Resenha: Sorte Grande – Jennifer E. Smith

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Sinopse: Novo romance da autora de A probabilidade estatística do amor à primeira vista e Geografia de nós dois. Desde que perdeu os pais, Alice não acredita na sorte. Mas ela acredita no amor. De seus tios, de seu primo Leo, de seu melhor amigo, Teddy. Quando precisa decidir o que dar a Teddy em seu aniversário de 18 anos, a ideia parece chegar naturalmente: um bilhete de loteria. Com todos os números importantes para ambos: número dos anos que estiveram juntos, datas importantes e endereços marcantes. Quando a combinação se prova vencedora e o menino ganha quase 150 milhões de dólares, os dois se envolvem em um redemoinho de loucuras juvenis, interesseiros e sonhos de infância realizados. Tudo estaria perfeito, não fosse um beijo trocado no auge das comemorações. Um beijo que mudaria tudo. Mas o dinheiro não pode comprar o amor. Mas será que pode dar uma ajudinha?

Lançado no Brasil pela Galera Record e narrado em primeira pessoa, “Sorte Grande” fala sobre os diversos tipos de amor com que lidamos no dia a dia. O amor leal de uma amizade, o amor platônico de uma paixão secreta e, principalmente, o amor indestrutível da família. No livro acompanhamos Alice, uma jovem de 16 anos que perdeu os pais com um ano de diferença entre a morte dos dois e foi viver com os tios e o primo em Chicago, abandonando a Costa Oeste e o sol da Califórnia. Lá ela conhece Teddy, um jovem que não tem nada demais e ao mesmo tempo tem tudo demais e automaticamente Alice, seu primo Leo e Teddy formam um trio inseparável, crescendo e vivendo diversas aventuras juntos.

No aniversário de 18 anos de Teddy, Alice compra para ele um bilhete da loteria, e escreve um cartão declarando seus sentimentos para o garoto. O bilhete é premiado e num ato de impulsão e empolgação Teddy beija Alice, e é a partir daí que as coisas ficam complicadas (para não dizer EXTREMAMENTE complicadas). Queria encher vocês de spoiler, mas acho que parar por aqui vai ser o suficiente para instigar vocês a continuarem com a leitura, então vamos falar dos personagens:

Alice é uma das personagens principais de romances Young Adult que mais me chamou atenção. E eu queria me lembrar de todas as coisas que pensei a respeito dela enquanto li o livro, mas sei que não vou, então aqui vão algumas delas: Apesar de ter 16 anos ela é extremamente madura para sua idade. Alice perdeu os pais com 9 anos, muuuuito cedo, e passa boa parte dos seus dias e noites pensando nos pais. Ela tem uma visão “endeusada” dos pais, como se eles tivessem sido seres livres de defeitos, e é surpreendente para o leitor acompanhar Alice amadurecer o modo como enxerga os pais ao longo do livro, quando vai se dando conta de que apesar de terem sido boas pessoas, eles eram apenas seres humanos, e também erravam. O que mais gostei de Alice é que ela nos faz enxergar as coisas sob uma perspectiva completamente diferente. Tudo bem, tudo bem, eu sei que esse é o objetivo de todos os personagens e leituras narradas em primeira pessoa. Mas acontece que com ela isso é bem real. Por exemplo, quando vemos Teddy ganhar o bilhete da loteria pensamos imediatamente em tudo que poderíamos comprar com o dinheiro, e imediatamente Alice nos faz enxergar todo esse valor sob a perspectiva de alguém que perdeu sua família. Alguém para quem esse dinheiro, e todo o restante do mundo, não pode fazer diferença. É chocante como Jennifer Smith nos faz descobrir todas essas novas formas de pensar e explora a perda e a morte sem romantiza-las e mantendo o livro leve, engraçado e romântico.

 

“…sei que não é assim que as coisas funcionam. A vida não se curva à vontade de ninguém. E também não funciona baseada em um sistema de créditos. Só porque o mundo roubou algo de mim, não significa que me deva outra coisa em troca. E só porque estoquei uma quantidade grande de má sorte, não significa que vá receber algo de bom em troca.”

 

Alice também é muito mais do que a garota que perdeu os pais. Ela é a garota que é apaixonada pelo melhor amigo desde nova, a garota que ama o primo e os tios incondicionalmente, a garota que tem sonhos e principalmente, a garota que tem dúvidas e se divide por causa delas. Foi muito legal ter passado um tempinho dentro da cabeça dela.

