Cassie respondeu perguntas em seu tumblr onde ela fala sobre muitas e muitas coisas referentes aos livros dela. Vem ver toda tradução feita pela nossa equipe, mas não se preocupe, separamos as perguntas que contem spoiler das que não tem!
judesblade: Jem.
Digo, claro. Eu te entendo.
cmsorsomething: Oi, Cassie!! Eu sempre quis te perguntar se você costuma ver publicações relacionadas aos Caçadores de Sombras no Tumblr só para acompanhar as discussões do fandom, as postagens etc.? 🥲😳
Não, na verdade, eu fico estritamente longe delas. Às vezes, alguém me envia um link para alguma coisa engraçada ou para uma arte, o que eu adoro. Mas, de modo geral, sinto que os fandoms não precisam ter o criador da obra original os observando e deixando todo mundo desconfortável.
cjfritos: Você disse uma vez que Lucie tem dois nomes do meio e que um deles é Ella. Pode nos dizer qual é o outro?
Harriet.
mochalep: Há alguma previsão de data de lançamento para “The Bone Conjurers”, o terceiro livro de “As Crônicas de Castellane”?
Aw. Eu também sinto falta de Castellane! Eu preciso dizer que agora estou trabalhando com um cronograma muito mais flexível do que costumava ter. Tudo era programado e planejado com muita rigidez, anos antes, então entendo por que as pessoas esperam isso, mas estava começando a me levar a um colapso nervoso.
Cheguei ao ponto de dormir quatro horas por noite para cumprir prazos apertados, o ano inteiro, todos os anos, literalmente me deixou doente — tive vertigem e zumbido no ouvido, o que significava que ouvia um zumbido nos ouvidos o dia inteiro, todos os dias. Nada agradável, e era muito difícil dormir. Diminuir o ritmo de trabalho foi a única coisa que ajudou. Quando somos mais jovens, conseguimos nos submeter a coisas horríveis (como escrever dois livros por ano dormindo quatro horas por noite) e, na maioria das vezes, nos recuperar. Isso se torna menos verdadeiro com o passar do tempo. Há um motivo para não vermos tantos Caçadores de Sombras de sessenta anos. 🙂
Então, no momento, é muito mais algo como: “Eu estou tentando terminar este livro até determinada data e, quando concluir o primeiro rascunho, vou programar com minha editora com base em um cronograma normal de produção, com reescritas, segundas reescritas, revisão de texto, revisão de provas e uma segunda revisão de provas.”*
Neste momento, sei que “The Bone Conjurors” vem entre “O Último príncipe do Inferno” e “The Last Shadowhunter”, então razoavelmente podemos esperar que seja lançado em 2028.
(Isso também se aplica ao “Volume Sombrio dos Mortos”. Eu não sei quando, porque não sei quando será nada.)
thestorythatiloveyou: Oi, Cassie! Eu simplesmente amo a nova arte de Dru feita por frostbite.studio (assim como todas as outras artes de “Os Poderes Perversos” que Frostbite fez!) e eu estava me perguntando se existe alguma chance de “O Último Príncipe do Inferno” ter ilustrações nas guardas feitas por Frostbite? 👀💗
Sim! Ela é uma artista muito ocupada, mas minhas editoras querem muito que as ilustrações nas guardas permaneçam coerentes entre os diferentes livros da série. O plano é ter, pelo menos, duas edições com ilustrações nas guardas feitas por ela. Também estamos conversando sobre ela fazer mais artes, como os retratos dos personagens Ty, Kit, Dru e Ash. Além disso, eu adoro trabalhar com ela, é uma pessoa adorável.
bleedingwords13: Você mencionou uma vez que Simon é inspirado em um dos seus amigos mais próximos. Os animais de estimação, como Church, Oscar etc., também são inspirados nos seus próprios animais de estimação ou em algo assim? Talvez seja uma pergunta boba, mas eu adoro absolutamente o Church e queria te perguntar isso há muito tempo.
Ha! Adoro perguntas sobre gatos. Church é baseado no gato de Holly Black, Fizgig, um persa mal-humorado. Presidente Miau foi baseado no meu gato Linus. Eu tenho que admitir que há muita coisa relacionada a gatos nesses livros. E, infelizmente, todos esses gatinhos já foram para o céu dos gatos, porque isso foi há quase vinte anos, mas o gato atual, Reginald, ganha uma menção em “O Último Rei das Fadas”.
expiredkitty: Ty acha estranho ou fofo o fato de Kit gostar tanto de doces?
Fofo! Na verdade, os dois gostam de experimentar comidas esquisitas juntos. Pense em Doritos com canela e açúcar.
william29herondale: Oi, Cassie! Eu anda estou um pouco confusa sobre a ordem de lançamento dos seus próximos livros. “O Volume preto dos mortos” será lançado antes ou depois de “The Last Shadowhunters”?
Bem, aqui está o que eu disse sobre isso AQUI*:
“Eu estou tentando terminar este livro até determinada data e, quando concluir o primeiro rascunho, vou programar com minha editora com base em um cronograma normal de produção, com reescritas, segundas reescritas, revisão de texto, revisão de provas e uma segunda revisão de provas.” Neste momento, sei que “The Bone Conjurors” vem entre “O Último príncipe do Inferno” e “The Last Shadowhunter”, então razoavelmente podemos esperar que seja lançado em 2028.
(Isso também se aplica ao “Volume Sombrio dos Mortos”. Eu não sei quando, porque não sei quando será nada.)”
Então, isso foi na semana passada, e entendo perfeitamente a curiosidade, mas nada mudou. Eu ainda não sei. Observarei que, como “The Bone Conjurors” já vem entre “The Last Prince of Hell” e “The Last Shadowhunter”, se inseríssemos “O Volume preto dos mortos” ali, vocês teriam que esperar não dois anos entre “Os Poderes Perversos” 2 e 3, mas de três a quatro anos. Além disso, “O Volume preto dos mortos” se passa no período que abrange o início de “The Last Shadowhunter”, e talvez fosse estranho o ler sem ter absolutamente nenhum conhecimento do que está acontecendo em “The Last Shadowhunter”. Essa é uma questão estrutural que merece ser considerada quando o livro atual estiver pronto.
*: Nós traduzimos a ask que ela quotou aqui junto com essas
tommyandari-blog: Olá, notei que, na parte de trás da edição da FairyLoot, está escrito: “todas as histórias são verdadeiras, e toda história verdadeira chega ao fim”. Essa é uma citação do livro ou apenas uma referência geral? Achei que combina perfeitamente com “Os Poderes Perversos”.
É apenas uma referência geral: estávamos discutindo incluir uma citação na contracapa do livro, mas achei que “todas as histórias são verdadeiras e toda história verdadeira chega ao fim” tinha mais impacto — e era um pouco assustador.
wildefaedruiddryad: Olá, Cassie! Espero que você esteja bem! Acompanho seus livros há muito tempo e fiquei com uma dúvida. Sobre Mark e Cristina: por que Mark mentiu, dizendo que não estava com sua estela, quando precisava desenhar a runa de controle de natalidade nela? Eu amo Kierarktina e Blackstairs mais do que tudo! 🥰 Obrigada por tudo o que você faz.
Oi! Na verdade, isso é explicado em “Rainha do Ar e da Escuridão”! Cristina confronta Mark sobre a mentira mais tarde, quando os dois estão no deserto, no capítulo “Um magnífico templo” (páginas 197–198). Vale ressaltar que a numeração das páginas pode ser diferente da sua, já que meus exemplares são PDFs pesquisáveis, provenientes de uma fase inicial do processo de produção editorial.
Cristina deixa claro que não está chateada pelo fato de Mark não ter querido fazer sexo com ela — ele tem todo o direito de não querer. Ela está chateada porque ele mentiu para ela, algo que, vindo dele, ela não esperava de jeito nenhum.
