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Aqui você encontrará trechos dos livros ainda não lançados, que foram liberados pela própria Cassandra Clare.
Todos os trechos foram retirados do tumblr ou redes sociais da Cassandra Clare.

Lembrando que, por serem trechos muitas vezes divulgados muito antes do lançamento dos livros, eles podem acabar sendo alterados ou retirados da versão final do livro.

Contém SPOILERS de livros ainda não lançados.


TRECHOS DE LORDE DAS SOMBRAS
(OS ARTIFÍCIOS DAS TREVAS #2)

Kieran sacudiu a cabeça. “Eu não posso fazer isso,” ele disse.

Kier-” Mark começou com raiva, mas Kieran estava com a cabeça baixa, como um cachorro que apanhou. Seu cabelo caiu, emaranhado de suor, em seu rosto, e sua camisa e o cós de sua calça estavam ensopados de sangue. “Você está sangrando de novo. Eu pensei que você tivesse dito que estava se curando?

Eu pensei que estivesse,” Kieran disse gentilmente. “Mark, me deixe aqui –

Uma mão tocou o ombro de Mark. Cristina. Ela havia colocado a faca de lado. Ela olhou para ele, de igual para igual. “Eu vou ajudar você a tirá-lo de cima do muro.

Em Lord of Shadows, alguém diz para Mark sobre Kieran: “Você precisava tanto dele, você nunca teve que parar para pensar se você o amava.”

E ainda mais estranho, quando Mark e Kieran entraram na biblioteca, Kieran tinha ido imediatamente ao Max e pegado ele, encantado com sua pele azul e seus pequenos chifres.
Max tinha enfiou a mão no cabelo ondulado de Kieran e puxou. Kieran apenas riu. “É isso mesmo, ele muda de cor, pouco nixie, feiticeiro”, ele disse. “Olha.” E seu cabelo passou de azul-preto à azul em um instante. Max riu.
“Eu não sabia que você poderia fazer isso de propósito”, disse Mark, que sempre tinha pensado que cabelo de Kieran era um reflexo de seus humores, incontrolável como as marés.
“Você não sabe um monte de coisas sobre mim, Mark Blackthorn”, Kieran disse, colocando Max no chão.
Alec e Magnus trocaram um olhar por conta disso , o tipo de olhar que fez Mark sentir como se eles tivessem chegado a um silencioso e consenso acordo …

“Eu sei.” Mark encostou os lábios dele na testa dela. Cristina podia sentir o coração dele batendo. “Nós vamos descobrir isso. Nós vamos corrigir isso. ”

Kieran sentou-se com certa relutância. As ondas de seu cabelo se iluminaram para azul; ele se virou e encostou-se a Mark, um pouco como se estivessem andando a cavalo e Mark estava atrás.

Cristina separou suas mãos em espanto, e estremeceu. A Expressão de Mark se transformou em um de preocupação.

“Você não está sentindo dor?” ele disse.

“Não,” ela disse. “Você está?”

“Você está proxima de mim,” ele disse. “Não há razão para eu me machucar.”

“Você vai ter que aprender a viver com isso”, disse Jules. “Mesmo se horrorizar você, Emma. Mesmo se isso te deixar doente. Assim como eu vou ter que viver com quaisquer outros namorados que você tenha, porque nós somos pra sempre; não importa como, Emma, não importa como você quiser chamar o que temos, nós sempre seremos nós.”

Clique aqui para ver um snippet de Ty e Kit em formato quadrinho, feito por Cassandra Jean.

Houve uma comoção no topo do pavilhão, e uma única explosão som de um chifre quebrou o murmurio tranquilo na clareira. A pequena nobreza olhou para cima. Uma figura alta apareceu ao lado do trono. Ele estava todo de branco, branco como sal, com um gibão de seda branca e manoplas de osso branco. chifres brancos curvados de ambos os lados de sua cabeça, espantosos contra a escuridão de seu cabelo. Uma faixa dourada lhe cercava a testa.

Cristina exalou. “O rei.”

Emma podia ver o perfil dele: era bonito. Claro, preciso, limpo como um desenho de algo perfeito. Emma não conseguia descrever a forma de seus olhos ou maçãs do rosto ou na curva de sua boca, e ela não tinha capacidade Jules para pintá-lo, mas ela sabia que era estranho e maravilhoso e que ela iria se lembrar do rosto do Rei da Corte de Seelie para toda a sua vida.

Ele virou-se, trazendo seu rosto em plena vista. Emma ouviu Cristina ofegar levemente. O rosto do rei era dividido ao meio. O lado direito era o rosto de um homem jovem e bonito, luminoso com a juventude e beleza. O lado esquerdo era uma máscara desumana, pele cinza esticada como couro sobre o osso, a cavidade ocular vazia e negra, salpicada de cicatrizes vermelhas.

Kieran, ligado à árvore, olhou uma vez para a face monstruosa de seu pai e virou a cabeça, seu queixo caído, um emaranhado de cabelo escuro caindo para esconder seus olhos.

Clique aqui para ver a ilustração desse snippet, feito por Cassandra Jean.

Eles jogaram suas armas para baixo e se lançaram em direção à fileira de cavalos, um após o outro – Livvy saltou para Julian, jogando os braços em volta do seu pescoço. Mark atirou-se de seu cavalo e caiu encontrando-se abraçado firmemente por Dru e Tavvy. Ty veio mais calmamente, mas com a mesma felicidade incandescente em seu rosto. Ele esperou por Livvy terminar de quase estrangular seu irmão e, em seguida, entrou em cena para jpegar as mãos de Julian.E Julian, que Kit tinha sempre pensado como um modelo quase assustador de controle e distância, agarrou seu irmão e puxou-o para perto, suas mãos torcendo na parte de trás da camisa de Ty. Seus olhos estavam fechados, e Kit teve que desviar o olhar. Ele nunca tinha tido qualquer pessoa além seu pai, e ele tinha certeza além de qualquer palavra que seu pai nunca o tinha amado assim.

“Não um dos meus melhores,” disse Magnus para Kieran. “Me desculpe – eu não sou um grande fã do seu pai.”

“Meu pai não tem fãs.” Kieran se inclinou sobre a beirada da mesa. “Ele tem subordinados. E inimigos.”

