Cassie irá publicar um pequeno pedaço de conteúdo extra de “The Last Hours” por mês até um mês antes do lançamento do livro. Esse é do mês de Junho de 2019.

Paris, 1897

Cordelia sempre pensou no ano que a família dela viveu fora de Paris como o último ano feliz que eles tiveram. No ano seguinte, Alastair iria para a Academia Shadowhunter e se tornaria de uma vez só uma pessoa mais difícil e impenetrável. A saúde do pai dela piorou quando voltaram para a Inglaterra. E, da noite para o dia, algo em Cordelia mudou e a mãe dela começou a falar sobre o futuro dela e como ela podia assegurar ele.

Mas naquele ano, vivendo na pequena mas confortável casa em Fontainebleau, tudo estava bom. E ela pode ver Lucie e James mais naquele ano do que em qualquer outra vez. Ela preferia ficar solta com eles no coração de Paris, obviamente, mas ela aproveitava mostrar as casas da cidade para Lucie, o castelo da realeza mundana, o Grande Canal onde as famílias sentavam e faziam piquenique. Lucie tinha dez anos e parecia ainda mais nova, mas ela era bem audaciosa. Então é claro que Lucie queria explorar a Floresta Fontainebleau e guiava o caminho até lá, falando sobre como essa antes tinha sido uma floresta muito larga e antiga, um terreno de caça para os antigos reis e como uma vez ela conheceu um garoto fada na floresta Brocelind.

Mas isso é um segredo”, ela falou, olhando para Cordelia por cima do ombro e ela mesma parecendo um pouco feérica. “Não conte a ninguém.

Cordelia concordou, satisfeita de ter um segredo com Lucie. Elas passaram por um caminho que parecia com uma estrela em um caminho estreito entre faias e sorveiras. A floresta era conhecida por seus enormes pedregulhos em formatos estranhos – esse parecia com um elefante, o outro com uma superfície irregular como um crocodilo, essa como a cabeça de um homem velho com um grande nariz. Cordelia levou Lucie para ver algumas das favoritas dela, para subir nos topos e olhar para os desfiladeiros abaixo delas pelas bordas dos penhascos.

Lucie correu ao longo do topo dos penhascos verdejantes sem preocupação, os pés afundando nas margaridas com o cabelo voando ao vento. Ela se inclinou na beirada para pegar uma flor silvestre, os tons delicados de violeta e rosa das pétalas em contraste com a rocha cinza escura. Ela colocou atrás de uma orelha e saltou novamente, Cordelia correndo para acompanhar.

Elas eram cuidadosas; elas eram Shadowhunters; mas elas ainda eram crianças que poderiam facilmente pisar errado em algum lugar e, eventualmente, foi o que Lucie fez. Rindo de algo que Cordelia falou, ela deu um passo no espaço aberto e, perdendo o equilíbrio, começou a cair na beirada de um grande penhasco. Cordelia teve tempo de ver o sorriso de Lucie se transformar em uma expressão de horror antes dela se jogar na direção da amiga, segurando a manga do vestido dela. Ela sentiu o material rasgar nas mãos dela, mas deu tempo a Lucie para torcer e colocar o braço na terra plana, e deu a Cordelia o tempo de segurar Lucie pelo pulso e agarrar pela vida da amiga.

Os olhos delas se encontraram. “Está tudo bem, Lucie falou lentamente. “Meu pé está apoiado em –

Com um barulho de algo desmoronando o que quer que Lucie estivesse apoiando o pé caiu e Lucie balançou para trás, voltando e batendo com força contra a terra. Cordelia estava deitada de bruços na terra quebrada, pendurada no penhasco, a mão dela em torno do pulso de Lucie. Lucie virou o braço com cuidado, os olhos presos nos de Cordelia e agarrou o pulso de Cordelia de volta. Elas estavam estáveis pelo momento.

Mas não estavam a salvo ainda. Cordelia tentou puxar Lucie para cima e a terra tremeu embaixo dela. Lucie soltou um gemido; a mão livre dela pressionada contra a rocha para continuar firme. Ela respirava bem alto e bem dificilmente.

Cordelia forçou a voz a ficar estável. “Não se mexa”, ela disse. “Alguém virá por nós. Eu não vou te deixar cair.

Um pequeno barulho assustado deixou os lábios de Lucie. Depois de um instante, Cordelia notou que era uma risada.

Oh”, Lucie respondeu, “eu estou apenas pensando em como nós vamos passar o tempo até lá.

Cordelia sempre pensou que Lucie não devia pesar nada, mas com o tanto de peso que estava nas mãos de Cordelia, ela estava muito atenta sobre o quanto tinha a perder, sobre o quão criticamente importante era segurar. O céu azul parecia se inclinar vertiginosamente ao redor delas e sob elas, o azul ameaçando engolir Lucie. A respiração delas era como trovoadas nos ouvidos de Cordelia.

E lá elas esperaram. Cordelia queria gritar por ajuda, mas ela não ousou, com medo de que qualquer energia divergente fosse enfraquecer o jeito que ela segurava Lucie. Lucie não tinha esse medo e gritou por ajuda algumas vezes. Não tinham resposta. A floresta estava silenciosa, salvo pelo vento batendo nas árvores acima delas.

