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Resenha: A Casa Negra (O Talismã 2) – Stephen King e Peter Straub

“A Casa Negra” (O Talismã 2)
Stephen King e Peter Straub
Tradução: Adalgisa Campos da Silva
Suma – 2026 – 616 páginas

Uma pacata cidadezinha no interior de Wisconsin vive um pesadelo terrível. Crianças estão sendo sequestradas e surgindo mortas, vítimas de um terrível serial killer de métodos macabros, apelidado de o “Pescador”. Com o desaparecimento de uma quarta criança, a cidade entra em pânico generalizado e a polícia local não sabe mais o que fazer, a não ser pedir uma ajuda desesperada a um célebre detetive aposentado que recentemente se mudou para lá: Jack Sawyer.

Jack não quer mais nada além de descansar e viver bem na tranquila casa de campo que comprou. Porém quando o pedido de ajuda da cidade que escolheu como lar chega, a perspectiva de uma aposentadoria pacífica se amarga rapidamente. Correndo contra o tempo para salvar a quarta criança desaparecida antes que seja tarde demais, Jack se verá obrigado a finalmente encarar o próprio passado, e a jornada entre mundos que passou toda a sua vida adulta se obrigando a esquecer.

O passado, e o menino que Jack um dia foi, pode ser a chave para salvar novas vítimas, e impedir que um terrível plano saído das travas infernais se concretize. O equilíbrio entre os mundos está mais uma vez nas mãos de Jack, um deslize pode fazer todos os mundos virem abaixo, tanto a sua versão da Terra, quanto dos Territórios e qualquer outro mundo que possa existir entre eles.

Sinto que minha vida de leitora caminhou para me trazer até aqui e pretendo, antes de começar propriamente esta resenha, explicar por que me sinto assim. Me lembro com exatidão: o primeiro livro de King que resenhei para o site foi “A Incendiária”, muitos anos atrás; mas este não foi o primeiro livro do autor que li. Fui criança nos anos 90, ou seja, cresci vendo filmes de terror na TV ou alugando em locadoras e, ainda muito cedo, vi “O cemitério maldito”, o qual vi que era baseado em um livro quando os créditos rolaram. Naquela época, se frequentava bibliotecas e foi lá que eu li o livro que originou a trama. Claro que fiquei morta de medo, mas eu era uma criança bem madura para a minha (uma professora falou isso, não é minha opinião) idade, e daí comecei a ler todos os livros que podia e ver todos os filmes também. E, assistindo aos filmes e lendo os livros, eu via pontos em comum, mas não sabia exatamente que o próprio autor estava unindo tudo em um universo. Pulamos diversos anos para a minha primeira resenha do autor no site e eu sabia, tinha certeza em meu coração, que chegaria o momento de explicar e falar sobre o Kingverso.

E este momento chegou, enfim. Me sinto e realmente excitada ao digitar essa resenha por tantos motivos que preciso pensar no que vai ficar aqui porque, claro, não quero dar spoilers e nem falar demais, então vou começar pelo óbvio: Esse livro é o segundo de uma trilogia e haverá spoilers do primeiro livro, “O talismã”, um dos grandes livros de King, e, se você deseja saber mais sobre a obra sem spoilers, clique AQUI e leia minha resenha sem spoiler nenhum. Dito isso, o Kingverso é exatamente o que parece: todos os livros de King se passam no mesmo universo, se é que podemos falar assim. Ok, pense em um prédio com vários e vários andares, certo? O Kingverso é um prédio e o nosso mundo é um desses andares, com diversos outros para cima e para baixo também. O que sustenta esse prédio é a Torre Negra, que é justamente uma série de 7 livros, que serve como uma espécie de eixo, segurando tudo. E sabe o poder de Danny Torrance em “O Iluminado”? Pois então, aquele poder aparece em diversos outros livros e é aqui que começa a ser realmente explicado, porque quem o tem é um sapador – calma, que falarei mais sobre isso à frente. Enfim, acho que já comecei a explicar até demais por aqui, mas preciso que você, que me lê, entenda que “A casa negra” não é somente a continuação de um livro adorado, mas sim um ponto de encontro que começa a pavimentar o caminho para o próximo livro, que promete encerrar a história de nosso protagonista Jack Sawyer e também um suposto desfecho para este universo(s) – inclusive, o livro já está em pré-venda e será publicado aqui no Brasil apenas uma semana depois de lançado em inglês, com o título de “Outros Mundos Além Desses”, e não indico ler a sinopse porque entrega spoiler do final deste livro. Não estou pronta para o fim dos Territórios. Ninguém está. Mas, enfim, explicações dadas, vamos à resenha porque definitivamente já escrevi demais!

