“Menina boa, menina má
Ali Land
Record – 2018 – 378 páginas

Nome novo. Família nova. Eu. Nova. Em folha. A mãe de Annie é uma assassina em série. Um dia, Annie a denuncia para a polícia e ela é presa. Mas longe dos olhos não é longe da cabeça. Os segredos de seu passado não a deixam dormir, mesmo Annie fazendo parte agora de uma nova família e atendendo por um novo nome ― Milly. Enquanto um grupo de especialistas prepara Milly para enfrentar a mãe no tribunal, ela precisa confrontar seu passado. E recomeçar. Com certeza, a partir de agora vai poder ser quem quiser… Mas a mãe de Milly é uma assassina em série. E quem sai aos seus não degenera…

AVISO: Apesar de não ter encontrado nada sobre uma “indicação etária”, aviso que esse livro contém assuntos bastante delicados, entre eles pedofilia, incesto, agressões físicas e verbais, assassinato. Se você não se sente bem com nenhum desses assuntos, talvez esse livro não seja pra você.

É difícil, muito difícil, resenhar um livro com o peso e trama de “Menina boa, menina má”, tanto pelos temas serem pesados como qualquer coisa a mais que eu diga pode incorrer em um spoiler, então vamos do começo e com bastante cuidado porque não quero que ninguém que venha a ler esse livro perca a experiência tendo informações demais.

Eu queria poder dizer a elas que falo dessa maneira lenta e objetiva quando estou nervosa, e para filtrar o barulho. O ruído branco interrompido pela sua voz. Mesmo agora, especialmente agora, você está aqui, dentro da minha cabeça. Você não precisava se esforçar muito para parecer normal; no meu caso, esse mesmo esforço é uma avalanche.

O livro é um thriller psicológico fortíssimo e começa com a personagem principal, uma garota de 15 anos que agora viria a se chamar Milly, contando o que aconteceu com ela e sua mãe, uma psicopata responsável pela morte de crianças – sim, crianças. Ao que tudo indica, Milly está tão traumatizada que não sabe realmente como lidar com quem é e as coisas que vivenciou e viu a mãe biológica fazer.

Eu nunca entendo por que as pessoas não são melhores em esconder o que sentem, embora seja justo dizer que eu tive mais prática que a maioria.

Em um orfanato, ela encontra um lar provisório com um psicólogo, Mike, junto com a esposa, chamada Sackia, e a filha também adolescente do casal, Phoebe, que tem sua idade. Parece ser uma boa combinação, afinal, as garotas poderiam se tornar melhores amigas que estudam juntas enquanto Mike ajudava Milly em seu testemunho contra sua mãe, já como havia sido ela que entregara a mulher e era a principal testemunha de acusação de um caso que estava chocando toda a comunidade. Tudo poderia ter dado muito certo – poderia sim – mas a família de Mike tem seus próprios problemas para lidar e uma garota como Milly agora precisava ser a menina boa que o titulo faz referencia. Mas, dentro de Milly, ainda vive Annie, a filha da psicopata, que poderá ser a outra metade do titulo do livro.

Não consigo deixar de sentir pena dela, também já me senti assim. A fome da solidão, quando a gente está perto das pessoas – ou da pessoa – que deviam nos proteger. Cuidar da gente.

O meio do livro é construído de um jeito que começa a se tornar arrastado porque as pistas vão sendo deixadas aqui e ali, tudo para te confundir porque a leitura se dá em primeira pessoa, com Milly “conversando” e contando sobre o que aconteceu com sua mãe, no passado, sobre o ponto de vista dela: ou seja, é sua visão de como tudo aconteceu e pode não ser exatamente o que parece. Intercalando com esses momentos do passado, existe tudo que está acontecendo na casa de Mike e principalmente o relacionamento que Milly está desenvolvendo com Phoebe, que parece ser uma típica adolescente rebelde, lidando com uma disputa com sua mãe, a qual MIlly parece não ter o menor interesse em participar.

Um dos grandes problemas do livro pra mim foi a falta de carisma de Phoebe, que deveria ser o contraposto de Milly em todos aspectos, mas confesso que tive muito problema de nutrir sentimentos pela persongem, fossem bons ou ruins, somente me fazendo revirar os olhos para algumas atitudes da garota, enquanto a principio eu desenvolvi uma interesse instantâneo por Milly e sua duplicidade, a sua sagacidade de esconder quase o tempo inteiro o que sente e seu jeito de pensar. Outra personagem que me conquistou foi Morgan, a garota com uma família desajustada que Milly escolhe para ser sua amiga, apesar de mais nova. Gostaria de ter conhecido mais a Morgan.

O cérebro de um psicopata é diferente do da maioria, eu já vi as estatísticas. Oitenta por cento genética, vinte por cento influências do meio.
Eu.
Cem por cento fodida.

Qualquer informação a mais que eu dê vai terminar incorrendo em um spoiler e eu estou realmente tomando o maior cuidado para não entregar nada da trama porque se há um grande ponto forte nesse livro é justamente o fato das pistas e da história realmente crescer na direção do seu clímax, brincando com o leitor e o fazendo ficar preso nessas pequenas pistas, porque depois que o livro engata, lá pelo meio dele, fica difícil parar de ler, as teorias de tragédias aumentando mais e mais em qualquer mente, sem parar, a espera pelo julgamento da mãe de Milly se tornando cada vez mais próxima a cada pagina virada – mas, como todo bom thriller, o evento do julgamento, que você espera ser o clímax do livro termina não sendo. E sem mais informações sobre!

O que ela viu era feio demais para ser amado.

Apesar do meu aviso inicial, quero deixar claro que o livro não é gráfico, então se você tem medo de ler por motivos de não aguentar cenas detalhadas de horror, não se preocupe: tudo é bastante subentendido e explicando até mesmo em uma única frase, sem momentos sangrentos desnecessários. “Menina boa, menina má” dá uma lição nesse aspecto: um livro pode ser aterrorizante sem qualquer cena que te faça imaginar o horror que você sabe que as vitimas da mãe de Milly passaram, até mesmo por ser algo bastante pesado e horrível. Então termino com outro aviso, o contraponto do começo: Se você gosta de livros de suspense que te desafiam a saber aonde a história terminará, você não irá se arrepender de ler esse livro. E ah: o livro físico é lindo!

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