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Resenha: A ascensão dos lobos (Os Lobos da Ruína 1) – Sable Sorensen


“A ascensão dos lobos”(Os Lobos da Ruína 1)
Sable Sorensen
Tradução: Carolina Candido
Paralela – 2026 – 464 páginas

Meryn Cooper sempre desprezou os Unidos ― guerreiros de elite que montam lobos gigantes e que compartilham com esses seres uma mágica conexão mental. Enquanto eles vivem cercados de luxo e privilégio, Meryn luta dia após dia para manter sua família acima da linha da miséria.

Mas quando Saela, sua querida irmã caçula, é sequestrada e levada para além da fronteira por terríveis seres imortais, seu mundo desaba. A dor é insuportável. A raiva, incontrolável. E Meryn sabe que só há uma saída: atravessar o front e trazê-la de volta, custe o que custar.

A contragosto de Lee, seu fiel namorado, a garota se alista nas Forças Armadas do Rei. No dia seguinte, é lançada nos famosos Ritos de União, nos quais recrutas devem provar seu valor diante dos lobos. Além de sobreviver a incontáveis testes de resistência e estratégia, Meryn precisa enfrentar Stark Therion ― o instrutor mais impiedoso do treinamento. Montado em seu temido lobo, Stark é pura força bruta e intimidação ― e parece ter prazer em testar os limites da nova recruta. Paralelamente, Meryn ainda precisa lidar com a atenção do perigosamente belo Príncipe Killian, e ela vai descobrir que segredos sombrios são mais assustadores quanto os próprios lobos.

Me permitam ser sincera de cara: a moda agora é realmente enganar nas sinopses. Não creia muito nessa sinopse acima porque ela basicamente indica um provável triângulo/quarteto amoroso, mas isso não acontece nem mesmo remotamente, mas vou falar sobre isso no decorrer desta resenha porque é algo bem mais pra frente. O que preciso que vocês entendam é que “A ascensão dos lobos” é um achado real no mundo da dark fantasy porque tem vários pontos incríveis, construção de mitologia consistente, personagens muito bem desenvolvidos e que tem bastante (mas bastante mesmo, real) cenas hot. Meryn é uma mulher de 23 anos que trabalha para manter a família, composta pela mãe e irmã, com um namorado e que exerce sua sexualidade de acordo como deseja, então fica aqui o aviso para as pessoas que gostam ou não de cenas assim. E também aproveito para dar os parabéns para a dona Paralela que depois do incrivel “Escudo de Pardais” (leia a resenha SEM SPOILERS clicando AQUI), me manda mais uma fantasia bem construída com personagens adultos.

Dito isso, o que mais gostei de “A ascensão dos lobos” é que é um livro sangrento, forte, intenso, personagens guiados pela raiva e com uma ótima sacada. Claro que não é um livro perfeito e que se você, como eu, já leu bastante fantasia, vai desconfiar de terminados personagens desde o começo (até comentei com a Ju o que estava desconfiada e depois estava duplamente certa) mas que acerta muito no ritmo e na forma como tudo vai se construindo em um mundo fictício onde lobos gigantescos se unem a humanos para lutarem por um reino que está em guerra contra outro reino dominados por vampiros. Sim, lobo x vampiros, mas não são os costumeiros lobisomens que estamos acostumados: aqui os lobos são criaturas que pensam e se comunicam por pensamento quando são ligados a um humano e chegam a tamanho de cavalos, além de terem certa magia. É bom ler sempre sobre vampiros, mas aqui fica claro que os vampiros são mesmo os vilões e os lobos os mocinhos, mesmo que nossa protagonista comece a trama achando que os lobos eram tão cretinos como, mas a mudança que ela sofre desde o começo da trama é radical – só de pensamento mesmo, porque de corpo, desde começo ela luta por dinheiro, ou seja, chuta bundas.

Respiro fundo para reunir forças e corro pelos galpões decadentes. Minhas pernas me guiam pela praça suja do mercado no Sul, e eu me embrenho nas vielas dos cortiços, onde o bairro faz fronteira com os Distritos Central e Leste.
A pobreza aqui é percebida no ar. Tento respirar pela boca para evitar o odor de corpos sem banho. Embora o Sul seja o bairro mais pobre, o Leste não está em situação muito melhor. Na cidade real de Tempesgelo, nenhuma parte vive bem de fato.
Já os Unidos vivem esbanjando, se o que dizem por aí nas ruas for verdade. Tenho certeza de que eles não precisam se preocupar com filhos sendo raptados, arrancados de suas camas durante a noite.
Saela.

