O Martelo de Thor (Magnus Chase e os Deuses de Asgard #2)

Rick Riordan

Páginas: 400
Editora Intrínseca
Livro Anterior: A espada do Verão
Livro Seguinte: O Navio dos Mortos

SKOOB

Em A Espada do Verão, primeiro livro da série, os leitores são apresentados a Magnus Chase, um herói boa-pinta que é a cara do astro de rock Kurt Cobain.

Morador de rua, sua vida muda completamente quando ele é morto por um gigante do fogo. Por sorte, na mitologia nórdica os heróis mortos vão parar em Valhala, o paraíso pós-vida dos guerreiros vikings. Lá, Magnus descobre que é filho de Frey, o deus do verão, da fertilidade e da medicina.

Desde então, seis semanas se passaram, e nesse meio-tempo o garoto começou a se acostumar ao dia a dia no Hotel Valhala. Quer dizer, pelo menos o máximo que um ex-morador de rua e ex-mortal poderia se acostumar. Magnus não é tão popular quanto os filhos dos deuses da guerra, como Thor e Tyr, mas fez bons amigos e está treinando para o dia do Juízo Final com os soldados de Odin — tudo segue na mais completa paz sanguinolenta do mundo viking.

Mas Magnus deveria imaginar que não seria assim por muito tempo. O martelo de Thor ainda está desaparecido. E os inimigos do deus do trovão farão de tudo para aproveitar esse momento de fraqueza e invadir o mundo humano.

PUXA VIDA.

Antes de começar o que já sei que não será uma resenha à altura do livro nem do autor, devo dizer o quanto estava com saudade desse universo de mitologia e aventuras urbanas/adolescentes contemporâneas. Este livro é de 2016, sendo a primeira continuação da tão comentada um dia “continuação nórdica de Percy Jackson” que teve seu inicio em Magnus Chase e os Deuses de Asgard – A Espada do Verão [Que para caso alguém se interesse, comente sobre querer uma resenha retroativa aqui!].

Este livro já está meio passado nas livrarias e nas estantes de muitos de vocês, leitores que como eu logo que puseram as mãos em algo escrito pelo Tio Rick, se apaixonaram. Percy Jackson foi o salvador para um universo após Relíquias da Morte, e desde então, como Cassandra Clare vem fazendo, seus livros não perderam o ingrediente que causa vicio de leitura, muito pelo contrário, é possível que estes autores estejam abusando desse ingrediente e nos pondo em estado de vício completo e absurdo crônico sem chace de cura.

Algo que deve ser sempre lembrado quando tratamos de livros do Rick, é o zelo que ele tem em criar situações cabíveis para explicações descabidas. Como utilizar um dinâmica moderna e compreensível para tratar de contos (que por si só já tratam de situações e conceitos) complicados e fora do nosso dia a dia. Dito isso quero que vocês pensem em todas as mitologias que já foram ouvidas em suas vidas, Hércules (mesmo a história falsa da Disney), Perséfone e outro qualquer herói ou divindade grega, egipcia ou de sua escolha – agora traga sua atenção para o foco do nosso livro aqui: Mitologia Nórdica.

Asseguro a vocês, existe poucas mitologias tão complicadas e excruciantemente sem condições de serem trasportadas para o mundo moderno de hoje, quanto a mitologia Nórdica. E AINDA SIM, o Rick a manuseia de uma maneira que encontra pontos para explicações e até mesmo comparações justíssimas. Esse homem é um semideus, muito provavelmente, com habilidades para escrita – É a unica explicação.

Desde monstros paridos por 9 mulheres diferentes ao mesmo tempo, até regras cabulosas para uso de armas e hábitos culturais, Rick Riordan transmite informações, conceitos e lições de vida com o uso de aventuras e piadas maravilhosas.

No segundo livro, era de se esperar que alguma complicação aparecesse por conta da complicação que são os mitos nórdicos; mas até mesmo isso, que poderia fazer com que outros autores se sentissem acuados, é maestralmente incorporado a história… e não para por aí. Vamos colocar mais elementos. Não basta os que já existiam no primeiro livro, vamos agora falar sobre discordância religiosa, preconceitos e imposição de valores. Para tanto gostaria de enfatizar dois dos meus personagens favoritos deste livro: Samirah Al-Abbas e Felix Ferris.

As duas personagens, não bastando suas histórias individuais, são descendentes de Loki, o deus mais odiado do mundo nórdico. Samirah é muçulmana, e vemos através de sua narrativa diversos conflitos a respeito de sua religão em contato com personagens que representam o oposto daquilo de a cultura de Samirah acredita. Estar cercada de Criaturas magicas, deuses e situações sobrenaturais, para minha leitura foi sem precedentes. E não só temos chance de conhecer mais sobre a cultura viking como também conhecer conceitos de outras culturas como esta, da personagem, que exibe uma resolução maravilhosa e simples para continuar coexistindo neste mundo fantastico de deuses vikings e realizando suas orações diarias para Ala.

Além de Samirah, temos Alex Ferris, um/uma semideus/a de gênero fluido. Como dito no livro, sexualidade era compreendida de uma forma diferente no mundo antigo, principalmente no que diz respeito a cultura Viking. Desta maneira o Riordan nos apresenta (senão a primeira, mas para meu conhecimento limitado de fato a primeira) personagem de gênero fluido – sendo logicamente colocada ao lado de Loki, o personagem mitologico mais famoso por “dont give a fuck” para papeis de gênero [Caso você não conheça bem esse ramo da história, leia o livro, será surpreendente]

Portanto, não acredito que demorei anos para reaver um exemplar de alguma aventura do Riordan em minhas mãos. Não só a nostalgia é incrível e completamente válida, como ver a disposição de informações, e piadas modernas no livro são impagáveis – Para aqueles que já estãoa costumados com essa veia cômica presente nos livros; vai um aviso: Este livro é surpreendente cheio de referências do mundo real – De musicas à personalidades, Riordan abusa muito da cultura digital explorando Deuseus Vikings viciados em Instagram, até torturas em uma pista de boliche.

Mais um exemplar de livro/história de um autor que já está fadado ao seu top10.

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