Nossas Almas Despertas – Clace

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Nossas Almas Despertas – Clary/Jace
Isso mesmo, Clace! Coca Cola original! Isso foi escrito à pedido de uma amiga que me fez uma gentileza: é, entretanto, cânon com os livros e se passa enquanto Clary e Jace estão em missão em Faerie em LoS (se você for esperto(a), pode até adivinhar quando).
Clary sofre com o que significa amar e guardar segredos, e momentos sensuais acontecem. Definitivamente +18, com uma arte extremamente sexy da Aegisdea: então, alerta de conteúdo sexual visual e textual.
Alguns spoilers de LoS; Clary e Jace têm 22, 23 anos aqui.

Para Virna, Mari e Julia.

Nossas Almas Despertas

E agora no despertar das nossas almas
quando nos vemos sem um pingo de medo;
amando plenamente com todos os sentidos
num quarto onde cabe o mundo inteiro

– John Donne

Clary estava parada sobre seu próprio cadáver.

Era uma terra devastada por todo lado, e um vento preguiçoso agitava o cabelo de Clary. Isso a lembrava um pouco da vazia costa vulcânica ao redor da Cidadela Adamant, embora o céu parecesse quase em chamas – havia faixas vermelho e preto carvão flutuando no ar ao invés de nuvens.

Ela podia ouvir vozes à distância. Ela as ouvia toda vez que estava ali: elas nunca se aproximavam o suficiente para ajudá-la. Estava jogada no chão, havia sangue em seu rosto, cabelos e seu informe de combate. Seus olhos estavam abertos, verdes, encarando cegamente o céu.

Clary começou a se ajoelhar, tocando a si mesma no ombro, quando o chão sob seus pés estremeceu e deu um solavanco, e ela ouviu alguém gritar seu nome – ela se virou, e tudo escorregou para longe dela como se estivesse caindo da crista de uma onda. Ela tossiu, engasgou e acordou.

Por um momento, desorientada, não fez ideia de onde estava. Deitada num cobertor sobre a grama, encarando um céu cheio de estrelas multicoloridas. Elas pareciam girar acima dela como se estivesse em meio a um caleidoscópio. Ela podia ouviu música à distância, suave a insistente. Uma batida estranha, mas com uma melodia singular. Faerie. Ela estava em Faeire. Com –

“Clary?” Era a voz de Jace, sonolenta e intrigada. Ele rolou para o lado dela. Ambos dormiram com seus uniformes de combate, sem saber se seria seguro durante a noite. As armas próximas às mãos também, e Clary estava agradecida que as noites fossem quentes porque ela havia chutado seu cobertor enquanto sonhava. “Você está bem?”

Ela engoliu com dificuldade. Ela ainda podia sentir os arrepios na sua pele. “Sonho ruim.”

“Você vem tendo muitos desses.” Ele se aproximou, preocupação em seus olhos dourados. Seu cabelo claro despenteado, começando a ficar comprido demais de novo, caindo um pouco em seus olhos. “Você quer falar sobre isso?”

Ela hesitou. Como você diz a alguém que seus sonhos não são realmente sonhos, eles são visões? Você sabe isso. E que você está se vendo morta, de novo e de novo, em um dia que está chegando cada vez mais perto. Aquele dia que você vai estar olhando para o seu próprio corpo e sabendo que você se foi para sempre do mundo que você amava e das pessoas que você amava e que te amavam também.

Não. Ela não podia falar isso para Jace. Algumas vezes, ela pensava que era a única pessoa no mundo que pensava nele como alguém frágil (bem, exceto por Alec, é claro). Para a maioria das pessoas, ele é o garoto com sangue de anjo, o Chefe do Instituto de New York, um dos guerreiros que foi para Edom e acabou com a Guerra Maligna. Para ela, ele sempre seria o garoto magro com olhos desesperados que sobreviveu a um pai abusivo e uma falta de amor devastadora na infância; o garoto que aprendeu que amar era destruir, e que o que você amava, morria em suas mãos.

Ela sabia que Alec entendia que em muitas formas, ele tinha a forte habilidade de aguentar a tragédia, permanecer calmo na frente do medo pelas pessoas que amava. Isabelle, talvez? Mas ela não podia contar pra nenhum deles, de todo jeito; ela não pediria que eles escondessem um segredo de Jace. Simon não seria capaz de aguentar tanto quanto Jace. A única pessoa que talvez pudesse ajudar era Magnus, ela pensou; se apoiando em seus cotovelos; quando eles voltassem, ela iria até Magnus. Ela não queria contar a ele enquanto ele estivesse doente, mas ela talvez não tivesse escolha.

