Aqui está uma pequena diversão vinda do passado – esta é uma cena deletada de “Dama da meia-noite”! Como a cena nunca chegou a versão final do livro, ela não foi verificada e, portanto, pode haver algumas inconsistências entre ela e o restante de TDA. Aproveitem! – Cassandra Clare (newsletter – novembro 2018)

Emma descobriu as cavernas do mar quando tinha onze anos de idade. Ela estava na praia com seus pais quando as encontrou – grandes dedos de rocha cinza alcançando o oceano, e passando através deles, como túneis na pedra, estavam as cavernas. Estavam abertas para o oceano em ambas as extremidades e cheiravam deliciosamente, como água do mar, pedras molhadas e coisas sombrias e secretas.

Ela tinha treze anos quando ela e Julian declararam as cavernas do mar como o local oficial de seus encontros. Se alguma coisa acontecesse no Instituto – e ambos tiveram pesadelos sobre isso, desde o ataque durante a Guerra Maligna – eles se encontrariam nas cavernas.

Ela tinha quatorze anos quando mostrou as cavernas do mar pela primeira vez para Cameron Ashdown.

Os Ashdowns vieram para Los Angeles após a Guerra Maligna, situando-se facilmente entre o pequeno Conclave dos Caçadores de Sombras que viviam na cidade. Embora todos os conclaves fossem pequenos agora, desde as mortes na guerra. A Clave estava fazendo tudo o que podia para rastrear todos os mundanos rebeldes que poderiam ter uma gota de sangue Nephilim, mesmo que sua família tivesse deixado os Caçadores de Sombras há gerações atrás. Ainda assim, seriam décadas antes que eles tivessem a força que já tiveram.

Cameron, seus pais e sua irmã mais nova, Paige, se mudaram para uma casa em Santa Monica e, assim que puderam, marcaram uma visita ao Instituto para decidir se Paige e Cameron iriam ter aulas com os Blackthorns ou se contratariam seu próprio tutor.

Diana estava lá para cumprimentá-los e mostrar as salas de treinamento, a biblioteca e a sala de aula. Emma estava na sala de treinamento, praticando esgrima com Livvy. Ela era mais alta e mais forte que Livvy, mas Livvy era muito rápida com seus pés, o que lhe dava vantagem com um sabre. Ty e Julian estavam assistindo: Ty estava torcendo por Livvy, e Jules por Emma, como se fosse uma partida real.

A porta se abriu, e Cameron e sua irmã entraram com Diana.

Emma parou seu ataque no meio, o que permitiu que Livvy atingisse, com o lado de sua espada, o ombro de Emma. “Emma!” Ela reclamou. “Você não está prestando atenção.

Mas Emma já estava empurrando sua máscara para trás, deixando o cabelo cair. Cameron Ashdown podia ter crescido em Idris, mas ele parecia o menino perfeito da Califórnia, com cabelo vermelho vivo, pele bronzeada, ombros largos e olhos cor de avelã. Seu nariz parecia ter sido quebrado antes, mas dava ao rosto uma assimetria encantadora.

Sua irmã Paige era uma pequena cópia dele, com cabelo vermelho curto e queixo pontudo. Ela fitou Emma com desagrado, talvez porque Emma estava olhando para seu irmão.

Emma vinha pensado ultimamente, cientificamente, sobre o fato de que ela tinha quatorze anos e ainda não tinha beijado ninguém. Também, ela pensou, crescendo na casa Blackthorn, era provável. Eles raramente viam outras crianças da mesma idade; o Conclave simplesmente não era tão grande, e agora que a Academia em Idris reabriu, a maioria dos Caçadores de Sombras estavam sendo treinados lá.

Ela pensou em Julian, o modo que quando ele sorria para ela, ele parecia colocar todo o seu ser no sorriso. O jeito que iluminava a sala e fazia seu coração parar. Cameron Ashdown estava olhando para ela com curiosidade enquanto Diana fez as apresentações; Livvy estava tirando o capacete. Abaixando a lâmina, Emma sorriu para Cameron, colocando tudo dela no sorriso.

Quando ele sorriu de volta, ele parecia deslumbrado.

Mais tarde, depois que os Ashdowns se foram, Ty disse: “Eu não gostei deles.

Julian bagunçou seu cabelo. Em vez de dizer o que Emma esperava – algo sobre como Ty tinha de lhes dar uma chance – ele disse: “Eu também não gostei deles.

Por que não?” Ela perguntou, curiosa.

Ele encolheu os ombros. “Eu simplesmente não gostei.

Bem, é uma pena“, disse Diana. “Vocês, crianças, precisam passar mais tempo com algumas pessoas que não são Blackthorns.” Ela olhou para Emma. “Ou Carstairs.