“E filhos.”

“Seus filhos são seus inimigos,” disse Kieran, sem se abalar.

Quando Emma entrou no quarto dela, usando uma calça de moletom, uma regata e secando o cabelo com uma toalha verde, encontrou Mark encostado de pé na beirada da cama dela, lendo Alice no País das Maravilhas.

Ele estava usando uma calça de pijama de algodão que Emma tinha comprado por três dólares de um vendedor no lado da PCH. Ele estava parcialmente com a calça, já como ela estava estranhamente folgada, um material claro perto das coisas que ele usava na Faerie.

Se incomodava ele que ela também tinha uma estampa de trevos da sorte, com as palavras “tenha sorte”, ele não demonstrou. Ele sentou direito quando Emma entrou, passando a mão em seus cabelos e sorriu pra ela.

Mark tinha um sorriso que podia quebrar seu coração. Parecia tomar conta de todo seu rosto e iluminar seus olhos, fazendo o dourado e o azul brilharem.

“Uma manhã deveras estranha” ele disse.

Emma colocou as mãos nos quadris. “Não me venha com ‘deveras’.”

Clique aqui para ver uma ilustração deste snippet, feito por Cassandra Jean.

“Não pode durar“, disse Emma olhando para ele, porque como poderia quando eles nunca poderiam manter o que tinham? “Vai partir nossos corações.”

Ele a pegou pelo pulso, levou a sua mão ao seu peito. Espalmou os dedos sobre seu coração. Batia contra a palma da mão dela, como um punho perfurando seu caminho para fora de seu tórax. “Parta meu coração“, ele disse. “Parta em pedaços. Eu te dou permissão.“

“Clary, o que você não está me contando?”

Houve um longe silêncio. Clary olhou na direção da água escura, mordendo o lábio. Finalmente, ela falou. “Jace me pediu em casamento.”

“Oh!” Emma já tinha aberto os braços para abraçar a outra garota quando se deu conta da expressão de Clary. Ela congelou. “O que há de errado?”

“Eu não contei a ninguém a não ser você.” Clary olhou para Emma ansiosamente.

Houve um longo silêncio. Magnus suspirou. “Eu tenho que entregá-lo a você”, disse ele. “Eu nunca pensei que Jace e Clary seriam superados por qualquer outra pessoa em termos de decisões insanas, auto-destrutivas, mas vocês todos estão dando-lhes uma competição muito injusta.”

“Eu realmente não tinha nada a ver com isso”, Kieran apontou rigidamente.

“Eu acho que você vai descobrir que muitas decisões ruins o conduziu até aqui, meu amigo”, disse Magnus. “Tudo bem, você – todos vocês – esperem aqui. E não façam nada estúpido “.

Ele saiu da sala em passos longos, vestidos de preto, xingando baixinho.

“Ele está ficando cada vez mais como Gandalf”, disse Emma, observando-o ir. “Quero dizer, gostoso, com aparência mais jovem Gandalf, mas eu continuo esperando que ele comece a acariciar sua longa barba branca e resmungando sombriamente.”

“Eu vim sempre precisando de você, Kieran,” Mark disse. “Eu precisei de você para viver. Eu sempre precisei tanto de você, eu nunca tive a chance de pensar se éramos bons um para o outro ou não.”

Kieran sentou-se. “Isso foi honesto,” ele disse, finalmente “Eu não posso culpá-lo por isso”

Estavam longe da costa agora—era uma brilhante linha à distância, a estrada era uma fita de luzes em movimento, as casas e restaurantes ao longo da costa brilhavam. “Bem, então meus pais não morreram no oceano.” Emma deu um suspiro trêmulo. “Eles não se afogaram.”

“Saber disso não anula os anos de sonhos ruins.” Julian olhou na direção dela. O vendo soprava mechas macias do cabelo dele contra as maçãs do rosto. Ela lembrou de como era ter as suas mãos naquele cabelo, de como segurá-lo firmava-a não apenas ao mundo, mas a si mesma.

“Eu odeio me sentir assim,” ela disse, e por um momento, nem ela mesma tinha certeza do que estava dizendo. “Eu odeio estar com medo. Faz eu me sentir fraca.”

“Emma, todo mundo tem medo de alguma coisa.” Julian se moveu um pouco mais perto. “Nós tememos coisas porque as valorizamos. Tememos perder pessoas porque as amamos. Tememos morrer porque valorizamos estar vivo. Não deseje que você não tenha medo de nada. Isso significaria que você não sente nada.”

“Jules—” Ela começou a virar-se para ele, surpresa com a intensidade em sua voz, mas pausou quando ouviu os passos de Cristina na cozinha, seguida de sua voz, aumentada pelo reconhecimento, chamando:

“Mark!”

Cristina estava lá, no meio da sala, olhando para um dos lustres. Havia uma fileira de três apagados, mas brilhantes com gotas de cristal.

Mark deixou a porta se fechar atrás dele e ela se virou. Ela não pareceu surpresa ao vê-lo. Ela estava usando um vestido preto liso que parecia ter sido cortado para alguém mais baixa do que ela – provavelmente tinha sido.

“Mark”, ela disse. “Você não conseguiu dormir?”

“Não muito bem”. Ele olhou triste para o braço, embora a dor tivesse desaparecido agora que ele estava com Cristina. “Você sentiu o mesmo?”

Ela assentiu com a cabeça. Seus olhos brilhavam. “Minha mãe sempre dizia que o salão de baile do Instituto de Londres era o mais bonito que já tinha visto.” Ela olhou ao redor, do papel de parede listrado Edwardiano às pesadas cortinas de veludo recuadas nas janelas. “Mas ela deve ter visto isso muito vivo e cheio de pessoas. Parece agora o castelo da Bela Adormecida. Como se a Guerra Sombria o cercasse de espinhos e desde então estivesse dormindo.”

Mark estendeu a mão, o machucado circundando seu pulso, como a pulseira de vidro do mar de Julian rodeava o pulso dele. “Vamos acordá-lo”, disse ele. “Dance Comigo.”

