Q&A: Kel, Conor & Lin e “Os Poderes Perversos”
Cassie respondeu mais perguntas em seu tumblr e nós trouxemos elas todas aqui traduzidas pra vocês. Nâo se preocupem que, como sempre, separamos as perguntas em com spoiler e sem spoiler. Vem ler sem medo a tradução feita pela nossa equipe:
feyrerhysands: Oi, Cassie!! Você pode compartilhar com a gente uma cena de Conorlin?
Infelizmente, não tenho nenhum que não seja dos livros já existentes. Ainda não comecei “The Bone Conjurors”. Estou meio ocupado com Os Poderes Perversos. 🙂
canonicallyducked: Oi, Cassie!! Eu queria saber se você algum dia — depois que “Os Poderes Perversos” terminar, é claro — faria um livro como aquele das flores, que incluísse aniversários dos personagens, árvores genealógicas e coisas do tipo?
Fico feliz que você tenha notado que não vou mais divulgar aniversários de personagens até que a série toda tenha chegado ao fim e encerrado de vez. Não dou conta do estresse. Mas acho que seria divertido ter um grande livro sobre o universo da história, ao final de tudo, com árvores genealógicas e coisas do tipo.
003foxway: Oi, Cassie! Amo muito seus livros; eles me ajudaram a superar momentos difíceis. Queria saber se você está planejando uma turnê de divulgação de O Ultimo Rei das Fadas no Reino Unido? Conheci você e a Holly em Liverpool há mais de uma década e adoraria encontrá-las novamente. (Aliás, sempre #TeamKitty no que diz respeito ao nome do casal ❤️)
Olha, eu sou totalmente a favor de “Kitty” para o nome do casal. Só estou tentando pensar numa alternativa para lidar com todos esses gatos nas hashtags. Tipo, poderíamos usar #shadowkitty ou literalmente qualquer outra coisa.
Fico feliz que tenhamos nos conhecido em Liverpool! Provavelmente não farei turnê no Reino Unido em novembro, pois, infelizmente, minha turnê pelos EUA só me libera pouco antes do Dia de Ação de Graças, e eu realmente quero passar essa data com a minha família. De qualquer forma, com certeza estarei lá para o O Ultimo Principe do Inferno e, talvez, antes disso para algum festival ou evento especial.
fascinatedgirl: Oi, Cassie.
Ash é o que Valentine queria que Jonathan fosse em termos de poder?
Os sentimentos de Valentine em relação a Ash seriam ambivalentes. Ele é poderoso, capaz de fazer coisas que Sebastian não conseguia, mas tem aquele sangue imundo de fada.
rinadragomir: Oi, Cassie! Sou muito fã dos seus livros desde criança 🦭 Estou superanimada para “Os Poderes Perversos” e relendo “O Portador da Espada” agora mesmo, só para garantir que lembro de tudo antes de começar o segundo livro!
Tenho ficado curiosa ultimamente: você disse que um personagem de “Os Instrumentos Mortais” morre em “Os Poderes Perversos”. Fico curiosa para saber como você se sentiu ao “assassiná-lo” 🥲. Afinal, é uma criação sua — você ficou triste?
Frequentemente me sinto triste quando um personagem morre, mas tristeza não é o mesmo que arrependimento: posso ficar triste e, ainda assim, saber que aquilo é o certo para a história. É verdade que todos os personagens são como filhos para mim, em maior ou menor grau. Quase sempre me sinto mal quando eles morrem — exceto no caso de Tatiana, Horace e outros do gênero, obviamente. No entanto, fico pior pelos personagens que eles deixam para trás.
Mas eu gosto da palavra “assassinato”, que dá a entender que eu atirei neles de uma colina rochosa como parte de uma conspiração da CIA. Talvez para impedi-los de falar. NUNCA SE SABE.
princeash: Oi, Cassie!!!
Se você tivesse que escolher uma música para cada um dos protagonistas (Dru, Kit, Ty e Ash), quais seriam? 👀🫶Eu tenho uma playlist para o livro, então vou mandar na próxima newsletter, o que acha?
mayaheronthorn: Oi, Cassie 💖 Nós vamos ver a arte de Dru e do Ash feira pela Frostbite Studios antes do lançamento de “O Último Rei das Fadas”?