O mais estranho de tudo, de nossa posição privilegiada: a casa parece ter sido totalmente pintada de preto — não só as madeiras, mas cada centímetro do exterior, o alpendre, as esquadrias, as calhas, até as janelas. Preto, de cima a baixo. E isso não pode ser possível; neste canto ingênuo e benfazejo do mundo, nem mesmo o construtor mais misantrópico de todos transformaria sua casa em sua própria sombra. Descemos até rente ao chão e nos aproximamos pelo caminho estreito…
Quando chegamos perto o bastante para um julgamento confiável, o que vem a ser desconfortavelmente perto, descobrimos que a misantropia pode ir além do que havíamos suposto. A casa já não é negra, mas foi. A tonalidade para a qual desbotou nos faz sentir que talvez tenhamos sido críticos demais quanto à cor original. A casa hoje tem o cinza-chumbo das nuvens de tempestade, dos mares lúgubres e dos cascos dos navios naufragados. Preto seria preferível a essa absoluta ausência de vida.
Podemos ter certeza de que pouquíssimos adultos que moram no loteamento próximo, ou quaisquer adultos de French Landing ou das cidades vizinhas, desafiaram a advertência na 35 e se aventuraram a subir a trilha estreita. Quase nenhum deles sequer nota mais o aviso; nenhum deles sabe da existência da casa negra. Mas podemos ter certeza também de que alguns de seus filhos exploraram o caminho, e algumas dessas crianças foram longe o bastante para encontrar a casa. Elas a teriam visto de uma forma que seus pais não poderiam ver, e o que elas viram as teria feito voltar correndo para a rodovia. A casa negra parece tão deslocada no oeste de Wisconsin quanto um arranha-céu ou um palácio cercado de fossos. Na verdade, a casa negra seria uma anomalia em qualquer lugar em nosso mundo, exceto talvez como uma “Casa Assombrada”, um “Castelo de Horrores” num parque de diversões, onde sua capacidade de repelir visitantes levaria o negócio à falência em uma semana. No entanto, de uma forma específica, ela talvez nos lembre os prédios sombrios da rua Chase ao longo de sua ascensão à respeitabilidade a partir da margem do rio e da alameda Nailhouse. O decrépito Hotel Nelson, a taberna sombria, a sapataria e as outras lojas marcadas com a listra horizontal desenhada pelo giz de cera do rio compartilham o mesmo sabor sinistro, onírico, meio irreal que impregna a casa negra.

“A casa negra” começa contando a história de uma mulher que vai morar em um abrigo de idosos, algo que parece completamente desconexo com o que esperamos, mas, mais do que isso, a forma como King e Straub decidiram narrar este livro é algo que só funciona porque temos 2 mestres aqui. Contando a narrativa como um narrador que assiste e usa um drone para mostrar a cidade (o livro foi lançado em 2001, então não, não dava para fazer algo assim na época), o leitor é imediatamente sugado para dentro do livro, mesmo que fique confuso no começo, fazendo um dos melhores usos da voz narrativa que já li. O que parece ser somente uma casa de abrigo para idosos se apresenta em uma cidade pequena no Wisconsin, chamada French Landing, algo que passa a ideia de interior do interior. Mas a pacata cidade também está enfrentando algo que não é capaz de resolver: alguém sequestrou, matou, esquartejou e ainda canibalizou uma criança. Depois, uma segunda. E, quando a narrativa começa, uma terceira, apesar de as personagens ainda não saberem. E só mais uma dica: por mais que o começo da trama pareça desconexo com tudo sobre o asilo, não é, acredite em mim, há coisas importantes demais ali, e, talvez, pessoas também.

Claro que as autoridades já estão tentando agilizar e pediram ajuda até para o FBI, já que o serial killer que está agindo age como um serial killer real chamado Albert Fish, causando espanto, já que o homem já morreu há muitos e muitos anos – em 1936, para ser mais precisa. É assim que Dale Gilbertson, o chefe da polícia da pequena cidade, procura um policial aposentado, vindo da Califórnia, que agora mora há quatro anos na cidade e é um antigo conhecido do leitor. O policial aposentado, a princípio, não deseja se envolver em nada daquilo e só quer viver sua vida pacata e calma na cidade depois de ter tido uma carreira brilhante como um competente policial e detetive e ter visto coisas demais, lidado com mortes demais.

