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Resenha: O Último Rei das Fadas (Os Poderes Perversos 1) – Cassandra Clare


“O Último Rei das Fadas”(Os Poderes Perversos 1)
Cassandra Clare
Tradução: Juliana Romeiro
Galera Record – 2026 – 588 páginas

É o terceiro ano de Drusilla Blackthorn na Academia dos Caçadores de Sombras, mas tudo começa a desandar quando, após um encontro fortuito, ela se vê sendo sequestrada. Dru se torna uma prisioneira, e o pior de tudo: seu sequestrador é ninguém mais, ninguém menos que o príncipe feérico Ash Morgenstern.

Presa no Reino das Fadas, um lugar encantador e igualmente perigoso, Dru sente uma atração irrefreável por Ash — e pela escuridão que ronda o rapaz. No entanto, um passo em falso pode custar sua vida.

Enquanto Dru enfrenta o maior desafio que já viveu, um desaparecimento inesperado abala os alicerces dos Caçadores de Sombras. Kit Herondale e Ty Blackthorn se veem sem alternativa a não ser unir forças e lutar para salvar tudo o que eles mais amam. Mas, para isso, terão que deixar de lado o rancor que sentem um pelo outro.

O último Rei das Fadas é começo da tão aguardada despedida do universo que conquistou o mundo. Cassandra Clare transporta o leitor para uma aventura repleta de mistérios e romances de tirar o fôlego, com o humor tão característico que tornou a autora a rainha da fantasia jovem adulta.

Esta foi uma resenha em formato de vídeo. Vocês podem assisti-lo abaixo ou indo em nosso Instagram. A descrição do áudio do vídeo segue abaixo.

“O Começo do Fim”: é assim que os caçadores de sombras estão chamando “O Último Rei das Fadas”. E não estamos errados! Este é o primeiro livro da trilogia “Os Poderes Perversos”, responsável por encerrar “As Crônicas dos Caçadores de Sombras”. Anunciada em 2013, a trilogia parecia algo tão distante… Mas aqui estamos, finalmente vendo esse começo do fim acontecer!

Há anos sabemos quem seriam os protagonistas: Ty e Dru Blackthorn e Kit Herondale, personagens apresentados em Os Artifícios das Trevas. Agora também temos Ash Morgenstern, filho de Sebastian e da Rainha Seelie, como quarto protagonista. E existe um intervalo de quatro anos entre as duas trilogias, tempo suficiente para muita coisa mudar.

Mas por onde esse fim começa?

Ainda estamos lidando com as consequências dos acontecimentos anteriores. Idris continua nas mãos da Tropa, aquele grupinho fascista que acredita que os Caçadores de Sombras precisam ser muito mais duros com os outros seres. Por isso, Dru estuda na nova Academia, instalada na fazenda de Luke, enquanto Ty foi para a Scholomance. E ele e Kit não se falaram durante esses quatro anos, desde que Ty tentou trazer Livvy de volta por meio de um ritual de necromancia, mas conseguiu apenas manter a irmã como fantasma, eternamente com 15 anos, ao seu lado.
Kit mora com Jem, Tessa e a pequena Mina, a filha deles, até que Ty aparece à sua porta pedindo ajuda: Dru desapareceu.

E essa não é a primeira vez que isso acontece. No prólogo, vemos Dru entrando no Reino das Fadas e passando algumas horas por lá — pelo menos para ela, porque, no mundo exterior, foram dias!

Dru tem 17 anos, é decidida e usa o humor para mascarar o que sente. Adora filmes de terror porque nada parece assustá-la mais do que a vida real. Afinal, já perdeu o pai em uma guerra e viu a irmã ser assassinada diante de seus olhos. Teimosa, determinada e com uma quedinha por aventuras, ela acaba indo com Thais ao Pandemônio para assistir à banda de Simon tocar. É lá que reencontramos a turma de Os Instrumentos Mortais e descobrimos que Janus, o Jace de Thule, está atrás de Clary. E uma coisa precisa ser dita: Janus é um vilão de verdade, daqueles que não têm medo de matar!

Enquanto isso, Kit e Ty embarcam em uma busca inesperada. O que começa como uma tentativa de encontrar Dru acaba se transformando em uma missão misteriosa, envolvendo um feiticeiro que talvez não seja quem você está pensando.
Viajando como mundanos, os dois finalmente começam a permitir que seus sentimentos venham à tona. Temos momentos fofos, desenvolvimento de personagens e um romance slow burn que vai sendo construído aos poucos. Mas, quando pega fogo… Eita!

Grande parte da trama acontece no Reino das Fadas, onde Dru começa a perceber que existe algo muito maior acontecendo contra os Caçadores de Sombras. Ao observar a dinâmica entre Janus, Ash, a Rainha Seelie e Lord Byrne, uma figura bastante sinistra que agora frequenta a Corte, ela percebe que sua família e todo aquele universo estão em perigo.

E Ash é uma das grandes incógnitas dessa história. Ele parece se importar com Dru, mas ainda não compreendemos totalmente suas intenções. Também descobrimos que Dru não possui todas as suas memórias e não é afetada pelo poder dele, que faz as pessoas ao redor sentirem vontade de agradá-lo. Aliás, Dru foi uma das grandes surpresas do livro! Sua personalidade e essa vontade de sair chutando bundas conquistam qualquer leitor. Ela cresceu, assim como Kit, que ainda carrega o peso de ser o Herdeiro, e Ty, que está mais consciente de si mesmo e de suas escolhas.

E precisamos falar de Thais, nossa caçadora de sombras brasileira maravilhosa! Leal a Dru, corajosa e dona de uma trama própria com um certo rapaz, ela é um daqueles personagens que conquistam a gente. E um detalhe delicioso: suas falas em português se perdem na tradução, mas saibam que, em inglês, ela até xinga em português!

Outro acerto da narrativa é não enrolar na trama. A autora confia na capacidade de dedução do leitor e deixa que a história avance sem precisar explicar absolutamente tudo. E muitas perguntas são respondidas! Descobrimos por que Dru não é afetada pelo poder de Ash, por que ele parece se importar tanto com ela e, principalmente, qual é o verdadeiro poder de Kit. Também finalmente entendemos onde estão Jace, Clary, Alec, Julian, Emma e tantos outros enquanto uma ameaça tão grandiosa está se formando.

E a resposta é realmente apavorante: Estamos diante da maior ameaça que os Caçadores de Sombras já enfrentaram. Algo que tem potencial para mudar o mundo inteiro — e até destruí-lo. Toda essa trama vem sendo construída há anos, com pistas espalhadas pelos livros que amamos, além de uma profecia que deixa claro que o perigo é muito maior do que imaginávamos.

Mas ainda existem muitos desfechos pela frente. Afinal, este é apenas o primeiro livro de uma trilogia que caminha para encerrar uma história construída ao longo de tantos anos. E tudo aponta para uma batalha grandiosa, talvez travada por uma única pessoa, exatamente como o título do último livro sugere.

Em meio a uma ameaça que pode destruir Caçadores de Sombras, vampiros, lobisomens, demônios, anjos caídos e fadas, o amor ainda insiste em encontrar seu espaço. Foi também o amor por esse universo que nos trouxe até aqui e que nos fará esperar pelos próximos dois livros. E não podemos esquecer que, por trás de tantos Poderes Perversos, existe uma força que nos encanta há quase 20 anos: Cassandra Clare.

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