Mark diz a ela que, sim, ele queria ter relações sexuais com ela.
“Então eu não entendo por que você fez o que fez”, falou em voz baixa. “Você estava tentando poupar alguém? Kieran?”
“Eu estava tentando te poupar”, falou ele, com voz dura e sombria, como gelo no fim do inverno.
“Me poupar de quê?”
“Você sabe quem você é!”, gritou Mark, e a assustou. Cristina ergueu o olhar para ele, sem entender. Era como se ela fosse uma desconhecida, para ele ou para qualquer um. Do que ele estava falando? “Kieran te chamou de princesa dos Nephilim, e com razão”, falou ele. A lua estava totalmente cheia e a luz branca e prateada iluminava os cabelos dele como um halo. Iluminava seus olhos também; grandes, dourados e azuis, e cheios de dor. “Você é um dos melhores exemplos do nosso povo que já conheci: brilhante, justa e virtuosa. Você é tudo de bom em que consigo pensar, e tudo o que eu gostaria de ser e sei que jamais serei páreo. Não quero que você faça nada de que vá se arrepender mais tarde. Não quero que depois você perceba o quanto se afastou dos seus padrões ao ficar comigo.”
O problema é que Mark tem uma opinião muito ruim a respeito de si mesmo, em comparação com Cristina. Ele a vê como a personificação de tudo o que há de admirável nos Caçadores de Sombras: honrada, virtuosa, boa. E ele se vê como alguém que jamais conseguirá estar à altura desses padrões. Ele teme que, se eles dormirem juntos, Cristina acabe se arrependendo, pois perceberá que merece alguém melhor do que ele.
Então, ele mente sobre a estela para impedir que avancem mais, sem precisar admitir do que realmente tem medo. Não é que ele não queira Cristina, e também não tem a ver com Kieran; é que ele não se acha bom o suficiente para ela.
A resposta de Cristina é dizer a ele que gostaria que ele pudesse se ver como ela o vê. Na verdade, sempre gostei desse momento, já que, nos livros, há muito sobre o amor ser, em parte, a capacidade de ver e ser visto como quem você realmente é — e não como quem você tem medo de ser.
avalanche394: Oi, Cassandra! Eu espero que você esteja bem. Obrigada por republicar, vou tentar a minha sorte.
Terminei “Melhores de preto” (tão maravilhoso que poderia ter sido um milhão de páginas a mais), e tenho uma pergunta na qual não consigo parar de pensar. Por que Valentim pediu a Luke para ser seu parabatai? No conto de Luke, Madeleine diz que é porque Luke é leal até demais, mas esse é o único motivo?
Valentim parece valorizar as leis e tradições dos Caçadores de Sombras acima de tudo, e não consigo imaginar ele desperdiçando um juramento de parabatai só porque encontrou um amigo leal. O que Valentim queria com isso? O que ele ganhou com isso? E Jocelyn?
Desculpa, eu estou escrevendo para você por impulso logo depois de virar a última página, na esperança de que não haja muitos erros aqui (sou francesa).
Se você está lendo isto, então queria te agradecer. Seus livros têm sido meus melhores amigos há anos e, como livreira, você é a minha primeira recomendação de todas.
Olá! (Bonjour?)
Eu não acho que a lealdade de Luke, na verdade, fosse o único motivo. O que entra em questão é que Valentim era alguém que acreditava em hierarquia, símbolos, tradição e no poder das instituições. Para ele, o laço parabatai não era apenas uma amizade — era literalmente uma forma de vincular alguém a você de um jeito praticamente impossível de escapar. Ótimo para quem tem aquela micro-obsessão por lealdade e traição que a maioria dos fascistas tem.
Certo, então por que Luke queria alguém assim ligada a ele? Bem, Luke tinha qualidades que Valentim genuinamente valorizava. Ele era corajoso (independentemente do que pensasse de si mesmo), inteligente, disciplinado e, de fato, leal. Onde Valentim errou, é claro, foi ao acreditar que lealdade significava que Luke acabaria escolhendo a ele em detrimento de todo o resto.
Valentim era como muitos ditadores e homens fortes. Ele era capaz de criar vínculos genuínos, conseguia amar as pessoas, mas esperava que elas se tornassem parte de sua visão pessoal, independentemente do custo. Quando elas não aceitavam isso — Luke, Jocelyn —, ele vivenciava aquilo como uma traição, em vez de uma objeção racional.
E veja bem, Valentim sabia dos sentimentos de Luke por Jocelyn o tempo todo. Ele observou Luke reprimir todos aqueles sentimentos e se sentiu confiante de que ali estava alguém que sempre colocaria os próprios desejos em segundo plano em favor dos de Valentim. Ele interpretou isso como Luke escolhendo corretamente Valentim em vez de a si mesmo, quando, na verdade, a situação era muito mais complexa do que isso.
Então, não acho que Madeleine estivesse inteiramente certa; ela estava tentando fazer Luke se sentir mal, o que, como todos sabemos, não exige muito. Acho que Valentim realmente queria Luke ao seu lado pelo resto da vida, compartilhando sua visão, sendo sua sombra. Ele simplesmente presumiu que o caminho que percorreriam juntos seria sempre o dele (e também presumiu que Luke não se tornaria um lobisomem, mas quem poderia prever esse tipo de coisa, afinal?).
Obrigada!
carelessflower: Oi, Cassie! Quando vimos Magnus pela última vez, ele estava ajudando Ty e o fantasma de Livvy. A atitude dele em relação à necromancia mudou de alguma forma em comparação com o Magnus que vimos em “Os Artifícios das Trevas”? Sempre presumi que ele estivesse sendo especialmente rigoroso com toda essa questão depois do episódio mais recente de necromancia praticado por Malcolm, que fez Robert e outros morrerem, e de como isso afetou a família de Alec (e, consequentemente, a dele).
Magnus é, acredito eu, justificadamente extremamente rigoroso em relação à necromancia. No mundo dos Caçadores de Sombras, ela não é apenas algo maligno por causa do que faz naquele momento: ela rasga um buraco no próprio tecido do universo. Como Livvy alerta Ty: “Mas você perturbou o universo, e vamos todos pagar por isso. Você rasgou um buraco no tecido da vida e da morte. Você não pode pegar nada emprestado da morte. Só pode pagar por isso.”
Agora, Magnus entende por que Ty fez o que fez. Ele sente uma enorme compaixão por Ty, por Livvy e pela dor que levou Ty a tomar aquela decisão. Mas entender os motivos de alguém não significa estar de acordo com o resultado de suas escolhas. Acho que vale a pena observar o seguinte: independentemente de como soe, Magnus não está com raiva de Ty. Ele está com medo. E poucas coisas deixam Magnus com medo.
Então, não, não acho que a atitude de Magnus em relação à necromancia tenha mudado. Eu acho, sim, que tudo o que ele vivenciou com Malcolm e outros lhe ensinou que a necromancia sempre cobra um preço, e esse preço nem sempre é pago apenas pela pessoa que fez o feitiço.
believe-in-kit-supremacy: Oi, Cassie! Como você está? Se não for um spoiler: Ty sabe que Kit é o Primeiro Herdeiro? É um grande segredo, mas alguns membros da família dele sabem, e quanto a Ty?
Além disso, como estou obcecada pela adorável família que Tessa e Jem criaram com Kit e Mina, então fiquei me perguntando: quanto deles vamos ver? Eu estou desejando muito algumas cenas fofas em família desde “Fantasmas do mercado das sombras”, se é que você me entende!
Muito obrigada por criar essas histórias e personagens incríveis! ❤️
Um número limitado de pessoas sabe que Kit é o Herdeiro, mas Ty está entre elas. Kit não conta a ele; Ty já sabe.
