Cassie deu um entrevista ao Boston Globe, onde ela fala sobre os dez anos de Cidade dos Ossos e do inicio da sua carreira literária. Confira:

Cassandra Clare não tem muito tempo para sentar e pensar. A grandiosa autora popular de fantasia lança mais de um livro por ano, o que significa que ela está sempre no prazo de entrega. Ainda, ela não pode esquecer seu grande aniversário de dez anos. “Eu definitivamente me tornei muito introspectiva sobre a minha carreira e o que dá a ela longevidade,” Clare disse.

Em março de 2007, Clare lançou seu primeiro livro, “Cidade dos Ossos“, o primeiro da série “Os Instrumentos Mortais“. O livro contra a história de uma adolescente nova iorquina chamada Clary, que descobre que ela é uma Caçadora de Sombras, destinada a matar demônios invisíveis aos humanos normais, chamados de “mundanos”. Ela habita um mundo que é realista e familiar (com uma mãe protetora e um amigo em uma banda) e ainda assim entra no sobrenatural. Ela também aprende sobre família e, mais importante, sobre como é se apaixonar.

Clare estava no inicio dos seus 30 anos e vivendo no Brooklyn quando ela vendeu seu primeiro livro para a Simon & Schuster, lançado na McElderry Books por $25.000,00 em adiantamento. Parecia muito dinheiro na época. “Eu certamente não sabia que seria um sucesso,” ela disse, “e eu estou surpresa desde então.

Uma década depois do lançamento, Clare colocou 15 livros no mundo de suas “Cronicas dos Caçadores de Sombras“. Ela tem uma fã base internacional, e tem mais de 50 milhões de cópias de seus livros vendidos. Seu trabalho também inspirou um filme em Hollywood e uma série de televisão — a qual vai ter a segunda parte da segunda temporada na próxima semana. Seu livro mais recente, lançado em 23 de Maio, é “Lorde das Sombras“, o segundo da trilogia “Os Artifícios das Trevas“. É um trabalho de 699 páginas, recheado com lutas contra seres sobrenaturais e muitos beijos.

Em uma tarde recente, no seu espaço de trabalho em Amherst, um celeiro remodelado, decorado com coisas steampunk, Clare falou sobre a trajetória de sua carreira literária. Clare disse que ela escreveu seu primeiro livro no sofá do apartamento que ela dividia com seu marido, Joshua Lewis. Ela escrevia durante o dia e trabalhava nas noites como uma editora de cópia para a editora da revista National Enquirer and Star, onde ela passava horas polindo revelações sobre celebridades como Tom Cruise.

Ela nem ao menos considerou largar seu emprego depois que ela conseguiu um acordo com o livro. Aqueles $25.000,00 seria racionado por muitos anos. Também, ela não sabia como se sairia as vendas do livro. “Todo mundo disse ‘não largue seu trabalho’, então eu não larguei.” O lançamento teve sólidas vendas, impulsionadas pela explosão de Stephenie Meyer, cujo romance paranormal “Crepúsculo” estava alcançando um status internacional gigantesco, mas Clare ainda estava incerta.

Ela não deu muita atenção até o seu terceiro livro e ainda assim ela se perguntou quanto tempo ia durar. Ela ouviu que romances paranormais, como os dela, estavam com os dias contados na industria de jovens adultos. Distópicos épicos como “Jogos Vorazes” e “Divergente” estavam crescendo. Então tinham os livros jovens adultos mais realistas como “A Culpa É Das Estrelas” de John Green.

Clare esperou as vendas caírem, mas elas não caíram. Todos os livros da série “Os Instrumentos Mortais” conseguiam grandes vendas. Fãs choravam quando conheciam ela. “Eu sempre ficava ‘Pare de chorar! O que eu posso fazer?’

Em 2010 ela começou a publicar uma série prequel para “Os Instrumentos Mortais“, chamada de “As Peças Infernais.” Em 2013 o filme “Os Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos“, baseado em seus livros, foi lançado.

Naquela época, suas leituras eram muito grandes para serem realizadas em livrarias locais. Para o lançamento de “Cidade do Fogo Celestial“, o ultimo livro na série “Os Instrumentos Mortais“, ela fechou o auditório Wellesley Middle School para um evento e foi entrevistada no palco pela autora de best-sellers Jodi Picoult, que se tornou uma auto proclamada fanática pela Clare.

A editora de Cassie, Karen Wojtyla, que tem trabalhado com ela desde o primeiro livro, disse que a fã base de “Shadowhunters” cresceu pela mesma razão pela qual ela foi atraída para isso. “Eu comprei antes mesmo do primeiro livro estar completo,” ela lembra, atingida pelo quão vivos os personagens sentiam, apesar do tema sobrenatural. “É tão real que parece que você poderia conhecer essas pessoas na rua.

Wojtyla disse que com o passar do tempo, ela percebeu que os fãs sentiam como se Cassie entendesse eles. Apenas ajudou que o mundo nos livros dela parecia tanto com o deles. Tinham personagens gays e personagens de cor e nenhum deles era superficial. “Eu notei,” ela disse, “que os fãs começaram a aparecer nos eventos da Cassie e falar o quanto eles significavam para eles.

A autora de “The Darkest Part of the Forest” Holly Black, que colabora com Clare numa série de fantasia chamada “Magisterium” concorda. “Eu estou sempre maravilhada pela vida tão entregue dos personagens menores,” Black disse, acrescentando que com cada livro, o mundo cresce. Os apoiadores de Clare também apontam para a sua produtividade — que para os fãs, sempre tem mais para ler. Não é nenhuma surpresa. Ela não tem realmente férias e quase todos os dias é para escrita. A vida inteira dela é devota aos livros.

Seu celeiro em Amherst tem uma grande mesa feita sob encomenda onde Clare, Black e outra autora local, Kelly Link, se encontram para fazer seu trabalho. E a decoração steampunk, que parece ser o seu maior gasto, é também designado para inspirar criando uma configuração que espelha a de seus livros. Em uma parede, tem um apotecário restaurado com algumas gavetas etiquetadas com poções mágicas de seus livros. Em outra, tem uma cabine telefônica Britânica antiga com uma bagunça de fios dentro. “Vai ser uma máquina do tempo,” Clare disse, e baseado em seu tom, é algo que devemos acreditar. Sua imersão no mundo de Cassandra Clare é completa, até mesmo no nome (o nome real dela é Judith Lewis).

Clare tem mais três lançamentos esse ano — duas edições paperback e uma edição de aniversário de dez anos de “Cidade dos Ossos” que vai sair em Novembro. No próximo ano, ela vai lançar “Lost Book of the White“, com colaboração de Wesley Chu, junto com o primeiro livro da trilogia “The Last Hours“.

Shadowhunters“, a série baseada em seus livros, continua a segunda temporada na Freeform, no dia 5 de junho, mas ela não está muito envolvida e bem desapontada com isso. Clare disse que os showrunners tem suas próprias ideias para a série, mas ela aponta para “Game of Thrones” e “Outlander” como séries que tem se beneficiado de ter o autor envolvido. “Eu amaria trabalhar em uma série de tv,” ela disse. “Eu gostaria de uma chance para escrever um roteiro.

É mais trabalho, mas esse é o ponto.

Ela obviamente ama isso,” Wojtyla disse. “Se ela não está escrevendo todo o tempo, ela está pensando e investindo.

Clare admite, na sua mesa de escrita, “Parar não é algo que eu faço.

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