Resenha: Asas de sangue (Academia Bloodwing 1) – Briar Boleyn

“Asas de sangue” (Academia Bloodwing 1)
Briar Boleyn
Tradução: Flávia Maior
Arte de Capa: Carlo Giovani
Seguinte – 2026 – 560 páginas
Eu, Medra Pendragon, sou a última cavaleira de dragões ― ou pelo menos é o que dizem. O engraçado é que faz muito tempo que os dragões estão extintos nesta terra. Mesmo assim, por algum motivo os vampiros decidiram que sou valiosa o bastante para ser capturada. Agora estou presa na Academia Bloodwing, onde os sangues-nobres comandam tudo e o resto de nós não passa de peças descartáveis em seus jogos de poder.
Mas essa nem é a pior parte. Eis que surge Blake Drakharrow: frio, arrogante e, devo admitir, perigosamente lindo. Desde que nos conhecemos, ele não perde a chance de me atormentar. E, graças a um ritual antigo, agora estamos… noivos.
Se quero ter algum futuro, preciso sobreviver a disputas mortais enquanto navego uma teia de mentiras e segredos. Fácil, certo? O problema é que estou começando a achar que o verdadeiro perigo não é a academia… mas quem estou me tornando.
E Blake? Ele pode muito bem ser o responsável pela minha ruína.
E aqui estamos em mais um tipo de resenha que detesto fazer: não gostei do que li. Já falei em diversas outras resenhas do que não sou ninguém na fila do pão para julgar o trabalho dos outros, deixo claro que aqui temos somente a opinião de uma leitora que não entendeu quase nada do que leu – e não falo que não entendi o enredo ou as palavras, não entendi o motivo de misturar tantas, mas tantas coisas em uma única trama que poderia ser bem mais direta e eficiente.
Tenho uma teoria de que o mundo está tão acelerado, com vídeos curtos e todo mundo vivendo na velocidade 2x, que tenho a sensação que muitos autores estão tendo de colocar 20 tropes literárias em cada volume de suas séries, e, sinceramente, acho que “Asas de sangue” ganha de todas outras misturas que já vi: predestinada, enemies-to-lovers, proximidade/noivado forçado, mean girls, dark academy, féericos, magia, amigos que tentam trair, seres mágicos e universos alternativos/paralelos – e, sinceramente, parei de contar ai. Sei que os autores sentem a necessidade de entregar mil reviravoltas e pequenas cenas inesperadas, mas há limites porque se não, a trama pode cair no que aconteceu aqui: um pouco de tudo e nada de profundo.
Um homem estava à frente, montado em um corcel preto. Ele segurava uma besta nas mãos. Observei a arma com interesse. Devia ser realmente poderosa para decapitar alguém com um único disparo. Então, olhei para o rosto do homem e todos os pensamentos sobre a arma deixaram minha mente. Ele era impressionante. Traços angulosos e elegantes. Pele pálida. Letal e sedutor. E muito mais jovem do que eu esperava. Mais próximo da minha idade.
Esse homem havia salvado minha vida. Tinha matado um de seus próprios homens para me proteger.
No entanto, quando vi a expressão arrogante que tingia suas belas feições e a torção cruel de seus lábios finos, não senti gratidão. Seus cabelos loiro-dourados emolduravam um maxilar definido. Ele tinha um porte esguio e elegante, musculoso na medida certa. No entanto, algo nele me fazia pensar que já tinha sido um garoto frágil e magrelo. Uma de suas características se destacava: seu nariz aquilino. Parecia deslocado. Pontudo demais, grande demais. Imperfeito demais. Mas essa imperfeição apenas acentuava o semblante aristocrático, intensificando sua expressão esnobe. Complementava os belos ângulos de suas maçãs do rosto e do maxilar, colaborando para seu ar lupino. Alguns até poderiam não considerá-lo atraente.
Logo que a trama abre, temos uma jovem, Medra Pendragon, acordando em uma pilha de cadáveres. Logo ela é forçada a descer de lá pela ordem de um chefe de uma campanha, tendo sido atacada por um dos subalternos, que foi morto pelo tal chefe. Obedecendo o homem, ela desce da pilha de corpos nua, corajosa e com seus cabelos vermelhos ao vento – não, a menção a cor dos cabelos dela não é a toa porque, por causa da cor deles, pensam que ela é a personagem principal de uma profecia, e, na verdade, a cor dos cabelos aqui é bastante importante já como todos vampiros tem cabelos loiros (e seus derivados claros). E, claro, as orelhas pontiagudas porque Medra também é parte féerica. É.
Levada pelo tal chefe da campanha, que se chama Blake Drakharrow, até o conselho daquele mundo (calma!), Medra entende que está no meio de vampiros e fica indignada porque eles obviamente se alimentam de sangue e parecem estar obcecados por dragões. Não entendendo nada, porque no mundo dela não havia vampiros e muito menos dragões – pelo menos não atualmente, entendemos que Medra acredita que deveria estar morta porque fez alguma coisa que explodiu em magia e que a fez ser realmente especial ali. O tio de Blake é o chefe da parada ali dos vampiros e então ele a vincula ao sobrinho para eles se casarem, com ela sendo a segunda consorte do sobrinho. E ah, ele a manda para a Academia Bloodwing porque… sim.