Todas as artes feitas pela Frostbite serão divulgadas antes do lançamento do livro.
jacelips: Oi, Cassie, você poderia nos dar alguma dica sobre quem estará na capa de “O Último Príncipe do Inferno”?
Eu ainda não sei! Eu não tenho nenhuma dica para dar. Nós conversamos sobre se seria possível ou legal colocar Ty e Kit juntos na capa de um dos próximos livros. É só isso que temos definido por enquanto.
jacelips: Oi, Cassie, você poderia compartilhar uma quote de Clace em “Os Poderes Perversos”?
Infelizmente, não agora! A maioria dos pedidos que recebo na minha caixa de mensagens é por quotes sobre vários personagens e, se eu respondesse a todos eles, não sobraria livro nenhum. Embora, certamente, vocês o teriam lido de uma maneira interessante!
astordil: Oi, Cassie! Tenho uma pergunta sobre Kel: será que algum dia vamos saber mais sobre a família dele, ou isso não é importante?
Opa, pergunta sobre “As Crônicas de Castellane”, adoro isso.
Então, eu entendo por que as pessoas têm curiosidade sobre a família de Kel — a fantasia está repleta de linhagens ocultas e heranças secretas, e eu também adoro essas histórias… obviamente! Elas têm um poder mítico por um bom motivo.
Mas uma das coisas que eu queria explorar com Kel é a ideia oposta: a de que sua origem não é o aspecto mais importante sobre você. Ao longo de “As Crônicas de Castellane”, conhecemos pessoas com nomes ancestrais, sangue nobre e imensos privilégios, e vemos que nada disso torna alguém automaticamente digno ou bom. A maioria delas é, na verdade, bem detestável, já que o privilégio as corrompeu.
Eu queria que a história de Kel contrastasse com a de Conor, que se vê tão limitado pelo que nasceu para ser e pelas obrigações de sua linhagem. Queria que Kel tivesse liberdade de escolha, bem como uma família escolhida — algo que tornasse a busca pelos pais biológicos não menos importante, mas menos urgente.
Isso não significa que Kel não tenha nenhum interesse; ele provavelmente gostaria de saber se a informação estivesse disponível. Mas ele não pensa muito nisso nem sai à procura — o que poderia ter sido diferente se Conor não lhe tivesse proporcionado uma espécie de família — e, se ele realmente fosse atrás disso, acho que sinalizaria que sua linhagem é importante para a história. Mas, na verdade, não é; fiz a escolha de não basear o valor ou o destino dele em uma ascendência secreta. Eu queria que a história de Kel se sustentasse na ideia de que quem ele é deriva da vida que leva e das escolhas que faz, e não de uma revelação sobre sua origem.
izzylightwoodfledaway: Ei, Cassie, fiquei pensando se vamos saber mais sobre Simon e Isabelle. Ou se vamos ver o casamento deles?
A gente nem sabe se eles sobrevivem! Recebo muitas perguntas sobre casamentos (Clace, Sizzy) e essa é sempre a minha resposta. Vamos torcer para que eles sobrevivam e aí veremos se vão se casar. Nós até vemos o Simon e a Izzy, mas não o suficiente em “O Ultimo Rei das Fadas” para descobrir algo novo, a não ser que Simon continua numa banda e que ela continua péssima.
perpetualprocrastinationisme: Será que veremos Ty interagindo com muitos animais em “O Ultimo Rei das Fadas”? Tipo, ele encontrará animais aleatórios durante a viagem de carro, como aconteceu em “Os Artifícios das Trevas” com a doninha e outros bichos? E, se isso acontecer, como Kit reage?
Vamos sim! Às vezes, ele carrega um camundongo no bolso, por algum motivo. Kit acha isso fofo — irritantemente fofo.
claryshortredheadedwabadtemper: Oi, Cassie! Você poderia dar uma prévia de como o Jace ou a Clary estão em “O Ultimo Rei das Fadas”? Sem spoilers, só um gostinho 🥺
Eu diria que eles não estão no mesmo lugar. Emocionalmente, literalmente — quem pode dizer?
jacelips: Oi, Cassie! Antes de tudo, queria dizer que estou superanimada para “O Ultimo Rei das Fadas” e, em segundo lugar: ainda teremos o retorno de Will, ou essa ideia foi descartada?
