
Sinopse: Aviso: Releasing 10 aborda temas sensíveis, incluindo abuso infantil, trauma sexual, automutilação e suicídio. Contém conteúdo sexual explícito e violência gráfica. Recomenda-se cautela ao ler.
Diagnosticada com transtorno bipolar muito jovem, Lizzie Young sempre se sentiu solitária e inadequada. Mal consegue criar laços com a própria família e até sua irmã mais velha parece odiá-la. Ela só quer ser aceita e compreendida, mas carrega sozinha suas cicatrizes.
Até que, no ônibus da escola, conhece um garoto gentil, e pela primeira vez a vida parece ganhar alguma luz. Hugh Biggs é um menino de ouro: inteligente, perspicaz e com um firme senso de ética, que fica instantaneamente encantado por Liz.
Com o passar dos anos, eles não se desgrudam. Hugh, que sempre cuidou de todos ao redor, enxerga a menina brilhante que Lizzie é por trás de rótulos e remédios. E ela vê nele a única pessoa que pode protegê-la de um mundo horrível.
O vínculo entre eles parece indestrutível — a química é eletrizante, o sentimento é puro e a conexão é de alma —, mas até o amor mais profundo pode ser abalado por verdades perturbadoras que ninguém gostaria de saber.
Eu sempre disse em minhas resenhas anteriores (que vocês podem ler aqui) que Lizzie era uma das personagens que eu mais gostava, ainda mais depois do livro do Joey – e mesmo assim eu não passei pano pra ela sobre a crueldade que ela teve com Gibs no livro anterior. Então, por ela ser uma das minhas personagens favoritas, eu sabia que esse livro ia me quebrar um tanto, apesar de não imaginar o quanto.
Quando eu terminei de ler o livro, minha melhor amiga me perguntou qual nota eu dava pra ele e minha resposta foi “5 + um coração partido” porque foi bem assim que me senti. Até mesmo enquanto eu lia, eu tive que parar de ler em algum ponto porque estava me deixando profundamente triste – como uma pessoa com depressão, em partes eu sentia muito do que Lizzie estava sentindo, e por isso fica aqui o aviso que já está na sinopse do livro: esse livro traz gatilhos sobre muitas coisas, então leia ele quando não estiver em um momento tão ruim e quanto sentir que os gatilhos não vão te afetar.
“— Não importa o que aconteça?
— Não, Liz. Não importa o que aconteça.”
O livro, como o de Claire e Gibs, começa no passado: nós vemos desde o momento em que Lizzie e Hughie se conhecem, ainda crianças e percebem que eles são o amor da vida um do outro, mesmo em uma idade tão jovem. Eles vão crescendo juntos e ao mesmo tempo, Lizzie está passando por terrores inimagináveis e que nós, como leitores, entendemos muito mais do que ela que é apenas uma criança.
Hughie ainda não tem ideia, mas ele é uma grande parte do que deixa Lizzie “no eixo” mesmo com tudo que se passa na vida dela. E, quando a tragédia que nós já sabemos – a morte de Caiohme – acontece, parece que tudo piora: Lizzie começa a acreditar que está louca porque o que ela fala que aconteceu, o que ela fala que viu, ninguém acredita, só levam em consideração a doença dela, que acham que ela estava alucinando.
“Em algum momento no passado, quando eu era pequena, achava que poderia ser feliz. Naquela época, a felicidade me parecia tangível. Mas a escuridão sempre acabava levando a inocência com a correnteza.”
Isso em parte é o que leva muito do livro: as pessoas não acreditarem em Lizzie. Não acreditam quando ela fala que um monstro a visita todas as noites (como eu mencionei, ela era criança quando isso começou rs), não acreditam em nada, nada, nada mesmo que ela fala.
Hugh, é claro, acredita nela. Ele é a única pessoa, inclusive contando os pais dela, que acha que ela está falando sério sim sobre o que aconteceu na morte da irmã, apesar dela mesma não lembrar com detalhes e ter falhas e trocas no que aconteceu ou não naquele dia.
“Porque, no fundo, sabia que me sentaria com a Lizzie Young pelo resto da vida, se isso mantivesse a tristeza longe dos seus olhos.”
Nós seguimos a vida e o relacionamento dos dois até meses antes de Shannon entrar em Tommem, e é aí que o livro acaba e de uma forma que realmente me deixou de coração partido. Eu não vou dar detalhes, mas nós todos que já lemos os livros anteriores sabemos que quando a história de Shannon começa, Lizzie e Hughie não estão mais juntos. É.
Eu falei acima: eu tive que parar uma hora de ler, e foi pouco depois da morte da irmã de Lizzie, porque eu sentia muito o sofrimento dela. Não podia imaginar que dali pra frente ia só pra trás e só ia piorar. Acho que fora os livros de Joey e de Gibs, esse foi de longe o livro que mais me fez chorar porque foi da metade em diante.
“Era eu que via a motivação de viver enfraquecer a cada dia.
Era eu que não tinha fé nem esperança de um futuro.
Era eu que tinha uma mente destruindo minha alma.
E era eu que tinha que viver assim até o dia da minha morte.”
Lizzie é uma personagem complexa. Eu entendo porque muitas pessoas a odeiam, mas eu também entendo muito do que ela é. E eu sinto demais por ela, principalmente por saber que ela não pode contar com as pessoas que ela devia poder contar: seus pais. Quando o livro terminou, eu achei que ia morrer de tanto chorar.
E Hughie eu não sei nem explicar. Ele é um personagem tão maravilhoso, é um garoto de ouro como muita gente pensa que ele é no livro porque ele carrega consigo tudo que acontece com Lizzie, mas principalmente porque ele não tenta colocar ninguém contra ela. Mesmo quando tudo acontece e eles acabam separados, ele não fala contra ela em nenhum momento, mesmo tendo todos motivos possíveis pra isso.
E eu super entendo quem não consegue também continuar a leitura, como eu falei lá em cima também, esse livro mais do que qualquer outro de todos os livros de “Garotos de Tommen”, tem gatilhos demais e toca em partes muito dolorosas com as coisas que se passam com Lizzie.
Dito tudo isso: eu não aguento mais esperar a continuação. Eu preciso ler pra ontem, eu preciso acreditar que depois de tudo, Lizzie terá um final feliz.
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