Snippets

Saiba tudo sobre os livros do universo dos Caçadores de Sombras. Clique aqui.

Aqui você encontrará trechos dos livros ainda não lançados, que foram liberados pela própria Cassandra Clare.
Todos os trechos foram retirados do tumblr ou redes sociais da Cassandra Clare.

Lembrando que, por serem trechos muitas vezes divulgados muito antes do lançamento dos livros, eles podem acabar sendo alterados ou retirados da versão final do livro.

Contém SPOILERS de livros ainda não lançados.


TRECHOS DE RAINHA DO AR E DA ESCURIDÃO
(OS ARTIFÍCIOS DAS TREVAS #3)

Mark bateu, e um estressado e preocupado Simon Lewis abriu a porta.

“Eu não consigo fazer isso.” Helen tentou manter sua voz estável, mas foi quase impossível. Ela esperava que a tensão ficasse coberta pelo som das ondas quebrando abaixo delas, mas Aline conhecia ela bem demais. Ela podia sentir que Helen estava triste, mesmo que ela tentava tanto não demonstrar.

“Baby,” Aline se aproximou, colocando os braços em torno de Helen, roçando os lábios nos dela suavemente. “Você pode. Você pode qualquer coisa.”

Helen relaxou nos braços da esposa dela. Quando ela conheceu Aline a primeira vez, ela pensou que a outra garota era mais alta que ela, mas percebeu um tempo depois que era o jeito que Aline se portava. A Consul, mãe dela, se portava do mesmo jeito e com o mesmo orgulho — não que alguma delas fosse arrogante, mas a palavra parecia um tom mais próximo do que Helen imaginava do que simples confiança. Ela lembrava o primeiro bilhete de amor que Aline tinha escrito para ela. As curvas dos seus lábios reescrevem a história. O mundo está diferente porque você é feita de marfim e ouro. Depois, ela descobriu que era uma frase de Oscar Wilde, e disse para Aline, sorrindo, Você tem muita coragem.

Aline tinha olhado para ela no mesmo instante. “Eu sei. Eu tenho.”

Elas duas tiveram, sempre, e isso colocava elas em um lugar bom. Mas isso —

“Isso é diferente,” Helen disse. “Eles não me querem aqui —”

“Eles querem você aqui.”

“Eles nem me conhecem,” Helen disse. “Isso é pior.”

O medo percorreu para cima e para baixo nos braços de Emma, como arrepios. Desde que tinha doze anos, ela se sentia aterrorizada com o oceano: ela sempre acreditou que seus pais haviam morrido nas águas, puxados para baixo da superfície por algo que só Raziel sabia o que, sufocados na água do mar amargo. O aumento e o ruído das ondas, o veludo preto imaginado das profundezas do oceano, tinham preenchido seus pesadelos.

Mesmo quando descobriu que seus pais haviam sido assassinados em terra firme por Malcolm Fade, seus corpos jogados no mar depois da morte, o medo permaneceu. Ela aceitava isso agora, dava-lhe as boas-vindas. Ela podia sentir isso preenchendo os espaços vazios, os vazios deixados pelo sofrimento.

Ela olhou de volta para o mar. O turbilhão crescente abaixo, as ondas batendo como paredes azuis escuras contra agulhas de pedra, pareciam uma pintura de um turbilhão, uma fotografia de uma paisagem natural tirada de uma distância segura.

O vento gritou nos ouvidos de Emma como um aviso. Outra onda se atirou contra os penhascos, enviando uma explosão de spray. Emma sorriu sombriamente para o vento e sal, e pulou.

Kit olhou ao redor, se perguntando se o crescente número de pessoas estava incomodando Ty. Ele odiava multidões. Magnus e Alec estavam de pé com seus filhos perto da consulesa; Eles estavam com uma bela garota de cabelos negros que tinha as sobrancelhas iguais as de Alec e um garoto – bem, ele provavelmente tinha vinte e poucos anos – com cabelos castanhos descuidados. O garoto deu a Kit um olhar pensativo que parecia dizer você parece familiar. Várias pessoas fizeram o mesmo. Kit adivinhou que era porque ele se parecia com Jace, se Jace tivesse sofrido uma súbita e inesperada redução muscular e perda geral de gostosura.

