“O Abrigo”
Nora Roberts
Bertrand Brasil – 2018 – 462 páginas

Era uma típica noite de sexta-feira em um shopping nos arredores de Portland, Maine, em 2005, quando três adolescentes fortemente armados começaram a atirar, matando e ferindo muitas pessoas antes de serem contidos. Anos mais tarde, dois dos sobreviventes, considerados os jovens heróis da tragédia, estão dando continuidade a suas vidas. Ela, seguindo os passos da avó, encontra na escultura uma maneira de expor as emoções. Ele, inspirado pela primeira policial a chegar ao local do tiroteio, torna-se detetive. A morte misteriosa de alguns dos demais sobreviventes do massacre parece indicar que um conspirador está à espreita. Incertos de quem será o próximo alvo, aqueles que conseguiram a duras penas reconstruir a própria história precisarão encontrar um no outro o abrigo necessário para sepultar o passado de uma vez por todas.

Nora Roberts dispensa qualquer tipo de apresentação. Com mais de 200 títulos publicados, a ‘Rainha do Romance’ mantém a coroa tanto em manter a qualidade dos seus ‘clássicos contemporâneos’ e ‘felizes para sempre’ quanto na produtividade incansável  da autora: sua média publicações anuais continua tão produtiva que a única frustração dos fãs é não ter tempo – ou dinheiro *risos* –  pra acompanhar tantos títulos.

                Em  ‘O Abrigo’, a romancista parte de uma premissa que carrega em si tanto um toque de tragédia quanto de redenção. Há anos atrás, três adolescentes abrem fogo num shopping lotado de famílias; agora, alguns sobreviventes desse terror começam a ser sistematicamente mortos. O romance fica por conta de dois desses sobreviventes: Simone, segue sua vida após o ocorrido através da arte que lhe foi passada por sua avó e faz esculturas como forma de vencer o trauma e Reed, que teve seu senso de bondade e justiça insuflados pelo tiroteio que presenciou, se torna um dedicado detetive de polícia.

                O enredo nós já vimos diversas vezes: a menina, o menino, a vilã, a melhor amiga, o alívio cômico – aqui sendo representado pela avó de Simone. Apesar de um início extremamente angustiante que seria capaz de gerar desde narrativas sobre superação do luto até mesmo profundas críticas sociais, Nora Roberts segue seu caminho tradicional e a tragédia se torna o ‘ponto em comum’ do nosso casal principal, sendo às vezes tratado de forma quase banal por aqueles que deveriam ter marcas eternas de dor e sofrimento.

                Ainda assim, o livro prende até o fim. Usando sua fórmula mágica, Roberts consegue fazer com que todos os problemas óbvios da narrativa e dos personagens esteriotipados simplesmente funcionem. Sabemos que é a antagonista sem grandes enrolações mas ficamos tensos tentando saber antes de nos ser dado, quando os mocinhos vão descobrir também. E se as motivações não convencem, as personalidades – mesmo clichê – dos personagens apaixona.

                Gostar ou não desse livro depende muito mais de quem lê do que dele em si. Não espere nenhuma grande novidade ou surpresa mas não subestime sua capacidade de fazer quem decide se arriscar por suas páginas de se deleitar.

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