Essa carta foi entregue a Jace em “Cidade de Vidro” e é um extra que vem em um formato de carta com um adesivo-brasão dos Herondale, versão norte americana da Barnes & Noble de “Cidade das Almas Perdidas”, de maio de 2012.

Para meu filho,

Se você está lendo esta carta, então estou morto.

Acredito que irei morrer, se não hoje, em breve. Acredito que Valentim me matará. Por toda a conversa dele sobre me amar, por todo desejo dele por um segundo homem no comando, ele sabe que tenho dúvidas. E ele é um homem que não tolera dúvidas.

Eu não sei como você será educado. Não sei o que eles irão falar sobre mim. Eu nem sei quem vai lhe dar esta carta. Confiarei ela a Amatis, mas não consigo prever o que o futuro reserva. Tudo o que sei é que esta é a minha chance de lhe dar uma ideia de um homem que você pode vir a odiar.

Há três coisas que você deve saber sobre mim. A primeira é que eu fui um covarde. Ao longo da minha vida, tomei decisões erradas porque eram fáceis, porque eram egoístas, porque eu tinha medo.

A principio, eu acreditei na causa de Valentim. Eu me afastei de minha família e fui para o Ciclo porque eu me achei melhor do que seres do submundo e da Clave e meus pais opressores. Minha raiva contra eles era uma ferramenta que Valentim usava a sua vontade enquanto ele se aproveitada e mudava muitos de nós. Quando ele afastou Lucian, não questionei, mas com prazer tomei seu lugar para mim. Quando ele exigiu que eu deixasse Amatis, a mulher que eu amo, e casasse com Celine, uma garota que eu não conhecia, fiz como ele pediu, para minha vergonha eterna.

Não consigo imaginar o que você está pensando agora, sabendo que a garota da qual eu falo era sua mãe. A segunda coisa que você deve saber é isso: Não culpe Celine por nada disso, não importa o que você saiba. Não foi culpa dela, mas minha. Sua mãe era uma inocente vinda de uma família que a brutalizava. Ela queria apenas bondade, se sentir segura e amada. E embora meu coração já estivesse com outra pessoa, eu a amava, à minha maneira, assim como no meu coração, eu era fiel a Amatis. Non sum qualis eram bonae sub regno Cynarae. Eu me pergunto se você ama latim como eu, e poesia. Eu me pergunto quem lhe ensinou.

A terceira e mais difícil coisa que você deve saber é que eu estava preparado para te odiar. O meu filho e da noiva que mal conhecia, você parecia ser a culminação de todas as decisões erradas que fiz, todos os pequenos compromissos que levaram à minha extinção. Ainda assim, enquanto você crescia dentro da minha mente, enquanto você crescia para o mundo, um inocente sem culpa, comecei a perceber que eu não o odiava. É a natureza dos pais verem sua própria imagem em seus filhos, e eu me odiava, não você.

Pois há apenas uma coisa que eu desejo de você, meu filho – uma coisa de você e para você. Eu quero que você seja um homem melhor do que eu. Não deixe ninguém lhe dizer quem você é ou deveria ser. Ame o que você quiser. Acredite no que você deseja. Tenha a liberdade como seu direito.

Não peço que você salve o mundo, meu garoto, meu filho, o único filho que eu terei. Eu apenas te peço que seja feliz.

Stephen

Nota da tradutora: A frase “Non sum qualis eram bonae sub regno Cynarae” é de um poema de Ernest Dowson. Você pode lê-lo em seu original aqui.

[Traduzido por Equipe IdrisBR. Dê os créditos. Não reproduza sem autorização.]