TRECHOS DE CORRENTE DE OURO
(AS ÚLTIMAS HORAS #1)

Obs: é possível que algum trecho seja de outro livro de As Últimas Horas.

James podia ver sua mãe se movendo como uma estrela pálida e ansiosa entre os convidados em seu vestido lilás, cumprimentando cada um deles calorosamente, dizendo boas-vindas a sua casa. Ela não colocou glamour nela mesma para parecer da mesma idade de seu marido naquela noite, e ela parecia extremamente jovem, apesar de seu cabelo ter sido arrumado como o de uma graciosa mulher mais velha, não o de uma garota. Quando Will se materializou para fora da multidão e colocou seus braços ao redor de Tessa, sorrindo para ela, o cinza em suas têmporas brilhou como prata. James desviou o olhar; ele amava seus pais por serem extraordinários, mas de vez em quando, também os odiava pela mesma razão.

“Cordelia Carstairs” Will disse, depois de saudar sua mãe. “Que bonita você se tornou.”

Cordelia sorriu. Se Will achava que ela era bonita, talvez seu filho pensasse assim também. É claro que Will era totalmente parcial a tudo relacionado aos Carstairs. Ele até pensou que Alastair era perfeito (e, possivelmente, bonito também.)

Cordelia olhou sobre seu ombro. “Isso é… Quer dizer, eu gostaria de conversar a sós com você também, mas estamos sendo terrivelmente rudes ao pedir para que seu irmão ande atrás de nós?”

“Nem um pouco,” Lucie assegurou. “Olhe para ele. Ele está bastante distraído, lendo.”

E ele realmente estava. James tinha um livro nas mãos e estava calmamente lendo enquanto caminhava. Embora ele parecesse inteiramente compenetrado em seja lá o que estivesse folheando, ele conseguia se desviar dos transeuntes, da ocasional pedra ou galho caído, e uma vez até mesmo de um garotinho segurando um aro, com admirável graça. Cordelia suspeitava que se ela mesma tentasse tais manobras, acabaria colidindo com uma árvore.

“Você é tão sortuda,” Cordelia disse, melancolicamente, ainda olhando para James.

“Minha nossa, por quê?” Lucie olhou para ela com olhos arregalados. Onde os olhos de James eram cor de âmbar, os de Lucie eram um bonito azul pálido, um tom mais claro que os de seu pai. Os famosos olhos azuis escuros dos Herondale tinham sido passados para os filhos da irmã de Will.

Cordelia voltou a cabeça para a frente. “Oh, porque –” Porque você pode passar seu tempo com o James todos os dias? Cordelia duvidava que Lucie pensasse que isso fosse algo especial; ninguém achava, quando o outro era parte da família. “Ele é um irmão mais velho tão bom. Se eu tivesse pedido para Alastair andar a dez passos atrás de mim em um parque, ele se certificaria de ficar ao meu lado o tempo todo só para ser irritante.”

“Pfft!” Lucie suspirou com força. “Claro que eu adoro o Jamie, mas ele tem sido terrível ultimamente, desde que se apaixonou.”

Ela poderia ao invés disso ter jogado algum objeto em chamas na cabeça de Cordelia. Tudo parecia estar flutuando confusamente ao redor dela. “Ele está o quê?”

“Apaixonado,” Lucie repetiu com o olhar de alguém adorando compartilhar uma fofoca. “Oh, ele não fala quem é, claro, porque é o Jamie, e ele nunca nos conta nada. Mas o papai o diagnosticou, e disse que definitivamente é amor.”

“Você faz isso soar como se fosse uma enfermidade.” A cabeça de Cordelia estava rodopiando fracamente. James apaixonado? Por quem? O olhar que ele tinha dado para ela quando ela saiu da carruagem… talvez ela tivesse imaginado aquilo?

