Eu decidi um tempo atrás escrever um pequeno conto do casamento de Will e Tessa. Se tornou meio que uma releitura de “A Bela Adormecida” e me levou um tempo (já como eu estou escrevendo… quatro… livros ao mesmo tempo), mas eu achei que podia compartilhar com vocês o inicio e postar o resto em prestações. Avisos para coisas bem românticas e não saber o quão cedo eu vou atualizar.
– Cassandra Clare

PRIMEIRA PARTE

Hoje vai ser o dia mais feliz que vocês dois terão juntos.

Will Herondale sentou na janela de seu novo quarto e olhou para uma Londres congelada embaixo do céu do inverno. A neve cobria os topos das casas, seguindo assim na direção da faixa pálida do Tâmisa, dando a sensação de um conto de fadas.

Embora, no momento, Will não se sentia muito propício à contos de fadas.

Ele deveria estar feliz, ele sabia disso – afinal de contas, era o dia de casamento dele. E ele estava feliz, desde o momento em que ele acordou, mesmo tendo Henry, Gabriel e Gideon invadindo o quarto dele e o incomodando com conselhos e brincadeiras enquanto ele se vestia, todo o caminho até o final da cerimonia. Foi lá que isso aconteceu. Era por isso que ele estava sentado em uma janela olhando para o inverno de Londres ao invés de estar lá embaixo perto da lareira beijando sua esposa. Sua esposa.

Tessa.

Tudo começou perfeitamente bem. Não era estritamente um casamento de Caçadores de Sombras, porque Tessa não era estritamente uma Caçadora de Sombras. Mas Will decidiu vestir o uniforme de casamento de todo jeito, porque ele ia ser o chefe do Instituto de Londres, e seus filhos seriam Caçadores de Sombras, e Tessa cuidaria do Instituto ao lado dele e seria parte de sua vida de Caçador de Sombras e eles deviam começar do modo certo, na opinião dele.

Henry, manejando sua estela da cadeira de banho, ajudou Will com as runas de amor e sorte que ele decorou suas mãos e braços antes de colocar sua camisa e a jaqueta do uniforme. Gideon e Gabriel brincaram sobre o terrível negocio que Tessa estava entrando com Will e como eles adorariam tomar o lugar dele, mesmo que os irmãos Lightwood estivessem os dois noivos, e Henry estava alegremente casado e com um pequeno e barulhento filho, Charles Buford, que tomava muito do tempo e atenção de seus pais.

E Will sorriu e riu, e olhou no espelho para ter certeza que o cabelo dele não estava horrível e ele pensou em Jem e seu coração doeu.

Era tradição entre os Caçadores de Sombras que tivessem um suggenes, alguém que caminhava ao lado deles até o altar da cerimônia de casamento. Normalmente, um irmão ou um amigo próximo – e se você tivesse um parabatai, a escolha para suggenes estava feita por você. Mas o parabatai de Will era um Irmão do Silêncio agora, e os Irmãos do Silêncio não podiam suggenes. Então aquele lugar ao lado de Will permaneceria vazio enquanto ele caminhava pelo chão da catedral.

Ou pelo menos pareceria vazio para todos os outros. Para Will, seria preenchido com a lembrança Jem: O sorriso de Jem, a mão de Jem em seu braço, a lealdade inabalável de Jem.

No espelho, ele via um Will Herondale, dezenove anos de idade, que parecia sereno e calmo: dentro de sua alma respirava tristeza e amor. Até o ano passado, ele nunca havia pensado que o coração pudesse conter medidas completas de tristeza e felicidade ao mesmo tempo, e ainda assim, enquanto ele sofria por Jem e amava Tessa, ele se sentia em partes iguais. Ele sabia que ela também, e era um consolo para os dois estarem juntos e compartilhar o que poucos haviam sentido, pois, embora Will acreditasse que profunda tristeza e profunda alegria poderiam acontecer ao mesmo tempo, assim como um amor faria, ele não podia acreditar que era comum.

Não se esqueça da bengala, Will”, disse Henry, tirando Will de seu devaneio, e ele entregou a Will a bengala com cabeça de dragão que havia sido de Jem. Will a carregou, a cabeça de jade suavemente sob os dedos, enquanto desciam as escadas e entraram no coração da igreja.

Will entrou pelos fundos e se moveu rapidamente para o altar, decorado com montes de flores brancas que tinham vindo de Idris. Eles encheram a sala com um cheiro que lembrava a Mansão Herondale na zona rural de Idris, uma grande pilha de pedra dourada onde ele e Tessa passariam os meses de verão. Seu coração acelerou com o pensamento.

Seu coração se acelerou ainda mais quando ele encostou a bengala de Jem contra o altar e virou-se para o salão da Igreja: receara que o Conclave de Londres, em seu preconceito e intolerância, evitasse o casamento: as reações ao fato de Tessa ser meio-feiticeira ia da indiferença à frieza absoluta. Mas os bancos estavam cheios, e ele viu rostos radiantes por toda parte: Henry ao lado de Charlotte, que deixara o bebê Charles aos cuidados de Bridget, seu chapéu tremendo com uma massa de flores; os recém-casados Baybrooks, os Highsmiths e os Bridgestocks, Sophie se mexendo para abrir espaço para Gideon e Gabriel, e até mesmo Tatiana Blackthorn, segurando seu filho como um pacote embrulhado com um cobertor, Jesse, e usando um vestido rosa estranhamente familiar.

Will olhou para os fundos da igreja…

Continua

[Traduzido por Equipe IdrisBR. Dê os créditos. Não reproduza sem autorização.]

Fontes: Parte 1