A trama começa com Meryn lutando por dinheiro algo que parece uma luta de MMA ou o equivalente. Ela vence porque é boa lutando, aprendeu com um vizinho chamado Igor porque desde os 12 anos, quando o pai morreu e a mãe estava grávida e com problemas de saúde mental, ela precisava descontar sua raiva em algum lugar, e o caminho escolhido foi o da violência. Ela também trabalhava na lavanderia, carregando os baldes de água, já como a mãe não tinha mais condições, tudo para garantir a mãe e Saela, sua pequena irmãzinha de quase 11 anos, alguma comida na mesa.

Morando no lado Leste do Reino, a parte mais pobre, Meryn também tem um namorado que ama: Lee trabalha como mensageiro e passa o dia no Castelo, somente voltando algumas noites, já como também precisa levar comunicações a frente de batalha do Reino de Noturna, que acontece na visita contra o país vizinho de Astreona, lugar comandado por vampiros. No meio de toda pobreza e vida dificil da população mais carente, ainda há o fenômeno de crianças que são sequestradas pelo que chamam de Levadores, que o povo acredita serem sifões (os vampiros). Confesso que esperei Saela ser levada logo no 1º capitulo, mas se tem algo que “A ascensão dos lobos” do lobos não faz, é apressar a trama, então podem esperar bastante desenvolvimento de tudo aqui.

O momento?
Ele passa os dedos pelo cabelo grosso e deixa a mão cair no joelho.
Estão prestes a começar os Ritos de União.
As palavras dele me atingem como um soco.
Ritos de União… A chance de se tornar uma das preciosas forças Unidas do Rei, criando uma ligação inquebrável com um lobo colossal e feroz.
Se isso for verdade, talvez eu nem chegue à frente de batalha. Os Ritos de União são tão perigosos quanto a própria guerra, pelo que ouvi falar.
Uma lufada áspera de ar sufoca meus pulmões.

Quando Saela é sequestrada, Meryn, Lee e Igor tentam procurar pela garota, mas claro que as buscas são infrutíferas. Sem alternativas, Meryn se lista para ir lutar pelo seu Reino, mesmo sendo dispensada, já como cuidava de uma casa com uma incapaz e uma criança. Sua ideia era ir para a frente de batalha, já na divisa, e procurar pelo lugar onde todas essas crianças sequestradas estavam, já do lado de Astreona. O que ela não fazia ideia era que não estava só se alistando pro exercito e sim se inscrevendo para os Ritos da União, as famosas provas que levam um lobo gigante a se unir a um humano.

E aqui o clima de dark academy impera, já como ela e o grupo que consegue sobreviver depois de subir uma montanha imensa, se unir a um lobo e depois descer, vão todos basicamente morar no castelo neste perigo de 4 meses durante os Ritos, e onde há 4 casas, por assim dizer: Estrategos, o grupo dos estrategistas e que comandam a matilha em batalha; os Daemos, que são os guerreiros, ao mais fortes em campo de batalha; os Criptos, que são basicamente os espiões, que vão tentar captar informações e afins; e, por fim, os Filax, que cuidam da proteção das alcateis. Juntos, em batalha, os 4 grupos se completam, e cada um tem uma cor especial e que são capazes de falarem telepaticamente com seu lobo e ainda mais uma especie de sentimento em comum os ajudam, os tornando mortais. E essa é uma explicação bem rápida sobre a mitologia e o universo porque tem muito mais para entrar nela, por nem falei de Funestra, a espada que o Rei Cyril Valetiere possui e pode “comandar” os lobos, e nem sobre a coroa que “aparece” durante a trama.

Os olhos dele percorrem a multidão. Tenho a sensação de que está avaliando o nosso valor e julgando que somos indignos.
Como manda a tradição, qualquer recruta do exército tem a chance de se unir. — Pelo tom dele, fica óbvio que acredita que ninguém além dos filhos de famílias Unidas será considerado digno. — Geralmente há cerca de cem lobos prontos para a união, e vocês estão em pelo menos mil. Os lobos vão escolher entre os primeiros que chegarem ao pico, então não percam tempo.
Ele abre um sorriso malicioso, mostrando os dentes, tão lupino quanto a fera em que está montado.
Façam o que for preciso para chegar primeiro ao topo.