Com certeza vamos ver o lar de Jem, Tessa, Mina e Kit, além de algumas cenas fofas.
perpetualprocrastinationisme: Vamos ver Ty e Ragnor interagindo bastante em “Os Poderes Perversos”? Eu adoro o fato de que eles parecem ter criado um vínculo na Scholomance e parecem ser próximos!
Sim, vamos! Eles interagem logo no início e também mais adiante.
whoknowsabout: A quantidade extra de sangue angelical de Jace e sua ligação anterior com o fogo celestial terão algum papel na história? Muito obrigada!
Mais Clary do que Jace. Mas um pouco!
laamedusa: Oi, Cassie! A Livvy é uma presença mais ou menos permanente ao lado de Ty em “O Último rei das fadas” ou ela às vezes sai flutuando por aí para fazer coisas de fantasma?
Ela definitivamente sai flutuando para fazer coisas de fantasma. Às vezes, volta com informações úteis (“há demônios naquela estação de trem!”) e, às vezes, não sabemos o que ela está aprontando ou se ela está dando privacidade a Ty.
expiredkitty: Oi, Cassie! Fiquei curiosa: como Ty se sentiu pela primeira vez quando descobriu sobre Hazel? (Também descobrimos como ele ficou sabendo? Foi pela Dru?)
Ele realmente ficou sabendo pela Dru. Ele conversa com Kit sobre isso. Eu posso dizer que o ciúme não desempenha um papel importante no relacionamento entre Kit e Ty. Há um momento em que Kit sente ciúmes, mas não é de um ser humano.
dia-simp: Oi, Cassie,
Ash vai ser *cof*virgem*cof*, como os últimos quatro protagonistas masculinos, ou vai seguir os passos do tio por afinidade?Pobre Jace, a exceção. Em geral, não me preocupo muito com o fato de os protagonistas masculinos serem virgens ou não. Isso depende do personagem. No caso de Will e James, seria bastante não historicamente correto caso eles tivessem dormido com alguém. Romances históricos muitas vezes retratam os jovens cavalheiros daquela época como se tivessem muitas relações sexuais casuais, mas isso era muito mais comum na ficção do que na realidade, especialmente entre adolescentes de classe média ou alta. Se lembrem também de que, quando Cordelia dá a James um álibi dizendo que passou a noite com ele, se espera que isso arruíne a vida dela e não é como se James ou Will não soubessem disso e não soubessem o que significaria se dormissem com uma garota e fossem pegos. Na verdade, James precisa se casar com Cordelia para a salvar da ruína completa.
Matthew pôde fazer sexo porque levava um estilo de vida boêmio, assim como Anna! Mas James achava que estava desesperadamente apaixonado por alguém com quem esperava se casar, então simplesmente não teria feito isso (e com quem faria?). Julian precisa estar apaixonado para sentir atração sexual, então…
Ash cresceu na corte das fadas, onde o sexo é muito menos estigmatizado do que entre os Caçadores de Sombras. Mas também cresceu sabendo que tem a capacidade mágica de influenciar outras pessoas e que nem sempre consegue controlar. Por isso, a intimidade é extremamente complicada para ele.
thebelljarplath: A questão do consentimento chega a ser levantada quando se trata do feitiço de Ash?
Exatamente! Quero dizer, o poder dele não funciona com todo mundo, nem o tempo todo. Mas ele nem sequer acha que pode realmente ter amigos, já que os sentimentos deles por ele não seriam verdadeiros. Então, é isso.
kittywillbe: Oi, Cassie! Quanto do “humor Herondale” poderemos ver em Kit em “O Último Rei das fadas”?
Kit é engraçado — muito engraçado, eu acho. Mas seu senso de humor é muito próprio dele.
inimigodofim: Suas ideias para “Os Poderes Perversos” mudaram muito ao longo dos anos? Você mencionou a série pela primeira vez por volta de 2016, então imagino que muitos personagens e enredos tenham evoluído desde então. Havia alguma ideia inicial de que você gostava muito, mas que acabou tendo que cortar? E existe algo daqueles planos originais que permaneceu praticamente exatamente igual até hoje?
Na verdade, os aspectos gerais da história permaneceram surpreendentemente consistentes. Há mais de dez anos sei que “Os Poderes Perversos” seria protagonizado por Dru, Ty, Kit e Ash, e sei há quase esse tempo quais jornadas emocionais queria que eles percorressem.
Penso nisso um pouco como construir uma casa com base em um esboço inicial. A arquitetura geralmente permanece a mesma, mas a pintura muda. Às vezes, você muda uma janela de lugar. Às vezes, derruba uma parede porque percebe que os cômodos funcionam melhor sem ela. O esboço original de “Os Poderes Perversos” provavelmente era um pouco mais extenso do que a versão que estou escrevendo agora. Ainda é uma história muito grande, mas, ao longo dos anos, concentrei mais a atenção nos quatro personagens principais. Simplifiquei parte do enredo. Mudei um cenário porque não podia visitar esse lugar na vida real, e gosto de fazer pesquisas de campo. Uma parte da magia mudou porque descobri algo na mitologia que queria incluir. As coisas mudam por todos os tipos de motivos, não necessariamente porque sejam ruins, mas, às vezes, porque simplesmente não se encaixam, prejudicam outra linha narrativa ou não é possível fazê-las funcionar na prática tão bem quanto funcionam no conceito.
Eu estava olhando meu esboço original de “As Peças Infernais” outro dia, e algumas coisas me surpreenderam. Jem sempre foi violinista e dependente do vício. Tessa sempre teve seu poder, seu colar e sua história pregressa. O final sempre foi aquele final. Mas Will originalmente tinha um melhor amigo que morreu, e não uma irmã. Enquanto escrevia o livro, percebi que a irmã funcionava muito melhor — dar a Will um melhor amigo vivo que estava morrendo e um melhor amigo morto era, na verdade, atribuir a um personagem a mesma função duas vezes. É isso que quero dizer com “não se encaixava” ou “prejudica outra linha narrativa”. Era, na verdade, um elemento interessante, mas não funcionava nos livros.
Então, sim, “Os Poderes Perversos” certamente evoluiu desde que fiz o primeiro esboço. A maneira como algumas partes da magia funcionavam mudou, a progressão das dinâmicas entre os personagens mudou, e um relacionamento foi cortado porque teria duplicado outro relacionamento. (Não entre pessoas de quem vocês já tenham ouvido falar.) Mas eu diria que mudou tanto quanto “As Peças Infernais” mudou desde sua versão mais antiga, e acho que, no geral, acabou dando tudo certo. 😊
*Na verdade, esta é uma boa oportunidade para mencionar algo sobre obras em andamento. Costumo falar bastante sobre as coisas em que estou trabalhando, especialmente em eventos e afins, porque sempre considero o processo algo geralmente interessante. Mas também parto do princípio de que, quando ainda faltam dez anos, ninguém consegue prever exatamente tudo o que estará em um livro. Mas, caso isso seja apenas uma suposição minha: depois que um livro é publicado, ele se torna cânone. Se está em andamento, tenho noventa por cento de certeza do que sobreviverá as reescritas. Mas, se estou falando de um livro que ainda está a anos de distância, se trata apenas de um vislumbre dos planos para o futuro naquele determinado momento. É claro que, considerando a natureza definitiva de “Os Poderes Perversos”, na verdade não estou falando de coisas que serão escritas daqui a dez anos, o que é um pouco triste! Talvez só para mim, entretanto.
shjems: Oi, Cassie! Eu espero que você esteja bem. Uma pergunta. Normalmente, a turma de “Os Instrumentos Mortais” acaba se metendo em problemas com a Clave para salvar o dia, mas agora Alec é a Clave. Nós vamos ver como as decisões dele afetam a vida de Magnus e de seus filhos — quem seria mais afetado por uma decisão inconsequente? Magnus já viu séculos de decisões ruins justificadas por boas intenções; eu acho que isso poderia levar a conflitos conjugais, especialmente se os filhos fossem afetados por uma possível ruptura entre os Caçadores de Sombras e os Seres do Submundo.
