilton


“Sete espinhos mortais”
Amber Hamilton
Tradução: Guilherme Miranda
Seguinte – 2026 – 424 páginas

Nesta romantasia envolvente com elementos de dark academia, uma tatuagem de rosa liga as vidas de Roze e Viola ― e seus corações também.

No amaldiçoado reino de Aragoa, a magia é punida com a morte. Quando os poderes de Viola Sinclair se manifestam e surgem rumores de uma possível bruxa na região, a rainha dá uma nova ordem a seu assassino particular: acabar com qualquer vestígio da existência de Viola. Se não cumprir a tarefa em sete dias, quem morre é ele.

Esse caçador é ninguém menos que o príncipe Roze Roquelart ― colega de classe de Viola e quem ela mais odeia no mundo. Roze poderia ter amado a chance de acabar com sua rival, mas precisa desesperadamente de sua ajuda e, sobretudo, de sua magia. Relutantes, Viola e Roze terão que se unir para enfrentar ameaças mortais, segredos perigosos e uma atração impossível.

Às vezes somos atropelados por um livro por diversos motivos: porque aquele livro nos descreve ou uma situação que passamos, porque nos apaixonamos por uma personagem ou por um grupo delas, porque conseguimos enxergar verdade naquela trama mesmo que seja envolva em fantasia. São diversos motivos que nos fazem nos apaixonar por uma trama, e, no caso de “Sete espinhos mortais” é o inesperado. Calma, este livro não mudará em nada a sua vida, mas entrega uma romantasia sólida, bem escrita, com um casal que vai dos enemies-to-lovers com embaçamento, bem construído e envolvente. Viola e Roze são personagens cativantes que entregam o que é necessário deles. Mas sabe onde este livro realmente me ganhou? É um livro único. Isso mesmo: livro único. Só um. Nada de continuação. E quando termina, você toma um choque.

Sinto que muito que possa falar sobre a trama vai entregar algumas coisas, mas outras prometo pra você, que me lê, que não pista alguma. Sim, a autora realmente resolveu enganar os leitores, não entregando nenhuma pista de um dos grandes mistérios da trama, tentando entregar um momento chocante e que termina sendo o ponto fraco do livro não pela resolução, mas porque dá a impressão de que foi feito só para provocar a surpresa no leitor sem entregar nenhuma pista anterior. Tirando este único fato, me divertir com “Sete espinhos mortais” muito e acima da média, cada capítulo me entregando menções a contos de fadas que eu não esperava – Ah, sim, aqui temos menções explícitas à Branca de Neve e outros contos sim, tudo envolvo em alguns mistérios que foram potencialmente explicados e outros nem tanto.

Nenhum de nós precisa dizer em voz alta para saber a que ele se refere. O reino está morrendo. Todos sabem. Ninguém toca no assunto. As duas décadas desde que as Brumas chegaram têm sido mais uma morte lenta do que uma luta por sobrevivência. Várias pessoas já morreram de doenças. Outras enlouqueceram. Em breve, o estoque de medicamentos do reino vai se esgotar. Nossas reservas emergenciais de grãos vão ficar escassas demais para sustentar os poucos animais que ainda criamos para comer, que, no fim, se resumem quase que só a galinhas e coelhos. Vamos começar a definhar por conta das doenças, da desnutrição… quer dizer, isso se a rebelião não estourar antes, se não começarmos a matar uns aos outros como feras enjauladas todas juntas. Dá para sentir no ar: a inquietação e o desespero nos apertam cada vez mais, como se estivéssemos na forca. Estamos andando em nossa própria vala comum.

Começando pelo começo da trama, Viola Sinclair é uma estudante da Academia Vandenberghe, um colégio para ricos no reino de Aragoa, mas o problema é que não é Reino: há aproximadamente duas décadas atrás, a bruma chegou, matando tudo que entrava em contato, fazendo os aldeãos correrem para dentro do castelo e ficaram lá dentro trancados, basicamente esperando a morte chegar. Tentando continuar vivendo sem pensar sobre o futuro eminente, Viola continua indo para suas aulas mesmo com a morte do Rei Alexandre, pai de Roze, que é basicamente o bully da escola. Claro que eles dois se odeiam com uma força inacreditável que, na verdade, não tem nada de odio, fato claro para qualquer bookstan fã da trope que eles fazem parte. O que une os dois é justamente a morte do Rei Alexandre Roquelart: Roze quer descobrir quem matou seu amado pai e Viola recebe um livro que parece contem informações sobre o que aconteceu.

