Heroínas (2018)

Laura Conrado; Pam Gonçalves, Ray Tavares

Galera Record

 

Três escritoras brasileiras — Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares — reinventam clássicos para inspirar cada vez mais heroínas.

Não faltam heróis. Dos clássicos às histórias contemporâneas os meninos e homens estão por todo lugar. Empunhando espadas, usando varinhas mágicas, atirando flechas ou duelando com sabres de luz. Mas os tempos mudam e já está mais do que na hora de as histórias mudarem também. Com discussões feministas cada vez mais empoderadas e potentes, meninas e mulheres exigem e precisam de algo que sempre foi entregue aos meninos de bandeja: se enxergar naquilo que consomem.
Este é o livro de um tempo novo, um tempo que exige que as mulheres ocupem todos os espaços, incluindo a literatura.
Laura Conrado imaginou as Três mosqueteiras como veterinárias de uma ONG, que de repente contam com a ajuda de uma estudante que não hesita em levantar seu escudo para defender os animais.
A Távola Redonda de Pam Gonçalves é liderada por Marina, que diante do sumiço do dinheiro que os alunos de sua escola pública arrecadaram para a formatura, desembainha a espada e reúne um grupo de meninas para garantirem a festa que planejaram.
E Roberta é a Robin Hood de Ray Tavares. Indignada com a situação da comunidade em que vive, a garota usa sua habilidade como hacker para corrigir algumas injustiças.
Este é um livro no qual as meninas salvam o dia. No qual elas são o que são todos os dias na vida real: heroínas. Finalmente.

 

‘Heroínas’ já carrega em sua proposta um objetivo claro: levar o empoderamento feminino às mentes mais jovens da nossa sociedade. Esse livro é 100% voltado para o público jovem: meninas, em especial. Nada impede que públicos mais velhos e meninos o leiam mas talvez a experiência seja menos prazerosa ou até mesmo haja certa dificuldade em se envolver nos conflitos propostos ou se relacionar com as personagens.

Levando em consideração que são 3 contos, resolvi fazer os textos em separado. Já vinha com essa proposta em mente antes de terminar a leitura e sua conclusão só reforçou a ideia, já que os textos são distintos entre si em quase tudo, com a única exceção do protagonismo feminino. Os textos estão seguindo a ordem que os contos estão no livro mas não se preocupem, não me alongarei em nenhum deles para não ficar cansativo.

‘Uma Por Todas E Todas Por Uma’ de Laura Conrado traz como protagonista Daniela numa nova versão de ‘Os Três Mosqueteiros’ sendo reescrita como uma ONG que resgata animais de rua. Dani tem 16 anos e sonha em ser veterinária. Em meio a ENEM, fim do 3º ano e paixonite pelo melhor amigo ela tem que ajudar na organização de uma feira de adoção da ONG que vem sofrendo com má administração de indivíduos mal intencionados.

O conto com certeza entendeu bem a proposta do livro, mas falha em sua execução Conceitos como sororidade e feminismo são muitas vezes trancritos na narrativa através de falas de personagens ou da protagonista. Por diversas vezes, senti-me lendo uma cartilha com situações-exemplos. Em nenhum momento realmente imergi na leitura como se deveria nem realmente me importar com a protagonista ou as demais ‘Mosqueteiras’. De fato, as únicas criaturinhas que geram empatia são os cãezinhos, mas bom, são cãezinhos, né?

‘Formandos da Távola Redonda’ de Pam Gonçalves traz a história de Marina, aluna-modelo que recebe a bomba de organizar a formatura da sua classe após o roubo do dinheiro que estava destinado para tal, numa adaptação de ‘Rei Artur e Os Cavaleiros da Távola Redonda’. Com a ajuda de mais 5 meninas, ela precisa não só conseguir a verba como animar as turmas a participar do evento.

Pam Gomçalves consegue transpor para as páginas os dramas e aflições adolescentes de forma bem desenvolvida. Coisas como o desconforto com o próprio corpo, a pressão da opinião dos outros ou de escolher seu futuro tão jovem, namoros e amizade são debatidos sem uma militância óbvia. A união das meninas é gradual, com momentos de conflito e discordância até que elas conseguem achar um caminho, respeitando uma a outra e percebendo a importância da colaboração mútua sem que a individualidade seja prejudicada.

‘Robin, A Proscrita’ de Ray Tavares conta a história de Roberta, uma jovem cracker (hacker criminosa) que rouba dinheiro de políticos e religiosos corruptos e ajuda a sua comunidade com ele. Motivada pela perda dos pais, ela busca vingança contra o homem que destruiu sua família. Essa versão de ‘Robin Hood’ do século XXI mantém o desejo de lutar contra injustiça mas usa ferramentas bem mais modernas.

O conto de Roberta/Robin me surpreendeu pela sua maturidade. Parte de um livro voltado para o público infanto-juvenil, a narrativa aborda de forma direta e consciente problemas da nossa sociedade como pobreza, desigualdade social, corrupção, uso de religião como forma de enriquecimento e principalmente, a tênue linha entre certo e errado (roubar é errado mas roubar de corruptos para ajudar as vítimas dessa  corrupção também é?) e vingança e justiça. Com o foco do conto voltado para o que acontece ao redor de Roberta ao invés de seus dramas pessoais, Tavares entrega uma história instigante que usa tragédia pessoal  como fio condutor mas jamais deixa de considerar aquela tragédia como parte de um todo que não pode ser desassociado ou esquecido.

 

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