E quanto aos outros membros da turma de “Os Instrumentos Mortais”? Afinal, Janus está aprontando e não se importa com a lei nem com a situação política de Alec. Ou você vai deixar isso para “O Volume Sombrio dos Mortos”?Alec sempre tentou tornar a Clave melhor do que aquela que herdou, e isso não mudou. Ser Cônsul não vai fazer com que ele deixe de ser quem é.
Uma das coisas que me interessaram em “Os Poderes Perversos” foi, na verdade, me afastar da ideia de “os protagonistas contra a Clave”. Esse tem sido um conflito importante em muitos livros anteriores dos Caçadores de Sombras, com a Clave representando o opressivo mundo adulto, como os governos costumam fazer na ficção de jovens adultos. Eles personificam uma maneira rígida e institucional de pensar: “as coisas sempre foram feitas assim” ou “isso nunca foi bem-sucedido antes, então não pode ser feito”. Os protagonistas mais jovens costumam ter sucesso justamente porque ainda não aceitaram todas as razões pelas quais supostamente algo não pode ser feito e, por isso, tentam de qualquer maneira.
No entanto, esse não é realmente o conflito central aqui. O papel de Alec como Cônsul certamente importa para o mundo, mas esta não é uma trilogia sobre o governo tomando decisões ruins ou nossos heróis tendo que agir às escondidas para contornar isso. Pela primeira vez, eles serão tratados praticamente como iguais, em vez de como crianças que precisam ser protegidas, algo que também costuma acontecer na vida real em tempos de guerra. À medida que a história se desenrola, a ameaça assume proporções tão grandes que não há como os proteger e não faria diferença se alguém tentasse. Eles precisam ter permissão para agir de forma independente. Isso pode muito bem ser um remédio amargo de engolir para Alec (e para Julian, e para todo mundo!), então esse conflito doloroso é algo que talvez vejamos.
blackthornobsessed: Um trecho de “O Último Príncipe do Inferno”?
“Kit? Kit, é você?”
spiralreads: Você poderia nos contar algumas curiosidades aleatórias sobre Ty (divertidas ou não)?
Como um companheiro gay e autista também, eu amo muito esse garotinho e preciso saber tudo sobre ele. É uma necessidade.
Recebo essa pergunta o tempo todo! Geralmente não respondo, mas, neste caso, eu realmente entendo por que você quer saber e eu quero dizer que é normal querer isso. Eu não deixo de responder porque acho que seja uma pergunta ruim. Geralmente não respondo porque não é assim que penso sobre os personagens.
Talvez isso soe estranho, mas, na verdade, não tenho uma enciclopédia secreta de curiosidades aleatórias sobre meus personagens. Eu tenho, sim, uma enciclopédia de verdade com tudo o que sei sobre eles e acho que isso faz parecer muito mais provável que as meias favoritas e o cereal matinal preferido de Ty estejam lá, mas as coisas só acabam entrando se surgirem em uma cena ou em um processo de pensar sobre. Eu sabia que Jace odiava bergamota antes de ele ir à casa de Madame Dorothea e lhe oferecerem chá? Não, eu não sabia. Eu sabia que ele era o tipo de pessoa que provavelmente teria aversões aleatórias, que talvez nem fossem tão profundas assim, mas que poderiam ser apenas algo que ele dissesse naquele momento para ser irritante.
Eu conheço meus personagens os colocando em situações e observando como reagem, não fazendo listas de curiosidades. Então, se você me perguntar: “O que Ty faz quando alguém mente para ele?” ou “Como Ty se sentiria se estivesse chovendo?”, eu provavelmente saberei responder imediatamente, por instinto. Mas, se você me perguntar qual é o sanduíche favorito dele… eu não faço a menor ideia até que a história me dê um motivo para pensar em sanduíches (há sanduíches em “O Último Rei das Fadas”, então ele gosta dos de queijo).
Ou, por exemplo, as pessoas costumam me perguntar o que Ty está ouvindo nos fones. Eu digo: “Música clássica”. Eu não sou mais específica. Isso acontece porque, quando Kit coloca os fones de Ty, temos a reação dele ao descobrir exatamente qual é o compositor e o que ele acha que isso significa, e então Ty pode contar a ele o que aquilo significa. Para mim, isso é muito mais significativo do que simplesmente escrever essa informação fora de contexto. E também é mais divertido para vocês.
Eu acho que os personagens se tornam reais por meio de suas escolhas e de suas reações às situações, e não por meio de fatos. Por isso, inventar curiosidades aleatórias é a coisa mais difícil para mim. Também consigo pensar em coisas que descobrimos sobre Ty ao longo da narrativa, mas não acho que seja isso que você esteja pedindo, porque vocês vão descobrir, ao ler o livro, o que ele sente a respeito de batatas chips. Acho que a questão aqui são fatos extras e acho que o que estou tentando dizer é que faz muito mais sentido para eu pensar nas reações a determinadas coisas, nos valores e nas escolhas. E, se você tiver interesse, o Ty gosta muito de chuva!
serathereadaholic: Oi, Cassie! Como você diria que foi a experiência de voltar a escrever sob o ponto de vista de Clary (em uma série principal) depois de tantos anos (após “Os Instrumentos Mortais”)? Você diria que existem diferenças na maneira como ela vê as coisas e que as opiniões dela mudaram ao longo dos anos como narradora (em comparação com 2007)?
Na verdade, foi muito divertido voltar à mente de Clary depois de tantos anos (sem contar que escrevi sobre ela em “Melhores de Preto”!). Ela ainda me parece a Clary, mas já não é mais uma adolescente. Ela tem muito mais confiança em si mesma. Mesmo quando está assustada ou encurralada.
A maior diferença, para mim, é que ela se tornou muito mais estratégica. A Clary adolescente era corajosa, mas também era imprudente. A Clary adulta continua sendo corajosa, mas é muito mais provável que pense três passos à frente. Ela vai esperar. Vai reunir informações. Entende que, às vezes, a jogada imediata não é tão boa quanto pensar a longo prazo.
Suponho que seja a idade. À medida que envelhecemos, nós ficamos mais conscientes de que somos mortais. Clary nunca deixa de correr riscos. Ela apenas toma mais cuidado com os riscos que decide correr.
Dru, por outro lado…
blindlydauntlessdreadnought: Como Kit está em “O Último Príncipe do Inferno”?
Morgensterns
Sinto muito, pessoa que fez esta pergunta. Ela estava em um comentário, então eu não tenho seu username. Mas pode se manifestar à vontade: “Cassie! Eu acompanho suas histórias desde o primeiro livro.
Hoje, aos 37 anos, vejo os personagens e suas escolhas por uma perspectiva completamente diferente. Jonathan Morgenstern é meu personagem favorito e, embora eu compreenda seus erros e por que não foi possível o salvar, eu fico triste com a forma como o fandom muitas vezes o trata como pura maldade. O culpam inteiramente, ignorando uma mãe que o abandonou, um pai que o maltratou e uma irmã que não tentou o salvar antes de o matar.
As pessoas o veem apenas como um inimigo, ignorando que ele não teve oportunidades de ser bom e simplesmente fez o melhor que pôde com o que tinha.
Toda uma sociedade de Caçadores de Sombras foi responsável por criar um monstro como ele, então o culpar sozinho parece injusto. A frase “e seus olhos eram verdes” acabou comigo por completo, porque mostrou quem ele poderia ter sido. Isso me leva à minha pergunta: o sangue demoníaco determinou a personalidade de Sebastian ou ele foi moldado pelo trauma e pelas circunstâncias que enfrentou? Na sua opinião, se ele tivesse recebido o amor e o cuidado de Jocelyn da mesma forma que Clary recebeu, teria tido alguma chance de se tornar uma pessoa melhor?”