“Bem, é um pouco, não é? Ele fica todo pálido, sensível, e olhando para fora da janela, como o John Keats.”

“E o Keats olhava para fora da janela? Eu não me recordo de ouvir sobre isso.”

Lucie se desanimou, resoluta pela questão de se o principal poeta romântico inglês olhava ou não para fora da janela.
“Ele não diz nada para ninguém, a não ser para o Matthew. E o Matthew é um túmulo quando se diz respeito às questões do James. Embora eu tenha ouvido um pouco da conversa deles, uma vez, por acidente-”

“Acidente?” Cordelia ergueu uma sobrancelha.

“Talvez eu tivesse me escondido embaixo de uma mesa,” disse Lucie, com dignidade. “Mas só porque eu tinha perdido um brinco, e estava procurando por ele.”

Cordelia conteu um sorriso. “Prossiga.”

“Ele definitivamente está apaixonado. O Matthew definitivamente pensa que ele está sendo um idiota. Ele não gosta dela.”

James não podia suportar o pensamento de como sua mãe se sentiria, se ela soubesse que havia o machucado de alguma forma. Se ele conseguisse aguentar a Academia, se ele pudesse fazer ela acreditar que não havia alguma diferença real para ele, isso a pouparia de sua dor.

Ele queria ir para casa. Ele não queria enfrentar ninguém na Academia. Ele era um covarde. Mas ele não era covarde o suficiente para correr de seu próprio sofrimento e deixar sua mãe sofrer por ele.

Você não é nem um pouco covarde, disse o Tio Jem. Eu lembro de um tempo, quando eu ainda era James Carstairs, quando sua mãe soube – conforme ela achava na época – que não poderia ter filhos. Ela ficou muito ferida por causa disso. Ela pensou que havia mudado muito da pessoa que antes achara que fosse. Eu disse a ela que o homem certo não se importaria, e claro que o seu pai, o melhor dos homens, o único adequado para ela, não se importou. Eu não contei à ela… Eu era um garoto e não sabia como contar a ela, como a sua coragem de suportar a incerteza de seu próprio ser me tocava. Ela duvidou de si mesma, mas eu nunca pude duvidar dela. Eu nunca poderia duvidar de você agora. Eu vejo a mesma coragem em você agora, como eu vi nela antes.

James chorou, esfregando seu rosto contra as vestes do Tio Jem, como se ele fosse menor que Lucie. Ele sabia que sua mãe era corajosa, mas certamente coragem não tinha essa sensação: ele achara que fosse uma sensação boa, não um sentimento que pudesse te quebrar em pedaços.

Se você visse a humanidade como eu posso ver, o Tio Jem disse, um sussurro em sua mente, como uma corda salva-vidas. Há muito brilho e calor no mundo para mim. Eu estou muito distantes de todos vocês. Há apenas quatro pontos de calor e brilho, em todo o mundo, os quais queimam suficientemente ardentes para que eu sinta algo como a pessoa que antes eu fora. Sua mãe, seu pai, Lucie e você. Seu amor, e tremor, e ardor. Não deixe que nenhum deles te diga quem você é.

“Quem é o garoto tropeçando nos próprios pés?” Cordelia perguntou enquanto o garoto em questão, um homem magro, jovem, manchado de tinta, com óculos e cabelos castanhos desgrenhados quase derrapou em Lucie e Matthew.

“É Christopher Lightwood. Meu primo. Alas, Christopher se sente muito mais em casa com beckers e tubos de ensaio do que com a presença feminina. Vamos apenas torcer que ele não atire a pobre Rosamund Townsend na mesa de petiscos.”

“Ele está apaixonado por ela?”

“Deus, não, ele mal a conhece,” disse James. “Charles e Daphne estão noivos, e Barbara Lightwood tem um entendimento com George Hayward. Além disso, não sei se consigo pensar em qualquer romance fermentando em nosso conjunto. Apesar de que ter você e Alastair aqui possa nos trazer alguma animação, Daisy.”

