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Resenha: A Rainha Coração (Artefatos de Ouranos 4) – Nisha J. Tuli


“A Rainha Coração”(Artefatos de Ouranos 4)
Nisha J. Tuli
Tradução: Guilherme Miranda
Seguinte – 2026 – 608 páginas

Depois de cometer o maior erro de sua vida, Lor está fugindo novamente do Rei Aurora ― e sabe que chegou o momento de pôr fim a essa história de uma vez por todas. Mas quando um novo inimigo surge, ela percebe que o destino de todo o continente está em suas mãos.

Com a terra mergulhada no caos e rebeliões se espalhando, Lor precisa aceitar que é a chave para salvar Ouranos, quer queira ou não. Para lutar por Nadir, ela terá que mentir, roubar e ultrapassar todos os seus limites em busca das arcas mágicas. Só que, quanto mais se aproxima da vitória, mais teme repetir os erros de sua avó.

No desfecho épico da série Artefatos de Ouranos, Lor embarca em uma jornada repleta de sacrifícios, reviravoltas e amores impossíveis ― e a liberdade que tanto desejou vai cobrar seu preço.

Sabem o meme “Essa reunião poderia ser um e-mail”? Então, apliquem neste livro, foi esse insight que tive conversando sobre ele com a Ju. Já cansei de falar em resenhas assim que não sou ninguém na fila do pão para falar mal sobre qualquer livro que seja, mas não vou mentir sobre gostar ou não de um livro, e eu achei tudo que envolveu “A Rainha Coração” desnecessário e medroso levando-se em conta que Lor, a mocinha, é uma chutadora de bundas tão forte que vendia o corpo em um presidio onde ela, a irmã e o irmão estavam presos desde pequenos – olha o nível de coisa que ela passou! – a ponto de me questionar se o sucesso que essa série alcançou terminou sendo prejudicial para o caminho que a trama tomou, mas hey, se você quer saber mesmo, eu acredito que a autora não sabia onde queria chegar quando começou. Tá, melhor falando, acho que ela sabia o que queria (o final feliz) mas não sabia como iria chegar lá, e o que temos aqui é um livro repleto de novas nuances sobre personagens já estabelecidos, uma busca que parece loucura e uma decisão forte que foi revertida em menos de 40% do livro.

Enfim, vou tentar expor todos os pontos positivos e negativos da trama tentando não dar grandes spoilers deste livro, mas aqui claro que haverá spoilers dos livros anteriores, que são: “A Rainha Sol” (leia a resenha SEM SPOILERS clicando AQUI), que abre a trama muito bem, jogando a barra lá pra cima e é seguido por “O Rei Aurora”, que continua a trama quase no mesmo nível AQUI), e então temos o terceiro livro, “O Rei Sol”, que poderia ter encerrado a trama (AQUI), para tudo terminar aqui, em “A Rainha Coração”. No próximo paragrafo já haverão grandes spoilers, então leia por sua conta e risco – e caso você queira informações gerais sobre a trama desta série, indico ler somente a 1ª resenha. Vamos lá.

— O que acontece se eu não fizer isso? — Cerro o punho sobre a superfície áspera do Artefato, receosa da resposta.
Não teríamos escolha se não dispersar a magia de Coração pelo continente, permitindo que ela se funda ao poder dos demais reinos. A Coroa será reduzida a pó, sua magia ficará perdida para sempre, e Coração e seu povo não passarão de uma memória. Quanto mais demorar, mais difícil vai ser. Nosso tempo está se esgotando. Você precisa agir logo.
Engulo em seco.
Não pode haver nenhum outro, Rainha Coração. Estamos aqui à sua disposição.
— Por que estão me ajudando?
Nossa função sempre foi proteger a magia de Ouranos, e não te responsabilizamos pelos erros de sua avó.

Minha garganta se aperta. Por que estou ficando emocionada com os sentimentos de objetos encantados gigantes? Entretanto, é claro que eles são muito mais do que isso.
Embora o continente possa existir sem a magia de Coração, Ouranos foi criado com sete reinos, e nosso desejo é que isso seja restaurado.

Aqui começa exatamente onde “O Rei Sol” terminou: Nadir está morto depois de Lor se descontrolar e o matar. Cheguei a mencionar na resenha deste volume que eu duvidava que isso iria continuar (sem realmente dar este spoiler, é claro) porque já li livros demais na vida para acreditar que um mocinho que morre no terceiro livro ficará morto no quarto. Enfim, não há mistério, de cara já entendemos que Nadir não está morto e enterrado (desculpa a piada), e está em espirito ou algo do tipo neste lugar ai com Zerra, que previamente aparecer para Lor e faz um trato com ela: ela trará Nadir de volta à vida se Lor roubar os Artefatos. Logo há um capitulo com ponto de vista de Nadir acordando e argh, todo esse enredo de Nadir morto e preso pela Deusa Zerra me irritou em tantos níveis que só isso já me deixou com a boca amarga de raiva porque era obvio que ele não iria continuar morto, como já falei, e também porque Zerra o que para amante, mantendo ele em um lugar chamado “Evanescência”. E nada e nem ninguém vai me fazer entender porque demônios uma Deusa cheia de poder iria querer um humano para amante, mas ela quer e muito.