Lucie e Cordelia olharam uma para outra com desalento.

Você está sempre escrevendo histórias”, disse Cordelia depois de um longo momento. “Pode me contar uma?

Eu nunca contei minhas histórias para ninguém além da minha família”, Lucie falou. Ela soou envergonhada e Cordelia quase abriu a boca para falar que tudo bem, que ela entendia perfeitamente quando Lucie continuou. “Já como é pra você, Cordelia, eu acho que consigo.

Lucie relatou um empolgante conto de um pirata com os olhos verdes como o mar. Cordelia ficou tão encantada com a história, que ela conseguiu até rir um pouco. Quando ela fez, os olhos de Lucie brilharam.

A história chegou ao fim. O silêncio a seguiu. Houve um sopro gelado no ar quente de verão, contando sobre a noite e a escuridão que se aproximava. Os músculos dos braços de Cordelia estavam queimando.

Cordelia, você não está ficando cansada?” Lucie perguntou em uma voz baixa.

Não estou nada cansada”, Cordelia respondeu. “Posso segurar para sempre.

Nenhuma delas lembrava de quanto tempo estavam esperando. Pareciam horas. Cordelia teve tempo para perceber que aquela era agora sua vida inteira, que a sensação de sofrimento e terror poderia simplesmente continuar e continuar sem um fim, e ela começou a pensar sobre como poderia se reconciliar com essa nova verdade quando, de uma vez só, elas foi envolvida com um novo calor e uma nova força. Ela ergueu o rosto para ver alguém – James, era James – segurar o braço de Lucie junto com ela. Com um grande impulso, James ergueu sua irmã de volta para a segurança. Cordelia gostava de pensar que ela ainda tinha força o bastante para ter ajudado um pouco. Ela segurou Lucie, de todo jeito, e não a deixou ir até as duas estarem deitadas na grama próxima do penhasco.

James olhou para elas, os braços cruzados. Mole de tanto alivio, Cordelia olhou para ele. Ela raramente tinha visto ele sem seus óculos de leitura antes. Ela notou que estava surpresa com a profundidade peculiar dos olhos dele, mas surpresa de um jeito bom. Ela se perguntou se James iria brigar com elas. Ao invés disso, ele apenas falou “Vocês estão bem. Não tenham pressa.

James”, Lucie falou. “Cordelia me segurou por horas. Horas e horas.

Cordelia falou “Dias. Foram dias que ficamos aqui.

Lucie deixou escapar uma pequena e agitada risada. “Foram semanas, James. Porque demorou tanto?

Elas explicaram como Lucie tinha caído. “Lucie, eu queria que você ficasse satisfeita em destruir essas margaridas por aqui”, James falou com um suspiro exasperado. “Geralmente penhascos são mais apreciados longe da beirada.

Eu gosto de margaridas”, Cordelia falou antes que Lucie e James começassem a se bicar. “Eu nunca entendi porque as pessoas que se chamam ‘Margaret’* tem o apelido ‘Daisy’*. Soa tanto como ‘Margaret’ quanto ‘Cordelia’ soa.

Ela olhou para eles, apenas para encontrar James encarando ela. Depois ela descobriu que Daisy era um apelido para Margaret porque a palavra em francês para “Margaridas’ era marguerite, e Cordelia se sentiu uma idiota. James claramente sabia disso naquela época, mas ele era muito bondoso para dizer.

Ao invés disso, ele falou “Porque não chamamos você de Daisy, se você gosta?

Cordelia sentiu um calor pelo corpo ao pensar nos Herondales dando um apelido para ela.

Sim!” Disse Lucie com empolgação, sentando rapidamente na grama. Lucie parecia tão destemida, mal escapando, mas ainda assim sem ser afetada pelo perigo. “Nós devemos dar um apelido para você!

Daisy. Era um nome livre, feliz. Sem saber o que dizer, Cordelia segurou a mão de Lucie e apertou. Então ela gemeu, a dor no braço retornando com o movimento.

Lucie deu a ela um olhar pensativo. “Dias”, ela falou. “Semanas, você me segurou, Daisy.

Cordelia sorriu, satisfeita de ter entrado na mitologia de Lucie de uma maneira heroica. “Eu seguraria por meses, se precisasse.”

James”, Lucie falou, mesmo sem olhar pra ele. “Você sabia que Cordelia será minha parabatai?

Serei?” Cordelia perguntou com diversão.

Lucie pareceu horrorizada, como se estivesse acordando de um sonho. “Eu sinto muito, foi o choque falando. Eu nunca presumiria –

Lucie!” Cordelia falou. Ela segurou mais firme na mão da amiga, satisfeita de fazer isso em segurança, e olhou para James. “Claro que nós vamos ser parabatai.

* Margaret e Daisy são os nomes em inglês para “Margarida”

[Traduzido por Equipe IdrisBR. Dê os créditos. Não reproduza sem autorização.]

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