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Resenha: Hoje eu quero voltar sozinho – Daniel Ribeiro, Bruno Freire


“Hoje eu quero voltar sozinho”
Autor: Daniel Ribeiro
Ilustrador: Bruno Freire
Seguinte – 2026 – 248 páginas

Leonardo é um adolescente como qualquer outro. Ele gosta de passar o dia na piscina com sua melhor amiga Giovana, não aguenta mais a superproteção da mãe e está bastante ansioso pelo primeiro beijo. Entre ele e seus colegas de escola, só há uma diferença: Leo é cego.

A volta às aulas traz também velhos desafios, mas dessa vez tem uma novidade ― Gabriel, o aluno novo da escola. Entre risadas, passeios de bicicleta e idas ao cinema, Leo sente que, pela primeira vez, está sendo reconhecido por inteiro, para além de suas limitações. Isso desperta no garoto sentimentos confusos: será que sua atração por Gabriel é mais do que amizade? E como se encaixar nesse mundo que não parece ter sido feito para ele?

Nesta história doce e sensível que conquistou milhares de fãs nos cinemas, acompanhamos Leo em busca de seu lugar no mundo ― e descobrimos com ele que ser amado nada mais é do que ser visto.

Você já deve ter ouvido falar de “Hoje eu quero voltar sozinho”, filme lançado em 2014, baseado em uma história que se originou em um curta-metragem – porque sim, o filme fez muito sucesso e muito merecidamente. Agora, o autor Daniel Ribeiro, que também dirigiu o filme, faz a transição para uma HQ repleta de delicadeza e amor, auxiliado pelas ilustrações delicadas de Bruno Freire. A trama tão delicada e que aborda capacitismo, descoberta da sua sexualidade, relacionamentos entre amigos, superproteção de pais se transforma em outra mídia, agora chegando em uma nova geração que também precisa de histórias como esta.

Já conhecemos a história: Leo é um garoto de classe média que vive sua vida com tranquilidade ao lado da sua melhor amiga Giovana, esperando seu primeiro beijo acontecer. Tudo segue normalmente até a chegada de um novo aluno na turma dos jovens: Gabriel, que chega aos poucos e sem saber agir não porque Leo é cego, mas sim porque é um estranho naquele lugar. Enquanto Gabriel começa a se acostumar na nova turma, Leo está enfrentando o bullying por ser cego, o que o faz cogitar ir em um intercambio para se tornar a pessoa que ele deseja ser, mas esbarra em algo quase impossível de se sobrepor: o cuidado excessivo de sua mãe.

Os relacionamentos de Leo são reais e profundos, tanto com seus pais quanto com sua melhor amiga, Giovana. A medida que o garoto começa a se aproximar de Gabriel e a se questionar sobre seus sentimentos por ele, a amizade com Giovana começa a estremecer por puro ciúmes, enquanto a ideia do intercambio para se mostrar somente uma rota de fuga para não ter que lidar com o bullying que é pesado – como sempre, qualquer tipo de minoria sofre com a aceitação, e aqui Leo está lidando com dois tipos: o capacitismo por ser cego e a forma como os garotos de sua turma estão vendo sua proximidade com Gabriel.

Enquanto vão amadurecendo o relacionamento, Leo também amadurece sozinho, começando a trilhar o caminho de se tornar quem ele realmente deseja ser. Resolvendo seu relacionamento com Giovana e também mostrando que seus pais podem confiar nele, temos uma história repleta de cuidados e amor sobre crescimento e primeiros amores, temas universais que jamais sairão de voga. As ilustrações de Bruno Freire deixaram a trama mais fofa ainda, se é que isso é possível, e, ao final, há uma entrevista com o autor e o ilustrador, além de uma (possível) promessa da continuação da história destes personagens tão adoráveis. Torcendo para acontecer.

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