Eu acho que essa questão é complicada, mas há um pouco das duas coisas.
Sim, Jonathan realmente foi uma criança vítima de abuso físico e emocional. Isso não é simplesmente uma interpretação que desperta compaixão. Valentim abusou dele, o isolou e o ensinou que dominação era amor e violência era força. Ele também realmente não gostava de Jonathan de uma maneira fundamental, diferente de como se sentia em relação a Jace — ele fez seu filho um monstro e depois descobriu que não conseguia amar aquele monstro. É uma ironia merecida.
Portanto, a pessoa em que Jonathan se tornou é resultado da ação conjunta da magia e do ambiente, e acho que é por isso que as pessoas ficam presas a essa questão. Porque algumas das coisas que Jonathan parece desejar: que sua mãe e sua irmã o amem, não estar completamente sozinho e ser um tipo único, parecem razoáveis, como algo que um ser humano desejaria. E acho que isso faz parte do que o torna trágico.
Porque o sangue demoníaco é real. Ele alterou Jonathan fundamentalmente. Distorceu sua capacidade de sentir empatia genuína e de amar no sentido humano comum. Ele quer que sua irmã e sua mãe o amem porque pensa que isso mudará a maneira desagradável como se sente. Nem mesmo ele acredita, de forma alguma, que isso mudaria a maneira como age. Ele quer que outras pessoas mudem o que sentem por ele, mas não quer realmente mudar a si mesmo.
Se esta fosse uma história sobre uma criança comum que sofreu abusos, eu responderia à sua pergunta de maneira muito diferente. Mas este é um livro de fantasia no qual Jonathan foi magicamente alterado antes mesmo de nascer. Ele não teve nenhuma chance de ser bom. Nada que alguém pudesse ter feito jamais o teria tornado “bom”, a não ser, ironicamente, matá-lo, que foi exatamente o que Clary fez.
Então, acho que faria uma pequena ressalva à ideia de que ela não deu a ele uma chance. Ela o escuta em Paris e faz isso até mesmo quando ele pergunta se alguém como ele poderia algum dia ser perdoado (e isso acontece depois dele ter assassinado uma criança com um martelo). A resposta de Clary acaba reforçando todo o tema: ela diz que, para ser perdoado, ele teria que mudar. E ele não consegue mudar. Não é que não queira, mas que não consegue.
Clary nunca teve a opção de escolher entre matar o irmão ou o salvar. Ela só teve que escolher entre matar o irmão ou permitir a destruição do mundo.
Existe uma história em que Jonathan cresceu sendo amado e cuidado e acabou se tornando diferente? Eu diria que sim, no sentido de que, é claro, isso poderia ter acontecido, mas também acredito que isso não teria produzido o “Jonathan de olhos verdes”. Esse rapaz provavelmente vive em algum lugar de um universo alternativo no qual Valentine não teve a ideia de usar sangue demoníaco. Mas, no nosso mundo, a enorme dissonância cognitiva, física e moral entre aquilo em que ele foi transformado e aquilo que precisaria ser para se tornar uma boa pessoa teria, no melhor dos cenários, levado Jonathan à loucura. O que seria uma história interessante, com muitos caminhos possíveis, mas simplesmente não é essa.
Então, eu acho que também não ache inteiramente correto dizer que tudo foi culpa dele ou que nada foi. Eu acho que o que pode tornar essa questão confusa é o seguinte: se ele não tivesse absolutamente nenhuma autonomia, seria apenas uma arma mágica, como um demônio. Se tivesse liberdade total, a tragédia desapareceria; ele teria escolhido ser mau e persistido nisso. Mas, nesses livros, ele ocupa um espaço moralmente desconfortável.
Ele foi criado para ser “mau”, por falta de uma palavra melhor, e isso é culpa de Valentine. Mas suas escolhas continuam sendo dele, porque ele escolhe como expressar essa carência e esse dano fundamental. Ele escolhe matar Max, escolhe agredir Clary; ele não precisava ter feito aquelas coisas específicas. Portanto, ele tanto é responsável pelas escolhas horríveis que faz quanto é alguém cuja capacidade de fazer boas escolhas foi destruída antes mesmo de dar seu primeiro suspiro.
A tragédia está no fato de que essas duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo, e o ponto em que você se posiciona nesse espectro moral complexo é algo que fica, em certa medida, deliberadamente a seu critério.
(Esse é um dos aspectos que tornam Ash interessante para mim. Ele tem parte da genética e do sangue de Jonathan. Foi criado por monstros. Mas é capaz de fazer escolhas livres. Resta saber até que ponto essas escolhas são influenciadas pela herança genética e pela criação.)
morgansmovingcastle: Oi, Cassie! Eu mal posso esperar pelo livro! Minha pergunta é: vamos descobrir algo novo sobre a Rainha Seelie? Alguma nova história sobre o passado dela ou sobre os pais/a família dela? Eu estou muito curiosa sobre o lado feérico da herança de Ash. Obrigada!
Na verdade, sim! Bastante coisa! As fadas e os Caçadores de Sombras são mais estranhamente conectados no passado do que você poderia imaginar.
mrswillherondale: Oi, Cassie! Algumas pessoas que receberam ARCs deram spoilers de “O Último Rei das Fadas”. Eu agora estou vendo esses spoilers por todas as redes sociais, mesmo sem querer. O que eu faço? Sinto muito que isso esteja acontecendo com você e com todos os leitores que estão esperando há tanto tempo.
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[Do Instagram] “Oi, Cassie! Desculpa incomodar e desculpa pelo meu inglês. Queria te perguntar se é verdade que não haverá ARCs dos outros livros de “Os Poderes Perversos”. Nós estamos lidando com alguns spoilers desde julho (é difícil evitar), mas nesta semana [ocultado] (uma pessoa que recebeu uma ARC) fez um resumo do livro inteiro, então a maioria de nós já sabe quem morre e [ocultado]. Eu só quero ter a experiência de ler o restante dos livros de “Os Poderes Perversos” como os leitores que receberam ARCs tiveram, sem saber de nada antes, e é por isso que queria saber se ainda há esperança de termos essa experiência com os livros finais dos Caçadores de Sombras.”
—Ok, recebi muitas perguntas sobre isso nos últimos dias, então: primeiro, sinto muito a todos que se depararam com spoilers que não queriam ver. Eu sei que isso é incrivelmente decepcionante, especialmente se você estiver esperando por este livro há muito tempo.
A primeira coisa que eu sugeriria gentilmente é: se vocês clicarem em algo e perceberem que está cheio de spoilers… parem de ler. Eu sei que isso parece óbvio, mas a curiosidade é poderosa. É muito fácil pensar: “Bem, já vi um spoiler, então é melhor continuar lendo.” Vocês realmente não precisam fazer isso. Mesmo que estejam na metade de uma publicação cheia de spoilers, ainda podem fechar a aba e preservar a maior parte da experiência de leitura.
Eu também quero pedir desculpas por não ter publicado antes alguns conselhos sobre como evitar spoilers. Infelizmente, isso sempre aconteceria em alguma forma, e eu provavelmente deveria ter lembrado todo mundo um pouco antes de tomar cuidado com as seções de comentários, publicações de discussão, resenhas e qualquer coisa que pareça um resumo da narrativa, caso queiram começar a ler o livro sem spoilers.
ARCs: Na verdade, houve uma discussão bastante longa com minha editora sobre se “O Último Rei das Fadas” deveria ter ARCs, e, de fato, não produzimos nenhuma ARC digital.
