Sinopse: Em uma noite extremamente fria em Estocolmo, um homem aparece sozinho e desnorteado em uma ponte. Quando ele é encontrado, a hipotermia já toma conta de seu corpo. Ao ser levado para um hospital, descobre-se que há sete anos ele foi declarado morto.

Seu assassinato foi creditado ao serial killer Jurek Walter, que foi preso há alguns anos pelo detetive Joona Linna e sentenciado a prisão perpétua em uma ala psiquiátrica. Enquanto investiga o aparecimento desse homem e tenta entender onde ele esteve durante os últimos sete anos, evidências desconhecidas começam a aparecer e influenciar o caso que já estava arquivado.

Com capítulos curtos e ritmo alucinante, O homem de areia é um thriller envolvente sobre os limites da maldade.

Todos que acompanham minhas resenhas já devem ter percebido que eu tenho uma certa quedinha por livros de suspense e de assassinos em série também. Dito isso, eu queria deixar bem claro que “O Homem de Areia” ainda assim conseguiu me surpreender. Logo no inicio, lendo ele, pela forma como as coisas eram ditas, eu comecei a achar que se tratava de um livro até mesmo um tanto sobrenatural, mas no final das contas a explicação é a mais normal possível: mas não se preocupem, não vou contar nada sobre isso porque, acreditem, é melhor começar a ler sem saber!

Como diz na sinopse, o livro começa assim com um homem andando completamente perdido em uma ponte, quase completamente congelado e quando descobrem quem ele é, vem a surpresa: ele tinha sido dado como morto sete anos atrás, sendo dado como vitima de um homem que matou – e sumiu – com muitas outras pessoas: Jurek Walter. No mesmo tempo que encontram ele, quando o detetive Joona Linna liga para a clinica psiquiátrica onde o homem está preso, descobre que Jurek continua lá, como tem estado desde que foi condenado a ficar.

“- Mas estou buscando a verdade – Joona disse, com ingenuidade intencional.
– Não precisa buscar. É o mesmo com a justiça, ou os deuses. Escolhemos o que serve a nossos propósitos.”

Mikael Kohler-Frost, o homem que foi encontrado, tinha desaparecido quando ainda era um menino, junto com sua irmã mais nova, Felícia. E enquanto Mikael está muito debilitado pela doença chamada “doença dos legionários” e muito confuso com tudo ainda, ele alega inúmeras vezes que Felícia ainda está viva e precisa de ajuda, precisa ser encontrada porque o “Homem de Areia” ainda pode machucar ela. Então toda uma investigação começa para descobrirem até que ponto Mikael está certo – e principalmente, como o homem de areia ainda está com Felícia e esteve com Mikael se ele está preso já fazem 13 anos.

Joona, o detetive que está responsável pelo caso, assim como foi no passado, sempre desconfiou que Jurek tivesse mantido algumas de suas vitimas vivas, mas conforme o tempo foi passando, sem novas evidencias, foi forçado a encerrar o caso e deixar isso pra lá. Então ele se torna mais focado ainda em entender agora o que está acontecendo: e também porque ele quer salvar a própria família, já como Jurek um dia ameaçou pegar a família dele e por isso ele teve que forjar a morte, tanto da esposa, quanto da filha, com medo que o homem cumprisse o que prometeu.

“Cair na água gelada é como ser atingido por um raio gélido, como receber uma injeção de adrenalina direto no coração. Seus ouvidos estão rugindo. Ele afunda na água negra e perde a consciência por alguns segundos, sonhando com uma grinalda de raízes de bétula entrelaçadas. Mesmo não sentindo as mãos e os pés, ele se esforça para bater as pernas e finalmente consegue parar de afundar.”

Conforme o livro vai passando, somos apresentados a alguns personagens tanto do passado de Joona, como o também policial Samuel Mendel, que teve sua família sequestrada por Jurek e nunca foi encontrada – e por isso o homem não aguentou o sofrimento e tirou a própria vida. Conhecemos também o Anders Rönn, um médico que acabou de chegar para ajudar a cuidar da Unidade de Psicologia Criminal de Segurança Máxima do hospital de Löwenströmka. onde Jurek está sendo mantido, que no começo eu tive uma certa simpatia, mas bem, bem, bem no começo mesmo, porque logo ele se mostra um personagem bem nojento.

E então tem a Saga Bauer, que eu acho que é a única personagem feminina assim que tem um destaque maior: e que destaque! Eu confesso que ela é disparada a minha personagem favorita do livro. Ela é surpreendentemente badass, apesar de tudo que já passou na vida dela (e, acreditem, foi muita coisa) e de parecer completamente indefesa, como gostam de pontuar muitas vezes durante o livro, e é uma das detetives que chamam para participar do caso, mas mais do que isso, a colocam em contato direto com Jurek, apesar de todos na clinica sempre alertarem para não conversarem com o homem porque ele tem um jeito de entrar na cabeça das pessoas como ninguém.

“- As verdadeiras vitimas não são aquelas que foram sequestradas ou mortas – ele diz. – As vitimas são os que ficaram para trás, os que ficaram esperando até não suportar mais esperar.”

Jurek, o assassino, também é um bom personagem e eu diria que muito bem desenvolvido. Ele não é um psicopata daqueles que é apenas “por ser”, tudo que ele criou e fez, foi tudo por um motivo maior e que eu vou evitar falar mais para não estragar a surpresa que é desvendar tudo que vai na cabeça do homem.

A única coisa que me incomodou um pouco nesse livro no inicio, mas que lá pelo meio do livro eu já estava acostumada, era que tinham muitas mudanças de pontos de vista. Claro que não jogados aleatoriamente, mas em cada capitulo que passava, mudava pra uma coisa diferente que me fazia perder um pouco a linha do raciocínio, mas conforme fui pegando o jeito que foi escrito, foi ficando mais fácil de entender.

“A morte chega tão rápido que a principal reação dele é a surpresa. Ele sente um aperto forte no punho que segura o revolver, depois uma dor ardente na barriga quando a lamina da faca penetra suas costelas e atinge seu coração.
Não há muita dor depois disso.
É mais como uma câimbra prolongada, embora uma quantidade enorme de sangue quente escorra por seu quadril quando a lamina volta a sair.”

Esse livro, no começo quando eu peguei ele, eu não imaginei que ia ficar com aquela sensação de que eu não podia parar até terminar completamente o livro como aconteceu. Cada pagina que passava, eu ficava mais e mais ansiosa para descobrir o que estava acontecendo ali e o que ainda tinha por vir.

Uma coisa que eu só descobrir ao terminar o livro é que “Homem de Areia” é na verdade o quarto livro de uma saga, que aqui no Brasil, pelas minhas pesquisas, só foram publicados o primeiro: “O Hipnotista”, e o segundo: “O Pesadelo”, mas não achei nada sobre o terceiro ter sido publicado aqui em lugar nenhum. Só que realmente não fez a menor diferença pra mim, conforme eu ia lendo, não senti como se estivesse perdida por não conhecer algum personagem de antes e nem nada parecido.

“Há algo em seus pensamentos, seu cérebro. Ele não consegue juntar as palavras corretamente. Todas as suas lembranças são como gelo picado na água escura.”

Eu indico muito esse livro para pessoas que, como eu, gostam bastante de um livro com muito suspense a ponto de nos deixar sem folego entre algum capitulo e outro e com um final completamente surpreendente.

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