“Apenas um pesadelo bem ruim,” ela disse. Era verdade, na medida do possível. “Desculpa ter te acordado.”

Ele se ergueu um pouco, se apoiando em seu braço dobrado. “A musica teria feito isso de todo jeito.”
Estava alta: Clary podia ouvir as flautas e violinos ecoando do outro lado das colinas. Ele sorriu, aquele sorriso torto que sempre fez o coração dela saltar. “Nós devemos dar uma olhada na festa das fadas?”

“Esse não é o oposto de estar disfarçado?” ela disse. “Você sabe, aparecendo num dos maiores eventos das Fadas. E além do mais, sua dança é memorável.”

“É muito boa,” ele disse, as estrelas multicoloridas se refletindo nos olhos dele. Ele estendeu a mão e a parou no quadril dela, na curva da sua cintura. Ela se lembrou dele dizendo uma vez que era o lugar favorito dele no corpo dela. “Funciona como uma alça,” ele disse, a erguendo com uma mão apenas enquanto ela dava risada. Algumas vezes ter um namorado que era bem mais alto não era tão ruim assim.

“Eu disse que era memorável. Não boa.”

Os olhos dele brilharam. “Vem aqui, Fray.”

Ela apenas riu, o sonho já ficando pra trás. Tinha épocas em que ela podia até esquecer as visões, se concentrar na missão no mundo das Fadas, o tempo ali com Jace. Ela não tinha percebido quando eles aceitaram o trabalho no Instituto o quanto teria de viagens miseráveis e quanta papelada isso implicaria; ela estava desesperadamente com ciúme de Alec e Magnus, às vezes, que trabalhavam na Aliança fora do apartamento deles e ficando juntos o tanto que queriam. Metade do tempo Jace estava sendo arrastado para Idris enquanto ela tinha que ir para acabar com alguma atividade demoníaca com Simon e Isabelle.

Na verdade, ser enviada para algum lugar com Jace era uma oportunidade rara de tempo juntos, e apesar da gravidade de procurar por uma arma, ela estava gostando. E a terra das fadas era linda, de uma maneira alienígena — frutas pendiam como joias de ramos baixos em cores brilhantes de jade, safira e ametista. Pequenas fadas cor de rosa e de asas roxas flutuavam entre as abelhas e as flores. Havia piscinas de cristais cheias de nixies que gostavam de aparecer e conversar enquanto Clary lavava seu cabelo; ela ainda não tinha visto uma sereia, mas uma das nixies confessou que elas costumavam passar a maior parte do tempo no oceano e, definitivamente, ficavam acima deles no que diz respeito a caudas.

Claro, havia a praga para enfrentar. Manchas cinzentas de terra morta, dividindo os campos verdes como cicatrizes de um duelo. Eles coletaram amostras do solo cinza para os Irmãos do Silêncio. Isso não era particularmente bonito, mas –

“Clary”, disse Jace. Ele acenou uma mão na frente do rosto dela. Ainda era um choque ver seus dedos temporariamente sem o anel de Herondale. “Você deixou de prestar atenção em mim.”

Ela ergueu as sobrancelhas para ele. “Você é como um gato. Se eu não te der atenção, você vem e se senta em mim até eu esfregar suas orelhas ou o que quer que seja.”

O sorriso dele se aprofundou. “Não seriam minhas orelhas que eu –”

Ela bateu em seu ombro. “Não diga isso!”

Ele estava rindo agora. “Por que não?”

“Sou uma dama muito correta”, disse ela. “Eu posso desmaiar”.

Às vezes, ela ainda ficava surpresa com a rapidez com a qual ele podia se mover. Ele rolou os dois em menos tempo do que ela levou para piscar. Deitada por cima dela com o peso apoiado em seus braços, ele olhou para ela com o riso começando a desaparecer de seus olhos. “Eu vou reanimar você”, ele disse, sua voz baixa.

Ela estendeu a mão para tocar seu rosto. Ele estava olhando para ela tão seriamente, e Jace não era sério quando podia evitar. Ela se lembrou da maneira como ele a olhou quando ele pediu que se casasse com ele, e seu coração se contraiu com uma dor próxima à agonia. Ela o machucara, dizendo o que ela havia dito então. Ela não queria, mas sentia que não tinha escolha. Lembrando-se, porém –

“Me beije”, disse ela.

Houve um lampejo de surpresa com a brusquidão do pedido, mas foi rápido. Os reflexos de Caçador de Sombras eram mais convenientes do que apenas na batalha. Jace inclinou-se para trás em seus calcanhares para que ele ficasse sentado com ela em seu colo. Ele segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou.