Kieran deu um leve, impaciente resmungo e se estirou na cama, entre os lençóis. Os cobertores já estavam jogados ao chão. Com seu cabelo negro espalhado pelo linho branco, seu corpo esparramado com nenhum respeito pela modéstia humana, Kieran parecia ainda mais uma criatura selvagem.
“Venha comigo, então”, ele disse. “Fique comigo. Eu pude ver em seu rosto quando você viu os cavalos da Caçada. Você faria qualquer coisa pra cavalgar de novo.”

Subitamente furioso, Mark se inclinou sobre ele. “Não qualquer coisa”, ele diz. Sua voz ressoou baixa de raiva.

Kieran sibilou baixo. Ele agarrou a blusa de Mark. “Isso”, ele diz. “Fique com raiva de mim, Mark Blackthorn. Grite comigo. Mas sinta alguma coisa.”

Mark continuou onde estava, paralisado, bem perto de Kieran. “Você acha que não sinto?!”

Mais Caçadores de Sombras haviam entrado pelo hall. Eles eram um mistura de idades, de jovens a velhos. Alguns vestiam uniformes de Centuriões. A maioria usava vestes de combate ou roupas comuns. O que havia de incomun neles é que todos carregavam placas e faixas.

REGISTRE TODOS OS FEITICEIROS. SUBMUNDANOS DEVEM SER CONTROLADOS. CAMPOS DE CONTENÇÃO PARA LOBISOMENS. CRIEM UM REGISTRO. VIVA A PAZ FRIA.

No meio deles havia um homem de cabelos castanhos impecáveis com um rosto brando, o tipo de rosto que vocÊ nunca realmente poderia lembrar as feições depois de um tempo. Ele piscou para Zara.

“Meu pai,” ela disse orgulhosa. “Registrar os submundanos foi ideia dele.”

“Que placas interessantes,” disse Mark.

“Que maravilhoso ver pessoas expressando suas opiniões políticas,” disse Zara. “Claramente a Paz Fria criou verdadeiramente uma geração de revolucionários.”

“É bem inusitado,” disse Cristina. “Uma revolução exigir MENOS direitos para seu povo, do que mais.”

Por um momento a mascara de Zara escorregou, e Cristina pode ver através do artifício da educação, a voz e a conduta de garotinha ofegante. Havia algo frio por baixo de tudo isso, algo sem calor, sem empatia ou afeição. “Povo,” ela disse. “Que povo?”

Diego pegou-a pelo braço. “Zara,” ele disse. “Vamos sentar.”

“Você é o coração dessa família, doce garota.” Ele disse em um tom de voz que apenas seus irmãos e irmãs haviam escutado. “Você é nosso coração.”

Kieran murmurou algo por baixo de seu folego e disse, “Eu vou jurar lealdade ao Mark. Eu vou como ele me pede para fazer, e vou seguir os Nephilim por sua causa. E eu vou discutir com Adaon por sua causa, mesmo que seja sua escolha no fim.”

Algo tremeluziu nos olhos de Julian. “Não,” ele disse. “Você não vai fazer isso por Mark.”

Mark olhou para seu irmão, assustado; a expressão de Kieran tencionou. “Porque não Mark?”

“Amor complica as coisas,” disse Julian. “Um juramento deve ser livre de amarras.”

Kieran olhou como se ele fosse explodir. Seu cabelo se tornou completamente escuro. Com um olhar raivoso para Julian, ele caminhou para os Shadowhunters – e se ajoelhou na frente de Cristina.

Todos pareceram surpresos, nenhum mais do que Cristina. Kieran jogou seu cabelo preto para trás e olhou para ela, um desafio em seus olhos. “Eu juro lealdade a você, Dama das Flores.”

“Porque quando este universo foi criado, quando explodiu para existência com fogo e glória, tudo o que jamais existiria foi criado. Nossas almas são feitas desse fogo e glória, dos átomos do fogo e da glória, dos fragmentos das estrelas. Todas almas são, mas eu acredito que as nossas, a sua e a minha, são feitos da poeira da mesma estrela.“

Ty subiu na varanda ao lado de Kit e sentou-se. Seu cheiro lembrava levemente deserto, areia e sálvia. Kit pensou na maneira como ele gostava do som da voz de Ty: Era raro ouvir alguém ter esse tipo de prazer sincero por simplesmente compartilhar informações, mas Ty sentia.

“Porque você está aqui fora?” Ty perguntou. “Pensando em fugir de novo?”

“Não,” Kit disse. Ele não estava, de verdade. Talvez um pouco. Olhar para Ty fazia ele não pensar sobre isso. Fazia ele querer descobrir um mistério para que ele pudesse apresentá-lo a Ty para resolver, da mesma forma que você poderia dar, a alguém que amava doces uma caixa de chocolates.

“Gostaria que todos pudéssemos,” Ty disse, com uma franqueza desarmante. “Levamos muito tempo para nos sentirmos seguros aqui, depois da Guerra Maligna. Agora parece que o Instituto está cheio de inimigos novamente.”

“Julian comprou alguma comida e suprimentos em uma pequena mercearia, enquanto Emma saiu porta afora para pegar pijamas e camisas em uma pequena loja exotérica que vendia cartas de tarô e gnomos de cristal. Quando ela surgiu, ela estava sorrindo. Ela tinha feito uma camisa azul e roxa, estampada com um unicórnio sorridente para Jules, que olhou com horror. Ela a colocou na bagagem dele com cuidado antes de começarem a olhar por toda a cidade para encontrarem o começo do caminho para a costa.”

“Por favor,” disse Cristina, “por favor, não briguem. Nós precisamos estar do mesmo lado nisso.”

Kieran virou seus olhos perplexos para ela. Então, ele se aproximou de Mark; ele colocou suas mãos nos ombros de Mark. Eles eram quase da mesma altura. Mark não desviou seu olhar. “Tem só um jeito que eu sei que você não consegue mentir,” Kieran disse, e beijou os lábios de Mark.

Não tinha jeito de Mark rejeitar o beijo, não sem rejeitar Kieran e cortar a delicada cadeira de mentiras que mantinha o príncipe das fadas preso ali.

Se, de fato, Mark não quisesse beijar Kieran de volta. Cristina não sabia dizer; ele retribuiu o beijo com ferocidade, uma ferocidade que Cristina tinha visto nele na primeira vez que o viu com Kieran. Mas agora tinha mais raiva nisso. Ele agarrou os ombros de Kieran, seus dedos apertando ali; a força do beijo fez a cabeça de Kieran se inclinar para trás. Ele sugou o lábio inferior de Kieran e mordeu ele, então Kieran ofegou.

