Entrevista de Cassandra Clare para Juniper Books
Cassie deu uma entrevista para a Juniper Books, uma empresa que fez novas versões especiais dos livros dela. Nessa entrevista ela fala sobre se ela é team Jem ou Will, sobre a próxima e última trilogia, “Os Poderes Perversos” e mais. Vem ver a tradução feita pela nossa equipe:
Quem são seus autores favoritos? Houve algum que tenha inspirado você na criação de “Os Instrumentos Mortais”?
Tenho muitos autores favoritos para citar, mas entre eles estão J.R.R. Tolkien, Jane Austen, N.K. Jemisin e Ursula K. Le Guin. “Os Instrumentos Mortais” foram inspirados, em parte, pela série Bordertown (organizada por Terri Windling) e pelas obras de fantasia urbana de autores como Emma Bull e Charles De Lint, mas também por obras mais antigas, como “O Paraíso Perdido” e “O Inferno”, e pela minha própria relação com a cidade de Nova York.
Que papel os livros físicos desempenham em sua casa e em sua vida? Você coleciona livros? Como você organiza sua estante?
Eu realmente coleciono livros! Eu os adoro pelas histórias que contêm, mas também como belos objetos. Tive que encher um celeiro com estantes para acomodar todos eles. Organizo eles por gênero, e as edições de bolso ficam em expositores giratórios, como os que existem (ou existiam) nas bibliotecas — os livros vão do chão ao teto, e há escadas móveis com rodízios para alcançar os mais altos. É a biblioteca dos meus sonhos.
Qual é a sua cena, o seu momento ou a sua fala favorita que você já escreveu?
Sempre terei um carinho especial pelo momento em que Clary destrói o navio de Valentine em “Cidade das Cinzas”! Valentine fica horrorizado e orgulhoso ao mesmo tempo. Também gosto da cena em que Jace conta à Clary uma espécie de conto de fadas sobre um menino cujo pai matou seu falcão de estimação, e ela percebe que ele está falando de si mesmo.

Você morou em várias partes do mundo — do Irã à França e aos EUA —, e seu amor por viagens transparece claramente em sua escrita. O que você observou sobre livros e a leitura em diferentes cidades e países ao redor do globo?
Uma coisa que sempre adorei nos livros é o fato de serem companheiros compactos que podem viajar com você. Quando leio um livro pela primeira vez, sempre o associo mentalmente ao lugar onde estava durante a leitura — e vice-versa —, o que proporciona muitas lembranças literárias encantadoras.
Seu próximo lançamento, “O Último Rei das Fadas”, é o primeiro livro da última trilogia do universo dos Caçadores de Sombras. Como é a sensação de encerrar a narrativa em um mundo onde você passou tanto tempo? Você já tem alguma ideia de quais serão seus próximos passos?
É uma sensação estranha, mas também empolgante. Vou sentir falta de escrever sobre esses personagens, mas estou ansiosa para começar algo novo. O universo dos Caçadores de Sombras é tão vasto que escrever nele acabou exigindo muita pesquisa sobre o próprio mundo e o cruzamento de informações; embora isso torne a leitura imersiva, também dá muito trabalho! Tenho uma ideia para uma série de fantasia épica voltada para o público jovem-adulto e estou animada para criar um mundo para ela — com novas magias e novos monstros.
A Juniper Books lançará em breve um conjunto de livros da trilogia “As Peças Infernais”, que traz personagens e histórias de amor adorados pelos fãs. Precisamos fazer a pergunta impossível: quando os leitores perguntam “Will ou Jem?”, o que você responde? Você tem, secretamente, uma preferência especial por uma das histórias de amor deles?
Acredito que tanto Will quanto Jem são perfeitos para Tessa. Quando me perguntam, sempre respondo: “os dois”! Acho que dá para dizer que Will era perfeito para ela quando ela era mais jovem, e Jem é perfeito para ela agora que ela já viu um pouco mais do mundo. De verdade, não tenho um favorito!

Você explora tantas identidades diferentes no universo dos Caçadores de Sombras — desde Cordelia, a protagonista persa de “As Últimas Horas”, até o próximo lançamento, “O Último Rei das Fadas”, que traz uma história de amor queer e um protagonista autista. Fico curiosa para saber: o que a representatividade e a diversidade em um universo de fantasia significam para você na sua escrita?
Acredito que a fantasia ganha mais força quando reflete o mundo ao nosso redor. Muitos dos livros que amei enquanto crescia foram escritos, em sua grande maioria, por e para homens brancos; e, embora isso não tenha me impedido de adorá-los, sempre houve uma parte de mim que ansiava por ver pessoas com quem eu me identificava melhor refletidas nas histórias de fantasia. A diversidade é uma parte vital da vida humana; excluí-la da fantasia — ou torná-la unidimensional — é algo que não inspira. É uma oportunidade perdida. A fantasia pode ser fruto da imaginação, mas, se não estiver ancorada na experiência humana, parecerá vazia e teórica. Quero que meus leitores consigam ver, em meus livros, identidades que reconhecem e com as quais se identificam, independentemente de haver lobisomens e caçadores de demônios na trama. E, acima de tudo, quero que as pessoas acreditem que qualquer um pode ser um Caçador de Sombras. Isso não depende de nada além da sua coragem.