Seu coração saltou. “Eu não sabia que você se lembrava desse velho apelido.”

“Qual, Daisy?” Ele segurava ela próxima enquanto dançavam: ela podia sentir o calor do corpo dele todo contra o dela, fazendo ela formigar completamente. “Claro que eu lembro. Eu dei para você. Espero que você não queira que eu pare de usar.”

“Claro que não. Eu gosto dele.” Ela se forçou a não afastar seu olhar do dele. Deus, seu olhar estava surpreendentemente perto. Eles eram de uma cor dourada, quase se chocando contra o preto de suas pupilas. Ela já tinha escutado sussurros, conhecia pessoas que achavam os olhos dele estranhos, uma marca de sua diferença. Ela achava que eles eram adoráveis: a cor do fogo e do ouro, o jeito que ela imaginava o coração do sol. “Mas acho que não combina comigo. Daisy parece algo como uma pequena garota linda com fitas no cabelo.”

“Bom,” ele disse. “Você ao menos -”

Ele parou. Ela ouviu o barulho quando ele engoliu: ele estava olhando atrás dela, para alguém que tinha acabado de entrar na sala. Cordelia seguiu o olhar dele, e viu uma mulher alta, magra como um espantalho e vestida em preto como o luto, com o cabelo grisalho arrumado em um estilo de décadas atrás em cima da cabeça dela. Tessa estava apressada em volta dela, com um olhar preocupado no rosto. Will estava seguindo, e Deus, porque eles pareciam tão preocupados?

Assim que Tessa a alcançou, a mulher foi para o lado, revelando a garota que estava atrás dela. Uma garota vestida toda em marfim, com uma cachoeira suave de cachos em um louro dourado reunidos em volta do rosto dela. A garota se moveu graciosamente para cumprimentar Tessa e Will, e quando ela fez, James soltou a mão de Cordelia.

Eles não estavam mais dançando. Cordelia parou, congelada em confusão, enquanto James deixava ela sem falar nada e atravessava a sala em direção à garota.

Anna levantou a sobrancelha para James enquanto ele se virava, mas James ignorou. Anna tem levantado suas sobrancelhas para ele sua vida toda.

“Por favor, lembre-se que eu sou o único impulsivo pálido e você é o único sombrio da ninhada. É tedioso quando você mistura os nossos papéis.”

Um pedaço de Jordelia, a pedidos… Eu tive que procurar muito para achar algo sem spoilers. 

James e Matthew se separaram, Matthew para dançar com Lucie, e James para falar com seus pais. Cordelia viu-os olhar em sua direção e desviou o olhar rapidamente. Ainda, ela não estava totalmente surpresa quando James apareceu um momento depois em sua frente, mostrando um sorriso para seu tio e tia.

“Senhorita Carstairs,” ele disse, dando uma ligeira inclinada na direção de Cordelia. “Você poderia me acompanhar para uma dança?”

“É uma valsa”, disse a mãe de Cordelia, antes de Cordelia sequer falar. “Minha filha não sabe como dançar uma valsa.”

Cordelia mordeu o lábio. Ela certamente sabia dançar: sua mãe tinha contratado um instrutor especialista para ensiná-la a quadrilha e o ‘lancer’, o minueto senhorial e o ‘cotilion’. Mas a valsa era uma dança sedutora, onde você pode sentir o corpo de seu parceiro contra o seu, foi um escândalo quando se tornou popular.

Ela queria muito dançar valsa com James.

“O coração de James bateu errado em seu peito. ‘Nós éramos amigos de infância.”

“Para tomar chá com Anna Lightwood,” disse Cordelia. “Ela me convidou.”

“Você acha que ele está apaixonado?”, disse Anna. “As pessoas podem ser bastante horríveis quando elas estão apaixonadas.”

“Eu estou satisfeita – é a hora certa, eu acho, de mais garotas se tornarem parabatai entre si .

“Mas é sábio provar que James não é um lunático?”, disse Matthew.

