Data de lançamento: 11 de fevereiro de 2016 (1h59min)
Direção: Tom Hooper
Elenco: Eddie Redmaine, Alicia Vikander
Gêneros: Drama; Biografia
Nacionalidades: EUA, Reino Unido, Alemanha
Sinopse: A história do pintor dinamarquês Einer Wegener que, em 1931, foi uma das primeiras pessoas a se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo, tornando-se uma mulher e passando a se chamar Lili Elbe.

“A Garota Dinamarquesa” é um daqueles filmes que todos devem ver. Baseado no livro homônimo de David Ebersoff (algumas versões foram traduzidas para ‘A Moça de Copenhague’), traz uma versão romantizada da história real de Lili Elbe, primeira transexual a se submeter a cirurgia de redesignação sexual na década de 1920. Infelizmente, ela não sobreviveu aos procedimentos ainda tão primitivos, mas sua história e seus diários da mudança de gênero ainda são materiais de comoção.

Antes que reclamem que há spoilers logo no primeiro parágrafo, fiquem tranquilos. Não há. Essa é a História do caso – seria como dizer que Napoleão perdeu a guerra na Rússia no inverno ou Getúlio Vargas se matou. O filme se baseia no livro de Ebersoff, que apesar de inspirado na vida de Elbe e Wegener, traz muitos elementos criados para ser considerado “história real”. Pro bem ou pro mal, é essa versão que é levada as telas e que ficará na memória comum. Mas, é possível dizer logo de cara, que versão maravilhosa!

O filme traça sua narrativa focando no relacionamento entre Gerda Wegener e Einar/Lili. Do casamento entre homem e mulher à amizade entre as duas mulheres, o longa traz um emocionante relato da força do amor verdadeiro que não se prende a convenções sociais ou mesmo a aparência externas.

Claro que a mudança de gênero é conturbada para ambas as mulheres. O descobrir de Lili e a perda de Gerda (afinal, seu marido não existe mais) são delicadamente retratados, deixando o espectador conhecer, entender e sentir junto às personagens cada novo obstáculo, cada nova descoberta. É impressionante como, mesmo nas brigas, em nenhum momento nos desligamos das duas vidas, tão fortemente balançadas por algo inevitável: Einar sempre foi Lili, mas só então, após as pinturas de sua esposa, é que ela toma coragem em se revelar.

Muito pode ser falado sobre algumas escolhas do diretor Tom Hooper, especialmente no que se diz respeito a deixar passar alguns elementos menos bonitos ou mais controversos que poderiam suscitar com o tema abordado mas é impossível não se emocionar. Ao focar sua visão nas duas mulheres e na relação delas, o diretor acerta em cheio ao revelar um conto sensível, apaixonante e universal – o sexo/gênero das personagens, no fim, é o que menos importa.

E se a força da narrativa vem das personagens, a força de suas personagens vem de seus intérpretes. Eddie Redmaine sempre surpreende com a capacidade de trazer interpretações tão minimalistas e sutis transformando-as em formas muito mais eficazes de transmitir emoção do que com gritos e choros atormentados. Mas seria injusto não dizer que o filme é de Alicia Vikander. A entrega que ela tem a Gerda as funde, e não deve ter sido fácil transportar essa Gerda pra vida real. De uma força incalculável, de uma emoção vívida e transbordante, a esposa  de Einar e melhor amiga de Lili é o motor, o fio condutor e a direção de toda a história. De fato, sem ela, Lili jamais subsistiria. A única injustiça, é Vikander ter recebido o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, pois ela rouba cada cena pra si e pode, sem nenhuma dúvida, ser considerada a peça principal do longa.

Sem muito acrescentar, com uma fotografia e direção musical apenas levemente acima do necessário para contar o que foi proposto e uma linha temporal que pode ser questionada em alguns momentos, A Garota Dinamarquesa entrega todo seu potencial no que é mais importante mas as vezes esquecidos em meio a produções cinematográficas cada dia mais tecnológicas: o fator humano. E deixa uma dúvida apenas em a quem o título se refere: Gerda ou Lili. A resposta pode não ser tão óbvia quanto parece.

Pra quem quiser ler o romance que o filme foi baseado, na Amazon está por R$17,10; na Submarino por R$23,99 e na Livraria Cultura por R$34,50