Sinopse:
Jude tinha 7 anos quando seus pais foram assassinados e foi forçada a viver no Reino das Fadas. Dez anos depois, tudo o que ela quer é ser como eles – lindos e imortais – e realmente pertencer ao Reino das Fadas, apesar de sua mortalidade.

Mas muitos do povo das Fadas desprezam os humanos. Especialmente o Príncipe Cardan, o filho mais jovem, mais bonito e mais cruel do Grande Rei. Para ganhar um lugar na Alta Corte, ela deve desafiá-lo… e enfrentar as consequências.

Envolvida em intrigas e traições do palácio, Jude descobre sua própria capacidade para truques e derramamento de sangue. Mas, com a ameaça de uma guerra civil e o Reino das Fadas por um fio, Jude precisará arriscar sua vida em uma perigosa aliança para salvar suas irmãs, e o próprio Reino.

Com personagens únicos, reviravoltas inesperadas, e uma traição de tirar o fôlego, este livro vai deixar o leitor querendo mergulhar de cabeça na continuação deste universo.

  • O Príncipe Cruel (O Povo do Ar #1) – Holly Black
  • Páginas – 322
  • Editora – Galera Record
  • Skoob / Goodreads

Vou começar dizendo: OUTRO CLÁSSICO LIVRO DA HOLLY BLACK

O que quero dizer com isso? Bem, pra mim isso significa e resume que mais uma vez nos encontramos lendo um livro repleto de: fadas, magia, envolvimento, características bem marcantes, tramas bem desenvolvidas, uma certa dose de derramamento de sangue e beijos roubados, além de personagem que nos dão ódio por conseguirem fazer com que os amemos demais. E uma quantidade incrível de peso e responsabilidade colocado sob os ombros de algum ou alguma jovem que visivelmente não está pronto para tanto.

Uns clichês sempre têm, né. Mas a graça é como utilizar esses clichês para transformar o livro e a história em algo unico, novo e viciante – Holly Black tem esse dom e todos devemos agradecer a isso.

Minha leitura foi um pouco turbulenta, uma vez que optei por ler em inglês e no meio do percurso houve o lançamento de Queen of Air and Darkness – e prioridades são prioridades. Mas voltando a falar, acho o inglês que a Holly usa nos seus livros de fada (esse não foi o único que li, mas o que mais gostei) me causa um pouco mais de dificuldade – acredito ser por causa do pensamento e do mergulho numa cultura feérica, que é conhecida por enigmas e charadas e falar muito sem dizer nada, que o inglês acaba puxando o meu tapete. Mas nada tema, pois o que pode sair disso além de algumas palavras mais extravagantes para o seu vocabulário, é apenas uma demorinha na leitura.

“Nice things don’t happen in storybooks. Or when they do happen, something bad happens next. Because otherwise the story would be boring, and no one would read it.” 

“Coisas boas não acontecem em livros de histórias. Ou quando acontecem, algo ruim acontece em seguida. Pois de outra forma a história seria entediante e ninguém a leria”

A história já começa bem chocante, onde somos apresentados a Jude, e sua irmã gêmea Taryn. Ambas presenciam a morte violenta de seus pais por uma faérico, Madoc. Elas são bem pequenas quando são levadas por ele para o reino das fadas – junto com sua meia irmã Vivianne, filha do assassino de seus pais. Mas acontece que Vivianne é meio fada, o que deixa Jude e Taryn sozinhas para lidar com o mundo desconhecido e cheio de maravilhas que conhecemos do Reino Sob a Montanha ao serem criadas como filhas de Madoc, o general do exército do Grande Rei da corte de Unseelie.

É muito complicado, para duas mortais, viver em meio ao mundo das fadas, onde perigos e ameaças se escondem no comer de uma reles maçã. Jude cresce determinada a conquistar seu lugar em meio aos faéricos; mas para isso, acaba por se colocar em situações de grande risco quando passa a se envolver em políticas da corte, relacionamentos traiçoeiros e golpes de estado. Taryn, sua irmã gêmea tem outra percepção da vida em Elfhame, o mundo das fadas, e isso gera conflitos internos sobre como, de fato, um humano deve se comportar vivendo em meio a seres imortais.