Já Teddy é totalmente o contrário de Alice. Ele é chamativo, irresponsável, impulsivo e (pelo menos eu achei) bem infantil. Mas não de uma maneira bad boy. Simplesmente de uma maneira inocente. Ele também tem uma história de vida difícil e é muito interessante ver sua transformação de um garoto que ganhou na loteria e perdeu a cabeça até um garoto que descobre quem é e o que quer. A dinâmica entre os dois é muito fofa e delicada. A química entre eles está ali em todos os momentos e é quase palpável. Em diversos momentos eu quis entrar no livro e gritar com Teddy por ser meio babaca, mas consegui enxergá-lo através do ponto de vista de Alice, que simplesmente não o julgou nenhuma vez.

 

“Talvez seja por estarmos sentados juntos em uma cama de hotel no escuro, e que ainda assim a ideia de me beijar não poderia estar mais distante da cabeça de Teddy. Ou, talvez, até porque eu também seja um de seus projetos abandonados. Porque ele me beijou como se realmente quisesse me beijar. E depois descobriu que não queria mais.

 

Os personagens secundários da história também são bem legais e na grande maioria bem construídos. Temos representatividade LGBT com o primo de Alice, Leo, e seu namorado Max. Os tios de Alice são personagens legais mas não realmente relevantes para a história. E temos a curta aparição de Caleb, um garotinho fofo com quem Alice faz caridade, cuja história me encantou.

Sobre os pontos fracos, senti falta de um final mais desenvolvido e que nos contasse mais. Alguns plots terminaram onde deviam terminar, mas um um dos principais da história, que é o romance de Teddy e Alice deixou bastante a desejar. Não gostei muito do final (mas também não foi nada que tenha estragado o livro para mim). Senti que a autora poderia ter desenvolvido Teddy muito mais e explorado alguns pontos chaves da personalidade dele também. Também achei que houve pouca participação dos tios e do primo de Alice, como se eles tivessem sido introduzidos na história simplesmente para não fazer um livro com somente dois personagens. Mas todo o restante do livro me agradou e fiquei satisfeita com a mudança entre a Alice do começo e do final do livro. Dessa vez, Jennifer conseguiu me surpreender.

Já li outros livros de Jennifer E. Smith como “A Geografia de Nós Dois” e “A Probabilidade Estatística do Amor à Primeira Vista”. Do primeiro não gostei muito, o segundo é bem fofinho, mas nenhum deles me prendeu. Nenhuma das leituras dela havia me prendido até agora. “Sorte Grande” é diferente das obras da autora. No livro, os personagens parecem mais amadurecidos do que todos os outros já criados por Jennifer, principalmente Alice. A história parece ser muito mais bem construída, como se ela realmente tivesse planejado e pesquisado cada acontecimento da trama. Geralmente, nos livros de Jennifer, é como se pudéssemos prever tudo que vai acontecer, e não é que eu não goste de um clichê, mas às vezes pode ser enjoativo. “Sorte Grande”, apesar de conter alguns clichês (o suficiente para nos fazer suspirar e que de maneira alguma tornam a história chata/enjoativa/maçante), em grande parte possui acontecimentos que não poderíamos prever. Quando Teddy fazia alguma loucura eu pensava “Ok, o que vai acontecer é o seguinte”, e posso dizer com verdade que em nenhuma das vezes acertei o que aconteceria.

O livro para mim é uma ótima opção para limpar o paladar depois de uma série ou alguma outra história que tenha te impactado ou mexido com você. A leitura é leve, não te faz querer terminar o livro todo de uma vez, mas é gostoso de sentar e ler em uma tarde chuvosa com uma barra de chocolate imaginando os acontecimentos ganharem vida. Uma das coisas que adorei a respeito da “Sorte Grande” foram as inúmeras vezes em que me perguntei o que faria se as coisas que acontecem no livro acontecessem comigo.

Devo ter me perguntado o que faria com 150 milhões de dólares pelo menos 150 milhões de vezes. E a resposta foi diferente em cada uma das vezes, principalmente depois de explorarmos o ponto de vista de Alice.

Sorte Grande é recheado de momentos emocionantes e elementos românticos que vão te fazer suspirar. A leitura com certeza vale a pena.

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