Judy pega a caneta e escreve no bloco.
Nada de Abalá nada de Abalá-dum nada de Torre sem Sapadores nada de Rei Rubro só sonhos são só meus sonhos
Isso é suficiente, mas canetas também são estradas para qualquer lugar, e antes que consiga separar a ponta desta do bloco de aniversário, ela escreve outra linha:
A Casa Negra é a entrada para Abalá a entrada para o inferno Sheol Munshun todos esses mundos e espíritos
Chega! Bom Deus misericordioso, chega! E o pior: e se isso tudo começar a fazer sentido?
Ela joga a caneta na mesa, que rola para a base da lâmpada e para. Então ela arranca a folha do bloco, amassa-a e a enfia na boca. Mastiga-a furiosamente, sem rasgá-la, mas pelo menos deixando-a como uma papa, depois engole. Há um momento terrível quando a folha cola em sua garganta, mas depois desce. Palavras e mais palavras descem, e Judy torna a deitar nos travesseiros, exausta. Seu rosto está pálido e suado, os olhos imensos cheios de lágrimas não derramadas, mas as sombras em movimento no teto já não parecem rostos para ela — os rostos das crianças que caminham, de ratos em seus buracos, raposas em tocas, olho do Rei, Abalá-Abalá-dum! Agora são apenas as sombras das árvores de novo. Ela é Judy DeLois Marshall, esposa de Fred, mãe de Ty. Ali é Vila da Liberdade, ali é French Landing, ali é o condado de French, ali é Wisconsin, ali são os Estados Unidos, ali é o hemisfério Norte, ali é o mundo, e não há outro mundo além deste. Que assim seja.
Ah, que assim seja.
Seus olhos fecham, e quando ela finalmente torna a adormecer, atravessamos o quarto para ir até a porta, mas quando estamos quase chegando lá, Judy Marshall diz mais uma coisa — diz ao passar a fronteira e cair no sono.
— Burnside não é o seu nome. Onde fica a sua toca?

Sim, o adulto Jack Sawyer está cansado e desacreditado do mundo, além de tentar se enganar e esquecer toda a aventura que viveu quando tinha 11 anos para salvar sua mãe de um câncer, quando conheceu os Territórios. Apesar da decisão de tentar esquecer tudo que lhe aconteceu, Jack ainda sente uma inquietação grande dentro de si, que vai aumentando à medida que aceita ajudar seu amigo a tentar livrar a cidade do assassino em série que a assombra. Claro que jornalistas têm um papel na trama e apelidaram esse assassino de “O pescador”, o que transforma a história em uma entidade real com a qual ninguém pode realmente acreditar que cruzará. É bastante interessante essa parte da trama na qual as personagens pensam sobre isso e ninguém acredita que, mesmo morando em uma cidade tão pequena, não se encontrarão com o assassino, e é assim que conhecemos os “amigos” de Ty, garoto de 10 anos, filho de Jude e Fred Marshall. E é assim que também logo descobrimos que Ty irá se tornar a quarta vítima do assassino.

Jude, de alguma forma, insiste que o filho está vivo, e, mesmo tendo um ataque nervoso, ela sente em seu coração que o filho está vivo. Mas também temos de falar sobre o motivo que levou Jude a ter este ataque nervoso a ponto de ser internada: mulher corajosa e forte, seu marido Fred notou que ela anda medrosa e assustada há alguns dias, e isso sem que ele sequer entendesse que ela anda falando sozinha, escrevendo bilhetes para si mesma e os comendo. Claro que, quando entende que Ty foi levado para outro lugar, Jude quebra de vez, mas também faz o leitor entender que ela sabe muito bem sobre Os Territórios, apesar de ainda não ficar explicado como.

Na sala de Dale Gilbertson há um quadro de ocorrências tomado por fotografias ampliadas de Amy St. Pierre e Johnny Irkenham. Uma terceira imagem será acrescentada em breve, a de Irma Freneau. Embaixo das duas fotos atuais, Dale está sentado em sua mesa, fumando um Marlboro 100. Está com o ventilador ligado. O aparelho, ele espera, fará a fumaça se dissipar. Sarah quase o mataria se soubesse que ele estava fumando de novo, mas, francamente, ele precisa de alguma coisa.
Sua conversa com Tansy Freneau foi mesmo um sofrimento. Tansy é uma bêbada, uma freguesa assídua do Sand Bar, e durante a conversa o cheiro de licor de café era tão forte que quase parecia estar saindo dos poros dela (outra desculpa para o ventilador). Ela estava meio embriagada, e Dale deu graças a Deus. Isso a manteve calma, pelo menos. Não colocou nenhuma centelha em seus olhos mortos, licor de café não servia para isso, mas ela estava calma. De forma medonha, até dissera: “Obrigada por estar me ajudando”, antes de sair.
O ex de Tansy — o pai de Irma — mora do outro lado do estado, em Green Bay (“Green Bay é a cidade do diabo”, costumava dizer o pai de Dale, sabe Deus por quê), onde trabalha numa garagem e, segundo Tansy, sustenta vários bares que têm nomes como Reta Final e 100 Limite. Até hoje, havia alguma razão para crer — pelo menos para esperar — que Richard “Cubby” Freneau tivesse raptado a filha. Um e-mail da Delegacia de Polícia de Green Bay descartou essa hipótese. Cubby Freneau mora com uma mulher que tem dois filhos, e ele estava na cadeia no dia em que Irma desapareceu. Ainda não há corpo, e Tansy não recebeu carta do Pescador, mas…

Ainda nessa altura do livro, temos a sensação de que estamos lendo um thriller com toques sobrenaturais, e é isso que torna “A casa negra” tão absurdamente envolvente, porque entendemos que sim, há influência dos Territórios nos sequestros e assassinatos das crianças, mas também já entendemos muito bem que Duplo reflete a personalidade um do outro, ou seja, ninguém absurdamente bom será ruim em outro lugar e nem o inverso, o que causa a certeza de que quem for o Pescador, além de ser uma pessoa essencialmente ruim, também será do outro lado e que, talvez, bem talvez, possa existir mais alguma interferência de maldade em algum lugar.