Não tem motivo para descartar.
carelessflower: Oi, Cassie! Alec vai manter a tradição de deixar o Cônsul no escuro sobre a maioria das coisas que o grupo principal faz até que seja tarde demais? Parece que ele já tem muita coisa para resolver, né? 😂
Ah, é. Ninguém fala nada para ele.
kitashbff: Oi, Cassie! Espero que você esteja tendo um ótimo fim de semana!
Fiquei pensando: como o Ash é o único protagonista de “Os Poderes Perversos” que ainda não conhecemos de verdade — ao contrário de Kit, Ty e Dru, que conhecemos muito bem em “Os Artifícios das Trevas” —, queria saber como você o apresentaria para deixar as pessoas empolgadas com o personagem. Vejo muita gente falando mal dele, o que acho uma loucura, mas consigo entender quem é indiferente, já que ainda não vimos muito do Ash. Será que você poderia compartilhar algo — sem dar spoilers — para nos dar uma ideia melhor sobre ele?
Bom, para começar, se você quer saber algo divertido sobre o Ash, vou compartilhar uma fala da minha tradutora italiana: “Adoro como nunca dá para saber qual é a dele. Adoro o fato de ele detestar mentiras e, ainda assim, ter de mentir o tempo todo. Adoro que ele consiga ser tão… ADOLESCENTE (de um jeito carinhoso).” Isso me fez rir; ele definitivamente não é menos adolescente do que os outros personagens, afinal, mesmo quando você é imortal e tem dezoito anos, você continua tendo dezoito anos.
Em segundo lugar, eu não me preocuparia com as pessoas que odeiam Ash. Elas não o conhecem. Não há nada para odiar além do potencial, assim como não há nada para amar além do potencial. Na verdade, passamos tão pouco tempo com ele! Ele ainda é um mistério.
Uma coisa que aprendi ao longo dos anos é que os leitores podem ser extremamente protetores em relação aos personagens que já amam, de uma forma que muitas vezes se manifesta como desconfiança diante do novo. Me lembro de quando “As Peças Infernais” foi anunciada e de como as pessoas detestaram a ideia de Will, Tessa e Jem. Elas os desprezavam, pois queriam mais de Jace e Clary. Will, Jem e Tessa eram os personagens novos e, para alguns leitores, parecia que eles estavam tomando o lugar de personagens com os quais já tinham um vínculo emocional, mesmo que não existissem na mesma época. Will era um Herondale, então era odiado por poder substituir Jace; Jem era odiado por substituir Alec (o parabatai de um Herondale); e Tessa era odiada por substituir Clary.
Na época, isso realmente me deixou muito perturbada, mas muitos anos se passaram desde então, e vi isso acontecer tantas vezes que já estou acostumada. Aprendi que é impossível saber como vocês (meus leitores e todos os outros!) se sentirão em relação a um personagem que ainda não conheceram, da mesma forma que é impossível imaginar uma nova cor ou uma nova forma geométrica sendo introduzida em seu mundo.
O amor protetor que sentimos pelos personagens que já conhecemos muitas vezes se transforma em um certo receio de que um novo personagem roube o espaço deles — como o medo de que Ash tirasse o espaço de Kit e Ty. Mas isso não acontece. Se Ash e Dru não estivessem no livro, a obra seria apenas mais curta. Não haveria mais Kit e Ty, pois, sem Dru e Ash, eles teriam muito menos o que fazer, muito menos o que sentir e muito menos oportunidades para nós os conhecermos melhor.