Ele me lançou um sorriso frio — se é que se pode chamar aquilo de sorriso — pela primeira vez. Com os lábios ligeiramente entreabertos, pude ver que seus incisivos eram ainda mais longos que os de Barnabas e se estreitavam em pontas afiadas e delicadas.
— Presas — falei de forma inexpressiva. — Você tem presas.
Ele desdenhou:
— Não me diga que nunca ouviu falar de sangues-nobres de onde você veio, ou vou mesmo começar a me perguntar se você caiu do céu. Ou talvez tenha batido a cabeça com muita força em uma pedra. — Então estreitou os olhos. — Ou bebeu um pouco demais? — Ele estendeu a mão e me deu um tapa forte na lateral da cabeça.
Ficando claro: tudo isso é apenas nas primeiras 50 páginas do livro, que tem mais de 500 em sua trama. Claro que indo para a tal Academia Bloodwind junto com seu “noivo”, os parentes dele e os outros sangues-nobres (como se chamam vampiros neste universo), Medra vai dar de cara com uma trama muito maior do que imaginava porque há uma voz de mulher também dentro de sua cabeça, indicando que há outra alma vinculada com a sua. Claro que lá na Academia também vão estudar magia com outras especies, como, por exemplo, Naveen, um simpático anão, amigo de longa data de Florence Shen, que se torna a melhor amiga de Medra e é uma flagelada, como os humanos comuns são “gentilmente” chamados aqui.
No meio de aulas, de lidar com a raiva de todos Drakharrow (primos e outros do clã) e ainda com Regan Pansera, a primeira consorte de seu “noivo”, Medra entende que é uma peça muito valiosa entre as 4 casas de vampiros que dominam a Bloodwing e o mundo dos sangues-nobres: Casa Drakharrow, Casa Avari, Casa Orphos e Casa Mortis, cada um com um líder nas casas dentro da Academia. E aqui temos também Medra sofrendo horrores porque ser uma forasteira ligada a um dos maiores partidos deste mundo, mas todo leitor já entendeu aonde toda essa trama vai dar: com Medra conseguindo fazer os dragões voltarem, seja lá como for, mas também fica claro que a autora enfiou tantos tropes que o livro facilmente teria mais de 1000 páginas se todos fossem realmente desenvolvidos – ou o livro deveria ter menos de 400 páginas se metade desses enredos subdesenvolvidos fossem deixados de lado. O ano vai passando por pulos no tempo enquanto um baile de final de ano vai acontecer, o que já nos mostra que muito vai mesmo acontecer neste lugar. É tudo muito pré-determinado porque o que era para ser reviravolta, se torna esperado – e o que é esperado também acontece.
Desde a noite do segundo tremor, meus sonhos haviam mudado. Blake fora banido e substituído pelo dragão. Os sonhos eram praticamente os mesmos. A Bloodwing desmoronava ao meu redor. Às vezes, eu estava correndo pelos corredores, tentando salvar Florence, Naveen, Vaughn ou outros flagelados aleatórios. Tudo isso enquanto um enorme dragão, com asas gigantescas, surgia dos escombros, rugindo sem parar. Mais alguns tremores haviam acontecido, mas, dessa vez, durante o dia. E Florence estava certa — nenhum dos professores parecia preocupado.
Estávamos no último dia do período letivo. Era hora do almoço. Eu caminhava pelo corredor com Florence em direção ao refeitório, a respiração formando nuvens no ar gelado. O clima tinha esfriado bastante, e uma neve pesada cobria o campus. Mas, apesar do frio, a Bloodwing vibrava com a expectativa do recesso escolar iminente e do Festival de Gelo e Fogo. Parecia que a maioria dos calouros ficaria na escola durante o recesso, em vez de voltar para casa.
Como fã de dragões que sou (“As Crônicas de Gelo e Fogo” tem um pedaço grande do meu coração), gosto de ler todos os livros sobre eles porque os acho criaturas fascinantes, e, obviamente, seus montadores. Mas há limites para o que uma pessoa predestinada pode ser, mas Medra perece desconhecer e quer todos os títulos possíveis e impossíveis de mocinha chutadora de bundas de seres de qualquer gênero, especialmente os vampiros. Isso que nem me façam falar sobre o romance entre Medra e Blake porque sim, é exatamente o que esperamos por eles: ela não quer estar com ele, o odeia, jura matar, bate e no final está apaixonada por ele, assim como ele por ela, que a vê como uma qualquer e nem queria estar perto dela no começo, e sim, sabemos disso porque há pontos de vistas dele aqui – poucos capítulos, mas há. Sim, é uma romantasia. Sim, por este motivo, o romance deveria acontecer forte neste livro, mas lembrem-se que temos mais de 500 páginas, então pode esperar mais chamego só lá pro final da narrativa.
Um ponto que quero deixar claro: apesar de ser um livro bastante extenso, não espere todas as respostas neste volume e nem explicações demais sobre Medra e todo seu mundo, até porque a trama aqui termina claramente preparando terreno para as sequências, porque sim, “Asas de Sangue” é o primeiro livro da série “Academia Bloodwing“, que já conta com 3 livros e um quarto a ser publicado neste ano. Pelo que andei lendo no Goodreads nas resenhas sem spoilers, o segundo livro é infinitamente superior a este primeiro, então essa promessa está me comprometer com a série para saber o que virá, apesar do final previsível ao extremo deste primeiro volume. Precisamos entender que, na maioria das vezes, menos é mais, e isso também se encaixa em livros.
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