Moonrise Kingdom (2012)

Direção: Wes Anderson

Elenco: Bruce Willis, Edward Norton, Bill Murray

Gênero: Drama; Comédia

 

Muito pode-se dizer sobre esse que é o sétimo filme do cineasta Wes Anderson mas acho importante começar dizendo que a despeito do elenco majoritariamente infantil, dos protagonistas adolescentes, do enredo focado no primeiro amor, do tom caricaturesco das atuações, das cores fortes e das sequências em arcos exagerados, este NÃO é um filme infantil.

O roteiro escrito pelo próprio Anderson em parceria com Roman Coppola conta a história dos adolescentes Suzy e Sam – ambos considerados ‘esquisitos’, eles se apaixonam sem que ninguém perceba e combinam de fugir juntos para uma praia deserta. Ambientado numa pequena ilha isolada do resto do mundo, a comunidade que reside ali parece isolada também das mudanças políticas de seu tempo, já que a trama se passa em 1965, pré Guerra do Vietnã e no auge da Guerra Fria.

Colocando seus personagens propositalmente longe dos ‘tempos modernos’, o filme resgata uma memória de inocência e bucolismo – que de fato nunca existiu mas que serve ao objetivo principal da trama: o sentimento experimentado na descoberta do amor. Os cenários servem tanto como ilustração às fantasias da menina alimentadas pelos seus livros (e sua influência sobre os anseios da mesma se dá de maneira direta ao revelar para Sam em determinado momento que “adoraria ser órfã; todas as suas heroínas favoritas o são”) e ao desejo de conexão do menino (órfão, ele não é aceito pela família adotiva e busca incessantemente um lar, mesmo que jamais fale a palavra durante toda a projeção, suas ações como ‘provedor e protetor’ revelam uma noção romantizada do seu relacionamento com Suzy.)

O romance, sempre da perspectiva do casal adolescente, esbarra tanto no absurdo típico dos filmes infantis – em que sobreviver a um raio só com o rosto queimado é absolutamente possível quanto na inocência daqueles sobre o qual o filme escora seu ponto de vista. Então, o caso que a menina assiste da varanda entre sua mãe e o policial local se resume a conversas e troca de cigarros e a perda da virgindade é representada pelo furo em sua orelha.

Essas concepções atingem também o núcleo adulto: com nomes como Bruce Willis, Edward Norton, Frances McDormand e Bill Murray, os diálogos e performances poderiam cair no caricaturismo ridículo mas são absolutamente factíveis com as situações encenadas, não importa quão patética possa parecer. De fato, o sumiço das crianças gera uma comoção capaz de quebrar a aparência de perfeição do local – e de seus moradores e revelam as desesperanças e sonhos perdidos dos que ali residem. E se em determinado momento, eles escolhem (re)abraçar suas emoções mais infantis, essas emoções se tornam força e iluminação para os personagens, minando todos os defeitos apresentados ao longo da trama com a coragem de uma criança, fazendo a audiência se perguntar porque também deixou de lado tais aspirações ao chegar a vida adulta.

De fato, ao fim da narrativa esse é o resultado da projeção: uma nostalgia de tempos onde acreditava-se que tudo era possível, bastasse querer e uma vontade de descobrir o caminho de volta a esses tempos.