(É interessante porque algumas pessoas que temem que Ash ocupe espaço perguntam se Kit passará muito tempo pensando em seu pai biológico, sua mãe biológica, Jem, Tessa, Mina, Jace e Auraline. Embora Kit passar muito tempo pensando neles, tecnicamente, lhe tirasse tempo para refletir sobre Ty, isso só aumentaria nossa compreensão de Kit, o que daria mais peso à sua personalidade e à complexidade de seus personagens, assim como de Ty. As pessoas sabem disso; sabem que Kit e Ty só são cativantes se forem personagens totalmente desenvolvidos, com interesses além um do outro. A existência de Ash faz o mesmo em termos de peso, mas não é algo que as pessoas consigam imaginar ainda, então a ideia de Kit pensando na falecida Auraline é menos inimaginável do que ele pensando em seu relacionamento complexo com um potencial rival pelo trono das fadas, que ele pode ou não desejar, embora o segundo seja muito mais significativo para quem ele é agora.)
Ao olhar para trás e pensar em As Peças Infernais, é quase impossível até para eu imaginar pessoas detestando Will e Jem e os considerando “personagens irrelevantes, chatos e sem graça”, pois conhecemos esses personagens muito bem e a maioria das pessoas não os vê dessa forma. Depois de passar centenas de páginas com alguém, essa pessoa deixa de ser “o substituto” — que poderia ser detestável de várias maneiras imaginárias — e passa a ser simplesmente ela mesma. Essa é uma das coisas maravilhosas da ficção: não dá para saber de verdade se você vai amar ou odiar um personagem até conhecê-lo de fato, então há sempre espaço para surpresas. Antes disso, o personagem é, em grande parte, apenas uma ideia. “Os Poderes Perversos” marca, na verdade, a primeira vez que os leitores passarão um tempo com Ash; estou animada para que as pessoas o conheçam de verdade e decidam o que acham dele, em vez de se basearem apenas na ideia que fazem dele.
O desconhecido é uma ameaça até se tornar conhecido. Essa é a versão bem mais curta deste post enorme. Agora preciso voltar para Dru e Ash comprando roupas no mundo dos mortais; será que Ash gostaria de uma jaqueta de estampa de leopardo falsa? Ou uma daquelas camisas de boliche com o nome “Dave” bordado? Uma camiseta com a frase “SE VOCÊ CONHECESSE MINHA FAMÍLIA, ENTENDERIA”? Provavelmente todo mundo no mundo dos Caçadores de Sombras deveria ter uma dessas.
serathereadaholic: Oi, Cassie! Nós podemos esperar que o Ash siga a linha dos Morgenstern de se recusar a chamar a Dru pelo apelido e se referir a ela principalmente como Drusilla (e também chamar outros personagens pelos nomes completos, como Tiberius ou Christopher, imagino)? Como ela reagiria a isso?
Sabe, ele realmente a chama de Drusilla, mas chama o Kit e o Ty principalmente de Kit e Ty. Ele chama o Kit de Christopher uma ou duas vezes, mas o Kit diz algo como “Ninguém me chama assim”, então ele para. Ele não é muito apegado a essa ideia; é só que a Rainha se referia ao Kit principalmente como Christopher.
anniefairchild: Oi, Cassie! Minha pergunta é sobre o Kit, especificamente sobre a perspectiva do Ty a respeito de estar perto do Kit novamente depois de 4 anos. Sei que a maior parte de “O Último Rei das Fadas” é narrada sob os pontos de vista de Kit e Dru, com alguns trechos intercalados com outros personagens; como essa é a 1° vez que acompanhamos a perspectiva do Ty, existe algo na forma como ele enxerga o Kit e o romance que você acha que não esperaríamos ou que nos surpreenderia? Eu sei que você comentou como foi divertido escrever o Ty porque ele não mente para si mesmo nem tenta negar os próprios sentimentos; então, tem mais alguma coisa que você possa nos contar sobre isso? 👀
Hmm. Bom, há muito mais da perspectiva do Ty em “O Último Príncipe do Inferno”, então é difícil dizer se as pessoas acharão surpreendentes os pensamentos dele em “O Último Rei das Fadas” — e, claro, os pensamentos dele não são só sobre Kit. Mas parte do motivo pelo qual evitei a perspectiva pelo olhar de Ty em “O Último Rei das Fadas” é justamente porque eu não queria que os leitores soubessem exatamente o que ele sentia em relação ao Kit, a não ser pela interpretação da maneira como o Ty fala e reage ao Kit, como o próprio Kit precisa fazer. Ele reflete sobre o motivo pelo qual o Kit lhe deu o pingente dos Herondale, e não sei se isso vai de encontro com o que as pessoas esperariam.