Eles se afastaram. Kieran tocou no seu lábio, tinha sangue ali e triunfo em seus olhos. “Você não desviou o olhar,” ele disse para Cristina. “Foi interessante assim?”

“Foi para meu beneficio.” Cristina se sentiu estranha, com calafrios e quente, mas se recusou a mostrar isso. Ela sentou com as mãos em seu colo e sorriu para Kieran. “Seria rude não olhar.”

Para aquilo, Mark, que parecia furioso, riu. “Ela entende você, Kieran.”

As lembranças do México quebraram Cristina. Sua mãe, seus primos. E ainda seus dias com Diego e Jaime: ela relembrou um final de semana em que eles, rastreando um demônio na dilapidada cidade-fantasma de Guerrero Viejo. De como era um visual apocalíptico onde quer que se olhasse: casas semi-afundadas, ervas daninhas prédios há muito desgastados pela água. Ela tinha se escorado numa pedra com Jaime sob incontáveis estrelas e eles disseram um ao outro o que mais desejavam no mundo: ela, o fim da Paz Fria; ele, restaurar a honra da família.

“Gostaria que me encontrasse, formalmente, para que eu pudesse corteja-lo,” disse Gwyn. Suas mãos grandes moviam-se sem rumo em seus lados – ele estava nervoso, realmente nervoso. “Poderíamos juntos, matar um gigante de gelo, ou devorar um cervo.”

Disseram que os homens juntaram-se à Caçada Selvagem, às vezes, quando tinham passado por uma grande perda, preferindo libertar sua dor aos céus do que sofrer no silêncio em suas vidas cinzentas ordinárias. Emma lembrou-se de voar pelo céu com Mark, seus braços ao redor de sua cintura: Ela tinha deixado o vento levar seus gritos de excitação, vibrando a liberdade do céu onde não havia dor, nenhuma preocupação, apenas esquecimento.
E aqui estava Mark, tão belo quanto o céu noturno era lindo, oferecendo-lhe a mesma liberdade com a mão estendida. E se eu pudesse amar Mark? Ela pensou. E se eu pudesse fazer essa mentira ser verdadeira?

Mark empurrou o último dos cortesãos. De perto, ele pode ver que Kieran usava algo ao redor de seu pescoço, em uma corrente. Um arco de elfo. O arco de elfo de Mark. O estômago de Mark se apertou.

“Magnus balançou a cabeça respondendo. ‘Anos atrás,’ disse ele, ‘eu tive um sonho recorrente, sobre uma cidade afogada em sangue. Torres feitas de osso e sangue correndo pelas ruas como água. Eu pensei que fosse sobre a Dark War, e de fato o sonho foi desaparecendo nos anos depois da guerra.’ Ele drenou seu copo e o abaixou. ‘Mas ultimamente eu venho sonhando com isso de novo. Não posso evitar pensar que algo está chegando.’”

“Em?” Ele olhou para ela, confuso, seus olhos sonhadores e quentes e esperando. Fez ela engolir com dificuldade. Mas as palavras dele ecoaram em sua cabeça: ele queria ela, e ela veio como se tivesse ouvido ele chamar — ela sentiu aquele querer, reconheceu isso, não sendo capaz de parar a si mesma.

Todas essas semanas insistindo para ela mesma que o laço parabatai estava enfraquecendo, e agora ele estava dizendo pra ela que eles praticamente liam a mente um do outro.

“Mark,” ela disse, e foi apenas uma palavra, mas foi a palavra, o lembrete mais brutal da situação deles. O olhar sonhador deixou os olhos dele; ele ficou pálido, horrorizado. Ele levantou uma mão como se fosse dizer algo — explicar, se desculpar — e o céu pareceu ter se partido no meio.

Eles viraram para encarar as nuvens bem acima deles, partidas. Uma sombra cresceu no ar, escurecendo conforme se aproximava deles: a figura de um homem, sólido e coberto de armaduras, montado em um cavalo de olhos vermelhos e malhado — preto e cinza, como as nuvens de tempestade acima deles.

Julian se moveu como se para colocar Emma atrás dele, mas ela não se moveu. Ela simplesmente encarou enquanto o cavalo relinchava, parando de cavalgar ao chegar nos degraus do Instituto. O homem olhou na direção deles.

Seus olhos, como os de Mark, eram de duas cores diferentes, nesse caso sendo azul e preto. Seu rosto era terrivelmente familiar. Era Gwyn ap Nudd, o senhor e líder da Caçada Selvagem. E ele não parecia satisfeito.

“Alec” Magnus disse, erguendo uma mão e sua voz era menos que um aviso mas não desprovida de algum tipo de urgência – a estranheza de Cárie tinha se infiltrado no recinto, e Magnus se moveu para proteger quem amava.

Kieran se encolheu, e Cristina viu a dor em seus olhos. Sentiu uma onda de dor simpática por ele. Deve ser horrível ficar sozinho.

Até mesmo Mark parecia aflito. “Eu não quis dizer isso, ” ele disse “Eu não sou apenas uma fada”

“E quão alegre você está sobre isso, ” disse Kieran “Tanto que você se vangloria disso em cada oportunidade”
“Por favor” disse Cristina “por favor, não briguem. Nós precisamos estar no mesmo lado disso”

Kieran virou os olhos intrigados para ela. Então ele se aproximou de Mark; Ele colocou suas mãos nos ombros de Mark. Eles estavam quase na mesma altura. Mark não desviou seu olhar. “Esse é o único jeito que eu sei que você não está mentindo” Kieran disse, e beijou o Mark na boca.

Um pulso de dor passou pelo punho de Cristina. Ela não tinha ideia se era aleatório ou algum reflexo da intensidade do que Mark estava sentindo. Não havia como rejeitar o beijo, não sem rejeitar Kieran e cortar a delicada cadeia de mentiras que mantinha o príncipe das fadas aqui.

