30. Cidade dos Ossos – ISTO NÃO É PARA HUMANOS

Essa é uma pequena história que Holly e eu escrevemos para o John Green’s Project for Awesome uns anos atrás. Eu recentemente mencionei isso e pessoas o suficiente pediram para ver então eu achei que devíamos postar! É um crossover entre a série da Holly “Fadas Ousadas e Modernas” e as Crônicas dos Caçadores de Sombras. Kaye, Roiben, Corny e Luis são todos dos livros da Holly. Vocês devem conhecer os outros. Isso se passa antes do começo de Cidade dos Ossos. Se lembram quando Jace falou sobre comer comida de fada e correr pelado pela Quinta Avenida…?

Feliz 4 de Julho!

 

Kaye realmente não estava esperando Caçadores de Sombras irem ao ‘Moon in a Cup’, especialmente na inauguração.

Ela nem sequer tinha certeza do que os Caçadores de Sombras faziam. Eles pareciam acreditar que o mundo era ameaçado por demônios, usavam muitas armas, tatuavam um ao outro, e não confiavam em ninguém que não era um deles. Kaye certa vez apontou que ela nunca tinha visto um demônio e, sério, ela já tinha visto muitas coisas estranhas. O Caçador de Sombras o qual ela tem conversado alegou que ela não ter visto nenhum demônio só provava que os Caçadores de Sombras estavam fazendo seu trabalho. Ela parou de discutir depois disso. Você não pode provar uma negativa, disse Corny.

Isso incomodou ela, entretanto, porque eles não apenas acreditavam em demônios, mas eles pensavam que fadas como ela eram parte demônio também. Isso fazia todo o porte de armas e estranheza um pouco mais nervoso do que teria sido de outro jeito. Mas Luis gostou deles e, além disso, Kaye precisava de clientes. Ela apenas esperava que eles não comessem os scones.

Lua no Cálice era o sonho dela e agora que estava quase acontecendo, ela estava incrivelmente nervosa. Ela amava o cheiro de expresso no ar, as nuvens de vapor e o som do leite espumando. Ela amava todas as coisas que ela e seus amigos tinham pego de vendas de brechó e do meio da estrada. Pequenas mesas de madeira surradas que ela e Valerie e Ruth tinham decorado com cartões postais e partituras de musica e paginas de enciclopédia.

Cadeiras pintadas de dourado. Arte forasteira e estranhas galhadas e algumas paisagens com serpentes do mar pintadas no topo delas. Copos incompatíveis que variavam de porcelana chinesa para tigelas lascadas com pinturas de patos nelas para canecas com slogans de empresas fechadas há muito tempo. Todas pareciam um tesouro para ela, mas porque ela nunca teve nada antes ou foi responsável. Ela estava preocupada se ela poderia dar conta disso — se ela ainda gostaria uma vez que fosse real — por meses.

E agora finalmente, finalmente, finalmente o lugar estava aberto.

Ravus e Luis tinham pintado um grande cartaz anunciando a GRANDE ABERTURA, que ficava acima da registradora. Lá, em vasilhas pouco organizadas, estavam os ingredientes para fazer muitas coisas, tanto mortais como nem tanto. Em adição para vários cafés, incluindo o terrível Red Eye, e o Dirty Chai, eles estavam servindo chá de ervas feitos de urtiga, leite de cardo e dente de leão, rosa mosqueta e agramônio, cardo-marítimo e tussilago. Então, um dos cavaleiros Unseelie, Dulcamara, mandou Kaye uma grande cesta de doces – scones, muns, todas as tortas – todas feitas com frutos das fadas, nenhuma que Kaye imaginaria um cavaleiro fazendo ele mesmo. Corny colocou elas fora, mas marcou como “NÃO PARA HUMANOS”, o que Kaye pensou que poderia confundir as pessoas que viriam na rua. Ainda assim, ela estava tão ocupada com outras coisas do que para prometer a ela mesma que ficaria de olho neles.