Além disso, eu não vejo o Ty como alguém que mente para si mesmo, mas isso não significa que ele nunca esteja errado. Todo mundo erra às vezes!
saintmarysest: Existe alguma chance de Maryse e Janus interagirem em algum momento de “Os Poderes Perversos”?
Tudo o que eu posso dizer é: “Não no 1° livro”. Vamos ver!
jacelips: Oi, Cassie! Agora que o Alec é o Cônsul — e você disse que nossos protagonistas vão esconder coisas dele justamente porque ele é a pessoa a quem recorreriam sempre que precisassem da ajuda de um feiticeiro, já que o Magnus é marido do Cônsul… 😂
Eu disse isso? Parece algo tão complicado. Não, o Alec não fica sabendo do que está acontecendo com o “Time do Bem” em “O Último Rei das Fadas”, mas não é porque não confiam nele ou porque o Magnus esteja escondendo algo dele. É por um motivo totalmente prático e nada escandaloso. Vocês vão descobrir!
kitashbff: Ash ainda tem aquela conexão especial com o reino das fadas que faz com que os animais se sintam atraídos por ele? Isso é algo que pode criar um vínculo entre ele e o Ty? 💕
A chinchila ainda existe e é mencionada. O Ty adora animais; o Ash só tem uma conexão estranha com o reino das fadas, e os animais reagem a ele de um jeito peculiar. Alguns aparecem no quarto dele, outros não gostam dele logo de cara e, certa vez, ele até rouba um. Mas prometo que é um detalhe bem pequeninho pequenininho; se você não me acompanha nas redes sociais, provavelmente nem notaria!
aristotlexmendoza: Oi, Cassie!! Você pode, POR FAVOR, dar um trechinho com kitty? Eu juro que pode ser um trechinho de uma palavra só!!!!!!!
Sopa.
runninger: Oi, Cassie! Eu sou muito fã dos seus livros; eles significam muito para mim e estou relendo “Os Instrumentos Mortais” e “Contos da Academia dos Caçadores de Sombras” agora. Essa já deve ser a minha, hmmm, sétima releitura, provavelmente!
Enfim, minha pergunta é: o Ty se “arrepende” do que fez? Tipo, ele entende que errou feio ao tentar ressuscitar a Livvy? Ou veremos tudo isso se desenrolar em “O Último Rei das Fadas”?
Em “Rainha do Ar e da Escuridão”, a Livvy de Thule incentiva o Ty a deixá-la partir e ele diz que aquela não é a Livvy dele, a Livvy dele iria querer estar viva. Não que isso devesse o impedir, de certa forma, mas acho que eu me sentiria consumido pela culpa e pela dor se eu tivesse alterado a alma da minha irmã gêmea em um Limbo daqueles e tivesse que encarar isso todos os dias.
Muito obrigada — e reler sete vezes é incrível!
Eu não sei se “arrependimento” é a palavra certa para o Ty nessa situação. Ele entende perfeitamente que tentar trazer a Livvy de volta teve consequências que ele jamais poderia ter previsto ou controlado e que a Livvy agora está presa em um estado que nenhum dos dois teria escolhido. Ele precisa conviver com a consciência de que sua dor e seu desespero contribuíram para isso. Mas…
Mas não acho que ele se arrependa de amar a Livvy, ou de desejar com todas as suas forças que ela não estivesse morta. Esses sentimentos nunca foram errados. Ty era um jovem de 15 anos em luto que acabara de perder sua irmã gêmea; ele se convenceu de que se havia algo que pudesse fazer, não fazer seria a verdadeira traição. Ele não estava pensando com clareza sobre que tipo de futuro a Livvy teria ou o que isso significaria para ela; ele pensava apenas que a morte era insuportável e, talvez, de alguma forma, reversível.