Seus livros da saga dos Caçadores de Sombras abrangem séculos e cidades, desde “As Peças Infernais”, ambientada na Londres do século XIX, até “Os Poderes Perversos”, situada na Los Angeles dos dias atuais. Qual foi o seu cenário e período histórico favoritos para escrever? Quais foram suas estratégias para explorar a fantasia histórica?
É impossível escolher favoritos, mas, como “As Peças Infernais” foi meu primeiro projeto de fantasia histórica, é nele que penso primeiro. Amo a literatura vitoriana e queria fazer jus àquela época. Embora “As Peças Infernais” seja uma fantasia histórica que retrata uma Londres que nunca existiu exatamente daquela forma, era importante para mim que o cenário fosse bem pesquisado e verossímil. Para manter a fidelidade à linguagem e ao tom da época, embarquei em um projeto de leitura imersiva. Durante seis meses, li apenas livros escritos no período vitoriano ou ambientados nele. Por fim, fui a Londres e percorri todos os trajetos que eu imaginava que meus personagens fariam — levando em conta as mudanças na geografia, fiz o melhor que pude! Tirei fotos para referência e fui à Biblioteca Guildhall para estudar mapas e registros. Li muitos livros focados em detalhes históricos bem específicos — como “Carriages at Eight!”, de Frank Huggett. Tudo isso me ajudou a definir muitos dos detalhes históricos que ganharam vida em “As Peças Infernais”, e fiz algo semelhante ao pesquisar para “As Últimas Horas”. Dessa vez, tive a sorte de contar com um amigo historiador que morava em Londres para me ajudar com detalhes locais!
Com os Caçadores de Sombras, você criou um universo fantástico que significa muito para jovens fãs em todo o mundo. Quais são as suas histórias ou lembranças favoritas de interações com essa comunidade? O que isso significa para você?
Adoro conhecer leitores em eventos, ver seus figurinos, tatuagens e fanarts incríveis, e ouvir o que as histórias significaram para eles. Mesmo depois de todos esses anos, acho incrível que outras pessoas possam vivenciar esses personagens e histórias que, antes, ficavam apenas povoando a minha mente! O momento mais emocionante costuma ser quando amigos me mostram suas tatuagens de parabatai, pois isso significa que eles assimilaram o significado e a mitologia dos parabatai presentes nos livros — um vínculo de amizade absoluta.
Recentemente, você migrou para o gênero de fantasia adulta com “As Crônicas de Castellane”, uma obra de alta fantasia que explora diferentes mitologias por meio de um elenco brilhante de personagens adultos envolvidos em romances e amizades complexos e tensos. Como foi essa transição da literatura Jovem Adulta para a adulta?
A grande diferença que encontrei é que, na literatura Jovem Adulta, os personagens lidam com questões de identidade: Que tipo de pessoa eu sou? Quais são os meus valores? O que significa amar alguém novo? Já os personagens de “As Crônicas de Castellane” estão na casa dos vinte anos e enfrentam questões diferentes: O que significa assumir as responsabilidades da vida adulta? Pela primeira vez, o fato de Conor ser o príncipe é relevante, pois ser príncipe é o seu trabalho — ele sofre pressão para se casar e tomar decisões importantes sobre o destino de sua cidade. E Kel deixará de ser guarda-costas quando Conor se tornar rei; então… o que ele fará depois, supondo que sobreviva tempo suficiente? Ele começa a perceber que, quando morrer por outra pessoa foi o seu único propósito, você não sabe realmente quem é. Lin tem atuado como médica, mas, devido a quem ela é, certos tipos de medicina e conhecimento lhe são proibidos — mas e se ela quebrar as regras? As consequências a destruirão? Todos eles estão nesses momentos decisivos, embarcando em um novo nível de autodescoberta.
“O Ultimo Rei das Fadas” primeiro livro da última trilogia dos Caçadores de Sombras, “Os Poderes Perversos” já está em pré-venda no Brasil e vocês podem garantir sua cópia sem brindes AQUI. O nosso post completo sobre a pré-venda vocês podem ver AQUI.
Os 3 livros de “The Wicked Powers” se chamam: “The Last King of Faerie” (“O Último Rei das Fadas“, em tradução livre), “The Last Prince of Hell” (“O Ultimo Príncipe do Inferno“, em tradução livre) e “The Last Shadowhunter” (“O(A) Último(a) Caçador(a) de Sombras“, em tradução livre).
O terceiro é último volume da trilogia “As Maldições Ancestrais“, também conhecia como trilogia Malec, se chamará “O Volume preto dos Mortos” e será publicado entre os livros de “The Wicked Powers“, conforme já falado por Cassie.
Aqui no Brasil, os livros dos Caçadores de Sombras são publicados pela Editora Galera Record. A Editora Galera Record está vendendo o ultimo livro de Cassie publicado até aqui: “Melhores de Preto” (garanta o seu clicando AQUI) – e em um comentário falou que trará os outros 3 livros do kickstarter também (“Os Segredos da Mansão Blackthorn“, a nova versão do livro das cartas das flores e “Careful of Books“). Não temos informações sobre a recém-divulgada duologia “In Fire Forefold” (“No Fogo Anunciado“, em tradução livre). A Editora também confirmou a publicação de “The Wicked Powers” (“Os Poderes Perversos“, em tradução livre), a trilogia que encerra o universo do Mundo das Sombras.
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