Se, de fato, Mark não queria beijar o Kieran de volta. Cristina não podia dizer. Ele retribuiu o beijo com uma ferocidade igual a ferocidade que Cristina tinha visto nele a primeira vez que ela o viu com Kieran. Mas agora havia mais raiva no beijo. Ele agarrou os ombros de Kieran, seus dedos encravando; A força do beijo inclinou a cabeça de Kieran para trás. Ele sugou o lábio inferior de Kieran e mordeu, e Kieran ofegou.

“Você é gentil,” ele disse, “uma das pessoas mais gentis que eu conheci. Na Caçada não tinha muita gentileza. Quando eu penso que quando saiu a sentença da Paz Fria teve alguém a milhares de milhas distantes de Idris, alguém que nunca me conhecer, mas que chorou pelo garoto que foi abandonado…”

“Eu disse que eu não chorei.” A voz de Cristina falhou.

A mão de Mark era um borrão pálido. Ela sentiu os dedos dele contra seu rosto. Eles ficaram molhados, brilhando na luz da névoa. “Você está chorando agora,” ele disse.

Quando ela pegou na mão dele, estava úmida com suas próprias lágrimas. E quando ela se inclinou na direção dele na névoa, e beijou ele, ela sentiu o gosto salgado.

Por um momento, Mark ficou assustado, sem se mover, e Cristina sentiu uma onda de terror passar por ela, pior do que a visão de qualquer demônio. Que Mark não queria isso, que ele podia estar horrorizado.

“Cristina,” ele disse quando ela se afastou dele, e ficou sobre os joelhos, seu braço ficando em torno dela um pouco desajeitadamente, a mão dele se enterrando nos cabelos dela. “Cristina,” ele disse de novo, com uma pausa em…”

TRECHOS DE CORRENTE DE OURO
(AS ÚLTIMAS HORAS #1)

Obs: é possível que algum trecho seja de outro livro de As Últimas Horas.

James podia ver sua mãe se movendo como uma estrela pálida e ansiosa entre os convidados em seu vestido lilás, cumprimentando cada um deles calorosamente, dizendo boas-vindas a sua casa. Ela não colocou glamour nela mesma para parecer da mesma idade de seu marido naquela noite, e ela parecia extremamente jovem, apesar de seu cabelo ter sido arrumado como o de uma graciosa mulher mais velha, não o de uma garota. Quando Will se materializou para fora da multidão e colocou seus braços ao redor de Tessa, sorrindo para ela, o cinza em suas têmporas brilhou como prata. James desviou o olhar; ele amava seus pais por serem extraordinários, mas de vez em quando, também os odiava pela mesma razão.

“Cordelia Carstairs” Will disse, depois de saudar sua mãe. “Que bonita você se tornou.”

Cordelia sorriu. Se Will achava que ela era bonita, talvez seu filho pensasse assim também. É claro que Will era totalmente parcial a tudo relacionado aos Carstairs. Ele até pensou que Alastair era perfeito (e, possivelmente, bonito também.)

Cordelia olhou sobre seu ombro. “Isso é… Quer dizer, eu gostaria de conversar a sós com você também, mas estamos sendo terrivelmente rudes ao pedir para que seu irmão ande atrás de nós?”

“Nem um pouco,” Lucie assegurou. “Olhe para ele. Ele está bastante distraído, lendo.”

E ele realmente estava. James tinha um livro nas mãos e estava calmamente lendo enquanto caminhava. Embora ele parecesse inteiramente compenetrado em seja lá o que estivesse folheando, ele conseguia se desviar dos transeuntes, da ocasional pedra ou galho caído, e uma vez até mesmo de um garotinho segurando um aro, com admirável graça. Cordelia suspeitava que se ela mesma tentasse tais manobras, acabaria colidindo com uma árvore.

“Você é tão sortuda,” Cordelia disse, melancolicamente, ainda olhando para James.

“Minha nossa, por quê?” Lucie olhou para ela com olhos arregalados. Onde os olhos de James eram cor de âmbar, os de Lucie eram um bonito azul pálido, um tom mais claro que os de seu pai. Os famosos olhos azuis escuros dos Herondale tinham sido passados para os filhos da irmã de Will.

Cordelia voltou a cabeça para a frente. “Oh, porque –” Porque você pode passar seu tempo com o James todos os dias? Cordelia duvidava que Lucie pensasse que isso fosse algo especial; ninguém achava, quando o outro era parte da família. “Ele é um irmão mais velho tão bom. Se eu tivesse pedido para Alastair andar a dez passos atrás de mim em um parque, ele se certificaria de ficar ao meu lado o tempo todo só para ser irritante.”

“Pfft!” Lucie suspirou com força. “Claro que eu adoro o Jamie, mas ele tem sido terrível ultimamente, desde que se apaixonou.”

Ela poderia ao invés disso ter jogado algum objeto em chamas na cabeça de Cordelia. Tudo parecia estar flutuando confusamente ao redor dela. “Ele está o quê?”

“Apaixonado,” Lucie repetiu com o olhar de alguém adorando compartilhar uma fofoca. “Oh, ele não fala quem é, claro, porque é o Jamie, e ele nunca nos conta nada. Mas o papai o diagnosticou, e disse que definitivamente é amor.”

“Você faz isso soar como se fosse uma enfermidade.” A cabeça de Cordelia estava rodopiando fracamente. James apaixonado? Por quem? O olhar que ele tinha dado para ela quando ela saiu da carruagem… talvez ela tivesse imaginado aquilo?

“Bem, é um pouco, não é? Ele fica todo pálido, sensível, e olhando para fora da janela, como o John Keats.”

“E o Keats olhava para fora da janela? Eu não me recordo de ouvir sobre isso.”

Lucie se desanimou, resoluta pela questão de se o principal poeta romântico inglês olhava ou não para fora da janela.
“Ele não diz nada para ninguém, a não ser para o Matthew. E o Matthew é um túmulo quando se diz respeito às questões do James. Embora eu tenha ouvido um pouco da conversa deles, uma vez, por acidente-”

“Acidente?” Cordelia ergueu uma sobrancelha.

“Talvez eu tivesse me escondido embaixo de uma mesa,” disse Lucie, com dignidade. “Mas só porque eu tinha perdido um brinco, e estava procurando por ele.”

Cordelia conteu um sorriso. “Prossiga.”

“Ele definitivamente está apaixonado. O Matthew definitivamente pensa que ele está sendo um idiota. Ele não gosta dela.”