“Will”, Tessa afundou-se ao lado dele na cama. “Não existe guerra”.

Jesse suspirou e olhou para o lustre. “Eu tenho duas idades”, ele disse. “Eu tenho vinte e quatro. E tenho dezesseis.”

“Ninguém nunca quer tomar chá,” disse Anna. “Chá é só uma desculpa para uma agenda clandestina.”

“Matthew me contou o que aconteceu no parque” Will falou em uma voz que ninguém além do James podia ouvir.James lançou um olhar traído a Matthew, quem deu de ombros e lhe ofereceu um meio sorriso. Matthew podia se convidar para fofocar sobre James se ele pensasse que era para seu próprio bem “Graças ao Anjo você tem Matthew e Thomas e Christopher” ele tocou o rosto de James “Eu me arrependo ter dito que sua geração estava desperdiçando seu tempo com festas, velejando e dançando. Tudo que eu quero para você é que seja capaz de divertir-se em uma forma sem sentido durante a paz e nunca, jamais, estar em perigo.”

James gritou. Relâmpagos pareciam bifurcar atrás de sua visão, e de repente ele estava de volta no Regent’s Park, ajoelhado na grama. Houve um aperto firme em seus ombros. “Jamie, Jamie, Jamie,” disse uma voz urgente, e James – o fôlego rasgando de dentro para fora de seu peito – tentou se concentrar no que estava na frente dele.

Matthew.

Tudo estava desfocado naquele momento além do rosto de Matthew, seus olhos verdes arregalados e escuros e firmes. Atrás dele outras figuras se moviam; eles pareciam naquele momento como as formas que James tinha encontrado nas nuvens – rudimentares e intocáveis.

“Jamie, respire,” disse Matthew, e a sua voz era a única coisa constante no mundo virando de cabeça para baixo. Faziam anos que isso não acontecia. Anos. O terror disso acontecendo na frente de uma multidão de pessoas —

“Eles me viram?” disse em uma voz falha. “Eles viram eu me transformar??”

“você não,” disse Matthew, “ou pelo menos, só um pouquinho — talvez só um pouco turvo nas bordas”

“Não é engraçado,” disse James entre dentes, mas o humor de Matthew foi como um balde de água fria; ele abriu os seus olhos completamente, viu Thomas e Christopher olhando para ele. Eles se posicionaram de certa forma que bloqueava-o da multidão nas bordas do lago.

“Levante-se,” disse Thomas. “É a melhor coisa que consegue fazer, James, vamos dizer para eles que você tropeçou e caiu.” Seus olgos castanhos estavam ansiosos, mas o seu tom era tranquilizador. “Honestamente toda a atenção estava em Ariadne — “

As mãos de Matthew nos ombros de James se tornou em um aperto em seus braços, e James foi levantado por seus três melhores amigos. Christopher elaborou um lenço de algum lugar e começou a espanar o seu colarinho.

“Chris,” disse Matthew. Ele era a única pessoa que usava esse apelido para Christopher além de Anna. “Pare. Quem se importa se ele está empoeirado? Ele estava invisível.”

“Mas não está mais,” Christopher apontou.

“Precisamos voltar ao Instituto,” disse Matthew a James em voz baixa. “Se você for começar a ficar todo — sombrio — sem razão, então os Irmão do Silêncio —”

“Não os Irmãos do Silêncio,” disse Thomas. “Somente Zachariah.”

Ele realmente tinha o rosto mais impressionante, Lucie pensou. Ela acreditava firmemente que estava tudo bem encarar as pessoas quando você é um escritor. Escritores necessitam reunir material. Era assim que era e sempre seria.