Mas para deixar tudo mais confuso e difícil, a Rainha Maria, a vilã da vez, odeia qualquer ser com magia, controlando bastante se alguém dentro das paredes do castelo apresentará qualquer movimento fora do normal. Quando, ainda no começo da trama, Viola demonstra ter poderes mágicos e Roze descobre, fica claro que a vida dela está em risco, mas não esperávamos que a Rainha fosse usar justo seu filho como um caçador e assassino, dando a ele uma tatuagem magica: a cada dia que passasse que ele não matasse Viola, um espinho surgiria na imagem, ou seja, ele tinha 7 dias para não morrer e matar a jovem. Preciso dizer o que vai acontecer ai?

Ele passa os olhos penetrantes pela turma, mas todas as cabeças estão baixas, tomando notas de forma frenética. Sir Patrick é conhecido por incluir detalhes minuciosos de suas aulas nas provas.
Quando ninguém levanta a mão, ele suspira.
Srta. Sinclair, gostaria de responder à pergunta?
Tento conter o sorriso.
Aragoa e Castelle conquistaram os outros reinos. Tornaram-se as duas forças dominantes na península.
E?
Engulo em seco, perdendo um pouco do entusiasmo ao nos aproximarmos do assunto que todos no reino evitam.
E, desde então, estamos em guerra.
Ele encontra o meu olhar, os olhos frios, até assombrados.
Sim, estamos mesmo.

Voltando a trama principal, Viola e Roze estão empanhados em descobrir o que aconteceu com o Rei e quem o matou enquanto Roze decide que eles vão fingir que são noivos para a Rainha não a matar (sequer faz sentido, eu sei) e nem suas odiosas 6 irmãs: Wisteria, Azalea, Oleandra, Narcissa, Hemlock e Belladonna. Aqui preciso de um momento para falar sobre as irmãs de Roze porque muito na trama não se encaixa completamente (como os pais de Viola, que falarei em seguida) e elas não são a exceção, mas são tão estranhamente intrigantes que fiquei me perguntando se não poderíamos ter mais livros sobre elas – e sem falar muito pra não entregar nada. Já a Rainha Maria é completamente envolvida no enredo da batalha entre Aragoa e Castelle, os dois países que brigam, sendo que este último que invocou as brumas para Aragoa, confiando os populares dentro do castelo. A Bruma é, sem sombras de dúvidas, uma das grandes personagens desperdiçadas da trama porque gostaria muito de ter entendido melhor e compreendido o tamnho e força mortal que tem.

Já Viola é uma garota que tem magia mas não a entende muito bem já como foi abandonada por seus pais depois de uma grande tragedia. Isso obviamente deixa uma cicatriz na garota, que invocas sombras da ponta de seus dedos quando tem alguma explosão de sentimentos ou se descontrola, justamente o que acontece no começo do livro com Roze e faz com que a Rainha descubra que ela tem poderes de meiga, termo usado aqui para falar das pessoas com magia. Enquanto começam a investigar o que aconteceu com o Rei, a vida de Viola vai ficando mais e mais em risco e Roze explica sobre quem realmente é e é só isso que posso falar, mas que foi algo que me intrigou bastante, um novo conceito sobre sentimentos, maldições e afins que ficou muito bem encaixado.

As Brumas são um fenômeno produzido pelos meigas aliados a Castelle na Guerra Aragoesa-Castelliana — diz ele, falando devagar, agora voltado para nós em vez de fazer anotações no quadro-negro. — A guerra começou como uma disputa por terras e poder e, ao longo dos séculos, foi se transformando num conflito filosófico. Por isso, os dois lados se tornaram completamente irreconciliáveis. É verdade que muitos meigas apoiaram Castelle. E… alguns deles chegaram, sim, a se aliar a Aragoa. Foram eles que criaram as proteções ao redor do castelo que nos protegem das Brumas. Essas proteções permitem a saída da fumaça das chaminés e a entrada de ar fresco, mas contêm as Brumas. São elas, e não essas paredes de pedra, nossas barreiras contra a morte que Castelle nos deseja. — Ele aponta para as Brumas escuras que se contorcem do lado de fora das janelas, e todos viramos a cabeça naquela direção. — Os meigas de Castelle têm uma magia mais sombria e sinistra, do tipo que só pode ser produzida por almas corrompidas de verdade. Não se enganem: se dependesse deles, todos os cidadãos deste reino sufocariam e queimariam através da magia, nossa existência seria apagada como uma lâmpada.
Sinto um frio percorrer o ambiente e, embora eu saiba que não é um sentimento lógico, me sinto exposta, como se todas as pessoas presentes na sala soubessem do meu segredo, conseguissem ver o que sou: o monstro escondido entre eles. Preciso de todas as minhas forças para conter as sombras que se espalham pelas camadas de pele das minhas mãos.

Só que sendo um livro único, não espere explicações completas porque não a temos. Não temos maiores informações sobre a Bruma a ponto de detalhes, não sabemos muito sobre os pais de Viola além da tragédia que a envolve, não temos informações maiores sobre os poderes magicos da Rainha Maria, que claro que é uma maga e odeia todos outros magos e por isso deseja matá-los e, principalmente, não há como explicar toda trapacinha que a autora faz sobre um dos grandes mistérios do livros que é a identidade do assassino do Rei Alexandre. Até entendo o motivo que a levou a querer esconder dessa forma, mas não pude deixar de me sentir traída, a sensação de que tentaram me enganar bastante latente.

Roze é realmente um dos pontos alto da trama: de cabelos e olhos brancos a ponto de serem considerados prateados, um anti-herói completo, da cabeça aos pés. Egoísta, letal, boca suja e genioso, o principe é alguém que está tentando fazer pazes com quem acredita ser e é assim que rouba nossos corações. Ele e Viola são realmente um par perfeito, dois estranhos em suas peles que não nasceram para o lugar de heroísmo, mas que terminam lá porque não há mais ninguém para salvar o dia.

Mais alguma coisa, alteza?
Ele aperta meu queixo com força, levando meu rosto até tão perto do dele que sinto o seu hálito roçar nos meus lábios.
Falei para ficar caladinha. Se não consegue obedecer nem a essa ordem, vou ter que fazer alguma coisa com essa sua língua rebelde, Sinclair.
Ele roça o nariz no meu enquanto sussurra as palavras para dentro da minha boca, o tom de ameaça misturado ao seu hálito. O ar entre nós é puro ódio, e minha cabeça chega a estar pesada. Pontos pretos começam a surgir nas beiradas do meu campo de visão.
Sinto ódio de mim por ter dançado com ele, por ter sorrido para ele, por ter olhado para ele com algo além de puro desdém.
Assassino.
Regicida.
Quando não respondo, ele abre um sorriso e diz:
Isso, boa menina. — Solta meu rosto com violência. Então pega meu braço e me puxa atrás dele pelo corredor.

Primeiro livro de Amber Hamilton, “Sete espinhos mortais” tem um ritmo ótimo, sem enrolações e sem te dar descanso sobre reviravoltas, coisa que até peca pelo excesso, coisa que parece andar acontecendo em demasia nos últimos tempos, uma constante necessidade de tentar ganhar o coração dos leitores pelo choque que eles tomarão ao não descobrirem algo. De resto, toda trama é ótima, redondinha e com diversas surpresas boas – e não me diga que você não amou a reviravolta do romance secreto! Com personagens coadjuvantes que se destacam muito pouco e é uma pequena porque Cerise, a melhor amiga de Viola, é uma personagem que poderia ter entregado bem mais se houvesse tempo, sem esquecer do gárgula Waffles, tão fofo que parece um animalzinho de qualquer filme de princesa da Disney, que ajuda a salvar o dia algumas vezes com Viola.

Abraço essa nova fase das fantasias: a romantasia tomaram conta de vez com duologias e agora com livros únicos, coisa que só posso agradecer porque algumas vezes só queremos nos divertir com uma trama simples com uma mocinha meio cretina e um par charmoso, sem precisar nos comprometer pelos anos a seguir e sem tentar descobrir enredo algum. Se você deseja algo assim, pode se jogar porque este livro te dará uma trama sem espinho algum: só diversão.

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