O lugar já estava cheio quando os Shadowhunters chegaram. Tinha muitos membros do povo das fadas que Kaye não conhecia. Dezenas da corte de Roiben, olhando com curiosidade para a decoração. Corny estava ajudando Kaye por trás do bar, misturando um pote de chá de algas marinhas para uma kelpie que piscou para ele. Corny não piscou de volta, provavelmente porque Luis estava olhando ele com uma expressão de prazer pelo outro lado da sala, perto de Val, seu cabelo vermelho crescendo com curvas, Ravus, e a melhor amiga de Val, Ruth, com a sua nova namorada que teve o cabelo pintado da mesma cor que um mirtilo.

Luis parou de olhar para seu namorado, no entanto, e olhou para a porta quando os Shadowhunters entraram. Eles tem tendência a atrair atenção, mesmo que ás vezes eles usem glamour como se não quisessem realmente isso. Mesmo assim, é difícil ignorar um grupo alto de pessoas fortemente armadas, que tem as maçãs do rosto tão afiadas quando suas armas.

Era um grupo de três deles: dois garotos e uma garota. O garoto mais alto tinha cabelos pretos e olhos azuis e vestia uma aljava de arcos sobre o ombro dele. As mãos estavam nos bolsos e ele estava parecendo como se não quisesse realmente estar ali. O garoto próximo a ele era loiro, com um loiro bem claro, o cabelo da mesma cor que as cadeiras pintadas de ouro tinham. Ele estava vestindo uma longa jaqueta de couro então qualquer arma que ele tivesse com ele, provavelmente estava oculta, mesmo que Kaye tivesse certeza que estavam lá. A garota tinha o mesmo cabelo escuro e comprido do mais alto — irmãos, Kaye imaginava — mesmo que seus olhos fossem escuros. Ela estava usando um top rendado e uma saia de veludo, e uma pulseira de couro muito rara que se dobrava para cima em seu braço.

“Meliorn!” a garota falou quando entrou, e correu pela sala para se jogar nos braços do cavaleiro fada em uma armadura branca. Kaye reconheceu ele como um dos cavaleiros da Corte de Seelie, um tipo fechado e calado. Ele devolveu o abraço da garota Shadowhunter.

“Isabelle,” ele disse. “Você é tão adorável quanto um salgueiro.”

Kaye sorriu para ela mesma. Ah, os elogios das fadas. Algumas arvores amarelas eram adoráveis e outras não eram, então o elogio não valia muito. A garota Shadowhunter, Isabelle, pareceu ronronar com as palavras dele, segurando ele pelas orelhas ligeiramente pontudas – talvez apenas uma meio-fada? – ela beijou ele calorosamente. Bom, aquilo era novidade. Shadowhunters namorando fadas?

Os dois garotos vieram para o bar, olhando em volta como se tivessem certeza de que seria uma honra para qualquer um servir eles. Kaye não estava tão convencida. “O que é um Red Eye?”, o loiro perguntou.

“É um shot de expresso num copo de café,” Kaye explicou. “Não é para amadores.” O garoto loiro sorriu ironicamente. Ele tinha aquele tipo de sorriso que só pessoas bonitas que sabem que são bonitas tem. Era um pouco mais intimidante. “Eu acho que você vai descobrir que não sou um amador em nada.”

“Isso significa que você quer um, ou não?” Kaye sempre se sentiu estranha em torno de rapazes que nem ele, com certeza de que estavam rindo dela.

“Eu acho que significa que se você vier de trás desse balcão e passar alguns minutos em um lugar privado comigo, você não vai ficar desapontada.” Kaye encarou ele, a boca aberta. Ele estava mesmo sugerindo que eles fossem transar? Naquele momento mesmo, no meio do turno dela? Ou talvez ele quisesse dizer outra coisa. Ela olhou ele novamente. Não, provavelmente não.

