This Is Where It Ends – Marieke Nijkamp
2016
288 páginas
Sinopse: This #1 New York Times Bestseller chronicles the 54 harrowing minutes of a school shooting and follows four students who must confront their greatest hopes, and darkest fears, as they come face-to-face with the boy with the gun.
10:00 a.m.
The principal of Opportunity, Alabama’s high school finishes her speech, welcoming the entire student body to a new semester and encouraging them to excel and achieve.
10:02 a.m.
The students get up to leave the auditorium for their next class.
10:03
The auditorium doors won’t open.
10:05: Someone starts shooting.

 

Esse livro fala sobre um tema um pouco complicado de discutir. Apesar de não ser uma realidade aqui no Brasil, ainda é um assunto que deve ser debatido por todos nós. É algo que acontece frequentemente no que dizem ser a maior potência do planeta. Os tiroteios nas escolas americanas tornaram-se uma epidemia, e estima-se que 77% dos atiradores sejam adolescentes estudantes e frequentadores dessas escolas e universidades.

Nossa estória começa em uma dessas escolas, onde somos apresentados a 4 personagens principais da trama (todos de alguma forma, envolvidos com o atirador):

AUTUMN: irmã do atirador, perdeu a mãe em um acidente de carro e sonha em ser dançarina e morar longe de Opportunity (a cidade onde se passa a estória). Autumn namora secretamente a melhor amiga, Sylvia, e tem uma relação estremecida com o irmão e atirador, Tyler.

SYLV: namorada de Autumn, enfrentou Tyler em diversas ocasiões terríveis, cuida da mãe que sofre de Alzheimer e é irmã de um dos protagonistas, Tomás.

CLAIRE: corredora do time de atletismo da escola, não está dentro do local quando o tiroteio acontece, é ex namorada do atirador e irmã mais velha de Matt, que tem lúpus e está preso dentro do auditório.

TOMÁS: irmão gêmeo de Sylv e “rival” do atirador, eles já se enfrentaram em ocasiões anteriores e se odeiam. Não está dentro do auditório quando o tiroteio começa, e parte junto com um amigo em uma tentativa de salvar a irmã presa lá dentro.

O livro é narrado em primeira pessoa, alternando-se entre esses 4 personagens e por ordem cronológica de acontecimento. Todo o tiroteio dura cerca de uma hora, começando as 10:01 da manhã, quando um estudante prende todos os outros integrantes da escola em um auditório durante um anúncio de volta às aulas da diretora e começa a atirar neles. Posso dizer que, com certeza, assim que você começar esse livro vai te prender até o final. Não é uma leitura maçante de ler, o inglês é super fácil de entender, então você não precisa ter um nível muito avançado para ler o livro.

A estória me chocou bastante, fiquei pensando muito nela durante alguns dias após a leitura e refletindo sobre o porquê. Apesar de saber que é ficção, eu sei, e todo mundo sabe, que é uma realidade para muita gente, o tempo todo. Não é uma estória romântica ou sobre finais felizes, então não comece o livro buscando isso. É um livro bruto, cru, sobre violência e os extremos a que um ser humano pode ser levado.

Queria contar quantas mortes e quantos feridos terminam ao final do livro, mas acho importante que o leitor leia e sinta o desespero a cada uma das mortes. Acho importante que sinta o coração disparar e pense “Meu Deus, quando isso vai acabar? Quando ele vai parar?”.

A autora conta que fez bastante pesquisa para escrever o livro, então tudo é baseado em acontecimentos de pessoas que realmente viveram essa experiência horrível. E por isso a estória se torna tão, tão real. Nós, leitores “ouvimos” cada vez que Tyler dispara a arma. Nós sentimentos o desespero dos estudantes cada vez que um deles tenta abrir as portas do auditório e não consegue. É terrível, é desesperador. Para fazer com que sintamos as mortes dos estudantes e professores, a autora intercala as narrativas com flashbacks dos personagens e uma pequena introdução sobre cada um dos que são assassinados. Então você é apresentado a cada uma das pessoas em quem Tyler atira. Algumas ele escolhe a dedo, outras são efeito colateral. A autora descreve cada uma das mortes, o cenário, os detalhes, cada pequeno acontecimento. Nada passa desapercebido para nós, leitores, e acho que é isso que torna tudo tão chocante. Com frequência a gente ouve nos noticiários “20 pessoas são mortas em um tiroteio em uma escola em um lugar”, mas “estar lá”, “estar” presente, quando cada uma dessas mortes acontece e cada um dos tiros é disparado, presenciar o medo, tão terrível, que cada um dos personagens sente, por si mesmos, pelos outros, é uma experiência totalmente diferente.

