O ÚLTIMO DOS MAGOS (O Último dos Magos #1)
Lisa Maxwell

SKOOB

Na Nova York dos dias atuais, a magia antiga e natural está quase extinta. Os poucos que ainda têm afinidade com ela – os Mageus – vivem nas sombras, escondendo o que são. Além disso, qualquer Mageus que adentre Manhattan é capturado por uma armadilha: a Beira, uma barreira invisível que os deixa permanentemente presos à ilha. Atravessar a fronteira estabelecida pela Beira significa perder os poderes – e, frequentemente, a própria vida.

A jovem Esta é uma ladra talentosa e cresceu sendo treinada para roubar artefatos mágicos da Ordem, organização misteriosa criadora da Beira. Esta também tem uma habilidade inata: manipular o tempo. A jovem é capaz de furtar objetos do passado, coletando-os antes mesmo que a Ordem perceba que ela está lá. Mas todo o treinamento de Esta tem sido para uma tarefa maior: viajar até o ano de 1902 para roubar um livro antigo. Acredita-se que o Livro contém todos os segredos da Ordem – e da Beira. A missão de Esta é furtá-lo antes que o Mago o destrua, garantindo assim um futuro melhor a todos os que têm afinidade com magia.
Mas a Nova York do início do século XX em que Esta deve mergulhar é perigosa e sem leis, comandada por gangues e sociedades secretas. Um lugar em que é possível sentir magia até no ar que se respira. Nada é o que parece, nem mesmo o Mago.

E, para salvar o próprio futuro, Esta deve trair a todos no passado – sem exceção.

“Impeça o Mago. Roube o livro. Salve o futuro.”

Esse é o slogan de “O Último dos Magos”, de Lisa Maxwell, e poderia muito bem ser um resumo sucinto, cru e direto do livro. A minha indicação de hoje é sobre um lançamento da Plataforma21 do final de 2017 (PLATAFOMA21 EU TE AMO ME NOTA!!!) que, infelizmente, pouco escuto falar na fandom literária. Espero que essa resenha ajude a mudar isso. Se você gosta de aventura, ação, viagem no tempo, magia e, porque não, romance, recomendo que dê uma chance para esse post. Esse livro talvez seja para você também!

“O Último dos Magos” é uma fantasia urbana (ou de época?) que se passa em Nova York e inicia nos tempos atuais. Esta é nossa protagonista (o nome da moça é Esta mesmo, não estou falando do pronome demonstrativo), que é uma Mageu, que seria um Mago, pessoas que tem habilidades mágicas. A habilidade de Esta é um tipo de “manipulação do tempo”, o que a torna uma excelente ladra e, em conjunto com um artefato mágico, a possibilita de viajar no tempo. Assim, Esta recebe várias tarefas do Professor Lachlan (que é uma espécie de mentor e pai adotivo para ela) para roubos de artefatos mágicos através das décadas, a treinando e usando assim os dons da garota.

“A magia vive nos espaços, nos vazios entre todas as coisas, conectando-as. Está ali, à espera daqueles que sabem encontrá-la, daqueles que têm a habilidade nata de entender essas conexões: os Mageus.
Daqueles como Esta.”

Todos esses roubos tem um propósito: juntar poder suficiente para conseguir a liberdade dos Mageus. Na história, eles são um povo que vive escondido e negligenciado pela sociedade. Eles são perseguidos por décadas pela Ordem, um grupo que os vê como uma ameaça e como um povo inferior. A Ordem acaba construindo uma barreira mágica em Nova York, chamada Beira, que mantém os Mageus presos dentro da cidade. Se um Mageu tenta atravessar a Beira, ele sofre terríveis consequências.

“E, bifurcando a ponte, ficava a Beira, o limite invisível que impedia os Mageus de sair da cidade com sua magia intacta. Que os impedia de corromper as terras e os campos mais além com um poder que a Ordem – e a maioria da população – acreditava ser perigoso e selvagem.”