Sobre o que comecei falando sobre o suposto quadrilatero amoroso e depois parei, é que realmente não há qualquer dúvida aqui: Meryn ama Lee, seu namorado, com todo seu coração. Bondoso, o homem além de lindo, a apoia em tudo, até mesmo em suas lutas e quando ela decide que precisa ir atrás de Saela. Claro que temos a figura de Stark Therion, o instrutor moreno e misterioso, além de Alfa dos Daemons, que começa a dar aulas para Meryn, quando ela se desta de cara, com seus cabelos não criando só uma mecha da dor do seu alcateia, e sim seu cabelo inteiro fica prateado, deixando claro que ela é realmente diferente do resto, até porque a loba que se uniu a ela parece ser algum tipo mais imponente de loba.

Anassa é realmente uma loba que não deixa a jornada de Meryn mais fácil porque, como também já mencionei, as certeza que a jovem tinha muda bastante durante a trama. No começo, Meryn acha que todos ricos e Unidos (os humanos que estão ligados um lobo gigante) não ligam para o povo e só se preocupam com status e afins, além de sua única missão é realmente recuperar Saela, é para isso que ela está indo e nada mais. Quando Anassa se une a ela e não começa a se comunicar, a dúvida fica sobre o que está acontecendo, e tudo só se explica lá pela metade do livro, quando enfim Meryn aceita seu novo destino, e é ai que há outro ponto que me incomoda nesse livro: uma certa lentidão na trama, e digo isso sem nem ser lentidão para se desenvolver enredos e sim a escolha de cenas que vão se tornando repetitivas, como a Meryn negando a sua ligação com Anassa. Isso e o tanto de cena de sexo foram as duas únicas coisas que me incomodaram nesta trama, porque o resto é realmente só tiro, porrada e bomba.

Um som ecoa pela arena. Passos, percebo.
Eu me ergo de um salto, afastando-me da grade de drenagem. A aproximação rápida de alguém tão tarde da noite me faz ter certeza de que eu não deveria estar aqui. Não deveria ter visto isso. Não posso ser pega.
Apressada, corro para o outro lado da arena e me escondo nas sombras, que felizmente voltaram a ficar imóveis. Minha mente fervilha de perguntas.
O que estava enterrado debaixo do chão da arena? Por que parece que isso está me atraindo?
E por quê, enquanto fujo pelos corredores, tenho a sensação de que a morte está no meu encalço?

Enquanto Meryn vai se envolvendo mais e mais e se papel dentro da alcateia geral vai se tornando mais principal, vemos também a mudança de personalidade da mulher, se tornando alguém mais sem piedade, mais forte e mais firme – e não me entenda errado porque desde o começo entendemos que Meryn é cheia de raiva por toda responsabilidade que carrega nas costas, mas com o tempo, a raiva passa a acompanhar e começa guiar suas escolhas, principalmente quando ela se sentindo mais e mais frustrada por não conseguir chegar até Saela. O que vai acontecendo é realmente algo que esperei em parte, com uma reviravolta grande dentro de outra reviravolta, mas nada me preparou para o fim da trama, que realmente me pegou desprevenida, me fazendo questionar o que vai acontecer real porque não acho que Meryn vá se recuperar.

Eu sei, eu sei, você está se perguntando quantos livros serão, e eu digo que será somente uma trilogia. O primeiro livro foi autopublicado pelas autoras (são uma dupla de mulheres, Annie e Eliza) que assinam juntas, e depois de um sucesso grande, conseguiram um contrato com a Penguin Random House e foram publicadas no mundo inteiro. O segundo livro, “Fury Bound”, foi publicado em inglês, e não temos informações de quando vem no Brasil. Já o terceiro e último livro, “Ruin Bound”, será publicado no meio do ano que vem em inglês, e como os titulos não foram literalmente traduzidos (este primeiro volume se chama “Dire Bound” em inglês), não tenho ideia de como se chamarão aqui, mas atesto que fora a tradução de nomes próprios como o nome da cidade real principal (aqui chamada de Tempesgelo e no original, Sturmfrost), a edição está maravilhosa, com mapa dos dois países centrais, glossário, explicações sobre as alcateias no final, guia de personagens e até mesmo uma cena extra, já como toda narrativa é pelos olhos de Meryn, e, no final, temos esta cena extra na visão de um determinado protagonista masculino. Pode se jogar que o livro vale a pena.

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