É um caso estranho. Por um lado, é o primeiro livro de uma trilogia totalmente nova e esses livros quase sempre recebem cópias antecipadas, porque as editoras querem criar expectativa e permitir que livreiros, críticos e bibliotecários leiam o livro antecipadamente. Por outro lado, ele também é, na prática, o décimo oitavo livro de “As Crônicas dos Caçadores de Sombras”, e livros tão longe em uma série muitas vezes não recebem ARCs tradicionais justamente por causa do risco de spoilers.
No fim, a decisão foi produzir ARCs porque já fazia muito tempo desde o livro anterior dos Caçadores de Sombras e mais tempo ainda desde “Os Artificio das Trevas”. Eles queriam que o lançamento parecesse um evento e, francamente, lembrar às pessoas que um novo livro dos Caçadores de Sombras estava chegando. A ironia é que as pessoas com mais probabilidade de serem prejudicadas pelos spoilers também são aquelas que estavam mais empolgadas com o livro desde o início; os leitores para quem as ARCs servem como um lembrete de que o livro será lançado não são aqueles que já estão acompanhando hashtags e discussões.
Todo ARC é enviado com um pedido para que não sejam publicados spoilers importantes antes do lançamento. Mas é só isso: um pedido. Não é algo legalmente exigível; depende da cortesia e da consideração das pessoas pelos outros leitores. Neste caso específico, a pessoa que publicou os spoilers claramente adorou o livro. Eu não acredito nem por um segundo que a intenção dela fosse me chatear ou estragar a experiência de leitura de outra pessoa. Ela estava entusiasmada e queria conversar sobre uma história de que gostou. Esse é um impulso maravilhoso. Infelizmente, quando esse entusiasmo inclui revelar pontos importantes do enredo sem avisos de spoiler, pode tirar, sem querer, a experiência de leitura dos leitores que esperaram anos para descobrir esses momentos por conta própria.
As pessoas têm relações muito diferentes com spoilers. Alguns leitores realmente não se importam nem um pouco com eles. Conseguem aproveitar um livro da mesma forma, mesmo sabendo algumas coisas que acontecem. Mas, para algumas pessoas, descobrir uma história à medida que ela se desenrola é uma parte enorme da alegria de ler. Os avisos de spoiler não servem para dizer que uma maneira é certa e outra é errada; são simplesmente uma forma de permitir que cada um escolha a experiência que deseja ter.
Uma coisa que posso afirmar, com certeza, é que não haverá ARCs para os próximos livros dos Caçadores de Sombras. “O Último Rei das Fadas” foi o último. Isso não acontece porque não valorizamos os críticos ou os criadores de conteúdo. É porque simplesmente não existe uma maneira prática de impedir que spoilers importantes se espalhem depois que os ARCs chegam às mãos das pessoas. Mesmo quando alguém toma cuidado e usa avisos de spoiler, esses spoilers podem ser copiados, republicados, resumidos ou repetidos em outros lugares, sem qualquer contexto ou marcação.
Ironicamente, a desinformação também acaba fazendo parte disso. Cerca de metade dos “spoilers” que vi as pessoas temendo nem sequer são verdadeiros. Parece que surgiram de mal-entendidos, especulações ou da imaginação de alguém. O que serve como lembrete de que ler resumos do enredo fora de contexto muitas vezes oferece uma visão bastante distorcida do que realmente está no livro.
Eu também acho que esta é uma daquelas situações em que os fãs precisam tomar medidas para se proteger. Se alguém estiver publicando spoilers sem sinalizar, eu jamais incentivaria alguém a se juntar a um ataque coletivo contra essa pessoa ou a tratar com crueldade. Mas é perfeitamente razoável dizer: “Ei, você se importaria de marcar isso como spoiler?” ou “Você poderia esperar um pouco antes de publicar essas revelações importantes?” A maioria das pessoas não está tentando chatear ninguém. Eles simplesmente não pensaram em como outras pessoas vivenciam as histórias de maneiras diferentes.
Também vale lembrar que os spoilers dos ARCs são apenas uma parte da questão. A cada novo lançamento, há leitores que terminam o livro no primeiro dia e leitores que só conseguirão ler semanas ou até meses depois, por causa do trabalho, dos estudos, da situação financeira, das filas de espera das bibliotecas ou simplesmente por não terem tempo. A etiqueta em relação aos spoilers não deixa de ser importante no dia do lançamento. Se alguma coisa, é justamente nesse momento que ela mais importa.
Então, se vocês querem evitar spoilers, meu conselho seria:
Se você começar a ler algo e perceber que está cheio de spoilers, pare de ler. A curiosidade é real, mas você não precisa continuar.
Evitem seções de comentários, tópicos de discussão e resenhas até terminarem o livro.
Silenciem ou coloquem em listas de bloqueio o título do livro, os nomes dos personagens e as hashtags comuns de spoilers, caso essa opção esteja disponível nas plataformas que vocês usam. Combinem uma hashtag para as pessoas usarem ao publicar spoilers. Eu sugeriria #tlkofspoilers. Depois, silenciem essa hashtag.
Se lembrem de que os algoritmos não sabem se vocês querem ver spoilers. Se ficarem muito tempo em publicações relacionadas a spoilers, geralmente verão ainda mais delas.
E, talvez o mais importante, não deixem que alguns spoilers convençam vocês de que “estragaram o livro”. Uma lista de fatos desconexos não é a mesma coisa que a experiência de ler um livro.Os spoilers quase nunca contam a história. Eles apresentam fatos isolados, desprovidos de todas as coisas que realmente dão significado a esses fatos. Saber que um personagem morre não é a mesma coisa que saber por quê, se a morte é permanente, se é trágica, heroica, horripilante ou até mesmo se é o que parece ser. Saber que dois personagens parecem gostar um do outro não diz se estão apaixonados, se o sentimento é recíproco, se é um erro, se é causado por magia ou qualquer coisa sobre como vocês vão se sentir em relação a isso. Ler uma profecia fora de contexto não diz se ela é genuína, se foi mal traduzida, se foi manipulada deliberadamente ou se é a interpretação dos acontecimentos feita pelo vilão. Trechos de diálogos copiados e colados não conseguem realmente dizer se aquela fala é engraçada ou séria dentro do contexto, sarcástica ou cruel, sincera ou uma mentira.
As histórias são feitas de contexto. São feitas de emoção, personagens, motivos e da maneira como as coisas acontecem. Um livro não é uma lista de acontecimentos; é uma experiência. Um spoiler pode dizer o que acontece, mas quase nunca diz o que aquilo significa, e nunca diz como é a sensação de ler aquilo.
Então, se vocês viram acidentalmente um ou dois spoilers, eu espero sinceramente que não sintam que o livro foi tirado de vocês. Há muita coisa que uma lista de acontecimentos em um livro não consegue capturar e o que está sendo oferecido a vocês nos spoilers é aquilo que outra pessoa considerou importante, não aquilo que você consideraria interessante ou importante. Um spoiler também mistura a interpretação de outra pessoa sobre o que aconteceu, que pode não ser a de vocês (ou, em vários casos que observei, nem mesmo a minha).
E, se vocês já leram o livro e estão empolgados para conversar sobre ele, espero que ajudem a proteger a experiência de todos os outros usando avisos de spoiler. É um pequeno gesto de consideração que permite que cada leitor aproveite a história da maneira que for mais significativa para ele.
Obrigada!
Ty, Julian e Livvy
“Oi, Cassie! Como estou relendo “Os Artifícios das Trevas”, tenho pensado muito na relação de Julian com todos os seus irmãos, mas especialmente com Ty e Livvy! Ler sobre o amor que ele sente por eles — e sobre a dinâmica bastante complexa de ser, ao mesmo tempo, irmão e figura parental — sob a perspectiva dele é algo extremamente comovente. Sei que você mencionou que teremos mais acesso à perspectiva de Ty em “O Ultimo Príncipe do Inferno”, já que, em “O Último Rei das Fadas”, ele ainda guarda segredos do leitor; mas será que você poderia dar alguma dica de quanto veremos da perspectiva dele e/ou de Livvy ao longo de “Os Poderes Perversos”, e de como essa relação evoluiu desde o final de “Rainha do Ar e da Escuridão”?”