Acredite: tudo que contei agora foi só uma introdução do livro. A história realmente começa com a mais importante missão da Esta, que é voltar para o ano de 1902 e recuperar um livro e leva-lo para o presente, antes que ele seja destruído naquele mesmo ano. Esse livro é capaz de ter a chave para a “destruição” da Beira e a liberdade dos Mageus. Esta então precisa se infiltrar em equipes de Mageus, manipular pessoas, mentir, provar seu valor e passar por vários obstáculos a qualquer custo, a fim do seu único objetivo que é recuperar o livro.

O livro é narrado em terceira pessoa com pontos de vista alternados entre os personagens (talvez meu tipo favorito de narrativa). Os principais narradores são Esta, Harte e Dolph e os capítulos são curtos e ágeis, tornando a leitura fluída e rápida.

Esta é uma protagonista muito interessante, dinâmica e focada. E também divertida. Ela foi treinada para sua função de viajante no tempo, ela estudou como funcionam as variadas décadas, mas isso não a impede de ter inseguranças à frente de uma missão tão importante. E é também legal ver o quanto o conhecimento de Esta sobre o futuro pode ser usado a favor dela no passado.

“Arrependimento é coisa de gente que arrasta o passado consigo por todos os lados, e Esta nunca foi de carregar esse tipo de peso morto.”

Harte seria uma espécie de co-protagonista, que se mostra tão importante quanto Esta em toda a teia de história que se forma. Ele é um Mageu que Esta conhece em 1902, que acaba se camuflando na sociedade nova iorquina através de seu trabalho no teatro, com apresentações de truques de mágica. Harte também está atrás do livro.

Dolph é talvez o personagem que se mostra mais “cinza” durante a história. Ele é líder de uma importante equipe de Mageus que usa seus poderes para roubos e trambicagens. É ele que acaba abrigando Esta em sua equipe, mas claro, com intenções que ela o ajude a botar as mãos no tal livro.

Imagina o quê espera nessa história com três personagens atrás de um livro para si mesmo, cada um com um objetivo diferente.

Sobre o romance, não quero dar spoilers. Mas a dinâmica dos personagens é muito divertida. Dois personagens trabalhando juntos atrás do mesmo objeto, um com a ideia de trair o outro quando o conseguirem. Típico relacionamento gato e rato, cheio de provocações e planos mirabolantes de traições, enquanto um depende da ajuda do outro.

“Os dois estavam sentados em lados opostos da mesa, jogando um contra o outro, na esperança de ganhar o mesmo prêmio. Mas ele tinha muito mais coisa em jogo, e, se as circunstâncias o obrigassem, não permitiria que ela saísse vitoriosa.”

A ambientação do livro é um dos pontos fortes, na minha opinião. Todo aquele clima de Nova York em 1900, de trambicagem, de truques de mágica, de magia, de jogos de manipulação… Incrivelmente divertido!

A construção mágica dos Mageus foi o que eu achei um pouco rasa. Não se sabe muito sobre como é e como funciona a magia deles nesse primeiro livro. Isso se justifica pelo fato de que os Mageus vivem escondidos da sociedade e acabam não revelando muito sobre suas habilidades nem para os outros personagens, para não correr riscos. Porém, mesmo justificado, senti falta de mais informações.

Para finalizar, “O Último dos Magos” foi um livro que me agradou completamente. Personagens, ambientação, enredo, narrativa. Tudo do jeito que gosto. Eu tiro um pouco da nota final só pelas viagens no tempo que, para mim, em toda história, sempre podemos encontrar algum furo ou soluções mais práticas. Mas nada que atrapalhasse a história do livro para mim ao ponto de sobrepor os pontos positivos. O livro tem tantos focos e enredos, que viagem no tempo acabou se tornando um bônus.

Queria poder falar mais dos personagens e do desenvolvimento deles, mas tentei ser o mais vaga possível, porque seria impossível escrever mais sem dar spoilers.

“Mas desejos eram coisas de criança, e fazia muito tempo que ele se tornara adulto. Apenas um dos dois poderia vencer aquele jogo, e tinha que ser ele.”

“The Devil’s Thief”, a continuação de “O Último dos Magos”, será lançado nos EUA em outubro desse ano e a Plataforma21 já confirmou que irão lançar aqui no Brasil. A série é será uma trilogia.