FILHOS DE SANGUE E OSSO (O legado de Orïsha #1)
Tomi Adeyemi

Páginas: 560
Tradução: Petê Rissatti
Editora Fantástica Rocco

SKOOB

Zélie Adebola se lembra de quando o solo de Orïsha vibrava com a magia. Queimadores geravam chamas. Mareadores formavam ondas, e a mãe de Zélie, ceifadora, invocava almas.

Mas tudo mudou quando a magia desapareceu. Por ordens de um rei cruel, os maji viraram alvo e foram mortos, deixando Zélie sem a mãe e as pessoas sem esperança.

Agora Zélie tem uma chance de trazer a magia de volta e atacar a monarquia. Com a ajuda de uma princesa fugitiva, Zélie deve despistar e se livrar do príncipe, que está determinado a erradicar a magia de uma vez por todas.

O perigo espreita em Orïsha, onde leopanários-das-neves rondam e espíritos vingativos aguardam nas águas. Apesar disso, a maior ameaça para Zélie pode ser ela mesma, enquanto se esforça para controlar seus poderes — e seu coração.

Filhos de sangue e osso é o primeiro livro da trilogia de fantasia baseada na cultura iorubá O legado de Orïsha e está sendo adaptado para o cinema.

Filhos de Sangue e Osso, escrito por Tomi Adeyemi, foi publicado pela editora Fantástica Rocco em outubro e é o primeiro livro da trilogia O legado de Orïsha. É o livro de estreia de Adeyemi, que é norte-americana com origem nigeriana. Ela tem apenas 25 anos, é graduada em literatura em Harvard e ganhou uma bolsa de estudos para estudar cultura africana em Salvador, na Bahia, na qual ela se inspirou a criar o universo do livro, baseado na mitologia ioruba, onde a magia dos orixás corre o risco de se perder para sempre.

No livro somos apresentados a Orïsha, um lugar onde a magia foi erradicada há 11 anos atrás, pela monarquia, que temia o poder que uma parte da população poderia ter. Todos os maji (divinais com capacidade de manipular a magia) adultos foram mortos. Zélie, nossa protagonista, é uma divinal (que possui a capacidade de ser maji e manipular a magia, mas não pode porque a magia foi erradicada) e viu sua mãe ser assassinada pela monarquia quando ainda era uma criança. Isso a traumatizou e a fez odiar o rei e jurar vingança.

Você nos esmagou para construir sua monarquia sobre o nosso sangue e ossos. Seu erro foi nos deixar vivos. Foi pensar que nunca revidaríamos!

A história começa a partir do ponto em que Zélie, depois de se meter em algumas confusões, descobre que há um ritual que pode trazer a magia de volta a Orïsha. Então ela, seu irmão Tzain e a princesa Amari, correm contra o tempo para juntar os artefatos mágicos para conseguir realizar o ritual. Acompanhamos a história pelo ponto de vista de Zélie, Amari e Inan (príncipe, irmão de Amari).

O sistema de magia e organização da mitologia é um pouco diferente do que somos acostumados a ver em livros Jovens Adultos e, por isso, um pouco complicado de explicar nessa resenha. Mas resumidamente temos deuses, divinais (pessoas com potencial para magia, majis sem magia), maji (pessoas com magia) e os clãs de maji, cada um com um nome denominado por sua habilidade mágica (os nomes dos clãs e suas habilidades estão descritos no começo do livro para consulta).

Sem magia, eles nunca nos tratarão com respeito. Precisam saber que podemos revidar. Se queimam nossa casa… Eu queimo a deles também.

Os personagens são bastante interessantes e com desenvolvimentos ótimos. Destaque para Amari, a princesa que se mostra “frágil” e para Inan, o príncipe ambíguo que não sabe muito bem em que lado está e o que quer da vida (apesar de eu ficar meio ?????? com ele por quase todo tempo, gostei do tipo inesperado de personagem que ele é). No quesito relacionamento, destaco o de Zélie e de Amari, duas protagonistas diferentes e importantes para a história com uma relação importante para o girl power.

A realidade nos dizia que fracassaríamos. Mas nós lutamos, lutamos. Perseveramos. Nos erguemos.

Tudo é inspirado e baseado em mitologia africana, que acaba se tornando o grande triunfo do livro, junto com toda representatividade negra (absolutamente todos personagens do livro são negros). Esses pontos também foram o que mais me animaram e me chamaram atenção (além da capa linda) para ler o livro. Amo ver autoras como a Tomi Adeyemi, mulher e negra, triunfando na lista do The New York Times e tendo seu trabalho cada vez mais conhecido.

Não vou deixar sua ignorância silenciar minha dor.

Como ponto negativo no livro, posso citar o romance e seu desenvolvimento. Eu estava curtindo bastante o começo do desenvolvimento da relação romântica, principalmente porque parecia ser aquela famosa fórmula que amamos, conhecida como enemies to lovers (inimigos para amantes). Tudo estava acontecendo lentamente, com desenvolvimento coerente e agradável, até que a história dá uma virada de repente e o romance acontece em pouco tempo de uma forma intensa e logo já temos fortes declarações de amor, o que soou bastante forçado para mim. Parece que a autora, na metade do livro, lembrou que precisava daquela relação e achou que estava muito lento e BUM: amor intenso. Soou incoerente até com os dois personagens, que anteriormente estavam desenvolvendo lentamente a conexão. Lembrando que isso é uma opinião bem pessoal, baseado do que eu gosto de ler.

Sobre o final do livro, já aviso que me surpreendeu e me deixou com dúvidas. É um final um pouco aberto, sem explicar muito bem o que acontece e prometendo o gancho para o seguinte. Não acho que chegue a ser um cliffhanger, mas fez com que eu ficasse meio sem entender o destino de alguns personagens, por exemplo. Pensei que eu que não tivesse entendido, mas então pesquisei na internet e descobri que opiniões se dividem, o que acaba criando muitas teorias para o próximo volume. Achei inteligente, surpreendente e misterioso! Ansiosa pelo próximo!

Ensino vocês a serem guerreiras no jardim para que nunca sejam jardineiras na guerra.

Outro ponto que preciso destacar é sobre a tradução do livro, da Rocco feito por Petê Rissatti. Está muito boa! Logo no começo do livro temos uma nota em que eles explicam que optaram por deixar as palavras em iorubá em sua grafia original, assim como adicionar um guia de pronuncia das palavras no final do livro.

No final do livro, depois do epílogo, tem uma nota emocionante da autora, onde ela fala sobre injustiças e racismo e faz pequenas referencias com a história. Não deixem de ler!

Coragem nem sempre ruge, disse ela naquele dia. O valor nem sempre brilha.

A continuação de Filhos de Sangue e Osso vai se chamar Children of Virtue and Vengeance (Filhos de de Vingança e Virtude) e tem previsão de lançamento nos EUA para Março de 2019. Um filme está sendo desenvolvido pela Fox 2000/Temple Hill Productions, com produção de Karen Rosenfelt e Marty Bowen (Crepúsculo; Maze Runner; A Culpa é das Estrelas; Com Amor, Simon). Sem previsão de produção.

Indico Filhos de Sangue e Osso a todos que querem ler uma fantasia diferente e cheia de representatividade!

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