James não podia suportar o pensamento de como sua mãe se sentiria, se ela soubesse que havia o machucado de alguma forma. Se ele conseguisse aguentar a Academia, se ele pudesse fazer ela acreditar que não havia alguma diferença real para ele, isso a pouparia de sua dor.

Ele queria ir para casa. Ele não queria enfrentar ninguém na Academia. Ele era um covarde. Mas ele não era covarde o suficiente para correr de seu próprio sofrimento e deixar sua mãe sofrer por ele.

Você não é nem um pouco covarde, disse o Tio Jem. Eu lembro de um tempo, quando eu ainda era James Carstairs, quando sua mãe soube – conforme ela achava na época – que não poderia ter filhos. Ela ficou muito ferida por causa disso. Ela pensou que havia mudado muito da pessoa que antes achara que fosse. Eu disse a ela que o homem certo não se importaria, e claro que o seu pai, o melhor dos homens, o único adequado para ela, não se importou. Eu não contei à ela… Eu era um garoto e não sabia como contar a ela, como a sua coragem de suportar a incerteza de seu próprio ser me tocava. Ela duvidou de si mesma, mas eu nunca pude duvidar dela. Eu nunca poderia duvidar de você agora. Eu vejo a mesma coragem em você agora, como eu vi nela antes.

James chorou, esfregando seu rosto contra as vestes do Tio Jem, como se ele fosse menor que Lucie. Ele sabia que sua mãe era corajosa, mas certamente coragem não tinha essa sensação: ele achara que fosse uma sensação boa, não um sentimento que pudesse te quebrar em pedaços.

Se você visse a humanidade como eu posso ver, o Tio Jem disse, um sussurro em sua mente, como uma corda salva-vidas. Há muito brilho e calor no mundo para mim. Eu estou muito distantes de todos vocês. Há apenas quatro pontos de calor e brilho, em todo o mundo, os quais queimam suficientemente ardentes para que eu sinta algo como a pessoa que antes eu fora. Sua mãe, seu pai, Lucie e você. Seu amor, e tremor, e ardor. Não deixe que nenhum deles te diga quem você é.

“Quem é o garoto tropeçando nos próprios pés?” Cordelia perguntou enquanto o garoto em questão, um homem magro, jovem, manchado de tinta, com óculos e cabelos castanhos desgrenhados quase derrapou em Lucie e Matthew.

“É Christopher Lightwood. Meu primo. Alas, Christopher se sente muito mais em casa com beckers e tubos de ensaio do que com a presença feminina. Vamos apenas torcer que ele não atire a pobre Rosamund Townsend na mesa de petiscos.”

“Ele está apaixonado por ela?”

“Deus, não, ele mal a conhece,” disse James. “Charles e Daphne estão noivos, e Barbara Lightwood tem um entendimento com George Hayward. Além disso, não sei se consigo pensar em qualquer romance fermentando em nosso conjunto. Apesar de que ter você e Alastair aqui possa nos trazer alguma animação, Daisy.”

Seu coração saltou. “Eu não sabia que você se lembrava desse velho apelido.”

“Qual, Daisy?” Ele segurava ela próxima enquanto dançavam: ela podia sentir o calor do corpo dele todo contra o dela, fazendo ela formigar completamente. “Claro que eu lembro. Eu dei para você. Espero que você não queira que eu pare de usar.”

“Claro que não. Eu gosto dele.” Ela se forçou a não afastar seu olhar do dele. Deus, seu olhar estava surpreendentemente perto. Eles eram de uma cor dourada, quase se chocando contra o preto de suas pupilas. Ela já tinha escutado sussurros, conhecia pessoas que achavam os olhos dele estranhos, uma marca de sua diferença. Ela achava que eles eram adoráveis: a cor do fogo e do ouro, o jeito que ela imaginava o coração do sol. “Mas acho que não combina comigo. Daisy parece algo como uma pequena garota linda com fitas no cabelo.”

“Bom,” ele disse. “Você ao menos -”

Ele parou. Ela ouviu o barulho quando ele engoliu: ele estava olhando atrás dela, para alguém que tinha acabado de entrar na sala. Cordelia seguiu o olhar dele, e viu uma mulher alta, magra como um espantalho e vestida em preto como o luto, com o cabelo grisalho arrumado em um estilo de décadas atrás em cima da cabeça dela. Tessa estava apressada em volta dela, com um olhar preocupado no rosto. Will estava seguindo, e Deus, porque eles pareciam tão preocupados?

Assim que Tessa a alcançou, a mulher foi para o lado, revelando a garota que estava atrás dela. Uma garota vestida toda em marfim, com uma cachoeira suave de cachos em um louro dourado reunidos em volta do rosto dela. A garota se moveu graciosamente para cumprimentar Tessa e Will, e quando ela fez, James soltou a mão de Cordelia.

Eles não estavam mais dançando. Cordelia parou, congelada em confusão, enquanto James deixava ela sem falar nada e atravessava a sala em direção à garota.

Anna levantou a sobrancelha para James enquanto ele se virava, mas James ignorou. Anna tem levantado suas sobrancelhas para ele sua vida toda.

“Por favor, lembre-se que eu sou o único impulsivo pálido e você é o único sombrio da ninhada. É tedioso quando você mistura os nossos papéis.”

Um pedaço de Jordelia, a pedidos… Eu tive que procurar muito para achar algo sem spoilers. 

James e Matthew se separaram, Matthew para dançar com Lucie, e James para falar com seus pais. Cordelia viu-os olhar em sua direção e desviou o olhar rapidamente. Ainda, ela não estava totalmente surpresa quando James apareceu um momento depois em sua frente, mostrando um sorriso para seu tio e tia.

“Senhorita Carstairs,” ele disse, dando uma ligeira inclinada na direção de Cordelia. “Você poderia me acompanhar para uma dança?”

“É uma valsa”, disse a mãe de Cordelia, antes de Cordelia sequer falar. “Minha filha não sabe como dançar uma valsa.”

Cordelia mordeu o lábio. Ela certamente sabia dançar: sua mãe tinha contratado um instrutor especialista para ensiná-la a quadrilha e o ‘lancer’, o minueto senhorial e o ‘cotilion’. Mas a valsa era uma dança sedutora, onde você pode sentir o corpo de seu parceiro contra o seu, foi um escândalo quando se tornou popular.