Refleti sobre essa pergunta por muito tempo, porque havia algo nela que eu não conseguia compreender plenamente. E creio que seja isto: as informações que você obtém em um livro e a forma como as recebe não são a mesma coisa. (E, como ainda estou escrevendo e revisando, a forma é justamente aquilo que não posso prometer com responsabilidade!)
Sabemos que Ty é um dos quatro protagonistas de “Os Poderes Perversos”, com uma quantidade de pontos de vista aproximadamente igual à dos outros três. Mas ainda não posso dizer exatamente quanto desse espaço será dedicado a Julian, nem quanto teremos sob a perspectiva de Livvy (é surpreendente que tenhamos qualquer coisa, já que ela está morta — e escrever a partir da perspectiva de um fantasma é algo bastante incomum), ou quais conversas e revelações acontecerão, especificamente, sob a perspectiva de cada um.
Escrever sobre as relações de Julian com seus irmãos foi uma das minhas partes favoritas de “Os Artifícios das Trevas”. Mas, como Julian não é um personagem central — nem um personagem sob cuja perspectiva a história é narrada — nos dois primeiros livros de “Os Poderes Perversos”, passamos de uma exploração dos pensamentos dele sobre essas relações para uma exploração das perspectivas de Dru, Ty e Livvy. Tivemos a visão dele e, agora, temos o reflexo disso.
No que diz respeito a Ty, suas relações com os irmãos mudaram, assim como sua relação com Julian — e essas mudanças são importantes para a história dele. A relação dele com Livvy também evoluiu, já que, para ele, ela não está exatamente morta. Os sentimentos dele em relação a ela mudam, assim como os dela em relação a ele — embora, em muitos aspectos, ela nunca realmente envelheça além dos quinze anos, nem pense de uma forma diferente de alguém dessa idade (o que também levanta uma questão: o que acontecerá quando Ty tiver quarenta anos e ela ainda parecer e pensar como uma jovem de quinze?). Mas uma das perguntas que os livros propõem é se a dedicação de Ty a esse relacionamento está cobrando um preço em suas outras relações e em sua capacidade de levar uma vida adulta. E isso fará muito mais sentido depois que você ler o primeiro livro!
E isso me traz de volta ao que achei complicado na pergunta original. Há uma conversa entre Livvy e Ash que nos revela mais sobre os sentimentos de Livvy do que qualquer coisa que ela pense consigo mesma. Vemos uma conversa bastante significativa entre Ty e Julian, mas não a acompanhamos sob a perspectiva de nenhum dos dois. É mais ou menos isso que quero dizer sobre a diferença entre a informação em si e a forma como ela nos é apresentada. Não se obtém, necessariamente, menos informações sem o ponto de vista de Ty; afinal, quem o observa tem acesso a aspectos que ele próprio desconhece: um certo distanciamento de seus sentimentos, a capacidade de interpretar gestos e linguagem corporal dos quais ele talvez nem se dê conta e, talvez, uma compreensão mais clara daquilo que ele tenta não dizer. O mesmo vale para Livvy.
Não se trata tanto de informações diferentes, mas sim de um ângulo diferente sobre uma mesma cena. Sei que existe uma certa suposição de que, “se estamos dentro da cabeça dele, veremos todos os seus sentimentos”, mas não — não necessariamente! Porque, dentro da mente de alguém, também nos deparamos com a negação e com uma espécie de desconhecimento deliberado — algo que não é exclusivo de Ty. Isso se aplica a praticamente qualquer ser humano.
Vejo com frequência pessoas dizerem que gostam da narrativa em primeira pessoa porque ela as aproxima do personagem — algo que sempre achei interessante, já que, para mim, a primeira pessoa sempre serviu como um meio de criar um distanciamento maior, mentir para o leitor e induzi-lo ao erro. É uma das coisas de que gosto nela. 😉
reederzkings: Oi, Cassie! Queria perguntar sobre a necromancia de Ty. No livro, por meio de tudo o que descobrimos com o Malcolm e o Volume Sombrio, parece que a morte precisa ser paga com vida. No caso da Livvy, dá a entender que não funcionou por causa do objeto corrompido vindo de Thule; mas, como Ty diz que não mataria pessoas para praticar necromancia, minha pergunta é a seguinte: mesmo que o artefato de Thule não estivesse corrompido, a necromancia para trazer Livvy de volta ainda teria fracassado por falta de energia da morte? Tchau! ♥️
Quer dizer, é verdade que não sabemos todas as respostas para isso! Elas não estão presentes em “Os Artifícios das Trevas”. Mas também não quero dar spoilers de “O Último Rei das Fadas”.
Acho que o que posso dizer é o seguinte: a necromancia não foi um fracasso total. Ty não conseguiu trazer Livvy de volta plenamente viva, mas obteve o espírito dela — seu fantasma, sua consciência. Isso já é muita coisa. Portanto, podemos analisar a fonte corrompida (não o objeto vindo de Thule, mas a própria fonte de energia) e concluir: essa fonte, que funcionava apenas parcialmente, é a razão pela qual obtivemos um resultado que também funcionou apenas parcialmente.
Até que ponto isso também se deve ao fato de Ty ter se recusado a matar alguém? Afinal, sabemos que a vida paga pela morte — não é apenas Ragnor quem diz isso; Livvy também afirma, ao retornar, que não se pode “pegar emprestado” da morte. No entanto:
O pagamento não precisa ser um evento único que ocorre durante o ritual. Se você pratica necromancia sem oferecer uma vida, isso não significa que a magia não cobrará uma. Significa apenas que talvez você não possa escolher quando — ou de quem será essa vida. 😉
ti-bae-rius: Haverá novos locais (além daqueles que foram mostrados, de forma instigante, no Instagram há algum tempo) que poderemos ver em “O Ultimo Rei das Fadas”? Sei que teremos Paris, Bruges, Budapeste… existe mais algum lugar para onde iremos e que talvez as pessoas não esperem?
Na verdade, eles nem chegam a ir a Paris. Nós visitamos duas outras cidades que, até onde eu sei, nunca apareceram nos livros! Foi divertido. E, claro, também vemos Londres.
goldenjellyfish12: Em “Rainha do Ar e da Escuridão”, sabemos que Michael veio receber Robert na vida após a morte. Alguém veio receber Livvy?
Segundo ela, ela não chegou tão longe. Será que ela está dizendo a verdade? Até o momento de “O Último Rei das Fadas”, não sabemos.
thebelljarplath: Será que vamos ver algum fantasma que não seja Livvy? Supostamente, Kit consegue ver fantasmas que outras pessoas não conseguem, né?
Hmmm. Veremos um fantasma muito significativo e importante.
perguntas com spoiler
w****: Cassie, espero que você esteja bem! Alguns leitores que receberam cópias antecipadas deixaram vazar que [trecho omitido]. Sei que confirmar isso seria um spoiler, mas ainda existe a possibilidade de [trecho omitido]?
Pessoal, por favor, não me enviem perguntas pedindo para confirmar ou negar coisas que vocês ouviram em resenhas de ARCs, vazamentos ou spoilers. Para começar, muitos dos supostos spoilers que circulam por aí são imprecisos, enganosos ou carecem de um contexto fundamental. Esta pergunta, inclusive, diz respeito a algo que, posso afirmar, não acontece no livro. Não consigo nem explicar o que há de errado com a premissa sem revelar informações, já que corrigir um spoiler pode, por si só, acabar sendo um spoiler.