Quando Jack conhece a fragilizada Jude, algo dentro dele se ilumina e deixa o leitor com a pulguinha atrás da orelha porque alguma coisa está realmente acontecendo ali, as teorias começando a brotar porque parece que temos pontas soltas demais: um asilo, crianças desaparecendo, Jack tentando não se lembrar dos Territórios, uma mulher casada que está em um hospital por causa de um ataque nervoso com o filho sumido, um serial killer que está imitando um homem morto há muitos anos – e menção para Henry Leyden, um grande amigo de Jack, radialista e cego, que parece conseguir enxergar mais do que o próprio Jack.

— Não — diz Jack —, na verdade eu estava…
Ele para. O telefone está ao lado da cama, e há um bloco de papel ao lado. Há um bilhete escrito. Jack deve tê-lo escrito, já que é a única pessoa ali — elementar, porra, meu caro Watson —, mas não é a letra dele. No sonho, em algum momento ele escreveu esse bilhete com a letra da mãe.
A Torre. Os Feixes. Se os Feixes quebrarem, Jacky, se os Feixes quebrarem e a Torre cair
Não há mais nada. Só o pobre Fred Marshall que descobriu quão depressa as coisas podem se deteriorar na vida mais ensolarada do Meio-Oeste. A boca de Jack tentou dizer algumas coisas enquanto sua mente está ocupada com a falsificação de seu subconsciente, coisas talvez não muito sensatas, mas isso não incomoda Fred; ele simplesmente continua falando sem nenhuma das pausas e hesitações que as pessoas costumam empregar para indicar fins de frases ou mudanças de raciocínio. Fred está só desabafando, descarregando, e, mesmo aflito como está, Jack percebe que Fred Marshall da alameda Robin Hood número 16, aquela gracinha de casa estilo Cape Cod, está chegando ao limite da resistência. Se as coisas não mudarem para ele em breve, ele não precisará visitar a esposa na enfermaria D do Hospital Luterano do condado de French; os dois serão companheiros de quarto.
E é sobre a visita prevista deles a Judy que Fred fala, Jack se dá conta. Ele para de tentar interromper e apenas escuta, enquanto olha intrigado para o bilhete que escreveu para si mesmo. Torre e Feixes. Que tipo de feixes? De madeira? De concreto? Levantem bem o feixe central, carpinteiros?

De volta aos Territórios (porque, vai, todo mundo sabia que isso aconteceria), Jack conhece Sophie, que agora é a Rainha do lugar. Parece óbvio para Jack que ele precisa fazer algo na Torre Negra porque o Rei Rubro é quem realmente está por trás de tudo – e, a partir daqui, nada mais do que seja dito vai conseguir esconder de vocês a trama, porque é claro que tudo caminha para nos mostrar que personagens que já conhecemos podem ser Pistoleiros, mas absolutamente nada, nada mesmo, te prepara para a explicação sobre os motivos pelos quais as crianças estão sumindo e quem está por trás dessa grande empreitada, que começa a se revelar pela Casa Negra, que é uma personagem – e sim, um lugar de passagem para Os Territórios. Muito da mitologia do Kingverso está sendo construída aqui e é inevitável qualquer leitor que realmente goste dos livros de King não ficar encantado com a ideia dele de unir tudo em uma grande e única mitologia.

Não espere uma trama acelerada porque King e Straub realmente vão construindo tudo com tempo e levam páginas e páginas descrevendo o que eles acham importante. E, se você quer mesmo saber, cada decisão da dupla é a mais acertada possível. É triste saber que o terceiro livro, “Outros mundos além deste”, será publicado sem a presença de Straub, que infelizmente faleceu em 2022, mas deixou anotações e ainda é um autor deste novo volume. Sinceramente, não tenho ideia se consegui colocar em palavras o quanto eu amo este universo e o quanto realmente acho impactante que tantos livros (não tenho ideia do número total) e contos se passem no mesmo universo, regidos pelas mesmas regras. E agora me permita terminar por aqui, porque pretendo desligar meu notebook, ligar meu Kindle e cair em outros mundos além deste e descobrir como a história de Jack realmente terminará.

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