Codelia agarrou a mão de Lucie enquanto elas se sacudiam na carruagem Carstairs, rodeadas pelo tráfego de ônibus, motos e pedestres. Anúncios girando atrás delas. HOTEL HORSESHOE, THREE GUINEA STOUT. NEW PALACE STEAMERS. Placas de publicidade de alfaiates e peixarias, tônicos para cabelo e impressões baratas.
Matthew, sentado do outro lado do assento estofado da carruagem, murmurava e reclamava consigo mesmo, seu cabelo espetado não se comportava.
“doninhas,” ele murmurou. “mal educadas”
“O quê?” disse Lucie.
“Eu creio que ele tenha dito doninhas mal educadas,” disse Cordelia. “Mas de quem você está falando, Matthew? Você está bravo conosco?”
Matthew se jogou de lado, então suas longas pernas foram jogadas no assento em sua frente, e seu perfil ficou virado para Lucie e Cordelia. Era uma belo perfil: ele tinha características muito mais delicadas que seu irmão, que tinha um rosto forte, largo. Matthew tinha um rosto que parecia ter sido feito para ser pintado na China.
“Claro que não,” ele disse. “Apenas é terrível como todos eles tratam James.” Ele olhou para Cordelia, e depois para Lucie. “Ela sabe, não sabe?”

O mundo se tornou monocromático. James viu paredes quebradas e negras, um chão lascado, e poeira que brilhava como joias enfadonhas espalhadas pelo local onde Barbara havia caído.

De onde estavam, eles tinham uma visão perfeita de James, ereto e educado assim como Tatiana Blackthorn, usando um vestido rosa desbotado e manchado com marcas escuras, avançou sobre ele, uma tocha de luz de bruxa em sua mão.

Como se atreve a vir aqui, Will Herondale”, disse ela, num tom selvagem em sua voz. “O que ainda restou para você destruir? Você matou meu marido e meu pai –

Lucie fez um pequeno ruído choramingando. Cordelia agarrou a sua mão fria, apertando-a em conforto.
Esse é James”. Foi Grace, vestida com uma longa camisola branca com um roupão branco por cima. Chinelos brancos cobriam seus pés e seu cabelo loiro estava solto, caindo sobre os ombros. “Não é o Sr. Herondale, mamãe. É o filho dele.

Um snippet de Anna Lightwood de TLH:

Anna Lightwood vivia na Percy Street, uma pequena viela próxima da Tottenhan Court Road. Era formada por longas fileiras de casas de tijolos vermelhos que pareciam todas iguais. Todas tinham janelas com moldura, portas brancas, chaminés de tijolos, pequenos conjuntos de degraus e uma cerca na entrada dos serventes feita de ferro forjado preto.

Nas escadas em frente ao número 30, uma garota estava sentada chorando. Ela era uma garota muito fashion, em um curto vestido azul de um tecido leve, com laços e babados sobre a saia. Ela usava uma faixa na cabeça enfeitada com rosas de seda, e elas tremiam enquanto ela chorava.

Cordelia checou o endereço que ela tinha anotado novamente, esperando que tivesse mudado. Não, definitivamente número 30. Ela piscou, ergueu os ombros e se aproximou.

“Desculpe-me”, ela disse, enquanto alcançava as escadas. A garota as estava bloqueando completamente; não havia nenhuma maneira de ultrapassá-la educadamente “Eu estou aqui para ver Anna Lightwood?”

A cabeça da garota se ergueu. Ela era muito bonita: loura com bochechas rosadas, apesar de estar chorando. Ela lançou a Cordelia um profundo olhar de desconfiança “Quem é você, então?”

“Eu, ah…” Cordelia chegou mais perto da garota. Definitivamente uma mundana: sem runas, sem glamour. “Eu sou prima dela?”

“Oh.” Um pouco da suspeita sumiu do rosto da garota. “Eu – eu estou aqui porque -” ela rompeu em lágrimas novamente.

“Posso perguntar qual é o problema? Há algo que eu possa fazer?” Cordelia perguntou, embora temesse descobrir o porque já que parecia o tipo de coisa onde ela teria de descobrir uma solução.

“Anna,” a garota lamentou. “Eu a amava – eu ainda amo! Teria desistido de tudo por ela, tudo isso, a sociedade educada e todas as suas regras, só para ficar com ela, mas ela me enxotou como um cachorro nas ruas!”

