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Resenha: Entrelinhas – Jodi Picoult & Samantha Van Leer

Sinopse: O que aconteceria se o para sempre dos contos de fadas fosse na verdade uma maldição? Delilah detesta a sua escola na mesma intensidade que ama os livros. Na verdade, há um livro em particular do qual ela não consegue se separar. Se alguém soubesse quantas vezes ela já leu e releu o conto de fadas fofinho que encontrou na biblioteca – principalmente os alunos e alunas mais populares –, seria mandada para a Sibéria social… sem passagem de volta! Porém, para Delilah, aquele conto de fadas é mais do que apenas letras e palavras em uma página. Sim, há um belo príncipe (tá certo, ele é muuuito gato), um dragão, fadas, trolls, sereias, piratas, um castelo, um mago e um vilão malvado, mas o livro passa a estranha sensação de que há algo bem mais profundo acontecendo. Algo pra lá de fantástico. Um dia, a adolescente de 15 anos descobre que não só é possível haver vida real dentro da história, como dá para transitar entre a realidade e o faz de conta! E se o príncipe do conto de fadas estivesse perdidamente apaixonado por… você, Leitora?

Esse é provavelmente o livro mais lindinho que eu li esse ano. Não só lindinho na história, mas ele por dentro, com suas imagens e artes me deixou de coração quentinho e amando demais.

Já pensou como seria se, assim como acontece em “Toy Story”, porem de uma forma muito mais, digamos, limitada, os personagens dos livros que a gente lê tivessem suas vidas próprias – limitadamente porque essas vidas só seriam vividas ali dentro, no lugar onde o livro se passa. E, mais ainda, não só esses personagens têm uma vida como o personagem principal do livro se apaixona por você, a pessoa que pega o livro e o lê todos os dias (ou quase sempre relê).

“Quero que saiba, Delilah. Você já é a maior aventura da minha vida.”

É isso que acontece com Delilah: uma leitora voraz, um dia ela encontra na biblioteca do colégio um livro que não passa de um conto de fadas comum e que, ela sabe, será azucrinada pelos colegas se descobrirem que ela não só leu o livro uma vez, como todas as vezes em que acaba o tempo que ela tem com o livro, ela renova o pedido.

Delilah não consegue entender porque sente essa ligação tão forte com o livro. Menos ainda como pode estar tão encantada com aquela história que é, como eu falei acima, só um conto de fadas comum, não tem nada de extraordinário nele, além do fato da garota sentir como se o personagem principal, Oliver, a compreendesse de uma forma que ninguém mais parece compreender, pelo fato de que ele também cresceu sem a presença do pai.

“Sinto lágrimas de raiva marejarem meus olhos. Não estou triste. Eu só estou cansada de ouvir outra pessoa toda hora me dizendo o que eu supostamente estou sentindo.”

Oliver acha que tem algo de errado com ele. Porque todas as vezes em que o livro se fecha e ele se vê preso ali naquele universo onde ele “atua” como um príncipe na história escrita naquelas páginas, ele sente um vazio. Sente que a vida devia ser mais do que só ficar ali convivendo com pessoas que não tem nada a ver com seus personagens, como gostaria de saber mais do mundo que ele vê toda vez que as páginas são abertas e ele consegue ter uma pequena parcela do que está acontecendo ali.

Além, de claro, estar apaixonado por Delilah, mesmo sem entender como isso é possível, considerando que a ideia é que ele não passe de um personagem em um livro. Por inúmeras vezes o rapaz tenta se comunicar com ela, com qualquer um, fazer qualquer coisa para que vejam que ele está ali realmente, que ele é uma “pessoa” real e quer viver uma vida real fora daquelas páginas que foram escritas por outra pessoa, uma história que não é a dele realmente.

“— Porque livros não são perigosos. Sempre podemos contar com que um livro se mantenha como é, fisicamente falando. Todo o resto muda, e muda quando menos se espera — responde ela, amarga. — As famílias se separam, e nada é para sempre. Já nos livros… você sempre sabe o que vem a seguir. Não há surpresas.”

Então, quando ele enfim consegue um contato com a garota, os dois ficam no mais absoluto choque: ela, pensando que enlouqueceu ao ponto de estar ouvindo um personagem que no mundo real não existe conversar com ela, e ele, por acreditar que enfim tem uma chance de sair daquele lugar, de tentar alguma coisa para poder viver a vida como ele sempre quis.

Se ele consegue ou não sair, isso é algo que vocês só vão saber quando lerem o livro 😛 Mas meu ponto é: a história foi uma ideia que a filha de Jodi Picoult teve. A autora, que já é conhecida por vários livros, conta logo no inicio que um dia a filha dela chegou com essa ideia e ela realmente comprou e assim as duas passaram dias e dias escrevendo juntas esse livro que agora foi entregue a gente.

“— O amor é como um maremoto — diz.
— Porque deixa a gente à deriva? — pergunto.
— Não. Porque tira o seu chão e você se afoga.”

Delilah é uma personagem muito carismática e, apesar dela ter apenas 15 anos, e eu provavelmente não ser o publico alvo do livro, é muito facil de gostar dela e torcer para que ela consiga tudo que quer. E Oliver também é um personagem que encanta. Além de ser, obviamente, muito engraçado ver como as personalidades daqueles personagens se diferem de quem eles são quando o livro é aberto e a história é contada, e de quando o livro está fechado e eles podem ser quem querem ser.

Além de, claro, ser genial toda a premissa do livro por si só. O livro é dividido em três pontos de vista: temos o ponto de vista do próprio conto de fadas, que conta a história do príncipe Oliver, mas também temos o ponto de vista do próprio Oliver, sendo quem ele é, assim como o pov de Delilah e assim a gente nunca precisa ficar “no escuro” sobre como as coisas são e os personagens se sentem.

Se o que você procura é uma fantasia gostosa de se ler, com uma premissa que é divertidíssima, eu super recomendo “Entrelinhas”, acho que toda pessoa que é apaixonada por livros, adoraria ler.

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