A Mulher Entre Nós – Geer Hendricks e Sarah Pekkanen

Paralela – 2018 – 352 páginas

Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, morando no apartamento de sua tia, ela não tem filhos, dinheiro ou amigos verdadeiros. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro de Vanessa se quebra. A partir de agora, sua vida irá revolver em torno de uma única obsessão: impedir esse matrimônio. Custe o que custar.

Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra jovem bela e sonhadora que veio para Manhattan começar sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Em sua mente, perdura um segredo que a fez fugir de sua cidade natal e que a impede de caminhar em paz quando está sozinha.

Ao conhecer Richard – bem-sucedido, protetor, o homem dos sonhos – ela finalmente começa a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de todos os males, para o resto de sua vida. Mas, de repente, ela começa a receber ligações misteriosas. Fotografias em seu quarto são movidas de lugar. O lenço que ela planejava usar em seu casamento desaparece. Alguém está perseguindo-a, alguém quer o seu mal. Mas quem?

‘A Mulher Entre Nós’ é um livro que cumpre exatamente o que promete:

Quando você ler este livro, vai fazer várias suposições.
Vai supor que está lendo sobre uma ex-mulher ciumenta e obcecada.
Vai supor que está lendo sobre uma jovem prestes a se casar com o homem que ama.
Vai supor que a primeira mulher era um desastre, e que o marido fez bem em se livrar dela.
Vai supor que conhece os motivos, a história e a dinâmica desses relacionamentos.
Chegou a hora de parar de fazer suposições.

Geralmente eu me esforço em fazer um texto sem spoilers mas nesse livro tenho enfrentado alguma dificuldade pra escrever essa resenha sem citar alguns elementos da narrativa, portanto ALERTA DE SPOILER!

Tudo começa com o duplo ponto de vista de Vanessa e Nellie. A primeira parte (o livro é dividido em 3) mostra uma jovem sonhadora e apaixonada e uma mulher ferida, recém-divorciada, obcecada e incapaz de superar o ex-marido perfeito. Porque é assim que Richard nos é apresentado.

O príncipe encantado, amoroso e gentil. Sempre presente nos momentos de necessidade, sempre solicito em ajudar sua amada. A construção das autoras nesse ponto é impecável. Vão aos poucos jogando elementos em um e outro ponto de vista que vão se amarrando e interligando as narrativas. O único ponto que – pra mim – fugiu da intenção inicial delas foi justamente aquele que deveria ser o mais bem-feito: Richard.

Como já falei, ele é perfeito, perfeito demais. Talvez seja por ter lido muitos livros na vida ou apenas implicância pessoal mas todas as ações do empresário bonitão me soavam, desde o início, calculadas. Sem contar nas vezes em que senti um certa manipulação nas suas palavras e decisões. Não vou citar abertamente aqui mas posso afirmar que não gostei dele desde o princípio (e caso alguém leia / já tenha lido o livro, peço encarecidamente que comentem se foi só eu que tive essa antipatia imediata).

No fim da primeira parte descobrimos que (ALERTA DE SPOILER!!) Vanessa e Nellie são a mesma pessoa. Não é impossível descobrir antes da revelação – as pistas são sutilmente colocadas aqui e lá mas o envolvimento com as narrativas são boas o suficiente para nos fazer ficar ‘como não notei antes?!”

A segunda parte dá um salto na construção da personagem Vanessa e também as memórias turvas de seu casamento com Richard – quando finalmente descobrimos de fato que ela passou por um relacionamento abusivo. Pausa por um momento. É necessário ser bastante cuidadoso ao se falar sobre determinados assuntos e relacionamentos abusivos é um deles.  É difícil afirmar algum tipo de experiência pessoal de Hendricks ou Pekkanen mas com certeza houve um cuidadoso e extenso trabalho de pesquisa sobre o assunto e as consequências na psique da vítima.

Quando a personagem começa a relembrar os traquejos e manipulações, a raiva e reações exageradas do ex-marido e como isso a subjugou, a transformou, destruiu, a escrita assume um tom assertivo em deixar claro a participação de ambas as partes nessa relação. A imposição dele e a gradual anulação dela “por vontade própria” (muitas e muitas aspas nessa expressão, por favor). Todas as questões levantadas, a forma como as situações são levadas, tudo se volta para as emoções e conflitos enfrentados por Vanessa.

O misto de sentimentos, as exitações em sair do controle, o medo de estar paranóica ou errada, todas as diferentes reações quando se está notando as atitudes contraditórias e manipuladoras do marido, está tudo nas páginas desse livro. Não saberia dizer se pra alguém que passou por situações parecidas poderia ser ou não algo positivo ler essa história mas com certeza pra quem nunca viveu ou presenciou (será que existe?) as autoras conseguem de forma genial trazer todo o entendimento – ou ao menos empatia – de quem passou.

A terceira parte conta a superação (ou o mais perto disso possível) e dá o tom de esperança devido. No fim, a promessa inicial foi cumprida: a história não é o que pensamos. Não é um suspense, não tem mistério a ser desvendado.  É um drama, sobre o que mais profundo existe no ser humano: a perda e o encontro de si mesmo.

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Quem tiver curiosidade, o book trailer não entrega muito mas tem um tom idêntico ao do livro: