Resenha: A Rainha dos Espinhos (O Acordo das Rosas 2) – Sasha Peyton Smith

“A Rainha dos Espinhos”(O Acordo das rosas #2)
Sasha Peyton Smith
Tradução: Lígia Azevedo
Seguinte – 2026 – 352 páginas
Ivy Benton se tornou rainha da Inglaterra ao conquistar a mão do rei feérico Bram. Mas o título não lhe trouxe nenhum poder, apenas uma prisão: isolada no palácio, ela é ignorada pela corte e obrigada a conviver com um marido cada vez mais cruel.
A ascensão de Bram ao trono abriu o portal para o Outro Mundo. Depois de séculos afastados, os feéricos retornam ao reino humano em uma celebração perversa, transformando pessoas em brinquedos e acordos em armas. Sob a máscara da esposa ideal, Ivy esconde um plano audacioso para sobreviver: livrar-se do marido, resgatar a irmã e voltar aos braços de Emmett, o amor da sua vida.
Entre traições, desafios sangrentos e amores devastadores, Ivy logo percebe que, para vencer, vai precisar ser ainda mais implacável que seus inimigos. Ou pode acabar sem nada.
Quem acompanha as nossas resenhas aqui no site sabe que “>strong>O Acordo das Rosas” foi um dos meus livros de fantasia favoritos do ano passado por diversos motivos que não expliquei tanto na resenha por motivos de spoilers, mas que aqui, falando sobre “A Rainha dos Espinhos”, o segundo e último volume da duologia, vou explicar melhor o que me fez gostar tanto do outro volume e também mencionarei suas falhas – ou seja, esta resenha aqui contem SPOILERS do primeiro livro.
Se você deseja ler esses 2 livros sem qualquer informação, feche essa resenha e vá ler a resenha do livro 1 sem spoilers clicando AQUI. Não tenho como falar deste livro sem mencionar fatos importantes que acontecem na primeira parte (e até ler a sinopse já te entrega spoilers, hein!), então aviso dado, vamos para a resenha!
Alguns cortesãos dançam cambaleantes em rodas enquanto outros descansam em almofadas de veludo com seus acompanhantes humanos. “Acompanhantes humanos” talvez seja generoso demais. “Humanos de estimação” seria um termo mais preciso.
Emmett e eu só queríamos dar um fim ao sistema de negociação cruel da rainha Mor.
Conseguimos atingir esse objetivo, mas agora dezenas de feéricos fazem acordos. É como a hidra dos livros que meu pai costumava ler para mim. Cortei uma cabeça e cem apareceram no lugar.
Agora, é uma constante: feéricos pregando peças nos humanos, seduzindo-os com acordos ruins e jogos impossíveis de vencer. Para piorar, os humanos estavam acostumados com o código de conduta da rainha Mor, que fazia seus acordos de maneira mais ou menos honrada. Os novos feéricos são diferentes. Eles fazem acordos por pura crueldade.
Quatro meses se passaram do final de “O Acordo das Rosas”. Casada com Bram, Ivy basicamente se tornou a única regente de toda Inglaterra, já como o marido e Rei está bem mais ocupado em festas e em acordo com os humanos, que agora sim, estão conhecendo o lado impiedoso dos férricos em um país que ficou em ruínas depois da quebra de todos acordos com a Rainha Mor. Se antes das barganhas eram somente um dedo ou uma memória, agora eles levam as pessoas a se matarem por bel prazer. A revelação final do 1º livro de que Bram era, na verdade, o grande vilão, e não sua mãe, a Rainha Mor, foi algo que não dá pra dizer que foi inédito e muito menos tão inesperado assim (houveram várias pistas ao longo da trama), mas o que realmente está sendo bom de ver aqui é como Bram é realmente um vilão. Não esperem alguém atormentado que deseja ser amado ou que procura o amor, o que temos aqui é um féerico que sabe do seu poder, sabe que tem tempo de sobra (até demais) e que faz o que quer porque quer. E, pra ser sincera, esse é o tipo de vilão que realmente me agrada.
Mas voltando, Ivy está desesperada para tentar encontrar sua irmã, Lydia, e seu cunhado, que no caso é o homem que ela ama, Emmett. O primeiro quinto inicial do livro é muito mostrando como Ivy está lidando com toda situação daqueles meses e como Bram vai até ela, um jogo sem fim, no qual nossa heroína sem poder algum está simplesmente esperando o momento certo de agir. A chegada de Rhion, o melhor amigo de Bram, do Outro Mundo, faz com que Ivy tente descobrir se Lydia e Emmett estão mesmo lá, ao mesmo tempo que ela descobre onde Mor está – e, obviamente, ainda está tramando, apesar de ainda ser fiel ao filho, mas, talvez, de alguma forma, Ivy tenha de tentar se aproximar de Mor porque a antiga Rainha talvez não seja uma vilão, pelo menos não da forma como imaginávamos. Claro que a trama leva para Ivy conseguir chegar ao Outro Mundo, e é ai que o livro realmente toma forma.
Suas sobrancelhas franzem, e eu sei, como irmãs sempre sabem, que vamos brigar.
— Governo este lugar há anos enquanto Bram brinca com você na Inglaterra — Lydia diz, com dureza.
— Brinca comigo? Ele me tortura! Passei os últimos quatro meses pensando apenas em você e Emmett, na segurança de vocês.
— Pois é. Quatro meses. Você não tem ideia do que é comandar um reino.
Encaro minha irmã, sentindo a raiva crescer no meu peito.