Outro fator que torna a estória eletrizante é o relógio com a hora e os minutos que aparece no começo de cada capítulo. No começo de cada um dos capítulos você se pergunta “meu Deus, e agora? Quantas pessoas ainda vão morrer?”

Dai você se pergunta “mas porque alguém ia querer ler algo assim”? Eu acho que muita gente não quer ler algo assim. E se você não quer, não leia. Porque é forte. Eu acredito, entretanto, que o ser humano só é capaz de se colocar realmente no lugar do outro quando vivencia a experiência. Acho que é isso que a autora quis ao escrever esse livro. Transmitir a experiência. Fazer com que nos coloquemos no lugar do outro; nos mostrar que nada, nada justifica que alguém pegue uma arma e saia atirando em todo mundo. Nem dentro de uma escola, nem dentro de uma igreja, nem em uma guerra, nem em lugar algum.
Se o livro é bom? Sei lá, acho que depende do que você entende por bom. Tem personagens bem construídos? Tem. Tem uma narrativa organizada e sem furos? Tem. Tem embasamento, tem fatores que te prendem à estória, tem tudo isso. Então acho que dá pra dizer sim, que é um bom livro. Mas a sensação, o sentimento quando você termina de ler, é péssimo. Acho que era isso mesmo que Marieke queria fazer, e acreditem, ela fez com perfeição.

 

Em relação ao livro em si, só tenho duas críticas. A primeira é que ela faz flashbacks dos personagens o tempo inteiro, cortando a narrativa. Eu entendo que é importante para nos fazer sentir apego aos personagens e entender suas histórias e  o porquê de se encontrarem naquela situação, mas é um pouco irritante. A segunda é que eu senti falta de um ponto de vista do atirador. Não que eu ache que tudo poderia ser justificado caso houvesse um pov dele. Não. Acho que nada justifica o que ele fez. Mas faltaram alguns argumentos da parte dele. Eu entendo que talvez ele seja simplesmente louco, ou sei lá o quê, mas eu realmente queria saber, ou pelo menos dar uma espiada no que se passava dentro da cabeça dele enquanto atirava naquelas pessoas. Por outro lado, acho que talvez a autora não tenha colocado um ponto de vista dele para que as pessoas não usassem o livro como um gatilho caso se identificassem de alguma maneira com o atirador ou com alguns de seus sentimentos. Por exemplo, Tyler odeia todo mundo, então se eu odeio todo mundo também vou sair atirando nas pessoas. Acho que foi isso que ela quis evitar, mas eu realmente gostaria de ter espiado os pensamentos dele.

 

Posso dizer que: a leitura vale a pena. Muito. É chocante e real e nos mostra que a gente nunca sabe o que se passa na cabeça de alguém, então não podemos julgar. É essa a lição principal que eu tirei do livro. Olhe para o lado, olhe para as pessoas que estão a sua volta. Seja gentil. Sorria para elas. Ofereça ajuda, esteja presente. Não diga a alguém o que você não gostaria de ouvir, e, principalmente, não julgue as pessoas. Você nunca sabe se aquela pequena coisinha, aquele pequeno comentário, pode ser a gota d’água para alguém.

Por fim, se você, leitor, estiver enfrentando qualquer dificuldade, ou estiver pensando em fazer mal a si ou a outras pessoas, por favor, procure ajuda. Converse com alguém, QUALQUER pessoa, ou faça algo para sair dessa. Pode não ser fácil, pode não ser simples. Nunca é, mas prometo que vai valer a pena.

 

CENTRO DE VALORIZAÇÃO A VIDA (BRASIL): disque 188.