Os Ashdowns voltaram no próximo fim de semana e no próximo final de semana depois desse. Era o verão, e o grupo passava o tempo na praia, se bronzeando, nadando na água – todos, exceto Emma – e construindo castelos de areia com as crianças mais novas. Ty construiu meticulosos castelos de areia, cuidadosamente esculpidos, enquanto os de Livvy eram disformes e imponentes, desmoronando sob seu próprio peso enquanto subiam em direção ao céu. Eles enterraram Tavvy na areia, e Drusilla se sentou de pernas cruzadas e se perdeu em um livro – Paige tinha quase a mesma idade que ela, mas as garotas se ignoravam.

Mais tarde, Emma pensou que deveria ter sido um aviso para ela. Mais tarde, ela se culpou por tudo.
Ela tinha catorze anos quando levou Cameron para ver as cavernas. Ele estava brincando com ela sobre nunca entrar na água; ela riu, mas não lhe contou o por quê. Em vez disso, ela o afastou do grupo e o levou em sua caverna favorita: não a maior, mas a mais longa e mais sinuosa. Era possível encontrar uma curva no túnel onde o oceano não podia ser visto de ambos os lados.

Ela levou Cameron atrás dela e o encarou, seu coração batendo forte. Ela estudou a cor avelã dos olhos dele nas sombras, sua mistura de azul, marrom e verde. Ela estendeu as mãos, sem saber como ser nada além de direta. “Você quer me beijar?” Ela disse.

Ele engoliu em seco e assentiu. Ele estava tremendo quando a puxou em direção a ele e a beijou suavemente, sua cabeça inclinando para trás, suas mãos encontrando a apoio em nos ombros dele. Ela acariciou seus braços, levemente, timidamente; a boca dele era quente e macia e ele tinha gosto de sorvete de morango.

Beijar era tudo que ela esperava que fosse. Era como um bom tipo de afogamento, enchendo seus ouvidos e olhos de esquecimento, bloqueando o som das ondas contra a costa. O toque de Cameron se tornou mais urgente, deslizando por sua cintura, e ela se inclinou mais contra ele, e foi quando ela ouviu alguém gritar.

Soava como um grito de raiva ao invés de dor ou medo, mas Emma já ouvira gritos a distância antes e ela se afastou de Cameron sem pensar e explodiu em disparada. Ele a seguiu. Quando chegaram à praia onde haviam deixado os outros, os dois ficaram olhando: Ty estava sentado na areia, e Julian segurava Paige pela gola da camiseta, o rosto branco de raiva.

Mais tarde, Emma descobriu o que havia acontecido. Livvy e Dru foram pegar conchas; Julian estava desenhando nas dunas, e Ty estava fazendo um castelo de areia com Paige o ajudando, sem entusiasmo.

Ele pegou um pedaço de vidro marinho e ficou fascinado com isso. Às vezes, Ty ficava fascinado com as coisas: a maneira como um borrão de tinta se espalhava pela página, ou a maneira como o corante penetrava na água. Ele se sentava e olhava para as coisas, perdido em contemplação. Se ele estivesse especialmente distraído, seria preciso uma mão gentil em seu ombro, ou seu nome falado suavemente, para despertá-lo.

Mas Paige não fez nenhuma dessas coisas. Quando ela perguntou o que ele estava fazendo e ele não reagiu, ela jogou um punhado de areia no rosto dele. Ty voltou a si mesmo sem ar, cego e ofegante. Ele começou a balançar, suas mãos tremulas, borboletas frenéticas.

Aberração”, Paige vociferou. “Pare de fazer isso, sua aberração.

E então Julian estava lá, puxando Paige para ficar em pé com força. Enquanto Emma corria, Cameron a seu lado, eles o ouviram silabar.

Se você alguma vez“, ele disse, “alguma vez, chamar meu irmão desses nomes de novo, eu vou te matar. Eu não me importo se você é uma garota. Eu vou matar você.

Pare! Pare!” Cameron correu à frente de Emma e puxou sua irmã para longe de Julian; ela prontamente começou a chorar. Julian olhou para ele atordoado. Ao longe, Emma pôde ver Livvy e Dru correndo pela areia na direção deles.

Tire-a daqui“, ele disse. “Vocês dois, vão embora, e não voltem.

Cameron se virou para Emma, com o rosto inteiro intrigado. “Nós poderíamos falar sobre isso“, disse ele. “Nós – nós deveríamos falar sobre isso.

Emma olhou para ele, para Julian, que agora estava agachado perto de Ty, dizendo seu nome, suavemente, com a voz cheia de amor e pânico. E ela se virou para Cameron, que segurava a irmã de rosto vermelho e olhava para ela com um olhar que dizia que ele esperava que ela tomasse o seu lado. Que o beijo deles nas cavernas tinha sido um sinal de que sua fidelidade havia mudado. Que ela seria leal a ele agora, e não a Julian.

Vá embora“, ela disse. “Como Julian disse. E nunca mais a traga de volta.

Algumas semanas depois, ela e Julian foram para Idris, para a cerimônia parabatai deles. Quando eles voltaram, Paige foi enviada para a Academia. Um mês depois, Emma começou a namorar Cameron pela primeira vez.



[Traduzido e adaptado por Equipe IdrisBR. Dê os créditos. Não reproduza sem autorização.]

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