“I am tired of caring,” I say. “Why should I?”
“Because they could kill you!”
“They better,” I say to her. “Because anything less than that isn’t going to work.”

“Eu estou cansada de me importar,” Eu digo. “Porque eu deveria?”
“Porque eles podem de matar!”
“É melhor que façam,” Eu digo a ela. “Pois qualquer coisa menos que isso não vai funcionar.” 

Jude é apresentada como uma vítima. Não, melhor dizendo, como uma presa. Para seres imortais que estão a centenas de anos acostumados a se preocupar apenas com suas diversões sádicas e manipulações (não apenas emocionais) vendo tudo do alto de sua posição de espécie dominante. Porém ela se recusa a agir como uma presa fácil nisso tudo. Munida de pouco mais do que seu conhecimento dos hábitos do povo em que ela foi forçada a viver, ela reúne coragem e se mostra uma personagem principal digna. Ela trabalha duramente para se opor aqueles que a diminuem por nada, e ainda conseguir terreno no jogo dos nativos – que não veem com bons olhos a intromissão de uma mortal nos assuntos dos imortais.

Jude é claramente um lobo vestido em pele de cordeiro para a história, na qual ela se entrelaça com personagens perigosos e que tentam utilizar dela para seus fins. Um dos personagens que mais gostei foi Cardan, o príncipe mais novo da família real, e o menos provavel a desempenhar qualquer papel importante no governo de Elfhame. Ele é um garoto sombrio e sádico que aparece sempre com os olhos virados para os lugares certos, comandando seu próprio círculo de seguidores – que dividem sua predileção por zombar e torturar Jude e sua irmã. Logo de início vemos como Cardan e Jude são opostos e praticamente inimigos jurados.

Mas é aí que os cliches se tornam diamantes nas mãos de uma escritora habilidosa como Holly Black. Intrigas, provocações e praticamente ódio concreto são usados para mostrar que nem só de pureza e bondade são feitos os personagens tidos como bons; da mesma forma que nem só de crueldade são feitos os supostos vilões. A narrativa nos leva a conhecer traços e elementos dos personagens que apesar de tudo os aproximam, mesmo que as personalidades os afastem.

“Go ahead. Insult me.”
His eyebrows go up. “I don’t take commands from mortals,” he says with his customary cruel smile.

“ Vá em frente. Me insulte. .”
Suas sobrancelhas levantaram. “Eu não recebo comandos de mortais.” disse ele com seu costumeiro sorriso cruel.

Jude e Cardan tem um crescimento surpreendente do decorrer da história, acabando o primeiro livro da série de uma forma que eu não havia previsto – o que já me fez gostar ainda mais – pois, dentro tudo que vimos no começo, Holly se empenha para mostrar que relacionamentos são complicados e perigosos, e usa sua especialidade para coroar a situação: ainda mais quando estamos lidando com fadas.

“Father, I am what you made me. I’ve become your daughter after all.”

“Pai, eu sou o que você me fez. Eu me tornei sua filha, afinal”

Tratando-se de família, acho que teremos muitas opiniões neste recém nascido fandom. Jude é criada, juntamente com sua irmã gêmea e com Viviane, sua meia irmã fada, por Madoc: O assassino de seus pais, e pai de sua meia irmã. O relacionamento entre eles é complicado – em vista dos acontecimentos que a levaram até alí. Mas ao mesmo tempo Madoc se mostra um pai preocupado e até certos pontos, carinhoso. Tendo acolhido-a e treinado-a e fortificado-a para a vida em meio as fadas.

No geral, o livro é ótimo e viciante. Tem um final que não só é inesperado como deixa-nos sedentos pelo que está por vir, como as coisas serão resolvidas e como Jude vai agira agora que, aparentemente, ela conquistou seu tão árduo lugar em meio aos monstros que ela tanto despreza quanto inveja.

“Desire is an odd thing. As soon as it’s sated, it transmutes. If we receive golden thread, we desire the golden needle.”
“Desejo é uma coisa estranha. Assim que é saciado, transmuta. Se recebemos um fio de ouro, desejamos a agulha de ouro.” 

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