Ela queria muito dançar valsa com James.

“O coração de James bateu errado em seu peito. ‘Nós éramos amigos de infância.”

“Para tomar chá com Anna Lightwood,” disse Cordelia. “Ela me convidou.”

“Você acha que ele está apaixonado?”, disse Anna. “As pessoas podem ser bastante horríveis quando elas estão apaixonadas.”

“Eu estou satisfeita – é a hora certa, eu acho, de mais garotas se tornarem parabatai entre si .

“Mas é sábio provar que James não é um lunático?”, disse Matthew.

“Will”, Tessa afundou-se ao lado dele na cama. “Não existe guerra”.

Jesse suspirou e olhou para o lustre. “Eu tenho duas idades”, ele disse. “Eu tenho vinte e quatro. E tenho dezesseis.”

“Ninguém nunca quer tomar chá,” disse Anna. “Chá é só uma desculpa para uma agenda clandestina.”

“Matthew me contou o que aconteceu no parque” Will falou em uma voz que ninguém além do James podia ouvir.James lançou um olhar traído a Matthew, quem deu de ombros e lhe ofereceu um meio sorriso. Matthew podia se convidar para fofocar sobre James se ele pensasse que era para seu próprio bem “Graças ao Anjo você tem Matthew e Thomas e Christopher” ele tocou o rosto de James “Eu me arrependo ter dito que sua geração estava desperdiçando seu tempo com festas, velejando e dançando. Tudo que eu quero para você é que seja capaz de divertir-se em uma forma sem sentido durante a paz e nunca, jamais, estar em perigo.”

James gritou. Relâmpagos pareciam bifurcar atrás de sua visão, e de repente ele estava de volta no Regent’s Park, ajoelhado na grama. Houve um aperto firme em seus ombros. “Jamie, Jamie, Jamie,” disse uma voz urgente, e James – o fôlego rasgando de dentro para fora de seu peito – tentou se concentrar no que estava na frente dele.

Matthew.

Tudo estava desfocado naquele momento além do rosto de Matthew, seus olhos verdes arregalados e escuros e firmes. Atrás dele outras figuras se moviam; eles pareciam naquele momento como as formas que James tinha encontrado nas nuvens – rudimentares e intocáveis.

“Jamie, respire,” disse Matthew, e a sua voz era a única coisa constante no mundo virando de cabeça para baixo. Faziam anos que isso não acontecia. Anos. O terror disso acontecendo na frente de uma multidão de pessoas —

“Eles me viram?” disse em uma voz falha. “Eles viram eu me transformar??”

“você não,” disse Matthew, “ou pelo menos, só um pouquinho — talvez só um pouco turvo nas bordas”

“Não é engraçado,” disse James entre dentes, mas o humor de Matthew foi como um balde de água fria; ele abriu os seus olhos completamente, viu Thomas e Christopher olhando para ele. Eles se posicionaram de certa forma que bloqueava-o da multidão nas bordas do lago.

“Levante-se,” disse Thomas. “É a melhor coisa que consegue fazer, James, vamos dizer para eles que você tropeçou e caiu.” Seus olgos castanhos estavam ansiosos, mas o seu tom era tranquilizador. “Honestamente toda a atenção estava em Ariadne — “

As mãos de Matthew nos ombros de James se tornou em um aperto em seus braços, e James foi levantado por seus três melhores amigos. Christopher elaborou um lenço de algum lugar e começou a espanar o seu colarinho.

“Chris,” disse Matthew. Ele era a única pessoa que usava esse apelido para Christopher além de Anna. “Pare. Quem se importa se ele está empoeirado? Ele estava invisível.”

“Mas não está mais,” Christopher apontou.

“Precisamos voltar ao Instituto,” disse Matthew a James em voz baixa. “Se você for começar a ficar todo — sombrio — sem razão, então os Irmão do Silêncio —”

“Não os Irmãos do Silêncio,” disse Thomas. “Somente Zachariah.”

Ele realmente tinha o rosto mais impressionante, Lucie pensou. Ela acreditava firmemente que estava tudo bem encarar as pessoas quando você é um escritor. Escritores necessitam reunir material. Era assim que era e sempre seria.

Codelia agarrou a mão de Lucie enquanto elas se sacudiam na carruagem Carstairs, rodeadas pelo tráfego de ônibus, motos e pedestres. Anúncios girando atrás delas. HOTEL HORSESHOE, THREE GUINEA STOUT. NEW PALACE STEAMERS. Placas de publicidade de alfaiates e peixarias, tônicos para cabelo e impressões baratas.
Matthew, sentado do outro lado do assento estofado da carruagem, murmurava e reclamava consigo mesmo, seu cabelo espetado não se comportava.
“doninhas,” ele murmurou. “mal educadas”
“O quê?” disse Lucie.
“Eu creio que ele tenha dito doninhas mal educadas,” disse Cordelia. “Mas de quem você está falando, Matthew? Você está bravo conosco?”
Matthew se jogou de lado, então suas longas pernas foram jogadas no assento em sua frente, e seu perfil ficou virado para Lucie e Cordelia. Era uma belo perfil: ele tinha características muito mais delicadas que seu irmão, que tinha um rosto forte, largo. Matthew tinha um rosto que parecia ter sido feito para ser pintado na China.
“Claro que não,” ele disse. “Apenas é terrível como todos eles tratam James.” Ele olhou para Cordelia, e depois para Lucie. “Ela sabe, não sabe?”

O mundo se tornou monocromático. James viu paredes quebradas e negras, um chão lascado, e poeira que brilhava como joias enfadonhas espalhadas pelo local onde Barbara havia caído.

De onde estavam, eles tinham uma visão perfeita de James, ereto e educado assim como Tatiana Blackthorn, usando um vestido rosa desbotado e manchado com marcas escuras, avançou sobre ele, uma tocha de luz de bruxa em sua mão.