Gentil, lento, explorador: sua boca na dela era quente e macia. Ele abriu os lábios dela com os dele, o toque de sua língua contra a dela enviando um choque pelo corpo dela. Cada beijo era como aquele primeiro na estufa, reescrevendo os circuitos do seu corpo, deixando claro: você nunca mais vai querer outra coisa.

Mas ainda assim ela se lembrava: Clary, você quer se casar comigo? E sua voz, tremendo: Você quer se… casar?

“Mais forte”, ela sussurrou, se pressionando contra ele, mergulhando na boca dele com a sua língua. Ela passou a ponta pelos lábios dele, fazendo com que ele arqueasse para trás de surpresa e desejo. Suas mãos estavam nos ombros dele; ela mordiscou seu lábio inferior, e ele passou as mãos por seu cabelo, juntando um punhado dele, ofegando na boca dela.

“Clary, isso vai ficar… fora de controle… muito rápido”, ele disse, e em resposta, ela se inclinou e puxou sua própria camisa de treinamento sobre sua cabeça. Ele a encarou com espanto (raro para Jace) antes de suas mãos voarem para cobrir os seios dela. “Estamos ao ar livre”, ele protestou. “Há uma festa das fadas logo ali. Qualquer um poderia simplesmente passar por aqui.”

“Jace Lightwood Herondale”, ela disse, com voz baixa ronronada. (Se ele achou que colocar suas mãos nos seus seios iria dissuadi-la, não estava funcionando.) “Você está sendo tímido? Você já não correu completamente nu na Madison com galhos na cabeça?”

“Não me importo que pessoas me vejam nu”, disse ele. “Eu me importo com as pessoas te verem nua”.

Ela se inclinou e beijou o canto da boca dele, o queixo e depois foi abaixando. Ela agora já conhecia os pontos sensíveis dele, incluindo o do lado esquerdo da garganta, logo abaixo do ponto de pulso. Ela lambeu e sugou sua pele até a cabeça dele pender para trás; as mãos dele estavam se movendo por seu corpo agora, sobre a runa Sanger na lateral do corpo dela, acariciando-a de seus seios até sua cintura, desatando o cordão que segurava suas calças de treinamento. Elas caíram com apenas um sussurro do tecido e seus dedos deslizaram entre suas pernas.

Fazia anos e ele conhecia seu corpo agora da mesma forma como conhecia as armas, e podia fazê-la se contorcer em seus braços, assim como suas armas dançavam em suas mãos. Ela ofegou quando ele a tocou, e seus dedos tremeram, arrancando sua camisa, quebrando os botões enquanto ela a tirava dele.

“Deixe-me”, ele disse, suas bochechas estavam coradas e sua voz baixa e decidida. Isso a enviou uma dor mais profunda do que a dor de saudade de seu corpo do dele: ela lembrou o que ele disse: Claro que estou falando de casamento, o que mais você pensou? Nunca haverá mais alguém, não para mim. Eu pensei que fosse o mesmo para você. E ela sabia o que ele estava dizendo agora: Deixe-me, deixe-me agradar você, pois não sei o que incomoda seus sonhos, não posso conhecer seus segredos, mas isso eu posso fazer.

Ela colocou as mãos nos ombros dele, o deixando acaricia-la e tocá-la e o prazer espirou dentro dela como fumaça. É o mesmo para mim. Sempre foi. Somente você e ninguém mais. Mas o sentimento era intenso demais para manter a memória; encheu a mente dela e a deixou tonta e ela gritou finalmente, cavando suas mãos nas costas dele para se manter firme.

Os olhos dele estavam vidrados, escuros de necessidade. “Deite-se”, ele disse, sua voz rouca, mas ela balançou a cabeça, as mãos indo em direção de sua cintura, suas mãos empurrando suas calças de treino para baixo e fechou a mão ao redor dele, acariciando-o. Ele se inclinando novamente sobre seus cotovelos, e seu corpo arqueado sob as estrelas multicoloridas era lindo, seus cabelos e as pontas de seus cílios refletindo seu ouro brilhante.

Ela se esticou sobre ele, como se pudesse proteger o corpo dele; ela passou as mãos sobre o peito dele, as cicatrizes e marcas lá, como se ela pudesse proteger seu coração. Ela afundou sobre ele como se a união de seus corpos pudesse evitar qualquer separação, como se pudesse impedir a morte de arrancá-la dele, a coisa que ela mais temia no mundo.

