Resenha: O feiticeiro de Terramar: Em quadrinhos – Ursula K. Le Guin, Fred Fordham

“O feiticeiro de Terramar: Em quadrinhos”
Ursula K. Le Guin
Adaptado e Ilustrações: Fred Fordham
Tradução: Angélica Andrade
Suma – 2025 – 288 páginas
Mais de cinquenta anos depois da publicação, O feiticeiro de Terramar se consolidou como uma das obras fundadoras da fantasia moderna. Agora, o clássico atemporal e mundialmente reverenciado de Ursula K. Le Guin ganha nova vida nesta adaptação em quadrinhos criada por Fred Fordham, que expande o universo de Terramar com ilustrações inesquecíveis.
Ged, destinado a se tornar o maior feiticeiro de seu tempo, começa sua jornada como o jovem impetuoso e aventureiro Gavião. Em sua busca por conhecimento e poder, ele desperta segredos antigos e liberta sobre o mundo uma terrível sombra. Esta é a história de sua formação: o domínio das palavras de poder, o confronto com um dragão ancestral no limiar da morte e a jornada incansável para restaurar o equilíbrio de seu mundo.
Nesta edição em quadrinhos de O feiticeiro de Terramar, Fred Fordham constrói uma adaptação impressionante, combinando paisagens grandiosas e personagens complexos com uma estética que entrega a dimensão cinematográfica merecida ao mundo criado por Ursula K. Le Guin. Seu traço, marcado por realismo, rusticidade e um delicado trabalho com aquarelas, oferece uma nova perspectiva ao clássico, capaz de emocionar leitores que já conhecem Terramar e cativar aqueles que mergulham nessa história grandiosa pela primeira vez.
Sim, fazem mais de 50 anos da publicação original de “O Feiticeiro de Terramar” em sua versão romance e oito anos desde a morte de sua autora, Ursula K. Le Guin. Publicado em 1968, o livro é tido como um verdadeiro clássico da fantasia moderna e se você ainda não o leu, te dou a dica de correr para fazer isso agora mesmo porque é uma história fantástica e que precisa ser lida – e também deixo a dica sobre começar lendo essa adaptação em graphic novel da história lançada recentemente lá fora em inglês e que está indicada ao Prêmio Hugo de 2026, provando que uma história dessas vai continuar sendo indicada a prêmios (e ganhando também!) por muitos e muitos anos ainda. A edição brasileira chegou agora pela minha Editora favorita da vida, a Suma, então só aproveite e leia, leia, leia.

Essa edição cobre o primeiro dos seis livros que contam a história de Terramar. Aqui temos a história de Ged, um feiticeiro, que também é conhecido como Gavião porque no universo criado por Ursula K. Le Guin, nomes tem poder, por isso os feiticeiros que estudam precisam aprender os nomes reais das coisas e muitos escondem seus nomes verdadeiros. Ged nasceu muito pobre em um vilarejo e aprendeu magia no começo com sua tia, uma feiticeira limitada, que foi sua mentora até os 12 anos. Ainda usando o nome de Duny, nome que lhe foi dado por sua família, ele logo se revela ter mais poderes do que qualquer um imaginou e é assim que termina indo estudar magia na ilha de Roke, uma das ilhas do grande arquipélago que Terramar é.

Mas calma ai se você acha que agora a trama se tornará uma dark academy. Aqui temos um protagonista que é orgulhoso demais de seus feitos até aqui, ciente de que pode se tornar um grande feiticeiro e, no final das contas, “O feiticeiro de Terramar” é uma história de como se transformar em uma versão melhor de si mesmo porque com grandes poderes, você pode fazer grandes coisas, mas também pode despertar um mal maior do que imaginado. Enquanto tenta se superar e não cair nas provocações de um terminado colega de escola – e falhando miseravelmente, Ged aprende da pior forma que uma sombra gigantesca agora lhe acompanha e persegue. A aventura do jovem é para entender o que é essa grande sombra e, principalmente como a derrotar, encontrando com dragões, desafios e acompanhado por seu único amigo, Vetch, ou melhor, Estarriol.

A principal diferença entre a narrativa e a versão dos quadrinhos é a profundidade de algumas passagens, mas, em compensação, você ganha desenhos de Terramar como o leitor nunca é capaz de completar com a imaginação, sem contar que Ursula K. Le Guin sempre deiou claro que a população de Terramar seria majoritariamente negra, coisa que foi respeitada aqui, com o próprio Ged sendo representado como um jovem de cor. As duas adaptações feitas do material da autora não a agradaram, e enquanto ela estava viva, fez questão de deixar isso claro, e seu filho, Theo Downes-Le Guin, escreve o prefácio da graphic novel ressaltando estes pontos. Se você quer começar e descobrir a magia de Terramar, pode acreditar que aqui tem uma ótima porta de entrada com a trama preservada e as incriveis artes um tanto quanto rústicas de Fred Fordham. Imperdível.
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