“Jace,” assobiou o rapaz parado próximo a ele. “Apenas peça uma porcaria de cookie ou outra coisa.”

“Eu gosto de cookies,” disse Jace com um sorriso particularmente charmoso, “mas o que eu realmente prefiro são moças lindas com pele verde.”

“Segura sua onda, Capitão Kirk,” disse Corny. “Ela tem um namorado.”

“Um sério?” Jace perguntou — ele ainda estava sorrindo daquele jeito charmoso que deixava difícil se irritar.

“Ele tem uma espada seriamente grande,” Corny disse. “E ele vai estar aqui em um minuto.”

A mão de Jace foi para sua cintura. “Bem, se é de espadas seriamente grandes de que estamos discutindo -”

O menino de cabelos escuros pois a cabeça para baixo na bancada. “Pare com esse flerte sem sentido”, disse ele. “Ou eu vou bater minha cabeça nessa bancada.”

“Eu gostaria que você não fizesse isso”, disse Kaye. “acabamos de instalá-la.”

“Calma, Alec.” Jace deu de ombros, de um jeito tentando não ofender e direcionando seu sorriso para Corny. “Nesse caso, eu acho que nós vamos ter que nos contentar com dois Red Eyes e um bolinho.”

“Os bolinhos não são para seres humanos”, protestou Kaye. “Nós não somos seres humanos”, disse Jace. Kaye estava prestes a protestar de novo, quando Corny deslizou uma travessa com um bolinho nela pela bancada com um floreio.

Ela queria arrebatá-la de volta – Frutas das fadas não era bom para qualquer um – mas seria mau para o negócio serem vistos jogando alimentos para longe dos clientes, especialmente quando eles estavam atualmente no processo de pagar por eles. Além disso, ela pensou, tentando convencer a si mesma, as pessoas gostaram de frutas das fadas. Eles os deixavam um pocuo loucos, com certeza, e houve aquela vez que Corny tinha recitado todas as letras para Synchronicity ao comer elas e aquela outra vez em que ele talvez tivesse sido envolvido em uma orgia, mas, no geral, Jace iria provavelmente ficar bem. Caçadores de Sombras supostamente eram para serem diferentes. Talvez eles tivessem algum controle sobre si mesmos que seres humanos comuns não tenham. O rumor sobre eles era de que eles eram parte anjo, e Kaye não poderia imaginar anjos correndo recitando todas as letras para Synchronicity ou entrando em situações que envolvessem orgias. Então, novamente, ela não podia imaginar anjos dando em cima dela também. “Aproveite”, disse ela, desistindo e colocando suas bebidas no balcão.

Alec pegou o troco que ela entregou lhe entregou e o despejou em um pote ao lado. Ela se sentiu mal por ele. Era óbvio que ele tinha uma quedinha pelo Jace, e igualmente óbvio que ele estava tendo um dia muito ruim.

Ela viu quando eles fizeram o seu caminho pela loja e se sentaram em um sofá em frente a Isabelle e Meliorn, que estavam ocupados esfregando seus narizes e fazendo caras bonitinhas para o outro. Jace e Alec reviraram os olhos.

Outro menino entrou, cambaleando um pouco. Seu cabelo preto bem preso, espesso, com glitter, e ele parecia estar muito, muito bêbado. Ele tinha uma pilha de papéis com ele e foi entregá-los aos clientes. Toda vez que alguém pegava um, havia uma pequena explosão de faiscas e glitter. Finalmente, ele se esparramou em uma poltrona perto de Isabelle, e se inclinou para ela.

Ela se separou de Meliorn, franzindo a testa para ele – ele parecia estar dizendo algo sobre o aniversário do seu gato enquanto ele balançava outro pedaço de papel para ela. Ou talvez ele estivesse falando sobre seu próprio aniversário, uma vez que seus olhos pareciam muito com os olhos fixos e reativos de um gato. Kaye se perguntou o que ele era. Não era uma fada, e nem um Caçador de Sombras também.