Ele gemeu e suas mãos se levantaram para segurar seus quadris, estabilizando-a, segurando-a contra ele, e ela se lembrou daquele dia novamente e o olhar em seu rosto, como se algo dentro dele tivesse sido esmagado e sua própria voz aumentando o tom. Eu te amo. Eu amo você e você precisa confiar em mim: não estou dizendo não, estou dizendo não agora. Eu tenho um bom motivo, eu juro. Por favor, acredite em mim, Jace.

Ele olhou para ela agora. Ela podia se ver em seus olhos, iluminada por um milhão de estrelas, e o rosto dele estava cheio de maravilhas e prazer. Por favor, ela rezou, que não seja a última vez, deixe que esta não seja a minha última noite com ele, meu último dia com ele, deixe-me ver o rosto dele assim novamente, aquele olhar que só eu posso ver, que sempre foi apenas para mim. E deixe ele ter isso novamente, também, não tire isso dele, ele já passou pelo suficiente, fez o suficiente e deu tudo e –

“Por favor”, disse ela, falando alto sem perceber, e ele gemeu enquanto se movia dentro dela, devagar e duro e depois mais rápido. Ele ergueu os ombros do chão, encontrando sua boca com a dele, beijando-a como se ele pudesse fundir os dois. Seu corpo estava deixando sua mente vazia: havia apenas isso, uma batida crescendo ferozmente em seu peito, atraindo calor pelas veias dela; a maré desenfreada estava chegando, atraindo-o enquanto a atraía: afogava os dois.

“Eu te amo”, disse ela, afastando a boca dele, vendo os olhos dele abertos, “e eu sempre – eu sempre –”

Ela se desfez ao redor dele e era como morrer; um segundo depois, ele se deixou ir e estremeceu com ela, jogando o braço esquerdo em seus olhos em um gesto estranhamente vulnerável, como se fosse proteger-se de uma luz que era capaz de o cegar.

Quando Clary conseguiu se orientar novamente, ele tinha puxado-a para baixo e rolou ambos de lado, com um braço ao redor dela, estendendo o outro para puxar o cobertor e cobri-los. No caso de um fauno de passagem a visse nua, pensou com diversão, e beijou o nariz dele.

O cabelo dourado dele estava escuro nas raízes com suor, seu peito ainda subindo e descendo rápido. “Jesus, Clary,” ele disse. “Isso foi –”

Intenso. Ela sabia o que ele estava pensando: depois de cinco anos, quando eles faziam amor, era geralmente com risadas e provocações, sempre com paixão, mas aquilo tinha sido outra coisa. Alguma parte dela tinha encontrado mais uma vez a garota desesperada que fora nas ruínas da Mansão Wayland, abraçando Jace muito apertado porque ela sabia que nunca mais o teria de novo, que era impossível.

Ela engoliu em seco, enroscando seu corpo no dele, traçando a linha da cicatriz Herondale ao longo do ombro dele com a ponta do dedo. “As missões são perigosas”, disse ela, com a voz baixa. “Amanhã vamos nos infiltrar no Tribunal Unseelie. Eu – eu estava pensando que poderia ser a última vez que já estaríamos juntos.”

Não era uma mentira.

Ele ficou horrorizado. “Clary. Eu sei que vivemos uma vida perigosa, mas nós sobrevivemos a tudo que é jogado sobre nós.” Ele a puxou para perto, passando os dedos pelos cabelos dela. “Eu entendo”, ele disse, gentilmente. “A pior coisa que posso imaginar é algo acontecendo com você.”

O coração dela apertou. Ela se escondeu contra ele, a exaustão de seu corpo assumindo o controle, a sonolência a tomando enquanto ele acariciava suas costas. “É só que eu te amo tanto”, ela disse.

“Claro que você ama.” Sua mão tinha acalmado, os dedos mal se moviam; sua voz estava cheia de sono. “Eu sou incrível.”

Ela queria dizer que ele era realmente incrível, que não era apenas uma piada, que, embora soubesse que o magoara pedindo para atrasar um pedido de casamento novamente, ele a deixaria ter o tempo que pedira e nunca exigiu saber o motivo. Ela diria que ele precisava confiar nela, e ele tinha.

Isso a fez amá-lo ainda mais, se isso era possível, e ela não desconhecia a ironia disso. Mas o sono estava levando-a para uma maré que não podia segurar: as estrelas do arco-íris giravam sobre eles e Clary pousou a cabeça contra o ombro de Jace. Pouco antes de cair inteiramente na inconsciência, um pensamento cintilou no limite de sua mente – algo sobre a terra cinza do lugar em suas visões, e a terra destruída na terra das fadas. Mas desapareceu como uma folha em um ralo, arrastando os dois juntos em um sono profundo.

[Traduzido por Equipe IdrisBR. Dê os créditos. Não reproduza sem autorização.]

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