Sinopse: Uma aventura romântica do século XVIII para a era moderna. Simon versus a Agenda Homo Sapiens, encontra os anos 1700

Henry ‘Monty’ Montague nasceu e foi criado para ser um cavalheiro, mas nunca foi domado. Os melhores internatos da Inglaterra e a constante desaprovação do pai não conseguiram conter nenhuma das suas paixões – jogos de azar, álcool e dividir a cama com mulheres e homens.

Mas agora sua busca constante por uma vida cheia de prazeres e vícios está em risco. O pai quer que ele tome conta dos negócios da família. Mas antes Monty vai partir em seu Grand Tour pela Europa, com a irmã mais nova, Felicity, e o melhor amigo, Percy – por quem ele mantém uma paixão inconsequente e impossível.

Monty decide fazer desta última escapada uma festa hedonista e flertar com Percy de Paris a Roma. Mas quando uma de suas decisões imprudentes transforma a viagem em uma angustiante caçada através da Europa, isso faz com que ele questione tudo o que conhece, incluindo sua relação com o garoto que ele adora.

É importante começar falando o quanto esse livro me surpreendeu! O que é dizer muito, pois O Guia do Cavalheiro para O Vício e A Virtude me chamou atenção no momento em que fiquei sabendo sobre sua existência durante o mochilão da Record, e desde então tinha vontade de lê-lo. O livro é um romance histórico, se passa no século XVII e a história gira em torno desse ‘cavalheiro’ chamado Monty, que durante toda sua vida seu pai tentou lhe controlar, mas nunca conseguiu, sendo um rebelde de carteirinha que só se preocupa com beber, transar (com mulheres e homens) e sair para jogar.

Porém, sua vida de luxuria acaba sendo ameaçada quando seu pai decide lhe dar um certo ultimato em relação a tomar conta dos negócios da família, então o nosso protagonista decide ir em uma última viagem pela Europa com sua irmã mais nova, Felicity e seu melhor amigo, Percy, que ele é completamente apaixonado.

Não preciso nem dizer o que foi que chamou minha atenção, não é mesmo? Um romance de época LGBT? Nunca havia escutado falar, ou lido algo assim, simplesmente precisava dar uma olhada. Afinal, era representação, algo que sempre me faz querer ler ou assistir alguma coisa, para pelo menos ler se foi feito de uma forma válida ou apenas para chamar atenção mesmo. E posso dizer com propriedade que esse livro lidou com seus temas de forma magnifica, irei entrar mais em detalhes sobre a sexualidade do Monty mais para frente, mas uma coisa que logo de primeira me pegou de surpresa foi o fato de que Percy é um homem negro. Isso não foi mencionado durante o mochilão, mas apenas o fato de ter um personagem principal negro em um romance de época já é um avanço enorme, principalmente quando ele é retratado como centrado e melhor amigo de um cavalheiro.

Entretanto no começo parece que o livro vai se manter em uma certa linha e não vai sair dela, que é o Monty se metendo em suas confusões, muitas vezes sendo acompanhado de Percy ou não, e mantendo um certo gênero de comédia, que não iria me chatear de forma alguma se houvesse continuado completamente, pois estava sendo escrito e lidado de forma muito boa, e me rendeu bastantes gargalhadas. Mas eventualmente o livro entra nos assuntos importantes que estavam flutuando sobre ele desde o começo, como a bissexualidade de Monty, que eu tive muito medo de ser retratada de uma forma ruim ou promiscua, como geralmente é, mas não foi, também o racismo em volta do Percy e outros assuntos importantes que não irei mencionar para não estragar a leitura de vocês.

Enquanto eu lia achava que já sabia como toda a história iria se desenrolar, afinal todos nós conhecemos o básico dos livros de romance, não existe muita diferença entre sua construção, mas esse livro é cheio de reviravoltas que realmente não pude prever, e me fez o ler muito mais rápido do que eu esperava. Não se enganem, o livro é enorme, mas devido a narração única do Monty, que é um personagem tão original e que possui uma voz tão… Encantadora, você acaba mergulhando de cabeça na leitura e nem mesmo vê o tempo passar. Me fez me lembrar de uma das minhas protagonistas favoritas, por mais que seja uma comparação um tanto quanto estranha, mas para aqueles que já leram os dois livros talvez concordem comigo, mas Monty me lembrou bastante a Suze da série A Mediadora em relação a forma que narra a sua própria história.

Sua bissexualidade foi retratada de uma forma que me deixou completamente pelo autor. Tantas vezes bissexuais são retratados como promíscuos, e ao ler a sinopse imaginei que Monty seguiria a mesma linha, imaginei que haveriam certas coisas durante o caminho desse romance que me fariam passar bastante raiva, mas no final de tudo Monty é o Monty apesar de sua sexualidade, e isso é retratado de uma forma muito boa. Eu o considero uma boa representação nesse sentido, me surpreendeu de uma forma mais do que boa.

Também tive um pouco de medo do romance não ser bom. Não é porque o livro é de romance que você vai acabar torcendo pelo casal, muitas vezes não gostei de casais que li, ou simplesmente não shippei com tanta vontade, pois não conseguia ver realmente algo ali, não havia rolado uma certa conexão. Mas esse livro lhe faz se conectar com ambos os personagens, e ao finalizar realmente pareceu que eu estava escutando a história de dois amigos meus, pela forma que ambos são tão bem construídos e desenvolvidos. Shippei muito Monty e Percy, e shipparia tudo de novo, por mais que tenha sofrido bastante pelo desenrolar.

Mas o livro não é feito somente de Monty e Percy, acreditem, tanto que minha personagem favorita é a Felicity, irmã mais nova de nosso protagonista. Ela rouba todas as cenas na qual está inclusa, e vocês não imaginam minha felicidade ao descobrir que irá ter uma continuação narrada por ninguém mais ninguém menos do que a mesma. Mal posso esperar para estar em sua mente, e saber que tipo de problemas a garota irá se meter. Espero que a Record também publique essa continuação aqui no Brasil!

Enfim, eu recomendo muito esse livro. Eu até diria que é uma leitura rápida, mas essa foi a minha experiência, o livro é bem grande, então aconselho ler quando tiver tempo mesmo. Vocês irão se apaixonar por todos os personagens e suas histórias, isso eu prometo de pés juntos. Não irão se arrepender mesmo de ler essa belezura que vai lhes fazer se morrer de rir, chorar um pouquinho se tiveram coração mole como eu e morrerem de orgulho de seus filhos, no caso, os personagens.