Cassie respondeu uma ask em seu tumblr hoje, falando sobre os planos futuros de Ty em “Queen of Air and Darkness” e ela publicou um trecho do terceiro capitulo onde vemos ele conversando com Kit sobre o que pretende fazer sobre Livvy. Nós já tínhamos publicado um pedaço desse mesmo trecho traduzido AQUI, mas agora temos ele completo! Confira:

fashfoshah84: Eu tenho uma pergunta sobre “Queen of Air and Darkness”, é sobre Tiberius. Eu sei que a morte de Livvy é um choque para todos os Blackthorns, especialmente para Ty – eu não sei se é um spoiler dizer que ele vai sair dos trilhos e fazer algo que vai se arrepender?

Eu sei por que você está perguntando! Eu vi muitos comentários a respeito do que ficamos sabendo sobre Kit e Ty no capitulo que foi dado na BookCon. Todo o capitulo vai estar online logo, mas para os interessados, aqui uma parte do capitulo três que tem Kit, Ty e os possíveis planos futuros de Ty…

MUITOS SPOILERS!

Kit ficou parado e olhando a fumaça subindo na distancia pela janela do quarto que ele dividia com Ty.

Ao menos, ele assumia que ia dividir o quarto com Ty. Sua mochila estava lá, jogada em um canto, e ninguém disse a ele se ele deveria estar em outro quarto. Ele se vestiu no banheiro aquela manhã e quando saiu, viu Ty tirando a camiseta por cima da cabeça. As marcas dele pareciam mais pretas, provavelmente porque a pele dele era tão pálida. Ele parecia tão delicado – Kit teve que olhar para longe do formato de suas omoplatas, a fragilidade de sua coluna. Como ele podia parecer assim e ser tão forte para lutar contra demônios?

Agora Ty estava no andar de baixo com o resto da família dele. Pessoas tendiam a cozinhar quando alguém morria e os Shadowhunters não eram uma exceção. Alguém provavelmente estava fazendo uma caçarola. Uma caçarola demoníaca. Kit encostou sua cabeça no vidro gelado da janela.

Teve um tempo onde ele poderia ter fugido, Kit pensou. Ele poderia fugir e deixar os Shadowhunters para trás, se perder no mundo subterrâneo do Shadow Market. Ser como seu pai, não sendo parte de nenhum mundo, existindo entre eles.

No reflexo do vidro da janela, Kit viu a porta do quarto se abrir e Ty entrar. Ele ainda estava usando suas roupas de luto, embora tivesse tirado a jaqueta e estivesse apenas com uma camisa preta de manga comprida. E Kit sabia que era tarde demais para fugir, que ele se importava com essas pessoas agora, e especificamente com Ty.

Estou feliz que você esteja aqui.” Ty se sentou na cama e começou a desamarrar seus sapatos. “Eu queria falar com você.

A porta ainda estava ligeiramente aberta e Kit podia ouvir vozes vindas da cozinha no andar de baixo. Helen, Dru, Emma, Julian. Diana voltou para sua própria casa. Aparentemente, ela morava em uma loja de armas ou algo assim. Ela voltou para pegar algum tipo de ferramenta que ela achava que poderia pegar as lascas das mãos ensanguentadas de Julian.

As mãos de Ty estavam bem, mas ele estava usando luvas. Kit tinha visto as mãos de Julian quando ele tinha ido lavá-las na pia, e elas pareciam como se estilhaços tivessem explodido em suas mãos. Emma estava por perto parecendo preocupada, mas Julian tinha dito que ele não queria um iratze, que apenas curaria a pele, cobrindo os pedaços de madeira. Sua voz soava tão estável que Kit mal a reconhecera.

Eu sei como isso vai soar,” disse Kit, se virando de costas para o vidro frio. Ty estava debruçado e Kit viu o brilho de ouro em seu pescoço. “Mas você não está agindo da maneira que eu esperava.

Ty chutou suas botas. “Porque eu subi na pira?

Não, essa foi meio que a coisa mais previsível que você fez.” disse Kit. “Eu só…

Eu fiz aquilo para conseguir isso.” disse Ty, e colocou a mão na garganta. Kit reconheceu a corrente de ouro e o disco fino de metal preso a ela: o medalhão de Livvy, aquele que ele ajudou a colocar antes da reunião do Conselho. Ele se lembrou vividamente dela segurando o cabelo de lado enquanto ele fechava o fecho, e o cheiro do perfume dela. Seu estômago revirou.

O colar da Livvy.” ele disse. “Quero dizer, acho que isso faz sentido. Eu apenas pensei que você iria…

Chorar?” Ty não parecia zangado, mas a intensidade em seus olhos cinzentos tinha se aprofundado. Ele ainda estava segurando o pingente. “Todo mundo deveria chorar. Mas isso é porque eles aceitam que Livvy está morta. Mas eu não. Eu não aceito isso.

O que?

Eu vou trazer ela de volta.” disse Ty.

Kit sentou pesadamente no peitoril da janela. “Como você vai fazer isso?

Ty largou o colar e tirou o telefone de seu bolso. “Isso estava no telefone de Julian,” ele disse. “Ele tirou enquanto estava na biblioteca com Annabel. São fotos das paginas do Volume Negro dos Mortos.” Ele olhou para Kit com uma expressão preocupada. “Você vai vir sentar perto de mim pra poder ver?