Como se atreve a vir aqui, Will Herondale”, disse ela, num tom selvagem em sua voz. “O que ainda restou para você destruir? Você matou meu marido e meu pai –

Lucie fez um pequeno ruído choramingando. Cordelia agarrou a sua mão fria, apertando-a em conforto.
Esse é James”. Foi Grace, vestida com uma longa camisola branca com um roupão branco por cima. Chinelos brancos cobriam seus pés e seu cabelo loiro estava solto, caindo sobre os ombros. “Não é o Sr. Herondale, mamãe. É o filho dele.

Um snippet de Anna Lightwood de TLH:

Anna Lightwood vivia na Percy Street, uma pequena viela próxima da Tottenhan Court Road. Era formada por longas fileiras de casas de tijolos vermelhos que pareciam todas iguais. Todas tinham janelas com moldura, portas brancas, chaminés de tijolos, pequenos conjuntos de degraus e uma cerca na entrada dos serventes feita de ferro forjado preto.

Nas escadas em frente ao número 30, uma garota estava sentada chorando. Ela era uma garota muito fashion, em um curto vestido azul de um tecido leve, com laços e babados sobre a saia. Ela usava uma faixa na cabeça enfeitada com rosas de seda, e elas tremiam enquanto ela chorava.

Cordelia checou o endereço que ela tinha anotado novamente, esperando que tivesse mudado. Não, definitivamente número 30. Ela piscou, ergueu os ombros e se aproximou.

“Desculpe-me”, ela disse, enquanto alcançava as escadas. A garota as estava bloqueando completamente; não havia nenhuma maneira de ultrapassá-la educadamente “Eu estou aqui para ver Anna Lightwood?”

A cabeça da garota se ergueu. Ela era muito bonita: loura com bochechas rosadas, apesar de estar chorando. Ela lançou a Cordelia um profundo olhar de desconfiança “Quem é você, então?”

“Eu, ah…” Cordelia chegou mais perto da garota. Definitivamente uma mundana: sem runas, sem glamour. “Eu sou prima dela?”

“Oh.” Um pouco da suspeita sumiu do rosto da garota. “Eu – eu estou aqui porque -” ela rompeu em lágrimas novamente.

“Posso perguntar qual é o problema? Há algo que eu possa fazer?” Cordelia perguntou, embora temesse descobrir o porque já que parecia o tipo de coisa onde ela teria de descobrir uma solução.

“Anna,” a garota lamentou. “Eu a amava – eu ainda amo! Teria desistido de tudo por ela, tudo isso, a sociedade educada e todas as suas regras, só para ficar com ela, mas ela me enxotou como um cachorro nas ruas!”

“Agora, Emmeline,” chamou uma voz, e Cordelia olhou para cima para ver Anna se inclinando para fora, em uma janela acima das escadas. Ela estava usando uma beca masculina roxa e delicados detalhes dourados, e seu cabelo era uma touca de pequenas e soltas ondas. “Você não pode dizer que foi enxotada como um cachorro quando voc~e tem sua mamãe, dois mordomos, e um criado vindo até você.” Ela acenou. “Olá, Cordelia.”

“Oh, querida,” disse Cordelia, e deu um tapinha gentil no ombro de Emmeline.

“Além disso, Emmeline,” Anna disse. “Você vai se casar Quarta. Com um barão”

“Eu não quero ele!” Emmeline ficou de pé. “Eu quero você!”

“Não,” disse Anna “Você quer um barão.”

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Will estava sentado no chão, o tapete amontoado debaixo dos pés, com as costas contra as pernas de Tessa. Ele levantou os olhos quando Jem entrou, e Jem, com suas vestes de Irmão do Silêncio, foi até Will e se sentou ao lado dele. Ele puxou a cabeça de Will contra seu ombro, e Will segurou a frente das vestes de Jem com seus punhos e chorou. Foi a primeira vez que James pensou que seu pai poderia chorar por qualquer coisa. – Chain of Gold, 1º livro de The Last Hours

Cordelia estava sozinha no corredor. Curvando os ombros, ela abriu a porta do quarto de James.
Ela nunca estivera no quarto de um menino antes, e era uma ação escandalosa entrar em um agora, mas o significado disso parecia pequeno, comparado a sua preocupação. James estava meio debaixo das cobertas da cama, movendo-se inquieto de um lado para o outro, seu rosto corado de febre. Suas roupas noturnas estavam coladas a ele, molhadas de suor. Era um dia brilhante lá fora e a luz do sol atravessava a sala iluminando as tigelas de ervas que Enoch deixara para trás.
James rolou em sua direção. Seus olhos, a cor da luz do sol, piscavam lentamente. – Matthew? – ele disse. – Matthew, é você?

TRECHOS NÃO IDENTIFICADOS

Podem ser de Os Artifícios das Trevas, As Últimas Horas ou The Wicked Powers

 

Case-se comigo hoje.

 

Ele beijou cada dedo, e em cada um deles falou uma palavra. Cinco dedos, cinco palavras. Suas últimas.

 

“Você está em meus ossos, e em meu sangue, e em meu coração” – ele dise – “Eu teria que me rasgar ao meio para deixar que você vá”.

 

“Oh, Deus, os pombinhos.” – Magnus disse – “Eu odeio casais felizes”.

 

Tardiamente, ela percebeu algo diferente. “Você… tem alguma?”
Ele não parecia ter se recuperado do último comentário dela. “Mas o que você quer dizer—espere, eu tenho o que?”
Ela piscou os olhos para ele. “Algo importante.”
“Como o quê? O número de telefone para a Casa Branca?” Um momento depois, sob o olhar fulminante dela, a realização veio. “Oh.” A expressão dele era a de alguém que ficou sem gasolina no meio do deserto, a quilômetros de ajuda. “Eu…”

 

E se eu simplesmente te amar?
E se eu te amar mas nunca te tocar ou nunca falar sobre isso, o que aconteceria então?

“Eles dizem que é melhor conhecer o seu inimigo, mas como ajuda saber que a unica fraqueza do seu inimigo é a sua fraqueza também?”

 

Bem, é um pouco irônico, não é?”
“O que você quer dizer?”
“Todo esse esforço para convencer você de que eu não era apaixonado(a) por você, e aqui estou eu, morrendo em seus braços.”

 

O rosto dele se enrugou. “Ele me odeia,” ele disse. “Tudo que eu faço é amá-lo, mas ele me odeia, ele simplesmente me odeia, eu não sei porquê”.