E, aliás, acho que ler spoilers é uma péssima ideia! Eles não dão a menor noção do que realmente acontece na história, nem do contexto em que as coisas ocorrem — como bem ilustra esta pergunta. Infelizmente, pedir que eu analise esses rumores e diga o que é verdade equivale, basicamente, a pedir que eu confirme quais partes de uma fanfic acabarão se mostrando corretas. Se você decide ler spoilers, é uma escolha sua; mas, caso surjam dúvidas sobre eles, terá que se virar por conta própria — pelo menos até que o livro já esteja disponível há algum tempo.
Desculpe :/
believe-in-kit-supremacy: Oi, Cassie! Será que vamos ver as reações do pessoal de “Os Artifícios das Trevas” ao fato de Kit e Ty estarem juntos (espero que sim)? Tipo, todos eles sabiam que Kit e Ty brigaram, mas não sabem o motivo. Fiquei pensando se isso vai ser uma surpresa para eles — embora eu saiba que, no momento, eles provavelmente têm questões mais urgentes para resolver, então talvez isso não seja a prioridade deles. Ainda assim, seria bem engraçado, já que todos sabiam o quanto eles eram próximos, mas também o quanto brigaram feio.
Bem, primeiro Kit e Ty precisariam, de fato, entrar em um relacionamento sério, e os Blackthorn precisariam estar vivos e por perto para descobrir — mas não posso confirmar nem negar nada disso sem dar spoilers. 🙂
Mas é uma gracinha imaginar as reações dos Blackthorn, especialmente porque eles sabem que Kit e Ty eram muito próximos e, de repente, deixaram de ser — sem entender, de fato, o que aconteceu entre os dois. É claro que cada membro da família tem uma ideia diferente sobre o que estava acontecendo, além de níveis distintos de percepção a respeito dos sentimentos de Kit e Ty.
Acho que também existe uma diferença entre se surpreender pelo fato de duas pessoas sentirem algo uma pela outra e se surpreender pelo fato de elas terem conseguido superar tudo o que aconteceu entre elas. Considerando como as coisas ficaram ao final de “Rainha do Ar e da Escuridão”, suspeito que a segunda questão esteja muito mais presente na mente delas do que a primeira!
expiredkitty: Oi, Cassie! Você concordaria com a afirmação de que a Kit é o “saco de pancadas narrativo”?
Minha primeira resposta a essa pergunta foi apenas: não. Mas não creio que isso aborde, de fato, todas as camadas da sua pergunta.
Acredito que a ideia de que Kit seja um “saco de pancadas narrativo” implica que ele sofra mais do que outros personagens, que seu sofrimento exista, primordialmente, para promover o crescimento de outros personagens, ou que ele seja submetido a dor repetidas vezes apenas para que os leitores o vejam sofrer.
Nesse sentido, minha resposta é um rotundo não. O sofrimento não é uma modalidade olímpica na qual os personagens competem; o sofrimento de Kit diz respeito às suas próprias vivências, perdas e escolhas. Eu acho que o considerar um “saco de pancadas” ignora sua capacidade de agir, algo que, aliás, ele possui de sobra. Além disso, se o sofrimento fosse uma modalidade olímpica, ele certamente não seria quem eu escolheria como vencedor desse “decatlo do sofrimento”.
Se você quer dizer que Kit é colocado em situações nas quais precisa fazer escolhas terríveis e as pessoas acabam o julgado injustamente por elas, a questão se torna mais complexa e existe em dois aspectos.
Primeiro, Kit é um personagem muito amado por todos. Cada canto do fandom é diferente, mas todas as evidências disponíveis para mim apontam para isso. Por exemplo, quando fiz uma enquete com os leitores perguntando qual personagem eles queriam que Frostbite desenhasse primeiro, Kit venceu disparado.
E acho que parte disso acontece porque Kit é colocado em situações horríveis, nas quais precisa fazer escolhas terríveis! Eu não acho que ele seja moralmente ambíguo. Ele está do lado do Bem. Mas é forçado a enfrentar situações nas quais precisa fazer uma escolha em um mundo onde não existem boas escolhas.
Isso não faz dele um saco de pancadas. Sacos de pancadas simplesmente ficam pendurados. Isso faz dele um dos personagens mais importantes da história. As escolhas dele conduzem a trama e moldam o mundo em que ele vive. Elas podem irritar, inspirar, despertar compaixão e provocar um milhão de outras reações. E acho que isso é algo bom, porque o mesmo acontece com pessoas reais, e o máximo que você pode esperar de qualquer personagem, como escritor, é que ele pareça uma pessoa real.
Por exemplo: a necromancia que separa Kit e Ty. De quem é a culpa pelo fim do relacionamento deles? Se sua resposta for dos dois, correto. Ambos cometem erros, e acho que, em geral, é assim que os leitores interpretam a situação.
Mas uma coisa que me intriga é que nunca vi ninguém identificar por que Kit foi embora, exatamente. Talvez alguém tenha feito isso em algum lugar, mas eu nunca vi ninguém apontar o motivo exato, e acho que será muito interessante quando Kit falar sobre isso em “Os Poderes Perversos”. Isso também é algo nunca passou pela cabeça de Ty.
Vou dizer uma coisa que considero significativa no arco de Kit: em “O último príncipe do Inferno”, Ty pergunta a ele como está se sentindo, e Kit diz que explicar honestamente como você se sente pode ser incrivelmente doloroso. Significa expor todas as partes de si mesmo e deixar que as pessoas vejam onde você está ferido. E ele diz isso como se estivesse percebendo tudo aquilo naquele exato momento. Nós estamos acompanhando ele mudar e amadurecer.
Kit está evoluindo, como personagem, em seus sentimentos e naquilo que faz. Ele é um alvo em constante movimento, então não acho que possamos dizer que ele é um saco de pancadas narrativo. Para mim, essa expressão designa um personagem profundamente simplista, cujo sofrimento ou dor não é levado particularmente a sério, ou que simplesmente apanha muito porque o autor quer que você o veja sofrer.
Nada disso é verdade em relação a Kit. O sofrimento dele é levado a sério, as escolhas dele importam, e as motivações dele nem sempre são imediatamente evidentes, nem mesmo para as pessoas mais próximas dele. Ele sofre e sente alegria na mesma medida. Kit Herondale simplesmente não é um personagem profundamente simples. Ninguém discutiria as motivações de um personagem que fosse assim. 🙂
“O Ultimo Rei das Fadas” primeiro livro da última trilogia dos Caçadores de Sombras, “Os Poderes Perversos” já está em pré-venda no Brasil e vocês podem garantir sua cópia sem brindes AQUI. O nosso post completo sobre a pré-venda vocês podem ver AQUI.
Os 3 livros de “The Wicked Powers” se chamam: “The Last King of Faerie” (“O Último Rei das Fadas“, em tradução livre), “The Last Prince of Hell” (“O Ultimo Príncipe do Inferno“, em tradução livre) e “The Last Shadowhunter” (“O(A) Último(a) Caçador(a) de Sombras“, em tradução livre).
O terceiro é último volume da trilogia “As Maldições Ancestrais“, também conhecia como trilogia Malec, se chamará “O Volume preto dos Mortos” e será publicado entre os livros de “The Wicked Powers“, conforme já falado por Cassie.
Aqui no Brasil, os livros dos Caçadores de Sombras são publicados pela Editora Galera Record. A Editora Galera Record está vendendo o ultimo livro de Cassie publicado até aqui: “Melhores de Preto” (garanta o seu clicando AQUI) – e em um comentário falou que trará os outros 3 livros do kickstarter também (“Os Segredos da Mansão Blackthorn“, a nova versão do livro das cartas das flores e “Careful of Books“). Não temos informações sobre a recém-divulgada duologia “In Fire Forefold” (“No Fogo Anunciado“, em tradução livre). A Editora também confirmou a publicação de “The Wicked Powers” (“Os Poderes Perversos“, em tradução livre), a trilogia que encerra o universo do Mundo das Sombras.
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