A reação dele à Livvy de Thule reflete isso. Ele não consegue aceitar o argumento dela porque, para ele, aceitá-lo significaria também aceitar que a Livvy realmente queria deixá-lo — e ele simplesmente não tem condições emocionais de acreditar nisso ainda. “Minha Livvy iria querer estar viva” é, em parte, algo em que ele acredita e, em parte, algo de que ele precisa acreditar. Pense na reação do Will quando a Tessa lhe conta que está noiva do Jem. “Meu Jem?” Assim como “minha Livvy”, é uma expressão de quanto aquela outra pessoa faz parte de você, de como ela não deveria ser uma fonte de dor — como isso pode acontecer? Embora, é claro, nem a Livvy nem o Jem tenham culpa, a reação ainda é de descrença. Não a minha pessoa, isso não deveria acontecer.
Eu também não acho que a culpa sempre gere uma reação previsível. Às vezes, a culpa faz as pessoas se agarrarem ao erro ainda mais, porque admitir a extensão total do erro parece significar perder a pessoa tudo de novo. No caso do Ty, isso é ainda mais forte. Ele não precisa apenas deixar a Livvy partir de uma maneira comum. Ele teria de acreditar que o que fez foi errado — mesmo que não moralmente errado, mas a solução incorreta — e que a manter por perto é errado. É difícil e complexo para qualquer pessoa acreditar nisso sem sentir que a culpa é sua e a ideia de ser culpado, nesse caso, é terrível. Isso poderia destruir toda a noção que ele tem de si mesmo como pessoa, irmão e gêmeo. “Eu amo minha irmã, logo não posso machucá-la” é uma forma de pensar muito humana e natural. “Eu amo minha irmã, mas a machuquei mesmo assim” é algo muito mais complicado.
Eu acho que o que quero dizer é que Ty ficaria consumido pela culpa e pela dor se aceitasse a sua premissa — a de que Livvy está presa num limbo, de que talvez ela não tenha lugar num mundo onde quase todos que a amavam acreditam que ela morreu e se foi —, mas ele não a aceita. Ele aceita uma Livvy que o acompanha a toda parte como um fantasma, que é alegre, que parece feliz; e ele pensa: “Certamente isso é melhor do que a morte, não?”. Além disso, ele passa 99% do tempo com pessoas que nem sabem da existência dela; não há mais ninguém para dar uma opinião diferente. É isso que muda em “Os Poderes Perversos”: de repente, há Kit, Dru e até Ash para observar a situação de fora. Por isso, a jornada de Ty com Livvy recomeça, em certa medida, nesse ponto, permitindo que a acompanhemos até o desfecho. Seja ele qual for!
“O Ultimo Rei das Fadas” primeiro livro da última trilogia dos Caçadores de Sombras, “Os Poderes Perversos” já está em pré-venda no Brasil e vocês podem garantir sua cópia com brindes AQUI. O nosso post completo sobre a pré-venda vocês podem ver AQUI.
Os 3 livros de “The Wicked Powers” se chamam: “The Last King of Faerie” (“O Último Rei das Fadas“, em tradução livre), “The Last Prince of Hell” (“O Ultimo Príncipe do Inferno“, em tradução livre) e “The Last Shadowhunter” (“O(A) Último(a) Caçador(a) de Sombras“, em tradução livre).
O terceiro é último volume da trilogia “As Maldições Ancestrais“, também conhecia como trilogia Malec, se chamará “O Volume preto dos Mortos” e será publicado entre os livros de “The Wicked Powers“, conforme já falado por Cassie.
Aqui no Brasil, os livros dos Caçadores de Sombras são publicados pela Editora Galera Record. A Editora Galera Record está vendendo o ultimo livro de Cassie publicado até aqui: “Melhores de Preto” (garanta o seu clicando AQUI) – e em um comentário falou que trará os outros 3 livros do kickstarter também (“Os Segredos da Mansão Blackthorn“, a nova versão do livro das cartas das flores e “Careful of Books“). Não temos informações sobre a recém-divulgada duologia “In Fire Forefold” (“No Fogo Anunciado“, em tradução livre). A Editora também confirmou a publicação de “The Wicked Powers” (“Os Poderes Perversos“, em tradução livre), a trilogia que encerra o universo do Mundo das Sombras.
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