Lor, tomada pela dor e desespero de ter matado Nadir, aceita essa empreitada de Zerra, fazendo com que no último livro, ela começe esta procura para destruir todos Artefatos que dão poder não só ela, mas a todos que possuem magia por serem herdeiros da casa. E ah, deixando claro, Lor agora é realmente a Rainha Coração, para surpresa de ninguém. Caindo de cabeça nessa procura pelos artefatos e sozinha, nossa heroína repleta de camadas tão bem construída, aqui somente mostra de vislumbre quem ela realmente é, e bem neste começo da trama, não confiando em ninguém e só focando no objetivo de Nadir voltar, mas… argh, estou brava de ter de escrever isso, porque é tudo por nada. Absolutamente nada. Sabe por quê?

Boquiaberta, olho ao redor. Parece que estão todos a salvo, embora sangrem por vários arranhões e cortes. Dou dois passos, quase tropeçando nos escombros, mas Nadir já está atrás de mim. Eu me agarro a ele, a cabeça zonza.
O Castelo Coração se foi. Pisco várias vezes, olhando para o lugar onde ele estava até segundos antes. Não consigo desviar os olhos.
Vocês acham que… é um mau presságio? — pergunto.
Mael se aproxima, o polegar nas fivelas do cinto. Está mancando e com o rosto coberto de sangue.
Ah, Rainha Coração… Bom é que não é — ele diz, e ergo os olhos para encará-lo. — Mas veja pelo lado bom. Você teria que reconstruir tudo de qualquer forma.

Porque Nadir consegue fugir e voltar ao plano de Lor. Ai, gente, o que tenho pra comentar disso? Sério, eu fiquei olhando pra meu kindle e pensando “Pra que matar um personagem central só pra trazer de volta tão facilmente assim?” e não era porque queria um final com Lor ou Nadir morto, mas sinceramente porque não tem a menor necessidade para simplesmente não ter consequências. E sei que pode parecer que estou tentando estragar a trama dando esse spoiler tão grande, mas não é porque isso acontece no terço inicial do livro. Sim, Lor e Nadir passam juntos, lutando e tentando ficar juntos, por dois terços do livro, então se torna praticamente impossível não falar que ele estava lá na quantidade de batalhas que acontece a partir de certo ponto do livro porque claro que temos diversas batalhas aqui, tudo parecendo prestes a explodir mais de uma vez e no final nada é muito bem assim.

Fiquei impressionada com minha própria percepção da trama, em como estava investida nos 3 primeiros livros e queria saber como a trama terminaria, e como terminei este livro realmente chateada, desapontada e com raiva. Com raiva não pelo final, mas pela forma como tudo foi conduzido e pela desnecessidade de um livro tão grande com novos propósitos e até mesmo com ponto de vista e redenção de um vilão que passamos a temer porque parecia impiedoso e temível, mas que aqui termina vendo que foi manipulado (ai, ai, perdemos o bom e velho “sou ruim porque não presto”) por grande parte de sua vida. Tá, parei de soltar informações soltas assim, mas não quero também entregar tudo da trama pra vocês porque não é a ideia desta resenha.

Se estiver dividido sobre localizar e matar seu pai, é compreensível — digo, e ele me encara enquanto seus ombros se afundam.
Dá alguns passos para dentro da sala, observando o ambiente devagar.
Não estou dividido, é só que… eu nunca soube absolutamente nada sobre ele. — Então se vira para mim, de braços abertos. — E se houver uma razão para tudo isso? Longe de mim inventar desculpas, afinal, nada pode justificar muitas das coisas que ele fez, mas e se, na cabeça dele, meu pai tiver achado que estava fazendo isso por um motivo? Sempre imaginei que ele simplesmente gostasse de causar sofrimento, mas… tudo parece coisa de um homem em sofrimento.
Não digo nada, dando um momento para que Nadir organize seus pensamentos. Ele olha ao redor como se avaliasse e catalogasse todas as peças. Observo as nuvens de tempestade que passam por trás de seus olhos.
Não importa — ele diz, firme. — Acho que nunca vou saber, e não importa. Nada redime as coisas que ele fez.

Ainda tenho de mencionar Gabriel e Tyr, os dois grandes injustiçados da vez. Gabriel continua tendo seu ponto de vista e mostrando mais sobre o Reino do Sol, com Tyr ainda enfrentando as consequências de sua mente fragmentada, mas olha… pausei aqui para pensar em como colocar em palavras o enredo de toda Corte do Sol e não tenho a menor ideia de como falar sem ser grosseira ou dar spoilers demais, então fiquem com um singelo: não esperem muito. Sério. Falo sério mesmo. O caminho de Gabriel leva Lor e Nadir até ele e ainda sim, temos todos juntos para as grandes batalhas que estão acontecendo até que toda essa parte é superada mas acredita, enquanto lia, eu mal podia acreditar no que lia, neste ritmo.

E ai chega ao pretenso plot twist final depois da parte cima que me recusei a falar sobre, o que também não falarei muito por motivos mais do que óbvios. Não sei se já estava desapegada demais para me importar porque era uma boa reviravolta e eu só estava achando tudo um porre ou se é realmente algo bem esdrúxulo de se usar como motivação para tanta destruição porque Lor fala a mesma coisa que pensei, e se você ler, aposto que você também pensará a mesma coisa. No final das contas, a sensação que fica é que realmente foi um final de série que se perdeu com dois personagens que lutaram demais para ficarem juntos. Sendo a Rainha Coração ou não, quando for me lembrar desta trama, vou me lembrar da Lor que realmente merece o mundo: a chutadora de bundas, desconfiada, que iria ao inferno (ha ha ha) para resgatar quem ama e os manter seguros, sem querer se apaixonar pelo homem que claramente estava destinado a ela. Melhor coisa que faço.

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