“Agora, Emmeline,” chamou uma voz, e Cordelia olhou para cima para ver Anna se inclinando para fora, em uma janela acima das escadas. Ela estava usando uma beca masculina roxa e delicados detalhes dourados, e seu cabelo era uma touca de pequenas e soltas ondas. “Você não pode dizer que foi enxotada como um cachorro quando voc~e tem sua mamãe, dois mordomos, e um criado vindo até você.” Ela acenou. “Olá, Cordelia.”

“Oh, querida,” disse Cordelia, e deu um tapinha gentil no ombro de Emmeline.

“Além disso, Emmeline,” Anna disse. “Você vai se casar Quarta. Com um barão”

“Eu não quero ele!” Emmeline ficou de pé. “Eu quero você!”

“Não,” disse Anna “Você quer um barão.”

Clique aqui para ver uma imagem snippet

Will estava sentado no chão, o tapete amontoado debaixo dos pés, com as costas contra as pernas de Tessa. Ele levantou os olhos quando Jem entrou, e Jem, com suas vestes de Irmão do Silêncio, foi até Will e se sentou ao lado dele. Ele puxou a cabeça de Will contra seu ombro, e Will segurou a frente das vestes de Jem com seus punhos e chorou. Foi a primeira vez que James pensou que seu pai poderia chorar por qualquer coisa. – Chain of Gold, 1º livro de The Last Hours

Cordelia estava sozinha no corredor. Curvando os ombros, ela abriu a porta do quarto de James.
Ela nunca estivera no quarto de um menino antes, e era uma ação escandalosa entrar em um agora, mas o significado disso parecia pequeno, comparado a sua preocupação. James estava meio debaixo das cobertas da cama, movendo-se inquieto de um lado para o outro, seu rosto corado de febre. Suas roupas noturnas estavam coladas a ele, molhadas de suor. Era um dia brilhante lá fora e a luz do sol atravessava a sala iluminando as tigelas de ervas que Enoch deixara para trás.
James rolou em sua direção. Seus olhos, a cor da luz do sol, piscavam lentamente. – Matthew? – ele disse. – Matthew, é você?

TRECHOS NÃO IDENTIFICADOS

Podem ser de Os Artifícios das Trevas, As Últimas Horas ou The Wicked Powers

 

Case-se comigo hoje.

 

Ele beijou cada dedo, e em cada um deles falou uma palavra. Cinco dedos, cinco palavras. Suas últimas.

 

“Você está em meus ossos, e em meu sangue, e em meu coração” – ele dise – “Eu teria que me rasgar ao meio para deixar que você vá”.

 

“Oh, Deus, os pombinhos.” – Magnus disse – “Eu odeio casais felizes”.

 

Tardiamente, ela percebeu algo diferente. “Você… tem alguma?”
Ele não parecia ter se recuperado do último comentário dela. “Mas o que você quer dizer—espere, eu tenho o que?”
Ela piscou os olhos para ele. “Algo importante.”
“Como o quê? O número de telefone para a Casa Branca?” Um momento depois, sob o olhar fulminante dela, a realização veio. “Oh.” A expressão dele era a de alguém que ficou sem gasolina no meio do deserto, a quilômetros de ajuda. “Eu…”

 

E se eu simplesmente te amar?
E se eu te amar mas nunca te tocar ou nunca falar sobre isso, o que aconteceria então?

“Eles dizem que é melhor conhecer o seu inimigo, mas como ajuda saber que a unica fraqueza do seu inimigo é a sua fraqueza também?”

 

Bem, é um pouco irônico, não é?”
“O que você quer dizer?”
“Todo esse esforço para convencer você de que eu não era apaixonado(a) por você, e aqui estou eu, morrendo em seus braços.”

 

O rosto dele se enrugou. “Ele me odeia,” ele disse. “Tudo que eu faço é amá-lo, mas ele me odeia, ele simplesmente me odeia, eu não sei porquê”.