” Magnus, O Magnífico?”, Disse Isabelle, em dúvida, depois deu de ombros. “Mas, hey, obrigado pelo convite.” Ela pegou o papel, dobrou-a e meteu-a na frente de sua camisa antes de voltar a beijar Meliorn.

Por alguns minutos, Kaye foi absorvida em fazer outro pote de chá de algas marinhas, passando três copos de café expresso para um trio de duendes e fazendo um Chai sujo para um ser humano em um terno de negócios que parecia um pouco nervoso, como se apesar de não ser capaz para ver através do glamour em torno dele, ele era capaz de discernir que algo sobre os outros clientes estava um pouco fora no normal. Ele foi-se embora assim que ela lhe entregou a bebida, abrindo caminho para ela para ver através da sala –

Para onde Jace estava tirando suas roupas. A travessa com o bolinho na mesa de café na frente a ele estava vazia, e ele tinha uma expressão sonhadora no rosto – a expressão sonhadora de um ser humano que tinha comido frutas das fadas. Ele já havia tirado o casaco comprido, e estava começando a desabotoar os botões de sua camisa. “Jace,” Alec assobiou. “Jace, o que você está fazendo?”

“Está quente aqui,” Disse Jace, com uma voz arrastada.

Duas facas atingiram o chão.

Ao redor do aposento, várias fadas começaram a dar risadinhas. Jace tirou suas botas e meias.

“Corny,” Kaye disse. “Faça alguma coisa. Isso é inteiramente sua culpa, sabe disso. Você deu a eles esses bolinhos.”

Corny estava assistindo Jace se despir com suas sobrancelhas erguidas e uma expressão de apreciação em seu rosto. “Eu acho que sou alguma espécie de gênio. Você não poderia me pagar para parar isso.”

Jace havia tirado sua camisa. Kaye olhou de relance e teve que admitir que Corny tinha razão. Você raramente via um corpo como esse fora das revistas. Algumas pessoas tinham seis gominhos; Jace aparentava possuir doze. Não parecia humanamente possível. “Pode ser bom para os negócios,” ela meditou e pegou um shot de expresso. Ela pensou que iria precisar.

“Talvez podemos fazer ele repetir isso todos os dias?” Corny disse, enquanto Jace desabotoava sua calça jeans. Alec tentou pará-lo, mas Jace se moveu para fora do caminho e jogou o jeans fora com destreza.

“Não tente me parar, Alec,” disse Jace. “Esse corpo tem que ser livre.”

Isabelle olhou para cima beijando Meliorn e seus olhos arregalaram. “Puta merda,” ela disse.

“Jace –“ Ela começou a se levantar, mas Jace já havia caminhado até a porta. Ele pausou ali e se inclinou – sob aplausos não consideráveis -, arrancou o par de chifres da parede, e colocou-os suavemente em sua cabeça.

Então ele correu para fora da porta, ao mesmo tempo que Roiben entrou. Roiben, em sua longa capa preta, levantou ambas suas sobrancelhas prateadas e ficou olhando para Jace, um pequeno sorriso brincando no canto dos lábios. Ele parecia prestes a perguntar algo a Meliorn e então pareceu pensar melhor. Então, de repente, ele começou a rir.

“Oh, pelo Anjo,” Alec disse tristemente. “Outro lugar que nunca mais poderemos ir novamente. Você pensaria, em uma cidade grande como Nova York… ”

Kaye notou que o alcoolizado Magnus, o magnifico estava observando Alec com um brilho em seus olhos felinos. Era realmente muito ruim, Alec parecia muito perdido em sua melancolia para notar.

“Nós deveríamos ter pendurado uma placa naquele cara”, disse Corny. “Imagine a publicidade.” E logo em seguida, Kaye percebeu duas coisas. Uma delas foi que os Caçadores de Sombras podem ser bons em matar coisas, mas suas vidas amorosas eram uma bagunça. E a outra era que ela estava começando a amar possuir uma loja de café.