— Tenho mantido a Inglaterra de pé com as próprias mãos ensanguentadas! Acordamos todas as manhãs com cadáveres frescos nas ruas. Um governo mal se mantém. Tive que aprender sobre impostos, práticas agrícolas, serviço social… — Vou contando nos dedos à medida que listo. — Tudo isso enquanto recebia damas para almoços infernais, porque é o que esperam de mim.
O livro não faz surpresa sobre o destino de Emmett: o leitor sabe que ele está vivo, só não imaginamos o estado no qual ele está e, principalmente, sobre o tempo que ficou em Outro Mundo, já como os tempos se passam diferentes nos lugares. Ao chegar, Ivy se depara com uma realidade que jamais esperou porque Lydia e Emmett parece ter encontrado uma especie de dinamica que os mantem próximos e vivos, um protegendo o outro como pode. Mas o que também é obvio para quem já acompanha a trama é que Bram é um vilão inteligente que faz coisas inteligentes dentro do que se propõe a fazer e ser, então é obvio que ele descobriria que Ivy queria salvar Lydia e iria para o Outro Mundo. A grande sacada deste livro é que voltamos em parte para a trama do primeiro: vendo as irmãs juntas novamente, Bram decide que está na hora de fazer as duas disputarem sobre qual delas será a sua rainha única, ou seja, vem mais provas e mais sofrimento pela frente. Alias, sofrimento é o que mais se encontra neste livro porque não espera uma reunião simples entre Emmett e Ivy porque a autora parecia disposta a fazer tudo do jeito mais doloroso que conseguisse imaginar, e confesso que em alguns momentos esse objetivo foi alcançado, apesar de começar a se tornar repetitivo tanto sofrimento a medida que as páginas passavam.
E é aqui que preciso falar um ponto muito fraco da duologia como um todo, que pude perdoar enquanto lia “O Acordo das Rosas” por acreditar que as coisas iriam mais devagar aqui em “A Rainha dos Espinhos”: a velocidade que enredos interessantes e que poderiam ser poderosos passam na velocidade da luz. Talvez seja algo geracional, onde os vídeos de 3 minutos são a regra, mas é triste ver um plot final do livro anterior, no qual Ivy pede para esquecer Emmett, sumir em menos de 50 páginas porque ela logo se lembra dele novamente. Poderia ser doloroso e poderia se desenvolver muito bem, mas, para isso, precisaríamos de 3 livros com o quanto de coisa que temos em “A Rainha dos Espinhos”, mas a moda agora também é só ser uma duologia – e não me entendam errado, sérias longas são boas, mas nem sempre queremos nos comprometer com 5, 6 livros, mas a necessidade de acabar uma narrativa em 2 livros leva ao que aconteceu aqui: tantas ideias boas que morrem basicamente quando acabam. Mas ai também preciso deixar claro que se você gosta de livros que acontecem coisas sem parar e o romance guia a história e não é slow burn, definitivamente esta duologia é pra você, pode acreditar, além de indicar para quem ama um bom relacionamento complexo entre irmãs porque fiquei nada menos do que apaixonada pela dinâmica das irmãs, até a entrega do final – sem spoilers aqui!
Quero diminuir a distância entre nós. É de poucos centímetros, mas parece instransponível.
— E você queria que eu sumisse — Emmett conclui, sério.
— Eu queria que a dor sumisse — sussurro.
— É aí que divergimos. Desfrutei do meu coração partido, porque tinha sido partido por você. Eu teria suportado sua perda por mil anos, se isso significasse que poderia guardar a lembrança do que tivemos.
Enxugo uma lágrima gelada da bochecha, sem saber quando comecei a chorar.
Talvez o amor seja isso. Algo que suportamos.
— Fiz apenas o que pensei que você quisesse de mim. Achei que você tivesse seguido em frente.
Emmett balança a cabeça.
— Então você não me conhece muito bem.
Sem entregar demais sobre o final do livro, já como deixei claro que o ritmo é intenso e não para, Ivy continua lutando de uma forma visceral pelo que acredita e quer e que toda a trama palaciana tanto na Inglaterra quanto em Outro Mundo é algo que eu amo, ainda mais misturado a presença das fadas com seus joguinhos. Essa é uma coisa que tenho clara na minha mente: qualquer ser imortal ou de grande poder (ou os dois) realmente iriam achar os humanos somente umas formiguinhas com sentimentos que eles podem brincar. Acho que é um caminho divertido de se entender sobre o relacionamento de Bram e Ivy (e Lydia) porque ele vê as irmãs como peças bonitas em um xadrez que joga manipulando o tempo inteiro. Acho incrivelmente interessante que aqui, o par romântico não é o féerico poderoso e manipulador, mas sim o irmão humano adotivo e que também está se ferrando sem parar neste joguinho do irmão. Enfim, Emmett é um bom protagonista masculino também.
E é neste ritmo acelerado que o livro caminha para uma conclusão satisfatória, sem pontas soltas. Se a autora quiser revistar o universo, ela poderá, mas com outros personagens, já como a jornada de Ivy se encerra aqui claramente, repleta de sacrifícios (tanto dela quanto das pessoas que ela ama), dores e entrega um final justo para todas as personagens. E sim, foi uma duologia que poderia ser uma trilogia ou, quem sabe, a autora poderia não ter colocado tantas ideias juntas, mas, no final das contas, o saldo que fica é realmente bom com o final deixando um gostinho bem bom para nós, leitoras, que não queremos um féerico malvado e vamos a luta para salvar quem amamos para sermos tratadas como rainhas, exatamente como tem que ser na vida real.
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