Kit queria dizer não; ele não podia dizer. Ele queria que isso não estivesse acontecendo, mas estava. Quando ele sentou perto de Ty na cama, o colchão afundou, e ele bateu o cotovelo no de Ty acidentalmente. A pele de Ty parecia quente contra a dele, como se o outro garoto estivesse com febre.

Nunca ocorreu a ele que Ty estava mentindo ou errado, e ele não parecia estar. Depois de quinze anos com Johnny Rook, Kit estava familiarizado com os livros ruins de feitiços como esse, e esse parecia decididamente ruim. Feitiços com uma caligrafia apertada inundavam as paginas, junto com esboços assustadores de corpos saindo do caixão, rostos gritando e esqueletos carbonizados.

Ty, no entanto, não estava olhando para as fotos como se elas fossem assustadoras; ele estava olhando como se elas fossem o Santo Graal. “Esse é o mais poderoso livro de feitiços para trazer de volta os mortos que já existiu,” ele falou. “É por isso que não importa se eles queimaram o corpo de Livvy. Com feitiços como esse ela pode ser trazida de volta inteira, não importa o que tenha acontecido com ela, não importa quanto tempo –” Ele parou, suspirando fundo. “Mas eu não quero esperar. Eu quero começar assim que nós voltarmos pra Los Angeles.

Malcolm não matou muitas pessoas para trazer Annabel de volta?” Kit perguntou.

Conexão, não causação, Watson,” disse Ty. “A maneira mais simples de fazer necromancia é com energia dos mortos. Uma vida por outra, basicamente. Mas tem outras fontes de energia. Eu nunca mataria alguém.” Ele fez uma expressão que devia parecer desdenhosa, mas na verdade só pareceu fofa.

Eu não acho que Livvy gostaria que você praticasse necromancia,” Kit falou.

Ty colocou seu telefone de lado. “Eu não acho que Livvy gostaria de estar morta.

Kit sentiu as palavras como um soco no peito, mas antes que ele pudesse responder, teve uma comoção no andar de baixo. Ele e Ty foram para o topo das escadas, Ty apenas com meias em seus pés, e olhou para a cozinha.

O amigo espanhol de Zara Dearborn, Manuel, estava lá, usando um uniforme dos oficiais da Gard e com um sorriso. Ele estava dando de ombros, e Kit se inclinou mais para frente para poder ver com quem ele estava falando. Ele viu Julian, encostado na mesa da cozinha, seu rosto sem expressão. Os outros estavam espalhados pela cozinha – Emma parecia furiosa e Cristina estava com sua mão no braço da outra garota, como se estivesse segurando ela.

Mesmo?” Helen perguntou furiosa. “Você não podia esperar até o dia depois do funeral da nossa irmã para arrastar Emma e Jules para a Gard?

Manuel deu de ombros, claramente indiferente. “Tem que ser agora,” ele disse. “A Consul insiste.

O que está acontecendo?” Aline perguntou. “Você está falando sobre a minha mãe, Manuel. Ela não ia simplesmente exigir ver eles sem uma boa razão.

É sobre a Espada Mortal,” Manuel disse. “É uma razão boa o bastante para vocês?

Ty segurou no braço de Kit, o afastando das escadas. Eles se moveram pelo corredor, as vozes na cozinha parecendo mais baixas, mas ainda urgentes.

Você acha que eles vão?” Kit perguntou.

Emma e Jules? Eles tem que ir. A Consul está chamando,” Ty falou. “Mas é ela, não o Inquisidor, então tudo vai ficar bem.” Ele se inclinou na direção de Kit, que estava com as costas encostadas na parede; ele estava cheirando como uma fogueira. Kit percebeu que era provavelmente por causa da pira de madeira, e seu estomago embrulhou de novo. “Eu posso fazer isso sem você. Trazer Livvy de volta, no caso,” ele falou. “Mas eu não quero. Sherlock não faz as coisas sem Watson.

Você contou para alguém?

Não,” Ty tinha puxado as mangas de sua camisa para suas mãos e estava enrolando o tecido nos dedos. “Eu sei que tem que ser um segredo. As pessoas não gostariam disso, mas quando Livvy voltar, eles vão ficar felizes e não vão se importar.

Melhor pedir perdão que permissão,” Kit disse, se sentindo tonto.

Sim.” Ty não estava olhando diretamente para Kit – ele nunca olhava – mas seus olhos se acenderam esperançosamente; na pouca luz do corredor, o cinza neles estava tão pálido que pareciam lagrimas. Kit pensou em Ty dormindo, como ele dormiu todo o dia da morte de Livvy e na noite, e o jeito que Kit ficou olhando ele dormir, em terror com o que iria acontecer quando ele acordasse.

Todo mundo estava apavorado. Ty ia se despedaçar, eles pensaram. Kit lembrou-se de Julian parado próximo de Ty enquanto ele dormia, uma mão acariciando os cabelos do irmão, e ele estava rezando – Kit nem sabia que Shadowhunters rezavam, mas Julian definitivamente rezou. Ty ia desmoronar em um mundo sem sua irmã, todos eles pensaram; ele cairia em cinzas, assim como o corpo de Livvy.

E agora ele estava pedindo isso a Kit, dizendo que não queria fazer sem ele, e se Kit falasse não e Ty desmoronasse da pressão de tentar fazer isso sozinho? E se Kit tirasse sua ultima esperança e ele caísse em pedaços por causa disso?

Você precisa de mim?” Kit perguntou lentamente.

Ty assentiu. “Sim.

Então,” Kit falou, já sabendo que estava cometendo um grande erro, “Eu vou ajudar você.

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